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COLUNA VERTICAL



Sábado, 28.02.09

PROGRAMA DA VISITA DE PASSOS COELHO

 

ASSUNTO:
Visita às Freguesias de Fontes, Aldeia do Mato, e Souto
Palestra sobre o Turismo e as Ruralidades
 
PRESENÇAS:
Dr. Pedro Passos Coelho
Dr. Santana-Maia – Candidato do PSD à CM de Abrantes
Dr. Miguel Relvas – Deputado e Coordenador Autárquico

 

28 Fevereiro 2009

 

Programa da Visita 

Hora
Local
Tema
11H00
Fontes – Miradouro
Visita
12H00
Aldeia do Mato – Parque Náutico
Visita e
Conferência de Imprensa
12H45 – 14H00
Carvalhal
Almoço
14H15
Souto – Sede da Junta
Recepção
14H30
 
Início da Palestra
15H45
 
Fim da Palestra

 Programa da Palestra 

Hora
Orador
Tema
14H30
Diogo Valentim
Boas Vindas
14H35
Gonçalo Oliveira
Balanço da visita
14H40
Miguel Relvas
 
14H45
Santana-Maia
Propostas programáticas
15H00
Pedro Passos Coelho
Turismo e Ruralidade
15H30
Público
Questões

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Quinta-feira, 26.02.09

UM EXECUTIVO FALIDO

por Gonçalo Oliveira

 

Num altura em que os efeitos da crise financeira já se fazem sentir na economia real, de uma forma avassaladora, superando largamento as expectativas mais negativas, as notícias de empresas que, em última alternativa, entregam pedidos de insolvência são constantes.
 
Em Abrantes também o executivo do PS, que lidera os destinos da Câmara Municipal há 16 anos, se encontra em pleno processo de insolvência… insolvência de ideias, bem entendido (ou melhor, esperemos que seja só de ideias). Aliás, uma falência total ao nível de uma visão da cidade e do concelho, que deve nortear qualquer câmara municipal. Uma câmara “falida” de ideias e projectos estruturantes, uma câmara que, por cada chamada de atenção ou proposta feita pelo PSD, corre a remediar o problema, sem substância e sem que exista um planeamento cuidado.
 
Sem Ofélia, sem novo Hotel, sem abrantinos no Aquapolis e na Cidade Desportiva, o PS resolveu agora, em fim de ciclo e quando se prepara para entregar a governação da autarquia ao PSD, ir buscar as propostas que este partido apresentou em 2005 para as anunciar como suas.
 
Quer a proposta de revitalização do centro histórico, quer a agenda cultural, apresentada recentemente com pompa e circunstâncias, são a cópia fiel das propostas que constavam do programa do PSD em 2005 e que sempre temos defendido. O problema é que o PS, se é useiro e vezeiro em apropriar-se das boas ideias do PSD, tem-se revelado completamente desastrado a pô-las em prática. É o que em regra sucede aos alunos cábulas… Copiar copiam bem, o pior, depois, é porem em prática o que copiaram…
 
E até os grandes projectos públicos levados a cabo pela autarquia nestes últimos 16 anos ficaram muito aquém das expectativas, mostrando-se incapazes de dinamizar a cidade e o concelho como seria legítimo esperar tendo em conta não só a brutalidade de dinheiro investido neles como os encargos que ficaram.
 
O PS é, hoje, um partido falido de ideias, de pessoas e de projectos. O PS é incapaz de gerar no seu seio qualquer ideia original: ou copia ou encomenda. Pensar é coisa a que é completamente avesso.
 

Falharam e, por isso, faliram.

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Quinta-feira, 26.02.09

PEDRO PASSOS COELHO VISITA O CONCELHO

 

Pedro Passos Coelho vai acompanhar Santana Maia, o candidato do PSD à Câmara de Abrantes nas próximas eleições autárquicas, numa visita a três freguesias do concelho, no sábado, 28 de Fevereiro.

A visita começa às 11 horas, na freguesia de Fontes, junto ao miradouro, seguindo depois para o parque náutico de Aldeia do Mato.

