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COLUNA VERTICAL



Sábado, 31.01.09

A FAMÍLIA DE SÓCRATES NO FREEPORT

  

«Aqui a questão é simples: o que é que a família do primeiro-ministro tem a ver com o Freeport? A resposta também é simples, ser a família do então ministro do Ambiente, que tinha a responsabilidade última na decisão de licenciamento.

  

É verdade que não se escolhe a família que se tem, mas, pelo menos, sabe-se que Sócrates poderia ter aceite um pedido do tio para promover uma reunião (não se lembra) e, mais grave ainda, informado por este (versão do tio) de que havia pedidos de luvas, não informou o Ministério Público do que se passava, nem aconselhou o tio a fazê-lo. Mau sinal.»

José Pacheco Pereira, in Sábado de 29/1/20009 

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Sexta-feira, 30.01.09

Nova carta ao presidente da câmara

Eurico Heitor Consciência

Eurico-Consciencia 1.jpg

Caro Presidente,

Cá me tem outra vez. Disse-lhe na carta anterior que os seus serviços de propaganda deverão ser exterminados. Vou dizer porquê: são caros, caríssimos e ineficazes ou contraproducentes e de todo dispensáveis, porque, com proveito para todos, podem ser substituídos por meios que não custarão um tostão à Câmara, que o mesmo é dizer que me não custarão nada a mim nem aos outros contribuintes.

Actualmente, os contribuintes estarão a pagar mais de 125.000,00 € (mais de 25 mil contos) por ano para os seus serviços de propaganda. Fundo-me nas informações oficiais que me transmitiu, a requerimento meu, em Agosto de 2005. Vinte mil contos já não chegarão hoje para os ordenados dos funcionários do serviço de propaganda – devendo somar-se-lhe os gastos materiais, que não serão de pequena monta (instalações, móveis, instrumentos, suportes, luz, aquecimento e “arrefecimento” e outros consumos, deslocações, comunicações, etc.). Não indico o total desses gastos/ano porque Você, caro Presidente, como recordará, não mos forneceu, porque, disse, não seria possível determinar o seu valor, dado que o SDI prestava serviço às diversas Divisões da Câmara, do que resulta que os custos materiais do SDI “se diluem no orçamento por cada Divisão”.

Antes de prosseguimos, convirá esclarecer os leitores de que a Câmara de Abrantes tem uma organização vasta e complexa. Aposto que das maiores do mundo, em termos relativos, considerando que os residentes no município já serão menos  de  40.000: 2  Gabinetes de  apoio, Serviço de Polícia e Fiscalização e Serviço de Protecção Civil e 4  grandes Departamentos, repartidos por 14 Divisões, que, no total, integram mais de meia centena de Serviços! Caramba! Que grande câmara!

Com tantos Gabinetes, Departamentos, Divisões, e Serviços não pode estranhar-se que Você, caro Presidente, ignore tantas vezes onde terão ido parar (parar mesmo) os requerimentos, as reclamações, as exposições, os protestos e os pedidos dos seus contribuintes. Nem deveremos des/esperar por termos que esperar semanas, meses ou anos por uma decisão da Câmara – como comigo já sucedeu : foram anos. Mesmo que os Chefes de Serviços se apressem, não demorando mais de dois ou três meses a darem o seu parecer, basta que um requerimento tenha que percorrer 10% dos serviços camarários para que o contribuinte tenha que aguardar longos meses, por vezes anos, pela resposta da Câmara. Depois, todos culpam o Presidente da Câmara. Sem razão, como se vê.

(Caro Presidente, nada tem que agradecer: a verdade acima de tudo, doa a quem doer. Para mim, a verdade tem que sobrepor-se a tudo. Até aos partidos, veja lá…).

