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COLUNA VERTICAL


Quinta-feira, 29.06.17

Obrigado, Abrantes! E até sempre!

Recordar o que escrevi há 4 anos aquando da apresentação do livro

"AMAR ABRANTES - O NOSSO CONSELHO"

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Santana-Maia Leonardo - Nova Aliança de 12-6-2013

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Em primeiro lugar e antes de mais, eu e Belém Coelho queremos agradecer a todos aqueles que encheram a sala da Biblioteca Municipal de Abrantes, no passado dia 6 de Junho, aquando da apresentação do nosso livro "Amar Abrantes, o nosso conselho", apresentação esta que funcionou, de certa forma, como encerramento formal do nosso mandato como vereadores da Câmara Municipal de Abrantes.

Queremos também manifestar a nossa compreensão para a desilusão expressa por tanta gente com o chamado aparelhismo, verdadeira fonte do poder partidário e que é incapaz de reconhecer o mérito, o trabalho e os espíritos verdadeiramente livres e independentes, apenas servindo, como é facto notório, para promover os medíocres, o compadrio e a corrupção.

Quanto àqueles que defendem que o aparelhismo local se devia combater com candidaturas independentes, é importante ter em conta que este tipo de candidaturas, infelizmente, também já foi contaminada por esta gente, na medida em que se transformaram, praticamente, em meras extensões das lutas internas dos partidos.

Veja-se no que deu a candidatura dos Independentes por Abrantes que se apregoava suprapartidária, defensora intransigente dos interesses de Abrantes e que jurava aos munícipes que ia fazer a diferença. Eis a diferença! O seu candidato à Câmara, depois de tanta expectativa criada e de tanto trabalho a recolher assinaturas, nem chegou a pôr os pés numa única reunião de câmara. Por sua vez, o seu sucessor conseguiu este feito deveras notável no decurso do seu mandato: representava os Independentes, votava com o PS e era militante do PSD, tendo sido refiliado com o apoio incondicional da presidente da concelhia do PSD, depois de ter sido expulso, pasme-se, pelos órgãos nacionais do partido (não estranhe porque é deste tipo de vereadores que a concelhia do PSD de Abrantes gosta e nos quais se revê). Finalmente, o candidato à Assembleia Municipal nem chegou a tomar posse, renunciando ao mandato com uma carta demolidora onde denunciou o logro em que caíra. Penso que, de independentes de ocasião, já estamos conversados e Abrantes já ficou vacinada.

Além disso, alguém poder pensar que eu estaria disponível para liderar uma candidatura independente do mesmo tipo é não me conhecer. Fui eleito pelo PSD, concluo o mandato no PSD. Mudar de camisola no decurso do mandato não faz o meu género. E apesar de, hoje, dar o dito por não dito se ter tornado uma trivialidade, esse não é ainda o meu modo de vida.

Sem esquecer que uma oposição interventiva e contra os interesses instalados, inclusive, no nosso próprio partido, como eu e o Belém Coelho levámos a cabo, durante 4 anos, é extremamente desgastante a todos os níveis: pessoal, físico, psicológico, familiar, profissional e económico. Com efeito, enfrentar o poder instalado com todo seu séquito de pegadores que infectam todas as instituições, associações e órgãos de comunicação social do concelho, inclusive aqueles e aquelas que se auto-intitulam apartidárias ou da oposição (tanta hipocrisia!), requer uma resistência física e psicológica quase sobrenatural. Pegadores, como devem estar recordados, foi a metáfora usada por Padre António Vieira, no seu "Sermão de Santo António aos Peixes", para classificar todos os bajuladores que vivem à sombra do poder e se alimentam das suas sobras.