Depois de um almoço no Carvalhal, a comitiva do PSD será recebida na sede da Junta de Freguesia do Souto, onde,
pelas 14h30, terá início uma palestra sobre “o turismo e as ruralidades”.
 
Os oradores são Santana Maia, Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas, coordenador autárquico do PSD, e outros responsáveis locais do partido.
 
in O Ribatejo de 26/2/2009

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Quarta-feira, 25.02.09

NA HORA DA DESPEDIDA SOCIALISTA

 

O PSD congratula-se pelo facto de o executivo socialista procurar acompanhar a agenda da candidatura social-democrata à Câmara de Abrantes com a aprovação de diversas propostas há muito reivindicadas pelo PSD e, na maior parte dos casos, da autoria do próprio PSD.
 
Referimo-nos, especificamente, aos protocolos de parceria para a Regeneração Urbana de Abrantes e para a criação do Banco Social de Abrantes. Só é pena que o executivo socialista tenha demorado tanto tempo a acordar para dois problemas centrais do concelho e que, só agora pressionada pelo PSD e pelas eleições, tenha iniciado um processo que bem sabe já não irá ser ele a concretizar.
 
Serão, no entanto, dois projectos a que o PSD irá dar continuidade e enriquecer, caso vença as próximas eleições autárquicas (como se espera), tanto mais que foi o seu mentor e defensor. Desta vez, pelo menos, estes dois projectos não irão correr o risco de esbarrar na reconhecida incompetência socialista de os pôr em prática, uma vez que, como tudo indica, irá já ser o PSD a executá-los, após a vitória nas próximas eleições autárquicas.
 
Por sua vez, quanto à Nova Estratégia para a Programação Cultural, recentemente apresentada no edifício Pirâmide, é ela própria o reconhecimento público, como o próprio nome indica, do rotundo falhanço da política cultural do executivo socialista. Com efeito, durante 16 anos, o executivo socialista limitou-se, como tão bem sabe fazer, a esbanjar o dinheiro dos contribuintes em espectáculos culturais destinados aos tais vinte espectadores que, louve-se a devoção, se esforçam por, com a sua presença, minorar o desperdício.
 
Mas a Nova Estratégia para a Programação Cultural, infelizmente, enferma dos mesmos vícios das anteriores estratégias, o que demonstra bem as dificuldades de aprendizagem do actual executivo. Sendo certo que a retirada avulsa de algumas propostas do programa eleitoral do PSD de 2005 apenas põe a nú as gritantes limitações de um executivo mais vocacionado para a reprodução mecânica do que para o raciocínio. E nas questões culturais, exige-se sobretudo que haja, pelo menos, alguém que pense.
 
O PS é, hoje, manifestamente um partido falido de ideias, de pessoas e de projectos. O PS é incapaz de gerar no seu seio qualquer ideia original: ou copia ou encomenda. Pensar é coisa a que é completamente avesso. Felizmente para o concelho de Abrantes, este executivo está de partida.
 
E até para o PS vai ser bom, depois de tanto tempo no poder e de tantos vícios acumulados, uma cura de oposição para renovar e arejar um aparelho socialista (mal) acostumado a viver, há demasiado tempo, à sombra do poder.

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Terça-feira, 24.02.09

UM OLHO NO BURRO, OUTRO NO CIGANO

 

«Sócrates faz pois, neste momento, o milagre de agradar ao mesmo tempo a gregos e troianos. À direita pondo a mão debaixo dos bancos; à esquerda com medidas vanguardistas em matéria de costumes.
 
Além da satisfação de sectores opostos, Sócrates construiu uma eficaz “estrutura de exercício do poder”. Rodeou-se de um grupo de fieis pragmáticos – Pedro Silva Pereira, Augusto Santos Silva, Armando Vara, etc. – que planeia a gestão política e estende os seus tentáculos a várias áreas (banca, empresas públicas, comunicação social) criando um sistema de condicionamento da opinião. Muita gente tem hoje medo de falar com receio de represálias – e mesmo dentro do Partido Socialista isto acontece. E há também chantagem e ameaças directas.
 