Vamos então ver por que é que, no meu modesto mas interessado entender, deverão extinguir-se os seus serviços de propaganda ou Informação e Comunicação - SIC. Acrescento que poderá conceder-se que não se lhes ponha termo, desde que sejam reduzidas as suas funções (com radical redução dos seus custos). Os serviços de propaganda foram designados até 2008 por SDI – Serviço de Divulgação e Informação, mas em Janeiro de 2008 mudaram de nome: passaram a chamar-se  Serviço  de Informação e Comunicação  (integrado na Divisão de Comunicação do Departamento de Planeamento, Desenvolvimento e Comunicação, que se reparte por 3 Divisões, que aglutinam 13 Serviços).

Vou passar a designar os serviços de propaganda pela sigla SIC – Serviço de Informação e Comunicação. Por razões de brevidade, certo de que nem o Dr. Balsemão nem o Chefe do Serviço de Inovação e Competitividade da Divisão de Desenvolvimento Económico do Departamento de Planeamento, Desenvolvimento e Comunicação da Câmara Municipal de Abrantes me processarão por usar a sigla SIC sem autorização deles.

Vamos lá então esfolar… Só que não poderá ser agora. A reza acompridou-se, como diria o Couto que Mia, pelo que só p’rá semana poderei dispor de tempo e de espaço p’ró SIC. Terá que aguardar mais uma semana ou duas, caro Presidente. Mas vai ver que vale a pena . Não perderá pela demora. Até lá, pense nisto: quando vi o novo organigrama da sua Câmara, com dezenas sobre dezenas de pomposos serviços, ocorreu-me que a nossa democracia está cada vez mais parecida com uma vaca com inúmeras tetas, rodeada de mamões que não se cansam de mamar. Assim, não há vaca que resista. As tetas acabam por mirrar e a vaca morre. Pense nisso….

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Quarta-feira, 28.01.09

O DÉFICE DEMOCRÁTICO

por Santana Maia

 
O “défice democrático” na Madeira é uma coisa que parece incomodar muito os socialistas, em geral, e o nosso Governo, em particular. Mas, quando olhamos para o que se passa por esse país fora, designadamente a nível do poder local, ficamos sem perceber o motivo de tanta indignação. Porque a rede de influências e compadrios, baseada nos subsídios, nos tachos e na troca de favores, que asfixia por completo o livre pensamento, não é, obviamente, uma especialidade da Madeira.
 
E no Continente, tal como na Madeira, sempre que são acusados de atropelar direitos e perseguir os opositores, os líderes locais contrapõem com a obra feita. Sendo certo que, com tantos milhões de euros de fundos comunitários, melhor fora que não tivessem feito nada. Mas até, neste campo, a questão deveria ser outra. Ou melhor deveriam ser outras: 1) a obra justificava-se e era prioritária? 2) a grandeza da obra está adequada aos seus destinatários e potenciais utilizadores? 3) a obra é proporcional ao dinheiro que custou? Para já não falar do bom gosto que, regra geral, anda arredio dos nossos candidatos autárquicos.
 
Mas qual é o eleitor que se preocupa se o dinheiro que se gastou no estádio, na rotunda ou na piscina dava para fazer três estádios, três rotundas e três piscinas? Ou com o mamarracho que lhe espetaram na rotunda à porta de casa? Para o povo, o que interessa é que o estádio, a rotunda e a piscina estão feitos. Quanto ao seu preço, ninguém se preocupa com isso, se bem que agora toda a gente se queixe de sentir o cinto apertado. Só que continuam a não relacionar uma coisa com a outra. É, por isso, que continuam a votar em quem mais gasta e não em quem melhor gere o dinheiro de todos nós.

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Quarta-feira, 28.01.09

ROTA ERRADA

por Gonçalo Oliveira 

 

