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COLUNA VERTICAL


Terça-feira, 25.04.17

A vida a preto e branco

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Segunda-feira, 24.04.17

«'Portuguesas' e 'portugueses' é uma estupidez.»

Isabel Casanova (*) - in Facebook de 15 de Abril de 2015

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«'Portuguesas' e 'portugueses' não é apenas um erro e um pleonasmo: é uma estupidez.» É bem verdade, mas apresentemos argumentos um pouco mais científicos.

Com a preocupação de defender os direitos das mulheres, o primeiro-ministro francês fez aprovar o Decreto n.º 84-153, de 29 de fevereiro de 1984, que criou uma comissão de terminologia encarregada de estudar a feminização dos títulos e funções, assim como, de uma maneira geral, o vocabulário respeitante às atividades das mulheres.

A comissão começou a trabalhar com base no pressuposto de que a língua francesa seria machista, assumindo-se que o masculino favorecia um apagamento do feminino, que o masculino se sobrepunha e abafava o feminino. Era essa a ideia do governo francês, e foi com essa ideia que a comissão de terminologia foi criada.

Surpreendentemente para o governo, mas não para os linguistas sérios, a comissão veio declarar que a preferência pelo masculino em nada abafava ou diminuía o valor do feminino. Com efeito, diz a comissão:

«Herdeiro do neutro latino, o masculino mostra-se imbuído de valor genérico, sobretudo nos casos de plural que lhe atribuem a capacidade de referir indivíduos dos dois sexos, neutralizando assim os géneros.»

E continua, a propósito do que refere como «a regra genérica do masculino»:

«Para referir o sujeito jurídico, independentemente da natureza sexual do indivíduo referido, melhor será recorrer ao masculino, uma vez que o francês não tem género neutro. [...]

A comissão defende que os textos regulamentares devem respeitar o regime da neutralidade das funções.»

Na mesma linha se pronunciou a Academia Francesa, chamando a atenção para a não coincidência do género gramatical e do género natural, que todos os linguistas bem conhecem. De facto, a associação do género gramatical ao género natural (ou sexo) é abusiva. As crianças podem ser do sexo masculino, assim como as vítimas e as testemunhas podem ser homens. Também o príncipe Hamlet é uma personagem shakespeariana. No entanto, a língua marca essas palavras de femininas, independentemente de o referente ser masculino ou não. O crocodilo não é necessariamente masculino nem a mosca necessariamente um animal (ou animala?, para não ser machista) feminino. Em francês, a vítima (la victime) é uma palavra do género feminino, mas a testemunha (le témoin) do género masculino. O género gramatical é uma convenção linguística, tal como o número e o caso, por exemplo.

E contrariamente ao que já foi publicamente dito, não é verdade que «a língua reflete os valores, usos e costumes da sociedade. Promove a desigualdade se usarmos uma linguagem que consagra a ideia do masculino como universal». Não é a língua que promove a desigualdade, é a sociedade que promove a desigualdade. Acusar a língua é deitar poeira para os olhos, dirimindo responsabilidades e deixando a sociedade longe de toda a culpa. A culpa é da língua?! E assim ficarão todos contentes quando falam com os colegas e as colegas.

Optou-se por isso pela poeta, a juiz, para que profissões iguais tivessem denominações iguais. Então o que serei eu? Professora? Professor? Ser poetisa é ofensivo e discriminatório, mas ser maestrina é uma honra. Em que ficamos? Felizmente o bom senso dos portugueses só muito levemente acolheu o delírio da presidenta.

A Academia Francesa viria a pronunciar-se em junho de 1984, defendendo que é imprópria a denominação tradicional dos géneros masculino e feminino. E tem muita razão. A denominação é errónea, uma vez que não se trata aqui de uma distinção entre masculino e feminino, mas de uma distinção entre marcado (ou intensivo) e não marcado (ou extensivo). Na esteira do neutro latino, o masculino é o género não marcado. Quer isto dizer que, quando se verifique oposição de género, o feminino refere-se geralmente ao género feminino, e o masculino refere-se ao não marcado, isto é, aproxima-se do que seria um género neutro. Assim, o dever do professor não exclui a professora, o cartão do cidadão não é só para os homens, e se, perante um acidente, alguém gritar «Socorro, chamem um médico», a médica não tem o direito de continuar caminho, porque, afinal, o que eles queriam era um homem. O mesmo acontece quando aconselhamos alguém a consultar um advogado. Não estamos a falar de um homem, estamos a falar de uma profissão (e profissão é uma palavra feminina, quererá isto dizer alguma coisa?), de uma forma não marcada, de valor próximo do neutro. A ordem dos médicos não exclui as médicas, e na greve dos enfermeiros as enfermeiras também reivindicam. No entanto, a médica que nos atendeu é seguramente uma mulher, tal como a notária, a advogada, a enfermeira, a professora, a aluna, etc.

