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COLUNA VERTICAL



Sábado, 22.11.08

OS CLUBES E A SUA VOCAÇÃO

por Santana Maia

 

Devemos pôr as barbas de molho, quando vemos as do nosso vizinho a arder. Este é um ditado popular que qualquer pessoa prudente devia seguir. Mas o português, em regra, nem com os seus próprios erros aprende quanto mais com os erros dos outros…
 
E as nossas colectividades desportivas são disso um bom exemplo.
 
Portugal, não nos iludamos, é um pequeno e pobre país com mercado apenas para sustentar três clubes de futebol profissional: Benfica, Porto e Sporting. Tudo o resto é pura ilusão. Basta, aliás, folhear um jornal desportivo para constatar isso mesmo. Ninguém quer saber dos outros clubes. Não têm leitores, nem adeptos (excepção feita aos dois Vitórias).
 
Os restantes têm existência virtual e servem apenas para permitir que o campeonato tenha mais do que seis jornadas. Aliás, estes clubes vivem literalmente de balões de oxigénio que lhe são proporcionados pela vaidade dos autarcas e dos governos regionais e pelas receitas televisivas e de bilheteira dos jogos com os três grandes.
 
Fora estes três jogos, o resto do campeonato fazem-no com o estádio às moscas e sem ninguém se importar com o que lá se passa. Quem é que quer saber se o golo da Naval contra o Paços de Ferreira foi obtido ou não em fora de jogo?
 
Mas, se estes clubes virtuais se resumissem à I Liga, estávamos nós bem. O problema é que, até nos distritais, o paradigma é o mesmo. Não há clube de futebol da mais remota aldeia de Portugal que a sua razão de ser não seja a de proporcionar aos seus dirigentes o poderem brincar, nas horas livres, aos Pintos da Costa e aos Luís Filipe Vieiras.
 
O pior é que a brincadeira sai quase sempre cara e sem proveito para ninguém. Mas se a brincadeira fosse suportada pelo bolso dos dirigentes, ainda vá que não vá. Cada um gasta o dinheiro como quer. Acontece que, na maioria das vezes, estas brincadeiras são suportadas pelos contribuintes, através das juntas de freguesia e das câmaras municipais, o que não é admissível. Há equipas de província que chegam ao ponto de não ter um único jogador da terra na equipa titular, quando são suportadas quase integralmente pelas autarquias.
 
É verdade que o sucesso, mesmo efémero, sempre embriaga... O pior, depois, é acordar da ressaca. Os nossos clubes de província querem ser estrelas mas têm, em regra, a vocação de cometas. Aparecem, dão muita luz e desaparecem.
 
Os clubes têm de aprender a viver de acordo com as suas possibilidades, caso contrário sucede-lhes o mesmo que ao sapo que, na fábula, quis ser boi.
 
Além disso, no país inteiro, existem milhões de pessoas (dos 7 aos 77 anos) que necessitam de formação desportiva. Urgentemente. E quando falo em formação desportiva, estou a colocar a tónica, obviamente, mais na formação do atleta como homem do que na formação do homem como atleta.
 
Era, neste campo, precisamente, que as nossas colectividades se deviam empenhar e procurar a sua verdadeira vocação porque, mais importante do que ganhar campeonatos distritais e da terceira divisão, é formar homens e mulheres com letra grande.
 
E, aqui sim, todo o dinheiro é bem gasto. Não há melhor investimento, nem investimento mais reprodutivo, do que nas infra-estruturas humanas.

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