Foi com regozijo, mas, ao mesmo tempo, com frustração, que li a notícia com o título “Rota Turística vai ligar Vila Franca à Golegã pelo rio Tejo”, publicada na edição online do Jornal o Mirante.
Com efeito, uma iniciativa destas é sempre de louvar. Daí o meu regozijo. É certo que é tardia, mas, atente-se, trata-se de um esforço conjunto partilhado por nove municípios, desde Lisboa à Golegã. Pelo caminho, além da exploração do canal fluvial, ainda se pretende recuperar património municipal e histórico.
Quanto ao motivo para o projecto não chegar a Abrantes, é de fácil compreensão. . Juntos, ainda exploram o Parque Almourol, juntamente com outros parceiros.
Vila Nova da Barquinha tem o Barquinha Parque, com enorme sucesso que se conhece. Constância é alvo de uma romaria, todos os fins-de-semana, em torno da sua zona ribeirinha, com os inúmeros turistas que entopem esta vila, à procura de aventura e lazer, sem falar no sucesso do Parque Ambiental e do Centro Ciência Viva – Parque de Astronomia
Barquinha e Constância exploram o Tejo como podem e sabem, com frutos razoáveis, em termos de benefícios directos para os seus munícipes, e numa lógica de afirmação regional.
Abrantes não soube, até agora, explorar o potencial turístico que envolve o Tejo, e como é óbvio, o Castelo de Bode. Confinou-se o Tejo ao espaço entre as duas pontes, o que é muito pouco, para um concelho tão grande.
Com esta medida, mais uma, verifica-se que a rota escolhida pela Câmara Municipal é uma rota errada e com custos elevados (os maiores ainda estão para vir, com a manutenção deste espaço…).
Com a falta de visão deste executivo, só Abrantes é que perde.
Caminharmos orgulhosamente sós não é, no entanto, uma inevitabilidade.

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Terça-feira, 27.01.09

OLHAR MOURISCAS

por Manuel Catarino

 

Quando, nos anos cinquenta, um mourisquense se dirigia à Estalagem à Estação da CP ou a qualquer outro lugar desta sua terra sentia vida, sentia trabalho, sentia empenho empresarial, sentia alma no ensino e na saúde, percebia o pulsar de uma povoação que lutava, isto eu ouvi dizer. Eram as várias fábricas de esparto a descarregarem ceiras e capachos numa Estação com empregados e utentes a cruzarem-se no cais, eram as toneladas de figo que eram apanhados, secos e vendidos, eram as safras da azeitona e o corrupio para os lagares, eram as oficinas de fogo de artifício e os fornos de tijolo e telha isto também me contaram. Que um tal Senhor professor e um outro Senhor que era médico, ministraram cultura e ensinamentos para os filhos da terra poderem também vir a ser doutores ou ganharem concursos a empregos na CP, isto ainda se fala no Largo da Igreja aos domingos.
Mas, com o tempo as fábricas fecharam, a geração que tinha sido ensinada emigra, a desertificação e o envelhecimento alastram, enfim o paradigma passa a ser outro.
Mouriscas tinha singrado sozinha e também só estava a definhar. Abrantes, do alto do seu Castelo continuava de costas voltadas e lá se lembrou por uma vez que este povo existia, construiu uma barragem e disponibilizou-lhe água potável. Já lá vão duas dezenas de anos.
Os de cá da terra e outros que a fizeram sua, continuaram com a horta, nos Santos a varejar a azeitona e no dia a dia a fazer mais uma casa ou recuperar uma outra, para o conterrâneo bem sucedido e que precisava da casa da aldeia.
Das muitas indústrias duas vão-se mantendo e uns poucos empresários, sempre sós, vão dando uns pontapés no sistema e são a pequena lufada de ar fresco e dinheiro para umas quantas famílias.
De permeio, as associações mantêm alguma actividade de prestação de serviços a idosos, desporto e lazer e uns quantos blogs transmitem aos não de cá a riqueza e o potencial desta terra.
Há mais de vinte anos que Abrantes, ou os senhores da Câmara, viraram as costas a Mouriscas mas os novos tempos trazem pessoas diferentes.
Mas, se esta terra já teve capacidade de gerar doutores e com uma média superior a qualquer outra, se já teve capacidade para gerar riqueza, julgamos possível ser capazes de tornar Mouriscas novamente atractiva, encontrando em si um novo modelo para enfrentar este declínio.
Não acredito na construção de uma zona industrial em Mouriscas. Em tantos anos de Comunidade, com tantos milhões a serem canalizados para o concelho sem qualquer investimento nessa área e encontrando-nos rodeados dessas infra-estruturas, é razoável percebermos que fomos ultrapassados e que perdemos o comboio da indústria.
Mas esta é a nossa terra e impõe-se-nos criar aqui condições de vida digna.
Não é tempo de procurar culpados ou exorcizar este ou aquele. Não é tempo de actos isolados e de culturas adonistas de umbigo. Impõe-se juntarmo-nos humildemente ao redor das estruturas e instituições que temos e criar modelos de desenvolvimento sustentável, utilizando as potencialidades da terra e os apoios que possam estar disponíveis. Impõe-se que as crianças desta terra, quando acedem ao secundário, sejam olhadas pela qualidade como antigamente.
É tempo de olhar e ver Mouriscas com outros olhos.
Escolhi Mouriscas. Aqui sou eleitor. Aqui tenho os meus amigos.
Fui convidado por Santana Maia para um projecto e aceitei. É meu dever dizer que podem contar comigo para, todos juntos, invertermos esta inércia e recuperar do perdido nestes últimos vinte anos.

