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COLUNA VERTICAL



Quarta-feira, 31.12.08

BOM ANO NOVO

 

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Terça-feira, 30.12.08

BOAS SAÍDAS, MELHORES ENTRADAS

por António Belém Coelho

 

Não há dúvida que em termos nacionais tivemos um fim de ano pouco animador. Não bastava a crise financeira e económica que nos afectou seriamente ao contrário de recentes previsões governamentais, tivemos igualmente uma lei, o Estatuto Regional dos Açores, que, pelos vistos, se dá ao luxo de, através de lei ordinária, mudar o disposto constitucionalmente no que respeita aos poderes do Presidente da República.    
 
Muitos constitucionalistas o referiram; mesmo gradas figuras do Partido Socialista, o admitiram. Mas a teimosa maioria absoluta fez andar o absurdo para a frente. Aqui está um óptimo exemplo de que pelo facto de se ter maioria não significa que se tenha razão, muito pelo contrário.       
 
Mas esta lei ainda contém algo de extraordinário: o facto de a Assembleia da República se demitir de poder modificar o referido Estatuto, uma vez que uma das suas disposições prevê que só poderão ser alterados os pontos que o Parlamento Regional permita. Temos assim o Parlamento Regional sobreposto à Assembleia da República e esta subordinada àquele!
 
Mas se as saídas foram boas, as entradas prometem ainda ser melhores. O Orçamento de Estado para 2009, actualmente não vale sequer a pendrive onde está armazenado. Trata-se de pura ficção e todos sabem disso, a começar pelos seus autores.     No entanto, deverá ser promulgado e entrar em vigor, e sabe-se lá quando é que será elaborado um Orçamento rectificativo que dê um mínimo de credibilidade à orientação económica e contabilística do Estado.
 
Não é que não estejamos já habituados. De uma forma geral, a quase totalidade dos orçamentos deste país, a começar nos orçamentos autárquicos e a acabar nos orçamentos de obras públicas, são pura ficção.
 
Dúvidas? Basta compará-los com a realidade! Muito abaixo dos orçamentos, os números reais das contas das autarquias, sobretudo no que toca aos investimentos previstos, já que as despesas, sobretudo as correntes, são quase sempre cumpridas. Muito acima dos orçamentos, os valores finais da maioria das obras públicas, independentemente do seu volume e importância. Enfim, derrapagens.
 
E por falar nelas, o Governo, para não derrapar mais, ensaiou transferir para as autarquias a factura da ligação e pagamento mensal da net relativa ao Magalhães. A resposta tem sido clara e só poderá ser quebrada se alguma autarquia quiser fazer o frete político. Mas cheira-me que no fim serão os do costume a pagar!

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Terça-feira, 30.12.08

O VATICÍNIO DO EX-MINISTRO DAS FINANÇAS

«Eu vaticino – é uma previsão e um temor – que um ou mais fundos de pensões da banca passem para a esfera pública. Aí – milagre! – temos um défice abaixo dos 3 por cento, mesmo que se gaste sem limites. (…)
 
Em palavras simples, é transformar a Segurança Social num negócio tipo Madoff: quem entra paga aos que lá estão; quando chegar a vez deles, logo se verá.»
 
Luís Campos e Cunha, ex-ministro das Finanças deste Governo - in Público de 26/12/2008

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Segunda-feira, 29.12.08

ASSEMBLEIA MUNICIPAL

 

 