O ministro Augusto Santos Silva, fugindo-lhe a boca para a verdade, disse que gosta de «malhar» nos adversários políticos. E – não tenhamos ilusões – não foi uma afirmação isolada: é esta a linguagem usada no círculo restrito do primeiro-ministro.
 
Vivemos um tempo que se pode classificar como de ‘democracia limitada’. Sócrates construiu uma estrutura de poder que infunde receio. (…) Mas atenção: mesmo os que beneficiam deste estado de coisas devem perceber que é decisiva a subsistência de vozes livres. Essas vozes, que hoje lhes podem parecer chatas e incómodas, serão amanhã as garantes da sua própria liberdade.»
José António Saraivain Sol de 14/2/2009

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Segunda-feira, 23.02.09

SOCIEDADE RECREATIVA E MUSICAL DA BEMPOSTA

por Emído Direito

 

Esta associação foi fundada em Maio de 1957 com o fim de promover aos seus associados recreio, festas, bailes, teatros e outros eventos. Foi ponto de encontro regular dos jovens, foi lá que muitos jovens foram pela primeira vez ao cinema, a um baile, à discoteca móvel, era lá que praticavam ténis de mesa, matraquilhos, xadrez, etc.
 
Passado mais de meio século, esta associação, como certamente outras, está a atravessar algumas dificuldades, devido não só ao facto de as suas infraestruturas se encontrarem degradadas, mas principalmente à quebra de população jovem que a freguesia vem sentindo. Com efeito, o que move estas associações são os seus utentes e o que as faz erguerem-se é a vontade das pessoas. Mas quando a população tende a diminuir e a vontade se vai esbatendo em dificuldades de tesouraria, tudo fica mais difícil.
 
Assim, o apoio das entidades públicas tem que servir como impulso para a reabilitação dos nossos espaços e estimular a população existente. Quando tanto se fala em preservar a nossa história, a nossa cultura, os nossos costumes, não podemos ignorar estas associações, que prestam um verdadeiro serviço público, ao propiciarem um convívio saudável e educativo aos membros da comunidade.

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Domingo, 22.02.09

AS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

 

«Deve assegurar-se que uma percentagem relevante das compras públicas realizadas pela administração central, autarquias e empresas públicas sejam dirigidas às pequenas e médias empresas (PME). É assim uma especie de quota obrigatória em relação às compras públicas», declarou Manuela Ferreira Leite.
 
A presidente do PSD falava num hotel de Setúbal, onde apresentou um programa intitulado “As PME no centro da política económica”.
 
«Como acontece noutros países europeus e também nos Estados Unidos, por via legal e regulamentar deve ser exigida a participação de PME na contratação pública em geral e também nos contratos que suportam as parcerias público-privadas», acrescentou.
 
De acordo com a proposta de Manuela Ferreira Leite, «as propostas submetidas a concurso passarão a ter de incluir as PME nos consórcios concorrentes e os compromissos por estes assumidos terão também de corresponder a adjudicações de fornecimentos a PME» e «isto tem de ser obrigatório numa percentagem global».
 
Os vice-presidentes do PSD Rui Rio, José Pedro Aguiar Branco e Paulo Mota Pinto estiveram presentes na sessão de apresentação do programa.
 
De acordo com o gabinete de imprensa do PSD, o distrito de Setúbal foi escolhido para a apresentação das vinte propostas centradas nas PME «devido às suas carências sociais e à sua elevada taxa de desemprego».
 
«De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), 99,6 por cento do tecido empresarial português é composto por PME. As PME empregam mais de dois milhões de pessoas», referiu Manuela Ferreira Leite.
 
A presidente do PSD considerou que, tendo em conta estes dados, é «um erro de enormes proporções não colocar as PME no centro da política económica» e «acreditar que serão essencialmente as grandes empresas e os grandes projectos de investimento público que permitirão combater o desemprego».
Sol/Lusa

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Sábado, 21.02.09

O FEIRANTE

 

«Quando Manuela Ferreira Leite assumiu a presidência do PSD afirmou alto e bom som que não havia dinheiro para nada e que a situação era de crise e de emergência social. Poucos meses mais tarde, os factos vieram dar-lhe carradas de razão e pôr à mostra o enorme falhanço escandaloso das políticas do Governo, quer a batota sistemática por ele praticada. (...)
 