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Segunda-feira, 26.01.09

COMISSÃO POLÍTICA AUTÁRQUICAS 2009

 

A candidatura do PSD às eleições autárquicas de 2009 “amarabrantes” pretende assumir a liderança de um novo ciclo de desenvolvimento do concelho de Abrantes, assente nos valores da solidariedade social e do serviço público, na distribuição equitativa da riqueza, na participação efectiva das pessoas nas decisões da sua freguesia e do seu concelho, no respeito pelas diferentes correntes de opinião e numa sociedade civil forte e dinâmica, liberta do jugo tutelar do poder político.
Na prossecução destes objectivos, esta candidatura pretende promover o debate programático que permita uma reflexão não só sobre os desafios que o concelho enfrenta, mas também sobre os desafios do país, que determinam profundamente a nossa qualidade de vida.
A realidade actual é complexa e composta por inúmeras variáveis. Neste sentido, a candidatura “amarabrantes” procurou constituir uma Comissão Política que reflectisse as várias correntes de opinião, os vários sectores e os diferentes estratos sociais que compõem a nossa comunidade.
Este grupo, agora apresentado, é um grupo aberto a novas pessoas e a novas ideias e é composto por pessoas atentas e conhecedoras da realidade do concelho, em todas as suas vertentes, de diferentes idades e provenientes de várias localidades do concelho, tendo todos em comum a preocupação de dar o seu contributo para a melhoria da qualidade de vida dos abrantinos.
Será deste grupo que emanará o Programa da Candidatura.
Santana Maia
Candidato a Presidente da Câmara
Gonçalo Oliveira
Presidente C.P.S.
Pedro Marques
Vereador eleito
José Moreno Vaz
Vereador eleito
Armando Fernandes
Líder da Bancada na A.M.
António Belém Coelho
 Deputado municipal
Luís Ablú Dias
Candidato a Presidente Junta
Rui André
Representante dos Presidentes de Juntas PSD
António Moutinho
Presidente de Junta
Diogo Valentim
Presidente de Junta
Manuel Catarino
Candidato a Presidente Junta
Dora Caldeira
Candidata a Presidente Junta
José Lourenço
Candidata a Presidente Junta
Gonçalo Leitão
Representante da JSD
António Castelbranco
 
Augusto Maia Alves
 
José Lagarelhos
 
Anabela Crispim
 
Margarida Simplício
 
Anacleto Batista
 
Ana Margarida Loureiro
 
Octávio Horta
 
Paulo Falcão Tavares
 
António Prôa
 
Fernando Alfaiate
 
Fábio Guia
 
José Ângelo Costa
 
Emídio Direito
 
Manuel Passos
 
João Paulo Rosado
 
Joaquim Simplício
 
Rui Santos
 

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Segunda-feira, 26.01.09

ATIRAR DINHEIRO AOS PROBLEMAS

 

«Atirar dinheiro aos problemas, na situação actual, não os afoga, fá-los crescer e com juros altos. A política trapalhona de apoio à economia tem em si o gene da sua própria destruição.»
 