Nome

Freguesia

Profissão

Idade

1

Manuela Ruivo

S. Vicente

Engenheira Agrónoma

38

2

Gonçalo Oliveira

S. Miguel

Jurista

31

3

Carlos Horta Ferreira

Tramagal

Técnico Administrativo

50

4

Ana Rico

S. Vicente

Professora

48

5

Nuno Gil

S. Vicente

Professor

34

6

Manuel Nogueira

S. João

Aposentado Função Pública

68

7

Anabela Martinho

S. Miguel

Tec. Superior de Emprego

36

8

Cláudio Machado

S. Vicente

Estudante

21

9

Carlos Natálio

Souto

Engenheiro Civil

34

10

Margarida Simplício

Tramagal

Advogada

41

11

Carlos Luís

Bemposta

Empresário

57

12

Sofia Pita

Mouriscas

Estudante

27

13

Emídio Direito

Bemposta

Orçamentista

32

14

João Luís Dias

Alferrarede

Aposentado

66

15

Raquel Marques

Rio Moinhos

Técnica Superior Acção Social

23

16

Andreia Albino

Alferrarede

Estudante

22

17

Carlos Alberto

Alvega

Professor Aposentado

76

18

Ana Costa

Rossio

Estudante

23

19

João Vilela

S. Miguel

Aposentado

56

20

Henrique Remígio

Rossio

Fiscal de Obras

30

21

Ana Rita Rodrigues Pires

S. Facundo

Estudante

18

22

Susana Martins

S. Vicente

Técnica Superior de Emprego

37

23

José Silva

Rossio

Militar Aposentado

61

24

Rui Santos

S. Vicente

Oficial de Justiça

37

25

Conceição Estácio

Rossio

Educadora

52

26

Manuel Aparício

S. João

Assistente Operacional

46

27

Fábio Guia

Souto

Engenheiro Civil

24

28

Maria Fatima Burguette

S. Vicente

Psicóloga

48

29

Nuno Lopes

Rossio

Engenheiro Electrotécnico

32

30

José Oliveira

Bemposta

Médico Veterinário

27

31

Ana Dias

S. Vicente

Técnica Superior Acção Social

22

32

Augusto Maia Alves

Alferrarede

Engenheiro Electrotécnico

59

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Segunda-feira, 29.12.08

QUE FUTURO?

por Gonçalo Oliveira

 

Mais um ano que está a chegar ao fim, e nós por cá… Estaremos melhor ou pior que há um ano atrás?
 
Dou uma volta pela periferia da cidade e paro num café, encosto-me ao balcão, como faço habitualmente, e cumprimento uns conhecidos: «Então, tudo bem?». As respostas vêm com um sentimento de frustração: «Cada vez pior.», «Oh pá, isto não interessa ninguém».
 
Rapidamente vem-me à memória que ambas as frases me são familiares. São as mais proclamadas pelos abrantinos, especialmente, pelos jovens que não encontram nenhuma perspectiva de desenvolvimento real no seu concelho que lhes permita sonhar em ficar a trabalhar e constituir família na nossa terra e, por isso, são literalmente empurrados para fora.
 
O local mais frequentado de uma cidade, que se quer desenvolvida, não pode ser a estação dos caminhos-de-ferro, quando se enche de pessoas ao domingo à tarde.
 
A não ser que queiram ganhar o salário mínimo, e mesmo esses que a isso são obrigados, fazem-no com a resignação de quem, para ver o seu rendimento crescer no fim no mês, são levados a fazer horas extraordinárias todos os dias da semana – numa fábrica –. Ora, ao fim do mês, é algo que cansa.
 
Olho para o rosto dos meus amigos, na casa dos trinta, e vejo nos seus rostos cansaço, resignação, e falta de vontade em lutar por um futuro melhor…fico triste, por eles, por mim, por todos…mas acredito que é possível melhorar.
 
A aposta na formação é fundamental. Alegra-me o facto da ESTA, todos os anos, melhorar a sua oferta. Mas será que não seria possível protocolar com esta instituição a criação de mais cursos, com perspectivas reais de emprego, devidamente adequados às necessidades regionais? Claro que sim.
 
Esqueçam as borboletas e lembrem-se das pessoas. Uma das características dos políticos é a visão. Eu acredito que Abrantes pode melhorar. E muito. Não desistam. E Bom Ano.

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Domingo, 28.12.08

RUI LOPES E JUNOT EM S. MIGUEL

 

S. Miguel de Rio Torto tem razões para estar orgulhosa: Rui Lopes, nascido e criado nesta freguesia, acaba de lançar o livro da colecção Coimbra Património “Lucas Junot: o Estudante Brasileiro que cantou Coimbra – Fotobiografia”.
 
A apresentação teve lugar no dia 13 de Dezembro, pelas 16H00, na Casa Municipal da Cultura, em Coimbra, com apresentação do Dr. Augusto Camacho Vieira.
 