Acresce que, neste combate, não pudemos sequer contar com o apoio do partido pelo qual nos candidatámos, onde as cumplicidades com o poder têm raízes muito, muito fundas. As oposições portuguesas, de uma forma geral, adoram brincar à democracia do "faz de conta", esgrimindo as larachas da moda com ar grave de estadista e concorrendo às eleições com o compromisso de sempre do "agora é que vai ser", mas, na prática, não querem colocar nada em causa até porque, se ganharem as eleições, querem manter tudo na mesma. Ora, levar a cabo uma intervenção política como eu e Belém Coelho fizemos é um combate contra o mundo. É descer ao inferno. Eu, pessoalmente, vivi estes quatro anos, literalmente, como o prisioneiro que vai riscando, no calendário, um a um os dias que faltam para a sua libertação.

Recordo que, para aceitar ser candidato à Câmara de Abrantes, impus duas condições. Acontece que nenhuma delas foi cumprida pelo PSD de Abrantes. NENHUMA. Apesar disso, eu e Belém Coelho podemos, hoje, dizer que cumprimos aquilo com que nos comprometemos com os munícipes do nosso concelho: cumprir o mandato no respeito intransigente do nosso compromisso eleitoral e dos seus princípios programáticos em que assentou a nossa candidatura. E se lerem o livro "Amar Abrantes, o nosso conselho", que acabámos de publicar, poderão constatar isso mesmo. Este livro tem isso de bom: ajuda a manter viva a memória dos factos. Porque, como todos sabemos, há muita gente que muda de opinião de acordo com as conveniências, querendo-nos, depois, convencer que aquilo que defende hoje foi o que sempre defendeu.

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Terça-feira, 27.06.17

Às vezes, até parece que Deus existe

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Segunda-feira, 26.06.17

Deixa arder!

Santana-Maia Leonardo - Rede Regional de 26-6-2017

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Quando olhamos para  a cara dos habitantes das aldeias atingidas pelo fogo, das duas uma: ou os habitantes ficaram sem a sua casa ou, muito em breve, vão ser as suas casas que vão ficar sem os seus habitantes.

Por outro lado, quando ouvimos os especialistas, políticos, catedráticos, comentadores e jornalistas debaterem e argumentarem doutamente sobre a floresta portuguesa e a causa dos fogos, não podemos deixar de constatar que todos eles têm três coisas em comum. Podem ser de direita ou de esquerda, transmontanos, alentejanos, beirões ou algarvios mas todos eles residem em Lisboa (primeira característica comum), sabem que a principal causa dos fogos florestais reside no processo de desertificação do território (segunda característica comum) e nenhum deles faz tenção de deixar de residir em Lisboa (terceira característica comum). Aliás, quando chegam aqui, todos se apressam a dizer que o processo de desertificação é irreversível, receosos, porventura, de que alguém os queira obrigar a sair de Lisboa.

É óbvio que o processo de desertificação é irreversível se, ao contrário do que acontece em todos os países da Europa civilizada, todos os ministérios e secretarias de Estado, todas as direcções-gerais, o Supremo Tribunal de Justiça, o Tribunal Constitucional, o Estado-Maior do Exército e da Força Aérea, etc. etc. estiverem sediados no litoral e, ainda por cima, numa única cidade. Agora experimentem, como eu venho defendendo há mais de trinta anos, a recuar todos estes edifícios 100 ou 200 Km para o interior do território, assim como as principais universidades e quartéis militares, e verão se a situação não se altera radicalmente.

Sendo certo que, com a  actual rede de estradas e a informática, esta alteração não causaria qualquer transtorno aos cidadãos. Bem pelo contrário, Lisboa ficaria liberta do congestionamento automóvel, da poluição e da pressão urbanística, podendo transformar-se, então, na cidade turística, empresarial, residencial e marítima que o presidente da câmara idealiza, e o país ficava mais equilibrado e mais protegido, designadamente, dos fogos florestais.

A alternativa a esta solução, é deixar arder! Mas, pelo menos, poupem-nos das lágrimas de crocodilo dos senhores de Lisboa que, para além de não ajudarem a apagar os fogos, apenas contribuem para aumentar a revolta de quem aqui vive.