Como se poderá acusar de ser machista uma língua que marca de feminino o que é feminino e de masculino o que é sexualmente irrelevante? O masculino é de facto o tal género não marcado ou extensivo.

Ofensiva e machista, porém, é sem dúvida a prática de alguns falsos igualitários e pseudodemocratas que têm a preocupação de pôr senhor(a) ou doutor(a). Os parênteses, pelos vistos, não os chocam. Isso, sim, citando Miguel Esteves Cardoso, é uma estupidez. E é profundamente paternalista e machista.

_____________

(*) Isabel Casanova, licenciada em Filologia Germânica, mestre e doutora em Linguística Inglesa pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É professora associada com agregação da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa e especialista em Estudos Contrastivos e Lexicografia. Das suas atividades destacam-se especialmente a lecionação nos Mestrados em Linguística Aplicada ao Ensino do Inglês e da sua obra destacam-se, entre outros: Manual de Linguística Inglesa, Linguística Contrastiva: O Ensino da Língua Inglesa, A Língua no Fio da Navalha; Ensaio para um Dicionário da Língua Portuguesa, Dicionário Terminológico: Compreender a TLEBS, Discursar em Português... e não só, Português para o Mundo, Português Revisitado: Dúvidas e Erros Frequentes, assim como a colaboração como especialista de língua portuguesa nas edições da Enciclopédia Larousse publicada em Portugal.

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Segunda-feira, 24.04.17

O mundo está perigoso, né?

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Sexta-feira, 21.04.17

Dois esclarecidos cidadãos que andaram pela política activa até ficarem bem vacinados

O Mirante de 13-4-2017

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O engenheiro agrónomo Hermínio Martinho ficou conhecido por ter fundado o PRD (Partido Renovador Democrático), em 1985, e ter conseguido uma votação a rondar os 18% nas primeiras eleições em que participou. Santana-Maia Leonardo foi vereador da oposição nas câmaras municipais de Ponte de Sôr e Abrantes e recentemente foi falado por ter sido advogado do jovem agredido pelos filhos do embaixador do Iraque. Os dois dizem que nunca viram o Canal Parlamento e que não irão voltar à política activa. Mas o facto de estarem vacinados não significa que estejam com ouvidos e boca tapados.

Santana-Maia Leonardo diz que já está habituado a ver certos portugueses muito escandalizados quando ouvem alguém dizer aquilo que eles próprios dizem. A confissão é feita a propósito da declaração do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, sobre o facto dos países do Sul da Europa gastarem muito dinheiro em “copos e mulheres”.

Nós escandalizamo-nos quando outros dizem aquilo que nós próprios dizemos de nós. E por vezes até dizemos coisas piores que as que ele disse e nem sequer estamos a usar nenhuma metáfora, como ele fez. Às vezes, por exemplo, oiço pessoas dizerem as piores coisas de familiares. Chamam nomes à mãe, ao pai, aos irmãos... mas depois se houver alguma pessoa de fora que diga qualquer coisinha muito menos grave... é uma ofensa enorme e imperdoável. Gostamos de levar as coisas muito literalmente mas só quando nos convém”, explica, perante a concordância do seu companheiro de conversa, Hermínio Martinho.

O desencanto do advogado com certos comportamentos de alguns portugueses vai mais longe. “Ouvimos certas pessoas dizerem que gostam muito de quem é sincero mas se o seu interlocutor for sincero e lhes disser na cara aquilo que verdadeiramente pensa, ficam irritadas e nunca mais lhe falam. É uma hipocrisia. A sinceridade de que gostam é dizermos bem delas”.
Hermínio Martinho diz que tem tendência a não radicalizar a relação com o outro. A sua postura é conciliatória e acredita que esse é o caminho para a harmonia. “Os outros são connosco um pouco aquilo que nós somos com eles. Se tivermos uma predisposição natural para tratar as pessoas como gostamos de ser tratados podemos conseguir relações menos agressivas. Às vezes até um sorriso resolve muita coisa. Eu tenho seguido sempre a política de tratar os outros como gosto que me tratem a mim”, declara.