Fica bem à vista até que ponto Sócrates sabe pouco, é muito incompetente, não tem uma visão clara dos problemas, baralha tudo e cede a uma propensão fatal para vendedor de feira.» 
Vasco Graça Moura, in Diário de Notícias de 18/2/2009

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Sexta-feira, 20.02.09

EM DEFESA DO(S) ROBIN(S) DOS BOSQUES

 Santana Maia- in Nova Aliança de 20/2/2009

Na Repartição de Finanças de Abrantes dei de caras com um cartaz onde uma jovem sorridente justificava a sua aparente felicidade com esta legenda: «se todos pagarem impostos, você vai pagar menos». 
Voltei a ler a legenda e voltei a olhar para a cara da jovem. Afinal, aquilo que a jovem irradiava por todos os poros do seu sorriso não era felicidade, mas o mais cínico descaramento. Ela estava literalmente a gozar com a minha cara. Se todos pagarem impostos, eu vou pagar menos? Mas a menina pensa que está a falar com quem? Escusa de vir com essas conversas de sonsinha para cima de mim, porque eu sei bem o que a casa gasta. Se todos os portugueses pagarem impostos, eu não vou pagar menos, o Estado é que vai passar a gastar mais. E não só vai passar a gastar mais como vai ter mais dinheiro para financiar os gangues que nos assaltam as casas e os carros, para engordar os parasitas que vivem à conta do orçamento de Estado e das obras públicas e para esbanjar na RTP, na CP e nas agências de comunicação e propaganda. Sem esquecer que a maioria daqueles que atafulham os seus cofres à conta dos nossos impostos raramente deixa aqui o dinheiro.
Agora de uma coisa não tenho dúvidas: se tu não pagares os cinquenta euros do IVA ao carpinteiro, ao electricista, ao mecânico ou ao pedreiro, de certeza que não o vais depositar em nenhuma off shore, mas gastá-los no café da esquina, no supermercado ou noutra loja qualquer, dinamizando a economia, fazendo girar o dinheiro e produzindo riqueza.
Milton Friedman dizia com uma certa graça: «Nunca te pese na consciência prejudicar o Estado, porque o dinheiro é sempre melhor utilizado por ti do que por ele.» E, em Portugal, isto é mais do que verdade. Se vivêssemos num país a sério, já há muito que tinha sido decretada a inabilitação do Estado português para reger o dinheiro dos nossos impostos, devido à sua habitual prodigalidade.
Mas não é já só a forma pouco escrupulosa como o Estado esbanja o nosso dinheiro que me revolta mas sobretudo a forma ardilosa que inventa para sacar dinheiro à classe média e à gente humilde que vive do seu trabalho.
Hoje os juízes e os polícias estão transformados em autênticos cobradores de impostos. Após a última reforma dos Códigos de Processo Penal e das Custas Judicais, os tribunais servem quase só para cobrar impostos sob a forma de multas aos desgraçados que têm o azar de lá cair, sejam vítimas, arguidos ou partes. Hoje, em Portugal, poucos são os comportamentos que não são crime e poucos são os crimes cuja pena não é multa. Aliás, a criminalização de certas condutas serve apenas para obrigar o arguido, por mais pobre que seja, a abrir os cordões à bolsa: se não pagares a multa, vais cumprir tantos dias de prisão.
Mas a vítima também não se fica a rir. Passa para cá a taxa de justiça criminal e as custas pelo decaimento. Só há uma coisa que o arguido não é obrigado a pagar: a indemnização à vítima. Daí o Estado lava as mãos. Quer lá o Estado saber se o arguido paga ou não paga a indemnização…. O problema é da vítima, não é dele. Desde que o arguido pague a multa em que é condenado…
Relativamente às forças de segurança, a história é a mesma. Toca mas é de facturar contra-ordenações e deixem lá os outros criminosos em paz que só dão despesa ao Estado. E nas operações stop, prestem atenção: se o condutor não parar, não vão atrás dele. O mais certo é ser dos tais que, se for apanhado, só serve para dar despesa, para já não falar na gasolina e nos pneus que sempre se gastam numa perseguição policial. Preocupem-se mas é em autuar aqueles que obedecem às ordens, porque nestes é que o lucro está garantido. E toca também de ir às lojas, cafés e restaurantes verificar se as leis que são alteradas todos os dias estão a ser religiosamente cumpridas. Olhem com atenção, porque é impossível que um povo de analfabetos consiga cumprir as leis que nem aqueles que as fazem são capazes de as perceber e cumprir.
É absolutamente escandalosa a forma como o Estado assalta literalmente os pequenos comerciantes, sobrecarregando-os com coimas e multas por infracções absolutamente ridículas e absurdas.
Desde o tempo do Robin dos Bosques que o mundo não assiste, por parte de um Estado do mundo civilizado, a um tão grande esmifrar de quem vive do trabalho. E ai de quem se queixa. É logo mais um pretexto para mais um processo-crime e mais uma multazinha para os cofres do Estado. O circo está bem montado. Até porque, na defesa do bom-nome do assaltante, o nosso Estado é implacável.