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Domingo, 25.06.17

Três minutos apenas para entender a doença de Alzheimer

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Sábado, 24.06.17

Justiça "à la carte"

Este artigo foi escrito em Novembro de 2006 e publicado no jornal Primeira Linha a propósito do caso "Mateus" do Gil Vicente e do caso de doping do Benfica e Santa Clara.

Como podem constatar, está actualísmo.

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Santana-Maia Leonardo - Primeira Linha (Nov de 2006)

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Na época passada, num controlo anti-doping, foi detectada a mesma substância em dois jogadores: norandrosterona. Um jogador era do Benfica e outro do Santa Clara. Perante duas situações absolutamente idênticas, como decidiu o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol?

Absolveu o jogador do Benfica e condenou o jogador do Santa Clara. Obviamente. Ou não se chamasse Conselho de Justiça.

Mas analisemos a argumentação dos dois acórdãos: 1) Acórdão que absolveu o jogador do Benfica: «apenas com o resultado da análise o arguido não pode ser punido. É necessário que o acusador alegue e prove que o arguido, voluntariamente, ministrou ou de qualquer outra forma voluntária introduziu no seu organismo a substância que veio a verificar-se estar no seu corpo»; 2) Acórdão que condenou o jogador do Santa Clara: «o legislador prescindiu naturalmente (até por virtude de previsíveis dificuldades probatórias) do pressuposto de verificação da plena intencionalidade da conduta dopante».

Resumindo: se o jogador for do Santa Clara, basta para ser condenado que a análise seja positiva; se o jogador for do Benfica, é necessário que se prove que este introduziu voluntariamente a substância no seu organismo, o que, como facilmente se constata, é praticamente impossível de provar, a não ser que o jogador confesse.

A situação foi tão escandalosa que o próprio secretário de Estado teve de convocar uma conferência de imprensa para expressar a sua indignação.

Todavia, se estas situações apenas ocorressem na justiça desportiva, podíamo-nos dar por muito felizes. Só que isto também começa a suceder cada vez com mais frequência nos nossos tribunais, o que não é de estranhar tendo em conta que o Conselho de Justiça é composto maioritariamente por juízes.

Mas será que o poder judicial, no seu autismo, não percebe que a falta de critério das decisões (tanto pode ser assim como assado) é a principal causa do absoluto descrédito da nossa justiça?

O caso «Mateus» é outra vergonha! Até parece que os membros do Conselho de Disciplina e do Conselho de Justiça não nutrem por si próprios qualquer pingo de respeito. Só faz lembrar as decisões do Tribunal Constitucional sempre que está em causa um diploma que divide a esquerda e a direita. Para os juízes indicados pela esquerda, o diploma é sempre inconstitucional, se for essa a posição dos partidos de esquerda; para os juízes indicados pela direita, o diploma é sempre constitucional, se for essa a posição da direita, e vice-versa. Ou seja, o que menos importa é o que diz a Constituição.

No caso “Mateus”, a situação é, em tudo, idêntica. Também aqui já toda a gente percebeu que o que determina o voto é a cor clubística e não o facto de o Belenenenses ou o Gil Vicente terem ou não razão perante a lei. Daí as alterações do sentido das votações, consoante a presença ou ausência de um único elemento, assim como as consequentes demissões e readmissões.

Chamam os juristas, eufemisticamente, a isto diferentes interpretações da lei, quando, na verdade, se trata apenas de manipulação da lei ao sabor das conveniências de cada um. Chegamos, assim, à triste conclusão de que, em Portugal, as leis têm esse condão de se desdobrar em leis completamente diferentes e de sentidos opostos, consoante a pessoa a quem é aplicada. A mesma lei que condena é a mesma lei que absolve. Por isso, outro dia, alguém me dizia, com alguma graça, que, em Portugal, para o sucesso judicial, mais importante do que se ter um bom advogado é o advogado ter um bom cliente.