Rui Lopes nasceu em 1976 em S. Miguel do Rio Torto (Abrantes) onde fez os seus estudos primários. Em 1997 ingressou no Curso de História na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra tendo terminado o Curso em 2001. O seu grande amor à cidade e ao fado de Coimbra acabou por fazê-lo fixar-se em Coimbra onde ainda hoje reside.
 
Actualmente o seu principal interesse de Investigação é a História da Canção de Coimbra. O livro agora publicado é precisamente o resultado dessa investigação sobre a figura do Dr. Lucas Junot, um brasileiro que estudou em Coimbra na década de 20 do século passado e que cantou e tocou a Canção de Coimbra.
 
Um livro a não perder não só para quem gosta do fado e da canção coimbrã mas também para todos os abrantinos que não podem deixar de estar reconhecidos com a importância e a qualidade do trabalho de investigação deste um seu conterrâneo.
 
Quem não pôde estar na apresentação do livro em Coimbra, vai ter a oportunidade de ter o seu livro autografado na sessão de autógrafos que se vai realizar, no próximo dia 30 de Dezembro, pelas 21, no edifício das antigas escolas primárias de S. Miguel de Rio Torto.
 
Não falte! O Rui e o livro merecem!

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Sábado, 27.12.08

NATAL NO CENTRO CÍVICO DE ALFERRAREDE

por Dora Caldeira

 

Se ainda me dá entusiasmo falar do Natal, depois de tanta promoção comercial do mesmo, de tantas luzes ofuscantes, de árvores gigantes espampanantes (em que cidades concorrem entre si para verem quem tem a maior), de tantos jantares de Natal e trocas de prendas da loja dos Chineses, esse entusiasmo posso atribuí-lo à Festa de Natal, realizada no passado dia 21 de Dezembro, no Centro Cívico de Alferrarede Velha.
 
Depois de vários meses de grande união e trabalho conjunto dos residentes desta terra, coordenados pelo entusiasta e dinâmico Presidente do Centro Cívico, João Luís Conceição, foi inaugurado um Centro Cívico com roupagem nova. O espaço foi remodelado com o esforço de todos e transformado num local capaz de acolher várias iniciativas e projectos do povo de Alferrarede.
 
Se este espaço novo e diferente foi resultado desta gente, também a ela coube organizar a festa e foi lindo de ver que todos se esmeraram por apresentar o que de melhor sabiam fazer! Desde danças, teatros e cantores que ao contrário de certos profissionais da canção nem de playback precisaram, as variedades fizeram-se suceder, sempre com a mesma alegria e simplicidade de quem está no que é seu e por isso ama o que faz.
 
E para terminar, mais vos digo, esta festa até podia ter sido no mês de Agosto, que para mim teria todo o sentido do verdadeiro NATAL, onde a união, o amor, a vizinhança, a solidariedade entre aquelas pessoas fizeram NASCER algo dentro de si visível aos olhos de quem sabe ver!

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Sexta-feira, 26.12.08

O SACO AZUL DO PARTIDO DO PODER

Fernando Ulrich in Público de 22/12/2008
 
«A Caixa Geral dos Depósitos não pode ser o saco azul do partido que está no Governo ou não pode deixar que se fique com essa ideia.
 
A CGD serve para financiar a economia? Ou é para cobrir os prejuízos que tem no financiamento de acções cujo sentido não se entende? Ou é para cobrir prejuízos de posições accionistas em empresas de sentido duvidoso? (…)
 
A CGD tem um conjunto de operações de que se desconhece qual o interesse público que visam satisfazer.»

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Quinta-feira, 25.12.08

ESPERTEZA SALOIA (OU A NOVELA CONTINUA...)

por António Belém Coelho

 

Há alguns dias atrás, todos fomos surpreendidos pela intervenção da Srª Ministra da Educação, anunciando que estaria disponível para negociar um outro modelo de avaliação, não este ano, mas apenas no próximo ano, mais ou menos em Junho ou Julho!
 
Passado o primeiro momento de estupefacção, derivado da mudança de opinião de quem até aqui jurava a pés juntos que daqui não saio e daqui ninguém me tira. Ou seja, que deste modelo não abdico e que terá que ser levado até ao fim independentemente das consequências para os diversos agentes do processo educativo, importa analisar o sumo da questão. O que implica ceder ou repensar o modelo e negociar em Junho ou Julho?
 