Luís Campos e Cunha (ex-ministro das Finanças do actual Governo), in Público de 23/1/2009

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Domingo, 25.01.09

Outra carta ao presidente da câmara

Eurico Heitor Consciência

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Meu caro Presidente,

Prometi por duas ou três vezes falar dos seus serviços de propaganda mas ainda não cumpri. Estou como os políticos: generosos e prontos nas promessas, mas lentos e avaros ou esquecidos no cumprimento das mesmas. Mas tarde é o que nunca chega e hoje vou finalmente falar dos seus serviços de propaganda. Mas, antes de apontar ao âmago da questão, há que fazer duas ou três advertências, e apresso-me a fazê-las, porque sei que alguns leitores são desconfiados e estão sempre a tresler-me e a rosnar em surdina: Vês “agreiros” nos olhos dos outros mas não reparas nas traves dos teus.

Quando refiro os seus serviços de propaganda não quero dizer que Você (começa a agradar-me o Você), que Você montou serviços de propaganda pessoal com os dinheiros dos seus contribuintes. Não. Os serviços de propaganda foram certamente criados para propaganda de Abrantes (e alguma terão feito) mas sobretudo para propaganda das actividades da sua Câmara Municipal. Sua, de Abrantes, entenda-se. Mas, como não sou de arcas encouradas, declaro já que penso que da Câmara Municipal de Abrantes se poderá também dizer que é sua, caro Presidente, no sentido de que a Câmara se confunde consigo, expressando unicamente o seu pensamento e a sua filosofia de vida. Porque Você  (o  raio do  Você  começa  a  sair-me  naturalmente. E  sempre  embirrei  com o Você. Você  é de estrebaria. De quem come sete molhos de palha por dia – dizia-se na minha meninice aos que tratavam por Você quem, por sua idade ou prestígio social, deveria ser tratado por Senhor ou Vossa Senhoria, quando não Vossa Excelência, de mais raro uso, praticamente reservado aos Magistrados, aos generais e aos Ministros).

Porque Você, começara a dizer, foi sempre o clou, o sol, o pivot, o princípio e o fim (passando pelo meio) de todas as decisões camarárias com algum relevo - com ressalva das do tempo em que o Engº Couceiro da Costa foi vice-presidente da Câmara, porque, ao que parece, nesse tempo, o verdadeiro pivot era ele. Mas não gostava de sobressair, de dar nas vistas. Não gostava de propagandas. E ficava na sua sombra.

E as coisas também terão sido diferentes no breve tempo em que o Arquitecto Albano Santos foi vice-presidente da Câmara. Ao que consta, tinha uma personalidade vincada e até pensava. Terá sido por isso que Você e ele se esmurraram (em sentido figurado – entenda-se. Naturalmente).

A outra advertência refere-se ao pessoal dos seus serviços de propaganda. Dos que conheço ou de que tenho referências deverá dizer-se que são pessoas capazes – que poderiam servir a comunidade em tarefas úteis, necessárias e interessantes de forma competente. Com o que quero dizer que não me passa nem nunca me passou pela cabeça pôr em questão o trabalho competente das pessoas que foram postas no seu serviço de propaganda. Por isso, consequentemente, não poderia ter-me ocorrido nunca o seu despedimento (que nem seria possível legalmente – ao que suponho). O que vou propor, caro Presidente, o que vou propor, como  contribuinte  que  sustenta os seus serviços  de propaganda, o que  proponho é que os funcionários dos seus serviços de propaganda sejam transferidos para outros serviços, com funções úteis, porque os serviços de propaganda devem ser abolidos, apagados, desfeitos, arrasados, destruídos , definitivamente banidos da Câmara.

Concluídas que foram as advertências, vamos ao âmago, ao cerne, ao centro, ao fundo da questão. Vamos, vamos, mas noutro dia, porque hoje já gastei o tempo e o espaço de que dispunha. Veremos o dito cerne na próxima semana.