Com efeito, com leis que se deixam interpretar tão facilmente ao ponto de produzirem decisões totalmente contraditórias, é difícil convencer alguém de que vivemos num Estado de Direito onde todos os cidadãos são iguais perante a Lei. Ou melhor, até somos capazes de ser todos iguais perante a Lei. Só que há uns muito mais iguais do que outros.

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Sexta-feira, 23.06.17

Boas práticas

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Sexta-feira, 23.06.17

Quem nos acode?

Recordar um post de 27-9-2011 de um homem vertical e combativo.  Como não há muitos. 

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Artur Lalanda

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Dando crédito às afirmações de um ex-autarca da Câmara do Porto, cada português paga, em média, mil euros por ano de impostos para a sua autarquia. Claro que nesse valor não estão contempladas as várias taxas e tarifas que somos forçados a pagar, sempre que necessitamos de quaisquer serviços que, em exclusivo, dependem da Câmara ou Serviços Municipalizados.

Não vou abordar, aqui, o destino que é dado a todo esse dinheiro, nem sequer analisar a forma como é gerido, no entanto, há realidades que merecem a atenção dos munícipes que, distraídos, não dão conta de estar a ser, injustificadamente, explorados.

Se eu quiser executar obras de conservação na minha casa, nos termos do artº. 80º - A, do Decreto-Lei nº 555/99, de 16 de Dezembro, sou obrigado a comunicar à Câmara o início da obra, identificando o prédio com o nº de polícia e nome da rua.  Tais obras são isentas de controlo prévio, pelo que não envolvem a prestação de quaisquer serviços por parte de edilidade.

O estranho, é que os funcionários municipais não têm a esperteza dos carteiros dos CTT e para identificarem o local precisam, não de uma, mas de duas plantas de localização: uma à escala 1/25000 e outra à escala 1/2000.

Para completar a exploração do munícipe, mesmo que tenha essas plantas em seu poder, elas não são aceites (não são originárias da Câmara) e tem de pagar, por umas iguais, carimbadas pela Câmara, a módica quantia de 4,59 euros !

Pior fazem os Serviços Municipalizados: quem quiser pagar em seu nome, o recibo mensal (agora bi-mensal) da água canalizada, que vem sendo emitido em nome do anterior proprietário do imóvel, conte com 6,31 euros que é a tarifa de fecho da água (que ninguém pede e nunca acontece) e mais 11,05 euros que correspondem à tarifa da celebração de novo contrato.

Acontece que a celebração de contrato de fornecimento de água ou luz, não envolve quaisquer encargos (e se os houvesse caberiam ao fornecedor dos serviços) e a água não é desligada para voltar a ser ligada. Não há prestação de qualquer serviço.

Put…que os pariu! a EDP muda a titularidade do recibo, de borla! Tanto me faz pagar em meu nome como de um qualquer defunto!

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Quinta-feira, 22.06.17

Abrantes na rampa descendente

Abrantes entrou num processo de desertificação irreversível. E com o encerramento do Tribunal de Círculo, de Trabalho e de Comarca e a quebra de natalidade, a desertificação do concelho vai acelerar ainda mais...

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Terça-feira, 20.06.17

A solução e a alternativa para o futebol português

Santana-Maia Leonardo

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O facto de os benfiquistas, como ressalta dos posts nas redes sociais, estarem mais preocupados com a hipótese de o SL Benfica poder perder os títulos do que sobre a forma como os ganharam diz tudo sobre o "estádio da corrupção" a que chegámos.

Neste momento, basta consultar as redes sociais, para perceber que o SL Benfica, em particular, e os benfiquistas, em geral, depositam toda a sua fé não na integridade e honestidade da sua conduta mas nas leis portuguesas sobre a corrupção e toda a gente percebe porquê.

É que as leis portuguesas sobre a corrupção, como toda a gente sabe, são cozinhadas precisamente por aqueles que elas deviam perseguir.    

Em todo o caso, também não vale a pena depositar demasiada fé nas nossas leis porque elas mudam de um dia para o outro, conforme as conveniências.