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Quinta-feira, 19.02.09

O CANTO DA SEREIA

por António Belém Coelho

 
Conta a lenda que antigamente os marinheiros tapavam os ouvidos e amarravam-se aos mastros do próprio navio para não serem tentados pelo canto das sereias que os conduziriam inevitavelmente à tragédia e à perdição. Hoje, não precisamos de nos amarrar nem de tapar os ouvidos aos muitos cantos de sereia que nos são dirigidos, a começar pelas muitas publicidades que tornam tudo fácil de adquirir e como se já fosse nosso, e a acabar nas promessas de quem nos governa e pretende vir a fazê-lo. Basta pensarmos por nós próprios e ver a realidade como ela é.
 
Durante os últimos meses, quando todos sabíamos que a crise já estava, as sereias teimaram em cantar-nos a música do mal menor, com a letra a dizer que seríamos marginalmente atingidos e mesmo que 2009 seria um bom ano para os Portugueses! Há dias, a realidade encarregou-se de demonstrar a falsidade do canto, constatando uma quebra de 2% do PIB Português no último trimestre do ano passado, mais do dobro das piedosas convicções governamentais, o que nos põe ao nível dos piores desempenhos no nosso espaço.
 
Um dos últimos cantos da sereia é a de tirar deduções em impostos aos ricos para aliviar os da classe média. Mais uma vez a realidade é cruel para as sereias: para além da bondade da definição de rico, que, pelos vistos, parece estar à volta de um rendimento mensal bruto de 5000 euros, colocam-se vários problemas. O primeiro é a de o número de contribuintes nessa situação de rendimento com declarações entregues excede em pouco os trinta mil. O segundo é que as deduções permitidas, já são tão parcas, que qualquer redução das mesmas pouca folga produzirá. O terceiro é que essa folga distribuída por todos os agregados considerados classe média e que certamente ascenderão a números superiores a um milhão, nada dará de concreto. Por último, a convicção de que quem é mesmo rico, e até agora tem sabido escapar, de forma mais ou menos legal ao sistema, continuará a fazê-lo, não sendo minimamente incomodado com a situação.
 
Pois, só cai no canto da sereia quem quer mesmo cair e abdica de pensar por si próprio. E cuidado, porque com a proximidade de tantas eleições, europeias, legislativas e autárquicas, muitas sereias ouviremos cantar, desde sereias nacionais a sereias mais locais. Também por cá já as começamos a ouvir. Não amarremos a nossa vontade e juízo próprio, não tapemos o nosso raciocínio. Ouviremos e concluiremos.

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Quarta-feira, 18.02.09

ASSOCIATIVISMO E CIDADANIA

por Manuel Catarino

 

Radiquei-me há poucos anos em Mouriscas e a visão que tenho das associações e da forma como alguns mourisquenses participam na vida dessas associações não é propriamente coincidente. É claro que, quando aqui cheguei, todas estas associações, que têm, como fim, áreas tão diferentes como a económica, desportiva, cultural, social e lúdica, já se encontravam criadas e não vivi as paixões, interesses ou mesmo conflituosidades que estiveram na sua génese e vivências posteriores.
 