Apenas que se tentará arrefecer a contestação pouco antes das eleições legislativas, que são efectivamente aquelas que verdadeiramente interessam ao Governo. Assim, esvaziaria um balão em crescendo e atenuaria uma contestação justa e fundada de toda uma classe. Mas de manobras destas já estamos fartos. E de que nos queiram tomar por tolos, também!
 
Já não estamos na época em que o cidadão ignorante se deixava enganar por qualquer processo negocial que mais não visava do que dilatar, evitar e diluir no tempo as acções de reivindicação e manifestação dos seus direitos. Os cidadãos de hoje, de uma maneira geral são cidadãos formados e informados e os professores, se possível ainda mais.
 
Uma vez que essa formação e informação deriva do espezinhamento a que têm sido sujeitos, a começar na divisão da carreira de Professor em duas: professor e professor titular. Façam, por favor, isso a outras carreiras: por exemplo, secretários de Estado titulares e secretários de Estado; ou aos ministros; ou aos médicos; ou aos juízes; ou aos advogados. A ver a volta que não levavam.
 
Mas, no entanto, querem impô-la aos professores, juntando a essa acção que tantas injustiças criou, um esquema de avaliação perfeitamente surrealista. Tão surrealista que o próprio ministério da Educação o reconheceu, tendo tido recuos sucessivos sobre ele. Mas sempre com carácter temporário, frise-se ?!..
 
Trata-se da táctica de mudar por agora alguma coisa, para que todo o resto fique na mesma. E que sentido faz insistir num modelo para hoje, anunciando que, para o ano que vem, estão dispostos a negociá-lo e quiçá a mudá-lo?
 
A única resposta volta a ser política: a de que se pretende minimizar o desgaste e na altura própria, pouco antes das eleições legislativas, tentar esvaziar o balão, com a ajuda dos cães de fila do costume.Que só ladram quando são atiçados, porque não têm coragem para ladrar de motu próprio! E já agora, recordem a alguns dos actuais secretários de Estado o seu passado sindicalista e as posições e medidas que tomaram anteriormente, porque a memória individual poderá ser curta, mas a memória colectiva naturalmente persiste.

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Quarta-feira, 24.12.08

FELIZ NATAL

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Segunda-feira, 22.12.08

A DITADURA DO MERCADO

por Santana Maia

 
Quando daqui a muitos anos se fizer a retrospectiva do final do século XX e do início deste século, chegar-se-á muito provavelmente à conclusão de que terminámos o milénio e iniciámos este sob o jugo da mais cínica ditadura de que há memória: a ditadura do mercado, a que nós eufemisticamente chamamos democracia populista.
 
O dinheiro (quase) tudo compra e tudo corrompe. E para se destruir um homem, manipulá-lo ou condicionar-lhe a vontade, já não há necessidade sequer de recorrer a campos de concentração ou salas de tortura. Basta tão-só uma mão cheia de dinheiro, seja sob que forma for. E quem lhe resiste fica de tal modo isolado e excluído que não pode deixar de sentir a permanente angústia e solidão da mais soturna masmorra.
 
Dizia Einstein, com inteira propriedade, que a mediocridade é invencível porque os medíocres são a maioria. E as democracias populistas assentam precisamente nesse princípio. Tem, por isso, inteira justificação a preocupação manifestada por George Steiner, um dos grandes pensadores do nosso século, na sua entrevista ao jornal espanhol ABC: «o império dos meios de comunicação e do mercado, o oportunismo distributivo do consumo de massas (...) podem ser muito mais perniciosos para a arte do que a censura nos regimes do passado».

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Domingo, 21.12.08

A CRISE DA DEMOCRACIA

por João Salvador Fernandes

 

Hoje em dia, na maior parte dos países democráticos ocidentais, as taxas de abstenção são amplamente superiores às percentagens de votantes. Nalguns casos ultrapassam mesmo os 60% e demonstram que as pessoas estão, gradualmente, a virar as costas à democracia.
 
Com efeito, a principal conclusão que se retira deste cenário é de que as actuais vitórias eleitorais não são as vitórias da maioria; são as vitórias da maioria dentro da minoria. As pessoas simplesmente não votam. Preferem o conforto dos seus lares ao pequeno esforço de se deslocarem para votar, gritando silenciosamente: «Estamos descontentes! Estamos irritados! Pior do que tudo, encontramo-nos desamparados!»
 