Santana-Maia Leonardo ouve com atenção mas retoma o discurso do desencanto. “Eu hoje estou muito descrente da natureza humana. O povo português, de uma forma geral, é um povo camaleão. O facto de termos vivido 400 anos com a Inquisição, 50 anos de ditadura e de termos sido um povo pequeno que conheceu o Mundo e teve que se adaptar ao que foi encontrando para sobreviver, fez-nos ganhar uma pele de camaleões. Se o português for para a Espanha é espanhol. Se for para França é francês. Se for para a Alemanha é alemão. É por isso que nesses países gostam dos portugueses. Mas o pior é em Portugal. Camaleões a viverem e a serem governados por camaleões não dá resultado”, ironiza.

Os dois participantes nas conversas da série Duetos estiveram durante muitos anos ligados à política activa mas dão a entender que ficaram vacinados. Hermínio Martinho, conhecido por ter sido o fundador do PRD (Partido Renovador Democrático) em 1985, foi vereador na Câmara de Santarém, eleito pelo PSD num mandato e pelo PS noutro.

Santana-Maia Leonardo concorreu sempre pelo PSD e foi vereador nas câmaras municipais de Ponte de Sôr e de Abrantes. Diz que actualmente até se sente constrangido por ter sido daquele partido mas atenua esse facto dizendo que o que o moveu não foi o desejo de poder mas o de participação cívica e de defesa da liberdade e da democracia.

Em nenhuma das duas câmaras havia qualquer possibilidade de vencer. Se houvesse acho que não tinha sido candidato. Fui sempre da oposição e já sabia que iria ser assim quando aceitei ser candidato. Era para mim impensável ser candidato do PSD em locais onde o partido vence sempre, como na Madeira ou em Viseu”, defende.

O advogado vê de vez em quando o programa de política “Quadratura do Círculo”, normalmente fora de horas. Hermínio Martinho diz que não liga muito à politica. Os dois confessam que nunca viram o Canal Parlamente e que a televisão lhes serve principalmente para verem alguns jogos de futebol, seja da Liga Inglesa ou do Barcelona no caso do advogado, seja do Benfica e da Selecção Nacional, no caso de Hermínio Martinho.

Já foram espectadores mais ou menos assíduos de cinema e aproveitavam as idas a Lisboa para ver alguns filmes mas o desaparecimento das salas que passavam filmes interessantes e a diminuição de qualidade dos filmes fê-los virarem-se para a música, nomeadamente a música clássica, que ouvem no carro quando viajam.

Trabalhar para limpar o lixo que outros despejam à nossa porta e é se não queremos ter lixo à porta

O engenheiro Hermínio Martinho dá semanalmente meia hora de trabalho voluntário a uma causa perdida e já convenceu alguns vizinhos a fazerem o mesmo. Ele elogia a força do exemplo mas a força do exemplo não resolveu o problema que o faz sair à rua nas manhãs de domingo.

A minha quinta em Santarém confina com a estrada que vai das Fontainhas a Perofiho. Uma das coisas que me incomoda é ver a falta de civismo dos condutores que por ali passam e que atiram tudo e mais alguma coisa pelas janelas das viaturas. Para evitar aquele espectáculo do lixo espalhado por todo o lado eu gasto, todos os domingos de manhã antes de almoço, entre vinte a trinta minutos a apanhar aquilo”, explica.

E acrescenta: “Levo um saco de plástico dos grandes e encho-o por completo. Apanho papéis, garrafas, maços de tabaco vazios, caixas de medicamentos vazias, embalagens vazias de chocolates e de outros alimentos. De início as pessoas metiam-se comigo. Agora já vou vendo vizinhos meus a fazerem o mesmo. A apanharem o lixo em frente àquilo que é deles”.