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Sexta-feira, 23.01.09

A ARTE DE FAZER LIXO

Santana Maia in Semanário de 16/3/09

 

Antigamente, a obra de arte estava ao alcance do discernimento de qualquer pessoa, porque estava directamente relacionada com o conceito de beleza. Era o tempo em que imperava a estética aristotélica, a estética da beleza. E o que distinguia o génio do homem comum era precisamente o facto de aquele conseguir conceber coisas belas, dignas de admiração e que demonstravam talento.
 
Hoje, porém, já ninguém se atreve a bater palmas ou elogiar o que quer que seja sem antes ouvir a opinião abalizada dos decifradores das obras de arte. Porque, sem a sua opinião, ninguém sabe se está perante uma obra de arte ou uma porcaria qualquer.
 
Quem já teve a oportunidade de visitar os museus de Arte Moderna que vão proliferando por esse mundo fora, não pode deixar de concluir que é extremamente difícil distinguir grande parte das obras de arte expostas de um guarda-chuva esquecido num canto de uma sala ou de um bocado de reboco caído da parede. Ainda há pouco tempo, no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, uma obra de arte de Jimmy Durham foi destruída por uma inculta empregada de limpeza que resolveu deitar para o lixo os cacos de um lavatório partido que encontrou no chão e que afinal faziam parte da genial obra de arte. É que a obra de arte era precisamente isso: um lavatório vulgaríssimo a quem o artista tinha transformado numa obra de arte depois de o partir de um lado com uma marretada. E a obra de arte era constituída pelo lavatório e pelos cacos caídos no chão.
 
Por sua vez, em Frankfurt, os homens do lixo resolveram atirar para o incinerador a obra de arte de Michael Beutler colocada numa rua da cidade. É certo que a cidade ficou mais limpa, mas o presidente da Câmara ficou ofendidíssimo com os funcionários camarários por não terem reconhecido nuns desperdícios de construção civil uma obra de arte.
 
No entanto, se esta empregada de limpeza e estes homens do lixo se tivessem cruzado com o Moisés e o David de Miguel Ângelo de certeza que não os confundiriam com um bocado de entulho. O mesmo já não sucederia se os levássemos ao Parque Eduardo VII ver o monumento ao 25 de Abril. Donde se conclui que, ao contrário do burguês urbano letrado, qualquer homem do lixo ou mulher da limpeza consegue distinguir facilmente uma obra de arte de um monte de pedras ou de uns cacos de um lavatório vulgar.
 
O culto do criador que hoje se pratica e incentiva serve, na maior parte das vezes e infelizmente, para promover medíocres e dar de comer a comparsas ideologicamente afins. E para comprovar isto mesmo, o jornal Sunday Times resolveu, recentemente, mandar dactilografar cópias integrais dos romances “Num País Livre” (a obra mais aclamada do prémio Nobel Sir Vidiadhar Surajprasad Naipaul) e “Holiday” (escrito pelo vencedor do «Prémio Booker», em 1974, Stanley Middleston) e enviou-as, sob o pseudónimo de jovens aspirantes que queriam publicar o seu primeiro livro, para avaliação das principais editoras e agentes literários britânicos. Nenhuma das grandes editoras britânicas mostrou interesse na sua publicação.
 
Ou seja, hoje em dia, o único critério para avaliar a qualidade de uma obra é o nome de quem a assina. Se for X é uma obra de arte; se for Y é uma porcaria, para já não utilizar outra expressão bem mais adequada. O nome faz-se e promove-se na comunicação social a partir da tertúlia de amigos e de certas correntes ideológicas. E a partir daqui, o sucesso está garantido, tendo em conta que vivemos num mundo onde as pessoas são criadas, desde o berço, a seguirem as modas como rebanhos de ovelhas.
 
