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COLUNA VERTICAL



Quarta-feira, 10.12.08

A DÍVIDA EXTERNA

por António Belém Coelho

 
O termo pouco ou nada diz ao cidadão comum. No entanto enforma e de maneira significativa as possibilidades da geração ou gerações que nos irão seguir. Em poucas palavras, um País endivida-se externamente quando vive acima das suas possibilidades, ou seja, gasta e consome mais do que aquilo que produz!
 
Tal tem sido uma constante nos últimos anos. Consumimos e gastamos bastante mais do aquilo que produzimos. E como tal, os diversos agentes económicos, com destaque para a Banca, têm que se endividar no exterior, recorrendo a outras Instituições Financeiras exteriores.
 
Antes do actual Governo tomar posse, a dívida externa rondava os sessenta e tal % do PIB; e era mesmo um dos critérios penalizados pela União Europeia, a par da percentagem alcançada pelo deficit do Orçamento anual de cada País.
O que acontece hoje em dia é que o endividamento externo já atinge os 100% do PIB e continua a aumentar, nomeadamente face ao aumento explosivo das despesas do Estado, seja em termos de garantias, seja em termos de despesa real. Nada que dê nas vistas agora!  De momento ninguém se queixa!
 
O problema é quando os credores, daqui a alguns anos, reclamarem e justamente o pagamento das dívidas contraídas. É evidente que, nessa altura, ninguém do actual Governo por cá andará. Quem terá que se aguentar será o Governo da altura, ou melhor dizendo, quem terá que se aguentar à bronca, serão os do costume: quem trabalha e quem paga os seus impostos.
 
No fundo, aqueles que, cada vez que o Estado precisa de mais receitas para cobrir os seus gastos na maior parte improdutivos ou desnecessários e supérfluos (para não classificar alguns deles como obscenos e pornográficos), sente a canga mais pesada; aqueles que, cada vez que as coisas correm mal no mundo da alta finança e dos investimentos de risco, lá irão pagar com os seus impostos o devido preço, hipotecando os serviços e bens que o Estado lhes deveria prestar por contrapartida dos seus impostos.
 
Em suma, é a classe média que, à custa de tais despaupérios, não tem outro remédio que não o de seguir o destino da galinha dos ovos de ouro.
 
Mas o certo é que a percentagem do nosso endividamento externo, quando medida em relação ao PIB (ou a outro referencial qualquer), disparou e atingiu valores perfeitamente impensáveis, que efectivamente hipotecam as gerações futuras.
 
Mas será que se ouve alguém dizer alguma coisa sobre isso? Nada de nada! Não convém! A uns porque lhes cabe a responsabilidade directa; a outros, porque não tiveram a verticalidade necessária para dizer não a este estado de coisas. Uns e outros são igualmente culpados, face a todos os cidadãos.
 
Infelizmente, e como é costume entre nós, ninguém será responsabilizado, ou a ser, será um qualquer funcionário menor, que teve o azar de estar no lugar errado à hora errada!
 
Mas os responsáveis no fundo, no fundo, somos todos nós, que deixamos alegremente que este estado de coisas continue!

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2 comentários

De Carlos Dias Ferreira a 10.12.2008 às 12:38

Caro Belém:
Espero que ainda te lembres de mim e do nosso tempo do Liceu. É isso sou o Ferreira o amigo do Rui Bordalo já lá chegaste?
Quanto ao assunto do teu artigo de opinião a conclusão é muito simples e á boa maneira Portuguesa o Estado que resolva o pior é que está nesse estado a origem do mal e pelo andar da carruagem nem no tempo dos nossos bisnetos haverá solução, ou seja ou travamos a tempo estes desvarios ou então dentro em pouco fechamos para balanço.
Este imenso "Sócratugal" em que se transformou o nosso país acordará como sempre tarde para a realidade mas a responsabilidade será do D. Afonso Henriques.Enfim!!!
Não voto em Abrantes mas acompanho as lides politicas da minha cidade e se isso der para alguma coisa o meu apoio total para o candidato do P.S.D. (ajudei a fundar o partido em Abrantes) espero ardentemente que vença as Autarquicas e que acabe de vez o desgoverno "Xuxa" na cidade que merece á muito melhor gestão.Aqui de Lisboa um grande abraço.
Carlos Dias Ferreira

De Rexistir a 11.04.2009 às 00:56

É com muito prazer que te "vejo" virtualmente; subscrevo totalmente o teu comentário e só lamento que o acordar seja sempre tarde e a más horas!
Um grande abraço também para ti e para os Teus.

Belém

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