Creio que haverá na freguesia de Mouriscas cerca de uma dezena de formações de carácter associativo, algumas delas com o mesmo fim. Das mais antigas, temos duas na área da olivicultura, duas na área desportiva, duas na área musical que, acredito, surgiram devido à dispersão geográfica, aliada ao tempo, a uma forte densidade populacional e a fenómenos bairristas. Mais recentemente surgiram outras associações que já atravessam toda a sociedade mourisquense e onde aqueles fenómenos não se manifestam. Olhando para este mapa, creio que teremos associações a mais para o nosso universo populacional actual.
 
Acredito que os objectivos e dinâmica do associativismo actual estão longe das iniciativas e formas de estar de outros tempos. O associativismo actual assenta, cada vez mais, numa promoção de parcerias, de uma coexistência com respeito pelo outro, de uma promoção global e efectiva tanto do Homem como do Grupo.  
 
Acredito que as associações terão que dar resposta às carências não só dos associados, mas sobretudo da sociedade onde territorialmente se encontram implantadas. Acredito que o associativismo é uma das formas mais nobres do exercício da cidadania. É um acto de voluntariado e de liberdade não sujeito a comandos externos.
 
Mas, também acredito, que as direcções das associações não podem ser estáticas. É forçoso que, com o respeito pela diferença, proponham aos seus associados, neste conceito abrangente e solidário, a fusão de associações com fins idênticos, que fomentem parcerias, visando a optimização dos meios existentes e uma procura concertada de novos meios.
 
Mas, também acredito, que as direcções das associações não podem adormecer sobre a obra feita. É indispensável uma interacção com os sócios, parceiros e população em geral para manter vivas essas associações e a descoberta de novos caminhos. É indispensável que as direcções proponham objectivos exequíveis em programas que, a bem da credibilidade, importa cumprir. Sem cidadania e uma efectiva participação dos cidadãos, as associações estão vazias do seu conteúdo humano e mesmo ético.
 
Estive há algum tempo numa associação de carácter social e vi com mágoa a falta de participação dos associados no quotidiano da associação e mesmo nos actos mais solenes, tais como assembleias-gerais. Também vi, com mágoa, posturas intransigentes e actos de afirmação incompreensíveis que criam clivagens e que não propiciam participações construtivas. Estar numa associação é um acto de cultura cívica e ser dirigente não o entendo como uma obrigação e um dispêndio de tempo e dinheiro, mas uma alegria e um enriquecimento cultural. Encontrei novos amigos e sinto-me reconhecido por ter participado num projecto edificante, que gostaria de ver partilhado.

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Segunda-feira, 16.02.09

VISITA AO CRIA

 

Com a visita ao Centro de Recuperação e Integração de Abrantes (CRIA), na passada 6ª Feira, dia 13 de Fevereiro, Santana Maia, candidato do PSD à Câmara de Abrantes, iniciou um ciclo de visitas às diversas instituições do concelho, para avaliar, no terreno, o trabalho desenvolvido pelas mesmas, auscultar as preocupações e dificuldades por que passam neste momento e anotar as suas sugestões sobre a forma como a autarquia as poderá ajudar.
 
A escolha do CRIA, como de ponto de partida para uma ronda por todas as instituições do concelho, é emblemática de uma candidatura social-democrata e humanista que põe a tónica precisamente na importância das pessoas como princípio e fim de toda a sua actividade política.
 
A visita foi conduzida pelo Ex.mos Senhores Dr. Humberto Lopes, António Roseiro e Eng. Francisco Fernandes, tendo Santana-Maia Leonardo, sido acompanhado por Gonçalo Oliveira, presidente da comissão política concelhia do PSD, e Luís Ablú Dias, candidato a presidente da Junta de Freguesia de S. Vicente.
 
O CRIA, sito na Quinta das Pinheiras Zona Industrial de Alferrarede, há muito que deixou de ser apenas uma instituição para crianças portadoras de deficiência. Após mais de trinta anos ao serviço da diferença, a instituição possui hoje uma diversidade de respostas sociais que vão, desde a Formação Profissional ao Centro de Actividades Ocupacionais (CAO), Lar Residencial, mas também a Creche Familiar, o Rendimento Social de Inserção ou mesmo o Programa Alimentar, para citar apenas algumas.
 