Não me iludo e sei bem que muita gente também não vota por proselitismo ideológico, ou mera pânria; mas não se pode escamotear a verdade e fingir que tudo está bem; que a democracia manter-se-á imanentemente conexionada com a política da maior parte dos países, comummente denominados ocidentais, se nada mudar nessa mesma sociedade ocidental.
 
As duas principais razões para a recusa em exercer o direito/dever de votar são a descredibilização das instituições democráticas e a falta de qualidade dos políticos.
 
Quando vemos, ouvimos e lemos, quase todos os dias, que instituições, como o Banco de Portugal, não cumprem as suas funções, não conseguimos deixar de nos indignar. Contudo, no momento em que descobrimos que os políticos cedem ao laxismo e à corrupção, essa indignação transforma-se noutros sentimentos. Isto é: ou ficamos apáticos e descoroçoados, ou tornamo-nos agressivos e irascíveis, por verificarmos que as actuais classes políticas tentam, cada vez mais, obnubilar-nos a visão, para que deixemos passar todas as falcatruas que vão cometendo.
 
De facto, as pessoas entreolham-se e perguntam-se: «Como é possível que isto ocorra? Porque hei-de votar em alguém que não cumpre as suas promessas? Porque hei-de ter confiança em indivíduos que nem comparecem nas sessões das instituições para as quais foram eleitos?»
 
Como é óbvio, a mancha mefítica que é espalhada por estes homens alastra-se e entranha-se nos vários órgãos do corpo que é a democracia, enfraquecendo-a compassadamente.
 
Por consequência, verificamos que a falta de qualidade e escrúpulos dos políticos distancia os cidadãos destes países da democracia, ouvindo-se, ocasionalmente, pelo menos em Portugal, aquela assustadora frase: «Do que precisávamos era de um novo Salazar.»
 
Nesse sentido, aqueles que consideram que a democracia é o melhor dos regimes políticos, porquanto, não sendo perfeito, está dotado dos melhores meios para solucionar os problemas da humanidade, podendo, em determinados aspectos, ficar aquém de outros regimes, mas no cômputo geral, encontrar os desfechos mais justos e correctos para as dificuldades com que se depara, têm de lhe reabilitar a imagem. É preciso lavá-la, expurgá-la dos políticos corruptos que utilizam as instituições democráticas para alargarem as suas redes de influências e que baixam a cabeça aos líderes dos grupos de interesses. Porém, não chega retirá-los; é forçoso procurar as melhores e mais competentes individualidades para os mais importantes lugares, tendo como critérios: o mérito, a capacidade, a eficácia e a imarcescibilidade. Só assim se deixará de fechar os olhos aos grandes golpes financeiros que, em tempo de crise, são revelados, porque as circunstâncias forçam à inspecção dos buracos que, até à altura, haviam sido ignorados.
 
Ainda assim, qualquer câmbio afigura-se assaz complexo; pois são raras as pessoas com qualidade que querem ocupar posições de poder. A maior parte foge dos cargos políticos por saber que será pressionada a agir, amiúde, contra os interesses do seu país, ou porque simplesmente se sente nauseada pelas intrigas que grassam em grande parte dos recantos da actual política democrática.
 
A transformação tem de ser drástica, ou não antevejo um bom futuro para a democracia. Na verdade, a sua queda não será de um momento para o outro, pois escuda um conjunto de princípios que agradam às pessoas, dando-lhe bases fortes e alguma blindagem. Todavia, o cansaço aumenta e as suas falhas são empoladas, dia após dia, pelos escândalos mediáticos e pela falta de segurança. Não nos podemos esquecer que o regime democrático oferece aos seus inimigos as armas para o combater; tais como: a tolerância e a liberdade de expressão.
 
Consequentemente, como referido, ou a credibilidade é restaurada, ou, em breve, os cidadãos dos países ocidentais estarão dispostos a procurar novas soluções políticas, que podem redundar na criação de novos regimes políticos abertos à liberdade, quer material, quer formal; ou no regresso, diria mais retrocesso, a ideologias políticas constringentes e excessivamente limitadoras dos direitos, liberdades e garantias.
 