Aliás, basta olharmos hoje para um ser humano com olhos de ver e um mínimo de senso crítico para ficarmos de boca aberta: como é possível certas pessoas conseguirem sair à rua, depois de se verem ao espelho? E não faltará mesmo gente disposta a vazar um olho ou a cortar um dedo, no dia em que um artista de vanguarda se lembrar de o fazer. Se bem que, para apreciar certas obras de arte, já é necessário estar cego dos dois.

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Sexta-feira, 23.01.09

HUGO MOURA É O CANDIDATO EM CONCAVADA

 

Hugo Miguel Garrinhas Moura foi escolhido, por unanimidade, como candidato social-democrata à Junta de Freguesia de Concavada.
 
Casado, com duas filhas, Hugo Moura tem 33 anos, é natural de Alvega e reside na freguesia de Concavada, há mais de 14 anos. Pessoa trabalhadora e muito dinâmica, Hugo Moura é encarregado de construção civil e integrou as listas do PSD à Junta de Freguesia de Concavada em 1997 e 2001.
 
Sendo Concavada uma freguesia que, nos últimos anos, tem perdido muitas oportunidades e visto partir muitos dos seus filhos, Hugo Moura representa, precisamente, aquilo que todos esperamos que venha a ser Concavada: uma freguesia atractiva e com voz própria capaz de fixar os seus filhos e de atrair e integrar gente de outras paragens.

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Quinta-feira, 22.01.09

O DÉFICE MORAL DO POVO PORTUGUÊS

 

«(...) Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades.

Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos. A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.

Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros. (...)»
 

Clara Pinto Correia, in Expresso

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Quarta-feira, 21.01.09

MANUEL CATARINO É O CANDIDATO EM MOURISCAS

 

Manuel Catarino foi escolhido, por unanimidade, como candidato social-democrata à Junta de Freguesia de Mouriscas.
Manuel Catarino tem 58 anos e foi, até se reformar em 2002, inspector da Polícia Judiciária, onde desenvolveu a sua actividade como investigador em áreas diversas, tendo passado, os últimos anos, na investigação do tráfico de estupefacientes. Esteve também presente, desde o início, na criação da Associação Sindical da Polícia Judiciária.
 Em 1996, comprou em Mouriscas uma casa antiga que tem vindo a recuperar e onde fixou a sua residência. Dedicado e apaixonado pela freguesia, onde tem raízes familiares, fez parte da Direcção da ACATIM, conseguindo ganhar uma candidatura para o financiamento de um lar de 30 camas, com a oposição dos votos da vereadora e do núcleo executivo da CLAS.
Sendo Mouriscas uma freguesia que, nos últimos anos, tem perdido muitas oportunidades e visto partir muitos dos seus filhos, Manuel Catarino representa, precisamente, aquilo que todos esperamos que venha a ser Mouriscas: uma freguesia atractiva e com voz própria capaz de fixar os seus filhos e de atrair e integrar gente de outras paragens.
 
Ver posts relacionados:
Apresentação dos candidatos a Mouriscas:

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Quarta-feira, 21.01.09

NELSON DE CARVALHO NÃO SE RECANDIDATA

 

A não recandidatura de Nelson Carvalho é o reconhecimento pelo próprio de que o seu ciclo terminou, o que abona em seu favor. Com efeito, não é bom para a saúde da democracia, nem das autarquias, a perpetuação das mesmas pessoas e do mesmo partido no poder. Só a renovação e a alternância permitem que os concelhos se desenvolvam e se faça a verdadeira avaliação do que foi feito.
 
Para nós, no entanto, a não recandidatura de Nelson Carvalho não nos motiva, nem nos entusiasma, porque a nosso projecto não é contra ninguém, em especial, mas a favor de todos e envolvendo todos.
 
Queremos um concelho plural, harmonioso e equilibrado onde as pessoas são importantes. E, nesta medida, os antigos presidentes da Câmara de Abrantes serão sempre pessoas cuja opinião teremos em consideração e com quem contamos, independentemente da sua cor política e das nossas divergências.