Hermínio Martinho conta a história para exaltar a força do exemplo e Santana-Maia Leonardo também explica que quando era professor entrava à frente dos alunos para apanhar os papéis que tinham ficado no chão após a última aula, tendo reparado que ao fim de algum tempo eram os alunos a apanhá-los. Mas se no caso do ex-professor o exemplo contagiou quem fazia lixo, isso não acontece no caso relatado por Hermínio Martinho. Afinal, os automobilistas e os passageiros continuam a atirar lixo para a estrada.

Como o que não se queria fazer e se foi fazer a contragosto acabou por ser das coisas mais importantes da vida

O avô materno de Santana-Maia Leonardo não tinha o neto em muito boa conta por causa das noitadas dele e da sua rebeldia. Por isso, quando soube que ele tinha sido chamado para cumprir o serviço militar obrigatório ficou muito preocupado e até confessou que receava que ele acabasse no Presídio Militar.

Fui chamado para fazer o serviço militar em 1983, depois de meses antes me terem comunicado que tinha passado à reserva”, conta o advogado, que acrescenta: “Vim a saber que fui chamado porque tinha havido muitos que se tinham declarado objectores de consciência, que era uma desculpa muito utilizada na altura por quem não queria fazer a tropa”.

Apesar de aconselhado a declarar-se também objector de consciência e dos receios do avô sobre a sua natural propensão à indisciplina, Santana-Maia Leonardo acabou por se apresentar.

Tinha dois filhos pequenos, um com dois anos e outro com um e estava a fazer o estágio para professor. Fui a contragosto mas agora posso dizer que o serviço militar foi das coisas mais importantes da minha vida porque fez de mim uma pessoa melhor”, declara.

Foi o primeiro classificado no Curso de Oficiais em Mafra e depois foi colocado em Santa Margarida. A partir dessa altura o avô começou a olhar para ele como um homem.

Aquilo que sou hoje devo-o ao serviço militar. Aprendi muita coisa como o espírito de missão, por exemplo. Se tenho uma coisa importante para fazer sacrifico tudo para conseguir. A tropa deu-me também resistência psicológica e aprendi o valor da solidariedade e do exemplo. Tenho procurado na minha vida, seja onde for, dar o exemplo. Fui presidente de um clube e nunca entrei no estádio sem pagar bilhete. Nunca usei uma carrinha do clube para tratar de assuntos pessoais. Nunca fui a um jantar do clube sem pagar”, explica.

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Sexta-feira, 21.04.17

Certidão de virgindade... por falta de pontaria

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Quinta-feira, 20.04.17

Nem sempre se ganha...

Nada a dizer quanto ao desfecho da eliminatória, nem quanto à prestação do FC Barcelona em Camp Nou.

O Barça arriscou tudo contra uma equipa da Juventus que, fazendo jus à tradição das equipas italianas, manteve fechada a sua baliza a sete chaves.

Pessoalmente gosto muito do FC Barcelona pela mesma razão que não gosto das equipas italianas e do seu modelo de jogo.

O FC Barcelona, ganhe ou perca, assume sempre o jogo, correndo riscos e praticando um futebol ofensivo, ao contrário das equipas italianas que privilegiam sempre uma defesa muito cerrada, explorando o contra-ataque. 

Como dizia Cruijff, se o modelo de jogo praticado pelas equipas italianas triunfasse, tal significava a morte do futebol como espectáculo.

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Quinta-feira, 20.04.17

Sir Alex Ferguson

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"Eu nunca joguei para o empate na minha vida."

"Perder é uma excelente ferramenta de gestão desde que não se torne um hábito."

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Quarta-feira, 19.04.17

"SOMOS EL BARÇA"

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Terça-feira, 18.04.17

E não há ninguém que lhes leia a cartilha?

Santana-Maia Leonardo Rede Regional de 17-4-2017

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O cântico dos Super Dragões em que utilizaram a tragédia do Chapecoense para atacar o Benfica foi sobretudo uma manifestação de ultra-estupidez não só pela falta de sensibilidade revelada mas sobretudo porque era um daqueles casos mais do que evidentes em que o único clube que iria sair maltratado com a brincadeira era o clube dos Super Dragões: o FC Porto. Em todo o caso (é bom não esquecer), não foram os Super Dragões os causadores da queda do avião do Chapecoense.