Por isso, é importante que a campanha do Dr. Santana-Maia Leonardo tenha em conta esta necessidade de ciscar a democracia, visto que todos os contributos são essenciais para a sobrevivência do regime democrático.

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Domingo, 21.12.08

O LEGADO

por António Belém Coelho

 

Uma das poucas pessoas que não terá dado pelo facto de estarmos numa crise, classificada por quase todos os especialistas como sendo a mais grave desde a grande depressão, ou mesmo equivalente, e que prolongará ainda durante mais algum tempo (medido em anos), é certamente o nosso Primeiro Ministro.
 
Que um Primeiro-ministro tenha que ser optimista dentro dos limites e tenha que procurar incutir confiança nos agentes económicos e cidadãos em geral, estamos perfeitamente de acordo.
 
Agora, vir dizer publicamente que 2009 será melhor para as famílias Portuguesas via aumento de rendimento disponível derivado da diminuição das taxas de juros e do preço dos combustíveis, das duas, uma: ou o Primeiro-Ministro só recebe informação filtrada da sua entourage e isso é grave; ou o Primeiro-Ministro está ciente da realidade, e isso ainda é mais grave.
 
Acontece que nem todos somos parvos, nem todos acreditamos no discurso oficial, nem todos reduzimos a nossa vida a pão e circo.
 
Mas grave, grave, grave, é o legado que este Primeiro-ministro já ostenta.
 
No começo do seu mandato, o rendimento por habitante, tomando como média a EU a 27, era de 74,7% dessa média. Segundo os números previstos em termos de Orçamento para 2009, reduz-se a 73,3%.
 
No começo do seu mandato, o PIB crescia a 1,5%, nada de especial na verdade! Mas agora, as previsões (não as Governamentais apontavam para 0,6%) do INE, segundo os últimos números, apontam para uma recessão já no último trimestre!
 
No começo do seu mandato, o deficit externo representava 6,1% do PIB; no Orçamento de Estado de 2009 estima-se em 11,1%.
No começo do seu mandato, o endividamento da economia rondava os 64% do PIB; face ao Orçamento de 2009, atinge os 100%!
 
No começo do seu mandato, a taxa de desemprego, sempre uma chaga social seja qual for o seu valor, atingia 6,7% da população activa; para 2009 mantém-se a perspectiva dessa taxa se manter em 7,6%, análoga à do ano em curso.
 
No começo do seu mandato, a carga fiscal, directa e indirecta, representava 33,8% do PIB; e ele próprio e muitos dos seus correligionários se insurgiam contra tal facto! Pelo Orçamento de 2009, do Governo a que preside, essa carga fiscal atinge 38%!
 
No começo do seu mandato, a despesa pública total, que foi uma das bandeiras do seu Governo, prometendo baixá-la e racionalizá-la, era de 46,5% do PIB; depois de todas as reformas amplamente anunciadas e louvadas pela Comunicação Social, a despesa pública total cresceu para 47,8% do PIB! E não foi em investimento, que esse tem diminuído ano após ano!
 
E dessas despesas, no começo do seu mandato, as de funcionamento, exceptuando os juros que em grande parte não são controláveis a nível nacional, subiu de 43,9% do PIB para 40,9%!
 
O único número positivo no seu mandato, diga-se em abono da verdade, é a diminuição do deficit público. Mas mesmo este está agora ameaçado devido aos termos da crise; lá voltaremos ao início de tudo.
 
Os sacrifícios passados de nada valerão e exigir-nos-ão novos sacrifícios; porque ao contrário de outros, em Portugal um deficit público acima dos 3%, não é meramente conjuntural, assume foros de estrutural e deveria ter um tratamento diferente do que esses mesmos outros lhe dispensam.
 
Tudo isto se traduz em poucas palavras, na prática: em 2009 teremos um País com menos emprego, com menos poupança, e afastar-se cada vez mais da média Europeia.
 
Nos últimos cerca de trinta anos, é quase sina; com um período de excepção! Adivinhem qual!