Uma coisa é certa: se fôssemos um país asseado, todos os títulos deviam ser retirados a todos os clubes e começar-se do zero, depois de se fazer uma limpeza geral. Sendo certo que, se se levasse a limpeza a peito, sobrava pouca gente para dirigente de clube, árbitro e observador.

No entanto, caso se concluisse que esta solução poria em causa a existência do próprio campeonato, por falta de gente em número suficiente, a alternativa seria obrigar todos os clubes a mudarem a designação dos seus estádios para Estabelecimento Prisional da Luz, do Dragão, de Alvalade, etc. e o campeonato disputar-se directamente da prisão.

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Segunda-feira, 19.06.17

O primeiro alentejano da História

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Segunda-feira, 19.06.17

A condenação do Dr. A. Vara

Recordar a actualidade de uma das Crónicas de Maldizer do maior cronista do Ribatejo 

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Eurico Heitor Consciência - Ribatejo de 14-9-2014

A sentença não é sobre a acusação... Tem a ver com a minha circunstância disse Armando Vara, sobre a Sentença do Tribunal de Aveiro que o condenou a 5 anos de prisão.

Tem. Tem mesmo. Vão ver que tem. Assim: quando ocorreu o 25 de Abril de 1974, Armando Vara era um modesto empregado da Agência da Caixa Geral de Depósitos duma mais do que pacata Vila de Trás-os-Montes. Com toda a probabilidade, se não tivesse acontecido o 25 de Abril, Armando Vara estaria hoje a gozar, no sossego, encanto e paz de Trás-os-Montes, a sua reforma de empregado da Caixa, com uma pensão razoável. Não teria preocupações, nem canseiras, nem, de certeza, estava condenado numa dura pena de prisão. Que 5 anos de prisa, serão 5 anos duros na idade dele, depois de ter conhecido o conforto material de que gozam os que têm muito dinheiro – se na prisão não lhe forem proporcionadas condições diferentes das dos restantes presos, como já tem acontecido.

Mas Vara tem o que procurou ou consentiu. Como certa vez escrevi, o mais notável salto à vara realizado neste país foi dado por Armando Vara: meteu-se na política activíssima e saltou de empregado de modesto balcão da Caixa para Director da mesma, pouco depois saltou para a sua administração e de seguida, saltou para Vice-presidente do BCP. Um triplo-salto à Vara.

Abro um parêntesis para dizer que não deverão levar à conta de desconsideração não tratar Armando Vara por Dr. A. Vara – como, curiosamente, faz o seu amigo Engº Sócrates, que obteve o diploma na mesma Universidade Independente em que, pelos vistos, o Dr. A. Vara alcançou um diploma de Relações Internacionais que leva o Engº Sócrates a tratá-lo por Dr. A. Vara.

Tornando ao rego: se Armando Vara se tivesse reformado como empregado da Caixa estaria gozando agora a serenidade da sua reforma entre os seus conterrâneos de Trás-os-Montes, entre homens sérios, frontais e verticais como são quase todos os transmontanos.

Mas optou pela Porca, meteu-se na Política e passou a movimentar-se entre as pessoas que fazem contorções da coluna a toda a hora, para resistirem à concorrência dos seus pares do partido, primeiro, depois para enriquecerem.

E é assim que os robalos se transformam em tubarões.

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Domingo, 18.06.17

Eis o problema

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Sexta-feira, 16.06.17

A ditadura capitalista

Santana-Maia Leonardo Rede Regional de 6-2-2017

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Lisboa exerce um poder cada vez mais asfixiante sobre todo o território nacional. E o futebol é sempre o melhor espelho da realidade. Cinquenta anos após o 25 de Abril, os dois maiores clubes da capital continuam a manter cativa a esmagadora maioria da população portuguesa, impedindo que os clubes das cidades médias consigam reunir dentro de portas um número significativo de adeptos capaz de os enfrentar.