Relativamente ao cântico da claque do Benfica em que festejaram o very-light que assassinou o adepto do Sporting no Jamor, estamos noutro patamar de gravidade porque já não se trata apenas de uma brincadeira de mau gosto.  Com efeito, neste caso, o que a claque do Benfica celebra é um assassinato cometido por um elemento da própria claque, enquanto membro da claque e durante um acontecimento desportivo em que a claque participou e interveio. Ou seja, para além de não mostrar o mínimo de respeito pela dor da família da vítima e pela sua memória, a claque do Benfica não só não demonstra a mais pequena ponta de arrependimento como faz questão de manter vivo este caso, mais de 20 anos depois, não para servir de exemplo para não se repetir mas para o festejar e celebrar, fazendo a apologia da mão assassina.

Com a agravante de ser reincidente: o ano passado colocou uma tarja a festejar o aniversário do assassinato e agora repete o cântico em dois jogos seguidos. Parece-me que já vai sendo tempo de alguém lhes ler a cartilha...

Quanto maiores são os clubes, maior devia ser a sua responsabilidade e a sua preocupação no exemplo que transmitem... Mas, em Portugal, já todos percebemos que, com Águias, Leões e Dragões, o nosso futebol está entregue aos bichos, sendo as televisões e os jornais desportivos portugueses o habitat natural desta bicharada.

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Segunda-feira, 17.04.17

Old Trafford, o Teatro dos Sonhos

NOTA INTRODUTÓRIA

Como adepto de futebol, sou logicamente um apaixonado pelo futebol inglês, único campeonato que sigo religiosamente desde há muitos anos.

Em Inglaterra, a Pátria do Futebol, não há jornais desportivos nem programas televisivos onde comentadores a soldo dos principais clubes destilam ódio e chafurdam na lama.

Os ingleses, ao contrário dos portugueses, gostam de futebol, não gostam de conversa fiada.

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No balneário, no lugar de Ibrahimovic. No estádio, no lugar de Mourinho.

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Sábado, 15.04.17

Jornalismo e publicidade

Santana-Maia Leonardo Diário As Beiras de 29-3-2017

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A subserviência e o culto pelos senhores presidentes “do que quer que seja” ainda continua muito encrustada na alma servil do nosso povo, fruto de quatrocentos anos de Inquisição e cinquenta anos de ditadura que a lei da selva da República apenas ajudou a cimentar.  E isso reflecte-se de sobremaneira no nosso jornalismo em que a viabilidade económica da esmagadora maioria dos órgãos de comunicação social local, regional e até nacional dependem praticamente das boas relações com quem detém o poder e das suas liberalidades.

Aliás, chamar jornalismo à maior parte daquilo que se vai lendo, ouvindo e vendo por aí nos nossos jornais, rádios e televisões é uma força de expressão. Para quem não saiba o que é jornalismo, a definição de George Orwell continua cada vez mais actual: "Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Tudo o resto é publicidade."

E basta passar os olhos pela maioria dos jornais locais e regionais para se constatar, de imediato, que não estamos perante verdadeiros jornais mas boletins municipais embrulhados em papel de jornal, destinados a publicitar e enaltecer a obra dos senhores presidentes e governantes, sem direito sequer a contraditório. Até porque, na maioria dos casos, se houvesse contraditório, acabava-se o jornal. E num país como o nosso em que os senhores presidentes acordam quase sempre com os pés de fora, nunca é bom arriscar ou confiar demasiado na sua generosidade desinteressada mesmo que apregoada.

Como dizia George Orwell, “se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir." Mas este conceito de liberdade é demasiado aberto para as nossas estreitas mentes, apenas receptíveis a palmadinhas nas costas.

Mesmo os nossos tribunais, só há bem pouco tempo e fruto das consecutivas e vexatórias sentenças condenatórias do Estado português, no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, por violação do direito à liberdade de expressão, começaram a deixar de dar cobertura às perseguições, por via judicial, que eram movidas contra aqueles que tinham a coragem de criticar e denunciar os abusos dos detentores da chave do palheiro que povoam o território nacional.

«O direito à liberdade de expressão não protege o direito a ter razão mas o direito a não a ter». Foi desta forma lapidar que um juiz norte-americano, numa sua sentença, definiu o objecto e a latitude deste direito que, em Portugal, toda a gente invocae pouco gente pratica e respeita.

Em todo o caso, não vale a pena os nossos ditadorzinhos temerem pelos seus lugares porque um povo habituado a viver de cócoras, como o nosso, mesmo na solidão da cabine de voto, é incapaz de votar direito.

