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COLUNA VERTICAL



Quinta-feira, 06.05.10

A TURMA SOCIALISTA

Num curso de economia, o professor deparou-se com uma turma inteira que defendia que o socialismo era praticável e que, através da simples cooperação, tendo em vista um bem comum, se obteria um resultado mais igualitário e justo do que aquele que se obtinha através dos mecanismos de competição e emulação. Ou seja, sustentava a turma que o socialismo era mais eficaz e justo que o capitalismo.

 

O professor argumentou em vão pelo que, já em desespero, propôs a seguinte experiência: fariam os testes habituais e a nota atribuída a cada um seria a média da turma. Os alunos aceitaram de imediato. Todos tinham agora um objectivo comum e o resultado não poderia deixar de ser igualitário e justo.

 

No primeiro teste, a média foi de catorze. E aqui começaram os problemas: aqueles que tinham estudado e a quem o teste tinha corrido bem e que, legitimamente, podiam esperar um dezoito ou dezanove, ficaram a remoer o desagrado; aqueles que nem sequer tinham pegado no livro, resplandeciam de felicidade e louvavam o socialismo.

 

Mas a verdade é que se provava a tese dos alunos: todos passavam e com uma boa nota.

 

No segundo teste, os que antes tinham estudado e feito bons testes, entenderam naturalmente que não necessitavam de se esforçar tanto, uma vez que, se iam ter, no máximo, catorze, escusavam de se matar a estudar. Por outro lado, os que antes não tinham pegado nos livros mantiveram as mesmas opções, uma vez que tinham obtido bons resultados sem qualquer esforço.

 

Como é evidente, a média baixou para dez e aí já ninguém ficou especialmente satisfeito. No teste seguinte, a média foi de oito e instalou-se a desavença na turma, começando os mais empenhados e trabalhadores a acusar os outros de egoísmo, de falta de solidariedade, etc. O resultado foi que ninguém mais quis estudar para não beneficiar os que nada faziam e a turma acabou por reprovar toda.

 

Moral da História: sem recompensas individuais, não há incentivos duradouros ao esforço. Tirar aos que se esforçam para dar aos que nada fazem conduz, mais tarde ou mais cedo, à discórdia e ao fracasso, porque, quando parte de um grupo interioriza a ideia de que não precisa de trabalhar, pois a outra parte irá sustentá-la, aqueles que trabalham acabam por se desmotivar, porque não estão para andar a trabalhar para sustentar quem nada ou pouco faz.

 

E, assim, chegamos ao começo do fim.

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4 comentários

De Tássia a 10.06.2010 às 22:24

Tu escreve bem, mas infelizmente, tu foi bastante equivocado no que diz.
Primeiramente tu não caracterizou o socialismo, tu caracterizou um Estado que era capitalista e "do nada" adere ao comunismo, onde o Estado nada gere, onde não existe o Estado. Aí está seu primeiro erro. Nós socialistas, defendemos uma transição socialista para que no fim, haja o comunismo. E essa transição não e "bundalelê" como a Globo e as mídias convencionais citam, mas sim, uma experiência onde o Estado, comandado pelo povo (por meio de plebiscitos, auditorias e etc.), garante que a população empobrecida tenha, no mínimo, comida na mesa (além de: acesso a educação PÚBLICA de qualidade, saúde PÚBLICA de qualidade e etc.). Mas essa comida na mesa não cai do céu, pra isso o Estado Popular e Socialista, soberano, tira de quem tem em excesso.
Seu segundo erro foi acreditar que essa fábula condiz com a realidade social brasileira. Essa fábula nada diz sobre qualquer situação política. Simplesmente porque pressupõe que todos os estudantes estão em iguais condições, o que na sociedade não acontece; a dona Maria, empregada doméstica, não é socialmente igual ao Roberto Justus. Logo, esse modelo de "passar a nota do nerd (rico) para o que não estudou (pobre)" é muito justo e igualitário, sim, na sociedade e no sistema em que vivemos, sistema esse de exploração do homem pelo homem.
Te aconselho a estudar um pouco mais o que diz, para não se equivocar novamente.


Tássia.

De Rexistir a 11.06.2010 às 01:16

Tássia

Esta fábula foi escrita por um dos grandes professores de economia dos Estados Unidos. Por isso, se alguém deve estudar um pouco mais, é Tássia.
Acresce que este fábula foi publicada num blog de Portugal pelo que não foi publicada pensar na realidade do Brasil.
Mas ficamos muito satisfeitos de saber que o nosso blog também é lido no Brasil.
Um abraço

Santana Maia

De Fred a 10.06.2010 às 22:44

Ótima comparação ...

De Rexistir a 11.06.2010 às 01:17

Fred

Também me parece uma fábula feliz que diz muito do estado a que chegámos.

Santana Maia

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