À excepção do Porto (a nova Cartago) e de Guimarães (a aldeia gaulesa de Astérix), todas as cidades portugueses continuam a prestar vassalagem a Roma. Na nossa comunicação social, apenas os feitos desportivos dos clubes de Lisboa são valorizados e apresentados como feitos nacionais. Basta comparar a relevância e o destaque dados pela imprensa desportiva da capital à vitória do Moreirense na Taça da Liga, um feito único e provavelmente irrepetível, com os destaques dados às habituais vitórias do SL Benfica na mesma prova. Até a vitória do FC Porto na Liga dos Campeões, o maior feito futebolístico alguma vez alcançado por uma equipa portuguesa, não teve o mesmo tratamento dado às vitórias do Benfica na Taça da Liga, uma competição destinada a rodar as segundas linhas. E mesmo quando se trata da selecção nacional, os atletas e os seus feitos são valorizados de forma diferente consoante o seu clube de origem.

Em Portugal, seja no futebol ou na política, a cor de camisola é o único critério relevante na decisão para os governantes, para os dirigentes federativos, para os árbitros, para os jornalistas e para o cidadão comum, sendo absolutamente irrelevante o mérito e a razão. E num país com esta cultura é absolutamente inútil a defesa da verdade desportiva, uma vez que se trata de um combate que a razão não pode vencer.

E, como se isso não bastasse, a ganância tomou conta da Liga Portuguesa. SL Benfica, Sporting CP e FC Porto já não são apenas grandes superfícies que reduziram todos os outros clubes a pequenas lojas de bairro. Pelo contrário, SL Benfica, Sporting CP e FC Porto são e agem como se fossem os Donos-Disto-Tudo, colocando-se acima das leis, das regras e das próprias instituições de que fazem parte e que controlam, tendo a consciência plena de que, façam o que fizerem, nada lhes pode suceder.

Resumindo, o futebol português vive sob o jugo de uma feroz e sinistra ditadura capitalista. E ditadura capitalista nos dois sentidos: ditadura da capital e do capital.

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Quinta-feira, 15.06.17

A actualidade dos cartoons de José Vilhena

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Quarta-feira, 14.06.17

As medalhas do centenário

Recordar o que escrevi o ano passado a propósito das medalhas do centenário.

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Santana-Maia Leonardo - A Barca de Junho 2016

0 SM 1.jpgUm amigo fez questão de me enviar a lista das medalhas do centenário convencido provavelmente de que me escandalizaria, como se eu não conhecesse minimamente a lógica do nosso poder autárquico de que Abrantes é, aliás, o estereótipo.

O caciquismo não é acessório ao regime. É o próprio regime”, proclamava António José de Almeida, em 1910. E cem anos depois nada mudou. É por isso absolutamente natural que os caciques aproveitem o centenário para distribuir as medalhas segundo o único critério que conhecem: arrebanhar o maior número de votos, manter o rebanho unido e homenagear as tais elites de que falou Marcelo nas comemorações do 10 de Junho. Ou seja, as tais elites que se deixaram corromper e que, nos últimos cem anos, sempre nos falharam.

As medalhas de “honra”, objectivamente, servem, por um lado, para premiar aqueles vultos que aceitaram pertencer à última comissão de "honra" do autarca ou que vão pastoreando o rebanho por conta dos apoios camarários, e, por outro, angariar novos vultos para a próxima comissão de “honra”.

É certo que nesta enorme lista existem pessoas (algumas já falecidas) que efectivamente mereciam melhor e menor companhia (a qualidade é um bem escasso) e que são usadas, manifestamente, para credibilizar e branquear uma cerimónia de auto-propaganda do caciquismo.

Nada disto, no entanto, é novidade. E não vale a pena aos medalhados e aos caciques ficarem melindrados comigo porque eu estou apenas a reproduzir, em voz alta, aquilo que toda a gente sabe e diz em voz baixa. Como canta Leonard Cohen: "Everybody Knows".

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