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Quarta-feira, 12.04.17

A nossa justiça

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Quarta-feira, 12.04.17

Portugal no Museu do Futebol

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O Museu do Futebol em Manchester tem por pano de fundo o Mundial de 1966, ganho pela Inglaterra.

Não é, pois, de estranhar que o Portugal de Eusébio tenha um lugar de destaque.

No jogo do Brasil, recorda, no entanto, a forma como Pelé, o melhor jogador do mundo da época e ainda hoje considerado por muitos o melhor jogador de todos os tempos, foi eliminado por Portugal, antes de ser eliminado o Brasil.

Neste tempo, os grandes jogadores eram vítimas de entradas absolutamente assassinas por parte de caceteiros das equipas adversárias, com grande condescendência das equipas de arbitragem fiéis ao princípio então em voga de que o "futebol era para homens de barba rija".

"No Campeonato do Mundo, o Rei morreu! Longa vida a Eusébio!"

E a célebre foto de Eusébio em lágrimas no final do jogo com Inglaterra também não podia faltar na Museu do Futebol.

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Domingo, 09.04.17

Em campanha eleitoral

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Sexta-feira, 07.04.17

Outra vez - Etar dos Carochos

Artur Lalanda - 10 de Dezembro de 2016

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A Lena, sempre a Lena e os seus amigalhaços. Soube-se agora. Através do Programa Operacional de Sustentabilidade no Uso de Recursos, que a ABRANTÁQUA - Serviços de Águas Residuais Urbanas do Município de Abrantes, SA, foi contemplada com a bonita soma de 1 506 000 euros de fundos, pelo vistos sem fundo, por ter construido a Etar dos Carochos, inaugurada já em 2016, quando, contratualmente, devia ter ficado pronta em 2008, com um orçamento de 752 310 euros. Durante 8 anos, os agora utentes da etar, pagaram as taxas  impostas pelo contrato e os esgotos continuaram a entrar no Tejo, sem qualquer tratamento. Em 2012, ainda foi anunciado que a nova etar ficaria pronta em 2014, com um orçamento de 1 766 952 euros, mas era foguetório, como de costume.

Todos os encargos, com as infra estruturas do saneamento, seriam suportados pela concessionária, com capital próprio, uma vez que as verbas consignadas, através dos recibos da água, viriam a compensá-la, posteriormente. Com a conivência da Câmara, a concessionária foi executanto o plano previsto, sempre fora dos prazos contratuais e com dinheiro que recebia antecipadamente. Nunca gastou mais do que recebeu. Entre 2008 e 2013,  recebeu 10 000 772, 31 euros e investiu,  apenas ,  8 084 061,67 euros, pelo que nunca precisou de utilizar capital próprio. Estima-se em cerca um milhão de euros anuais, as verbas consignadas, pelo que, o custo da Etar dos Carochos, há muito tinha sido arrecadado pela concessionária, à custa dos munícipes do concelho.

Nestas circunstâncias, a ABRANTÁQUA ter sido, agora, contemplada com  1 506 000 euros dos tais Fundos sem fundo, deixa-nos a certeza de que a análise dos processos de atribuição dos subsídios adopta critérios a justificar a intervenção das autoridades afectas aos problemas relacionados com a corrupção.

A coberto do ruinoso contrato de concessão, que nos permite admitir ter sido elaborado pela concessionária e assinado de cruz, pela Câmara, para os 25 anos de duração do contrato, o custo de todas as obras a executar, incluindo a exploração do sistema, totalizava 37 750 587 euros. No final de 2014, com a conclusão de todas as obras previstas no célebre anexo II, salvo a Etar dos Carochos, com custo real inferior a 10 milhões, concluimos que a exploração do sistema tem custos cujo valor é quasi quadruplo do custo de todas as obras executadas. Grande negócio para a concessionária que, não podemos esquecer, até 2033, vai continuar a ter verbas concessionadas na ordem do milhão de euros anual, a manterem-se os tarifários em vigor.

Em vésperas de Natal, 1 506 000 de euros de brinde não são para desperdiçar. O saldo da conta “lucros e perdas”, da concessionária, não incomoda os nossos autarcas.

Não, não se trata de ladrões, mas lá que os há, há.

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