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COLUNA VERTICAL



Quarta-feira, 03.11.10

CURTO E GROSSO

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Quarta-feira, 03.11.10

OBRAS, IMPOSTOS E PROMOÇÕES

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

Apesar de Portugal se afundar na pior recessão da sua história, sob o signo e a iminência da bancarrota, os nossos autarcas continuam a candidatar projectos absolutamente megalómanos ao QREN com a justificação de que estes vão ser financiados em 80%.

 

Ora, uma das principais causas do nosso endividamento reside precisamente nesta forma irresponsável dos nossos governantes gerirem o dinheiro público, agindo perante as promoções do QREN (e dos sucessivos quadros comunitários de apoio) como o cidadão comum perante as promoções de qualquer marca comercial.

 

Ou seja, em vez de comprarem o que necessitam, poupando e beneficiando, dessa forma e nessa medida, do que a promoção lhe oferece, optam por gastar mais dinheiro do que gastariam se não houvesse promoção, comprando o que não necessitam e que não têm meios para sustentar.   

 

Quem só tem dinheiro para comprar um Opel Corsa não deve comprar um Ferrari mesmo beneficiando de uma promoção por uma razão muito simples: porque quem só tem dinheiro para comprar um Opel Corsa não tem dinheiro para sustentar, depois, o Ferrari.

 

Mas bastou ouvir o deputado municipal António Mor, na última Assembleia Municipal de Abrantes, defendendo “a continuidade da política da sobrecarga máxima de impostos sobre os munícipes para a Câmara poder continuar a fazer obra” para ficarmos absolutamente esclarecidos sobre o grau de autismo de grande parte dos nossos autarcas.

 

Sendo certo que até o mais humilde e desinformado cidadão já percebeu que não podemos continuar a viver a crédito, gastando o que não temos.

 

Ora, defender, no momento actual, a sobrecarga máxima de impostos para fazer obra, como o deputado municipal António Mor teve o desplante de fazer na última Assembleia Municipal, é tão absurdo como um agricultor abençoar, como factor desenvolvimento, a chuva diluviana que lhe destruiu todas as sementeiras e o arruinou.

 

Tal como a chuva, o investimento público, em princípio, é bom, excepto se o país se encontrar à beira da bancarrota, por causa de uma dívida pública incontrolável e astronómica, e com falta de financiamento que é precisamente na situação em que se encontra. 

 

Sem esquecer a inevitabilidade dos cortes cada vez maiores nas transferências para as autarquias, nos próximos anos, o que implicará para estas necessariamente cada vez mais dificuldades, quer para cumprir os compromissos já assumidos, designadamente com os seus funcionários e fornecedores, quer para fazer a simples e necessária manutenção dos equipamentos e das obras já executadas.  

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