Aberto à comunidade, procura integrar a diferença e sensibilizar não só a população, mas também o mundo empresarial para as políticas sociais e para a integração dos seus jovens.
 
No CRIA, com portas abertas à comunidade, podemos encontrar serviços de agricultura (serviços de tractor e desmatação e venda de produtos), jardinagem, serralharia, conservação e restauro de madeira e têxteis.
 
A valorização destas crianças, jovens e adultos passa também pelas terapias informais como a pintura, a dança ou o teatro. Em termos culturais, o FNATES – Festival Nacional de Teatro Especial é já uma referência em termos nacionais. Aproveitamos, desde já, a oportunidade para apelar à população do concelho de Abrantes a assistir ao Festival que, este ano, decorrerá na semana que se inicia no próximo dia 23 de Março, contando com duas sessões diárias: tarde e noite.
 
O trabalho realizado pelo CRIA é a todos os níveis notável e torna-se reconfortante para quem o visita saber que existem instituições como estas, para mais num período onde os valores da solidariedade social são cada vez mais urgentes.

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Domingo, 15.02.09

DESEMPREGO

  por Gonçalo Oliveira

 
Os dados mais recentes, divulgados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, no que diz respeito ao concelho de Abrantes, são deveras preocupantes. O Centro de Emprego de Abrantes, que engloba os concelhos de Abrantes, Constância e Sardoal, correspondendo estes três concelhos, a uma população residente de 50.154 indivíduos, 84,2% dos quais habitam no concelho de Abrantes.
 
Entre Dezembro de 2007 e Dezembro de 2008, verificou-se um aumento de 22% de inscritos neste centro, o que equivale a 427 novos desempregados, em 2008, na região de Abrantes, passando de um total de 1943 em 2007, para 2370 em 2008. É o maior aumento de todo o Distrito. São números que nos devem deixar bastante preocupados e alerta. Assumindo que estes novos 427 desempregados não sejam todos de Abrantes, serão pelo menos 85% destes, isto é, 363.
 
Isto é também o resultado de uma má política de investimentos levada a cabo pela Câmara Municipal, muitos deles sem nenhum tipo de retorno financeiro e com grande sobrecarga de despesa e de encargos para os contribuintes, contribuindo, dessa forma e decisivamente, para agravamento das condições de vida dos munícipes, dos pequenos comerciantes e das pequenas e médias empresas.
 
Abrantes tem de apostar na valorização dos jovens, criando mecanismos de fixação de quadros qualificados que, verdadeiramente, lhes permitam estudar, trabalhar e constituir família no nosso concelho.  Aqui, volto a frisar, a ESTA e a EPDRA são incontornáveis nesta estratégia de fixação.

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Quinta-feira, 12.02.09

O ovo da serpente

Santana-Maia Leonardo - Semanário 23/1/2009

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Com a queda do muro de Berlim, o mundo ocidental respirou fundo e adormeceu tranquilo, convencido da impossibilidade de alguém poder pôr em causa, no século mais próximo, a sua segurança e o seu bem-estar físico e psicológico. Sendo certo que o muro de Berlim ruiu sem que a Europa ocidental tivesse contribuído, por aí além, para esse evento. Com efeito, o muro desmoronou-se quando Ronald Reagan, contra todas as vozes apocalípticas que se ergueram e manifestaram na Europa, anunciando o fim do mundo, decidiu encostar o ombro ao muro para ver se aquilo era assim tão resistente como se apregoava. Não era.

E foram precisamente os mesmos que, antes, diabolizaram Reagan e a América que, derrubado o muro, saíram dos seus covis para exultar com o fim da guerra-fria, anunciando um século de paz e prosperidade para toda a gente. A Europa é hoje formada maioritariamente por esta gente sem coragem e sem carácter que se esconde atrás de um falso pacifismo para esconder a sua cobardia, porque pensa que é apaparicando os seus inimigos que consegue ir mantendo as suas mordomias.