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Sexta-feira, 19.12.08

«AQUI AO LEME SOU MAIS DO QUE EU»

Santana Maia - in Nova Aliança de 12/2/09

  

Em primeiro lugar e antes de mais, quero agradecer o convite que me foi endereçado pela direcção da Nova Aliança para poder continuar a publicar as minhas crónicas num jornal de Abrantes.
 
Eu sei que, para a maioria dos portugueses, é difícil compreender por que razão, sendo eu candidato à câmara de Abrantes pelo PSD, me recuso a escrever crónicas nessa qualidade. Mas a explicação é muito simples.
 
Em Portugal, infelizmente, as candidaturas ao que quer que seja (autárquicas, assembleias regionais e da república, associações, etc.) resumem-se, em regra, a dois tipos: unipessoais e terceiro-mundistas.
 
As candidaturas unipessoais são aquelas em que o candidato é o presidente, o treinador, o roupeiro, o jogador e o espectador. O candidato pode sempre falar em nome da sua candidatura porque a sua candidatura se resume a si próprio. Este tipo de candidaturas é, no entanto, bastante saudável e higiénico, porque, para além de servir para afagar o ego do candidato, serve também para descarregar o seu fel nos adversários, aliviando, desta forma, a sua bílis.
 
As candidaturas terceiro-mundistas, por seu lado, são aquelas que são compostas pelo candidato-rei e pelo seu séquito. Este é o tipo de candidaturas que, em regra, costuma disputar a vitória nas eleições realizadas em Portugal, assim como em Angola, na Venezuela e na Rússia. Apesar de o grupo ser, em regra, numeroso, a verdade, no entanto, é que só tem uma voz e só admite uma opinião: a do candidato-rei. O resto serve apenas para abanar a cabeça.
 
Acontece que não me revejo, nem sou capaz de encarnar, qualquer destes dois tipos de candidatura. Como diz um provérbio japonês, «se duas pessoas pensam da mesma maneira, uma é dispensável». Felizmente, sempre tive a inteligência de me saber rodear de pessoas mais inteligentes do que eu. A minha candidatura é, por isso, um projecto colectivo formado por pessoas com opiniões próprias, diferentes e, certamente, melhores do que as minhas em muitos aspectos. O espírito da minha candidatura está bem explícito na fala do homem do leme do poema “Mostrengo”: «Aqui ao leme sou mais do que eu: sou um povo que quer o mar que é teu.»
 
Ora, se me fosse pôr agora a falar, como candidato a presidente da Câmara de Abrantes, quando o grupo de pessoas que me vão acompanhar neste projecto está longe de estar fechado, seria estar a desvalorizar e a limitar, antecipadamente, a sua opinião.
 
Esta é a única razão por que, neste momento e por enquanto, apenas aceito escrever crónicas em nome pessoal. Aquilo que escrevo vincula-me apenas a mim, sendo certo que, da minha candidatura, fazem e farão parte pessoas que pensam de maneira muito diferente da minha. Felizmente.
 
Com efeito, como disse na apresentação da minha candidatura, só coloco três condições de admissão: agarrar na consciência, endireitar a coluna e amar Abrantes.  

 

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Quinta-feira, 18.12.08

COMERCIANTES E EMPRESÁRIOS

Entrevista ao jornal A Barca - edição Nov 08 

 
A Barca - Para além do poder autárquico, do excesso de presidencialismo, há um outro poder, meio encapotado que parece controlar tudo o resto. Não sei até que ponto esta não será uma questão ainda mais difícil….
 
Santana Maia(…) Nunca se deve ligar a vinda de uma empresa para uma terra a um favor. (…) As pessoas e as empresas devem receber aquilo a que têm direito. E se cada um receber aquilo a que tem direito, não tem de agradecer a ninguém. (…) 
 
Acho importante que as grandes empresas se instalem, mas nós não podemos esquecer os restaurantes do concelho, o pequeno comércio… Em Portugal, 90% do emprego está nas pequenas empresas. Muitas vezes, as grandes empresas só vêm se lhes derem terreno, ainda têm isenções fiscais do Governo e às vezes ainda recebem fundos comunitários. 
 
E o desgraçado que só tem um ou dois trabalhadores, que compra o terreno e paga a renda da loja pelos olhos da cara, depois paga impostos, adianta IVA ao Estado, tem de pagar a Segurança Social… O homem come o quê?

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