Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

COLUNA VERTICAL



Quarta-feira, 23.09.09

ABRANTES INSEGURA

Santana Maia - in Nova Aliança

 

A relação dos portugueses com as comunidades ciganas nem sempre foi pacífica. Com efeito, apesar da longa permanência destas comunidades em território português, a verdade é que nem estas comunidades, alguma vez, manifestaram grande interesse em se integrar, nem os portugueses se mostraram muito abertos à integração.
 
No entanto, o pulso de ferro da ditadura salazarista, a vida nómada destas comunidades e a sua sobrevivência à conta da venda ambulante, do contrabando de tabaco e de pequenos furtos e burlas, ou seja, à conta de pequenos crimes que provocavam, muitas vezes, mais o riso do que a ira, ia fazendo com que os portugueses as fossem tolerando.
 
(Devo, antes de mais, esclarecer que estou a usar aqui o termo «cigano» em sentido restrito, ou seja, indivíduo que vive nas comunidades ciganas e se rege pela “lei cigana”, e o termo «português» em sentido lato, ou seja, qualquer pessoa de qualquer nacionalidade, etnia, raça ou religião que viva no território nacional e que se reja pelas nossas leis).
 
Com o advento da democracia, tornou-se obrigatório levar a cabo uma série de medidas com vista à integração das comunidades ciganas na sociedade portuguesa, em nome dos princípios civilizacionais de combate ao racismo e de luta contra a discriminação social e racial.
 
Acontece que um número muito significativo de ciganos recusa, liminarmente, fazer qualquer esforço de integração e, à boa maneira cigana, só aceita a lei portuguesa para colher os benefícios das políticas de integração, porque, quanto ao resto, continua a reger-se pelas suas próprias leis.
 
E, num país onde a autoridade do Estado se evaporou, até os pequenos marginais começaram a sonhar em grande. E muitas comunidades ciganas adaptaram-se rapidamente à nova realidade, evoluindo naturalmente do contrabando de tabaco e dos pequenos furtos para o tráfico de droga e para os roubos violentos, muitas vezes sobre pessoas idosas ou que vivem isoladas. E tudo isto perante a passividade das autoridades públicas que lhes continuam a dar religiosamente os subsídios de reinserção social como se isso, por si só, tivesse o efeito miraculoso de os converter ao cumprimento das leis portuguesas.
 
Em Abrantes a situação começa já a tornar-se preocupante, havendo bairros, localidades e pessoas que vivem absolutamente aterrorizadas. E já não basta serem assaltadas e agredidas como são ainda forçadas a viver sob ameaça permanente de verem os filhos mortos, caso apresentem queixa ou, se a tiverem apresentado, a não retirem. É caso para se dizer que, neste momento, a “lei cigana” já se começa a sobrepor à lei portuguesa na regulação de conflitos.
 
Sou, obviamente, a favor de políticas de reinserção social. Mas quem recebe apoios sociais tem de perceber que também tem deveres para com aqueles que pagam impostos para que eles possam receber esses apoios. O que não é admissível é que, sob o pretexto da reinserção social, o Governo e as câmaras estejam apenas a financiar o crime e a promover a marginalidade.
 
Com efeito, relativamente às comunidades ciganas, o Estado português limita-se apenas a despejar dinheiro, fechando os olhos a todos os incumprimentos das obrigações impostas, aos comportamentos marginais e aos flagrantes sinais exteriores de riqueza que muitas destas comunidades apresentam.
 
Por este andar, isto ainda vai acabar mal. Quem te avisa…

Autoria e outros dados (tags, etc)


5 comentários

De Bruno a 23.09.2009 às 02:38

Excelente texto; reflecte na íntegra tudo o que se tem passado na cidade de Abrantes (e um pouco por todo o país), sendo que já era efectivamente hora de "os nossos políticos" camarários, mas sobretudo os nossos deputados e governo se preocuparem mais com a segurança dos que são constantemente ameaçados, agredidos e assaltados do que bater constantemente na mesma tecla do não à discriminação social, mas sem que por outro lado certas raças/etnias tenham de respeitar os princípios mínimos para uma convivência pacífica em sociedade.

Espero que os deputados municipais a serem eleitos pelo PSD se batam por esta questão pelo menos a nível local, dado que infelizmente a nível nacional o partido parece (tal como o governo socialista) totalmente adormecido para o flagelo social que muitas cidades vivem graças não só a ciganos mas como a outros grupos minoritários em número, mas que à custa da violência e do medo "impõem a sua ordem e lei".