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Terça-feira, 20.01.09

FADO

por António Belém Coelho

 

Há cerca de seis anos que andamos com o cinto apertado na perspectiva de melhorar a situação, tentando a todo o custo diminuir o défice do Estado. Quando digo andamos, refiro-me sobretudo à classe média nacional ou ao que dela resta, depois de tanto tempo a alimentar e sustentar vícios e calões. Aos outros, aos ricos e à classe política, a crise parece não incomodar. Aos mais desfavorecidos, que sempre viveram em crise, é o mesmo, com a variante de, nestas alturas, para mostrar sensibilidade social, o Governo lá arranja mais uns subsídios que, longe de resolver o problema, apenas o vão adiando e criando mais subsídio-dependência. Quando ele acabar, o cidadão ficará tão mal ou pior do que dantes.
 
Chegou a crise internacional. A tal que o Primeiro-Ministro, primeiro, declarou estarmos mais ou menos imunes, depois, bem preparados para o seu impacto. Gradativamente, lá foi mudando de discurso e, no último, lá disse que estamos em recessão e fortemente atingidos por essa crise.
 
O Governo decidiu uma série de medidas de combate à crise, com relevo para um grande pacote de obras públicas. O objectivo parece ser injectar dinheiro na economia e alguma confiança, de modo a animar o consumo, quer público, quer privado. Mas economistas estrangeiros, que seguem atentamente o desenvolvimento da nossa economia, duvidam que esse pacote de obras públicas chegue no tempo indicado. Isto apesar da dispensa de concursos públicos até 5 milhões de euros, que poderá agilizar alguma coisa, mas, em paralelo, trará menos transparência, mais tráfico de influências, menos concorrência e certamente mais recurso aos tribunais, onde se perderá qualquer ganho temporal anteriormente conseguido.
 
A par disso, reviu os principais indicadores económicos da economia para 2009, ainda sem os considerar finais (só estamos ainda no princípio do ano e teme-se que as coisas possam piorar). Assim, o PIB conhecerá por agora, um valor negativo de 0,8%, a taxa de desemprego crescerá para 8,5% e o famigerado e diabólico deficit subirá para 3,9% do PIB. Entretanto, a dívida externa já é equivalente a dois anos de produção de riqueza deste rectângulo.
 
 Ficaria (ficaríamos) todos muito felizes se a coisa ficasse por aqui. Dentro do mau, do mal, o menos. Mas as perspectivas são mais sombrias. Quer a Comissão Europeia, quer a EIU (Economist Intelligence Unit), prevêem números de contracção do PIB no dobro dos referidos e desemprego no limiar dos dois dígitos.
 
Mas economias bem mais preparadas e resistentes que a nossa apresentam previsões catastróficas. Aqui ao lado, o Governo prevê 15,9% de desemprego, 1,6% de queda do PIB e uma subida do deficit para 5,8%. E essas economias são os principais clientes daquilo que consideramos o nosso motor económico: as exportações. Por isso, esperemos.
 
Entretanto, já sabemos que quando começarmos a sair da crise, espera-se que daqui a cerca de 2 anos, com o défice novamente situado a níveis incomportáveis, lá teremos que apertar o cinto novamente. E quando digo teremos que apertar o cinto, refiro-me mais uma vez à classe média nacional ou ao que dela ainda restar. Aos outros, aos ricos e à classe política, o cinto nunca aperta. Os mais desfavorecidos, já nem sentem um furo a mais ou a menos. Como diz o poeta, tudo isto é triste, tudo isto é fado!

 

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Terça-feira, 20.01.09

CONVITE AO COMPADRIO

 

«Aumentar de 150 mil para 5,15 milhões de euros o limite de obras para ajuste directo, em ano de eleições locais, é um convite ao despesismo inútil. E é mais uma porta que se escancara ao tráfico de influências e à corrupção. (…)
 
Em Portugal, sabemos que o compadrio e o caciquismo andam de mãos dadas há séculos. A impunidade é a regra, muitas vezes descarada e quase sempre perante uma justiça inoperante, como se tem visto nos últimos anos.»
 
Fernando Madrinha, in Expresso de 17/1/09

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