Como já devem ter reparado, hoje quase toda a gente é de esquerda. Da tal esquerda não praticante, bem entendido, que gosta de falar dos pobrezinhos e dos excluídos para aliviar a consciência e ajudar a digestão. E hoje em dia, não há melhor digestivo para um requintado banquete do que as preocupações sociais. Mas como eu escrevi há sete anos e volto a repetir agora, «quem quiser continuar a ser antifascista não pode ser de esquerda. Porque esta esquerda mole, lassa, barriguda e viscosa que se reproduz nos órgãos de comunicação social e engorda nas repartições públicas, é a mãe de todos os fascismos. E, quer se queira, quer não, pais e filhos são tudo gente da mesma família».

Escrevi isto a propósito do fenómeno do crescimento dos partidos fascistas e neonazis na Europa, originado pela permissão da criação de autênticos enclaves em território europeu formados por comunidades de imigrantes (sobretudo islâmicos) que se regem por leis próprias, muitas das quais ofendem abertamente a sociedade livre, democrática e laica onde estão inseridas.

Os líderes europeus, convertidos à religião do politicamente correcto, consentiram que as comunidades imigrantes trouxessem o cavalo de Tróia para dentro das nossas muralhas e agora pensam que é com falinhas mansas que conseguem travar o saque e a pilhagem.

Não é, pois, de estranhar que os europeus, ao verem os seus líderes a tremer de medo e incapazes de enfrentar os invasores, comecem a dar ouvidos aos líderes populistas de direita e extrema-direita que prometem defender-lhes a integridade física e o património.

Acresce que esta situação é potenciada pelo crescimento de desigualdades sociais absolutamente ilegítimas. Sobretudo em países do sul da Europa, como Portugal, em que o enriquecimento fulminante radica, quase sempre, na promiscuidade e troca de favores, absolutamente escandalosos, entre os poderes político e económico.

Hoje, em Portugal, são cada vez mais os bairros onde já existe menos liberdade de circulação e de expressão do que no tempo do fascismo. E são também cada vez mais as pessoas que vivem à mercê de gangs, máfias e bandos de criminosos, todos eles detentores de um poder muito mais cruel, violento e aterrador do que os antigos agentes da PIDE. Há já muitos portugueses que começam a recordar com saudade a segurança das ruas de antigamente… Cuidado!

Ora, se brancos, pretos, políticos, amarelos, banqueiros e ciganos são gente feita de farinha do mesmo saco, então os direitos e os deveres têm de ser iguais para todos, independentemente da cor da pele e da carteira. Direitos e deveres. Só que, como toda a gente sabe, não é isso que sucede.

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Quinta-feira, 12.02.09

NA HORA DA VERDADE

 

«A mim custou-me ouvir o primeiro-ministro inglês fazer uma diatribe contra os trabalhadores estrangeiros no Parlamento de Londres (…).
 
Gordon Brown, vendo os sindicatos ingleses contestar o emprego numa refinaria (e noutra unidade fabril) para trabalhadores não ingleses (entre os quais e portugueses e italianos), longe de refrear os ânimos, repetiu o slogan da campanha: o trabalho nas ilhas britânicas deve ser para trabalhadores britânicos.
 
A frase, em si, parece não ter nada de mal. (…) E, no entanto, para quem sabe que todas as barbaridades começam com uma ideia que a muitas parece aceitável, detectam-se nas palavras de Brown os primeiros sombrios sinais de xenofobia (…).
 
David Cameron, o líder conservador que se opõe a Brown, chamou-lhe a atenção para isso mesmo: “O senhor está a jogar com o medo deles”, disse-lhe.
 
E aqui temos mais um ponto de reflexão. É que a direita britânica não temeu ser impopular numa questão de princípio. Mas, afinal, foi a direita inglesa, com Churchill, que mais combateu o nazismo, como foi a direita francesa com De Gaulle (ainda os comunistas estavam amarrados ao Pacto Germano-Soviético), que organizou a Resistência. As crises são sempre momentos para pôr de lado os preconceitos e olhar desapaixonadamente a realidade.» 

Henrique Monteiro, in Expresso de 7/2/2009

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