De Rexistir a 23.09.2009 às 16:01

Bruno

Infelizmente também os deputados do PSD nacional têm muita responsabilidade neste estado de coisas. A aprovação da última revisão do Código Penal, aprovado por todos os partidos (PSD, PS, CDS, BE e CDU) veio favorecer ainda mais e promover de forma absolutamente escandalosa a criminalidade, como eu avisei num artigo publicado no Público, Semanário, Boletim da Ordem dos Advogados, Primeira Linha, Notícias de Viseu, etc. intitulado «Política Criminal ou Criminosoa?».
Este Governo, então, tem sido por de mais, tendo destruído o pouco que restava do edifício da Justiça numa clara vingança contra os tribunais por causa do caso Casa Pia.

Santana Maia

De Fernando a 23.09.2009 às 09:22

Este problema tem uma solução muito simples que passa por os elementos da autoridade que façam as detenções ou mesmo as buscas dentro dessas comunidades virem de outros locais do país para evitar possibilidades de represálias sobre eles e suas famílias.

Acabe-se já com a impunidade dessa comunidade.
Recebem ajudas estatais, casas da autarquia e em nada contribuem para a cidade e para o país.
Deve-se exigir das autoridades coragem física e moral para actuar contra eles. É para isso que a PSP existe. Para proteger os cidadãos, para fazer cumprir a lei e impor a ordem.

Alguns dirão que é racismo. Eu de certa maneira tenho que dizer que infelizmente é, mas porque sou obrigado a sê-lo uma vez que a própria comunidade cigana o é em relação a todos os outros.
Se querer a minha segurança contra um grupo bem identificado pertencente a uma raça/religião/etc é ser racista então sim, tornei-me racista.
Não o digo com orgulho mas digo-o abertamente, sem vergonha.

Faça-se uma petição exigindo uma posição e actuação à autarquia e às autoridades.
Exija-se mão firme no cumprimento da Lei não só à comunidade cigana mas a todos os cidadãos.
Exija-se um policiamento efectivo da cidade e não apenas esporadicamente e nas superfícies comerciais.

De Rexistir a 23.09.2009 às 15:53

Fernando

O problema é que este problema não tem uma solução simples. Num país onde reina a cobardia, qualquer solução que exija coragem nunca é simples.
A solução que eu propunha era os políticos passarem a residir nos bairros problemáticos.
O Bloco de Esquerda, por exemplo, gosta muito de defender os marginais cujos comportamentos justifica sempre com problemas sociais. Mas basta a sua caravana ser apedrejada como aconteceu há dois dias, para vir reclamar logo mais polícias e medidas mais duras para quem os apedrejou. Nesse caso, já não há causas sociais que justifiquem o apedrejamento.
Este é o problema. As pessoas só se preocupam quando as pedras nos caem em cima da cabeça. Quando caem em cima dos outros, são sempre muito tolerantes.

Santana Maia

De Zé Silva a 24.09.2009 às 23:34

Boas noites:

Apesar de não sermos da mesma familia politica tenho de concordar com o Dr Santana Maia. Não sei se escolheu essa foto do centro comercial millenium de proposito, mas esse local é um dos varios "cancros" da nossa cidade, é um dos sitios de ataque da ciganada de vale de rãs, eu ja presenciei a assaltos durante o dia, e a policia a assobiar pro lado para não actuarem.
Outro "cancro" são os ciganos de S Macário, quem vai a caminho de Arreciadas antes da passagem da linha do leste, tem construido à vontade e qualquer tão a montar uma portagem para quem passa , acho que alguem devia ter coragem para mandar aquilo abaixo.
Um facto mais recente foi um casamento dessa gente na escola primaria de arrifana, em que a presidente da junta não autorizou e muito bem e o sr Carvalho e a d Ceu vieram por tras e ate ofereceram agua e luz de borla a custa dos abrantinos. O pior foi a badalhoquice que fizeram na escola, e nao deixarem as pessoas passarem para s miguel de carro, inclusive uma ambulancia, chamou-se a guarda e eles nao apareceram ....
Não sei se sabe mas os ciganos de Vale de Rãs e de Arrifana estão a preparar-se para virem morar para o Rossio para o bairro social que ai vai ser construidos, mais umas casas de borla às nossas custas ....
Eu não percebo uma coisa o PUA não permite a construção no Rossio (com votos de todos os partidos inclusive o PSD) por qualquer cidadão trabalhor, porque e que permitido construir esse bairro? Porque não o constroem ao pe da casa do sr Carvalho?!
Eu tenho de concordar com o Dr Portas, quem não trabalha, nem produz, só rouba e mama à custa dos contribuintes não merece receber um tostão... abaixo o rendimento minimo...
Caso seja eleito veja la se acaba com esta corja, e com esta insegurança que se vive em abrantes

Boa campanha

Ze

Comentar post



Perfil

3.jpg



Visitantes


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Quimeras


Alma, Eléctrico!


Livros

Capa - 3ª Edição.jpg

Capa - Frente.jpg

Capa Bocage.jpg 

Capa.jpg 

Eléctrico - Um Clube com Alma.jpg

Mistério Sant Quat (I).jpg


Livros-vídeo


eBooks




calendário

Setembro 2009

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D