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COLUNA VERTICAL



Domingo, 31.08.14

A TAP é uma vergonha

João Marques de Almeida - Observador de 29-8-2014

(...) Gozo do privilégio de escrever no “Observador” e posso exprimir a minha irritação. Mas tenho a certeza que há milhares de portugueses que partilham o que sinto neste momento. Viajo com eles e vejo o que sentem. A TAP não merece a fidelidade desses portugueses.

Mas há ainda mais duas consequências negativas. O nosso governo aposta, e muito bem, no turismo. E Portugal é um país fantástico para passar férias (na minha opinião, é o melhor da Europa). Não há um único estrangeiro com que fale que não tenha adorado as suas férias em Portugal. Para muitos dos turistas, a TAP é o primeiro contacto que têm com o nosso país. Quantos terão desistido de voltar por causa dos atrasos da TAP? Não faz sentido um governo apostar na promoção do turismo e depois permitir que a companhia nacional esteja sempre atrasada.

Em segundo lugar, numa altura em que o governo procura privatizar a TAP, os atrasos são inexplicáveis. Julgaria que quando se quer vender alguma coisa, teria que se ser exemplarmente competente. A TAP é o contrário. Está à procura de comprador e piora o seu serviço. Ainda não ouvi alguém assumir responsabilidades. Não há responsáveis? São só o “tempo”, as “greves”, o “pessoal de terra” e as “avarias”?

 

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Domingo, 31.08.14

RIbanho - Luís Afonso (texto) e Carlos Rico (desenho)

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Domingo, 31.08.14

Treblinka é já ali

António Guerreiro - Público de 30-8-2014

Ao deputado da República que invocava o humanismo como legitimação ideológica da lei agora aprovada que criminaliza o abandono e o mau trato dos animais seria necessário responder com toda a veemência que dispensamos as lições do humanismo, em todos os domínios em que ele gosta de nos dar lições e neste em particular. Por uma razão simples, mas que gosta tanto de se dissimular como a natureza gosta de se esconder: foi o humanismo que fez do mundo inteiro um imenso matadouro. (...)

Não é fácil desmontar as falácias e denunciar os encantos do humanismo hegemónico — esse discurso das boas intenções e do senso comum que dispensa qualquer pensamento. E é certamente chocante para quem está imerso nele e não faz qualquer esforço para vir à tona, pois só sabe respirar nesse meio, receber a notícia de que o nazismo foi um humanismo.

Claude Lévi-Strauss fez um requisitório ainda mais completo: o humanismo está implicado em “todas as tragédias que vivemos, primeiro com o colonialismo, depois com o fascismo, finalmente com os campos de extermínio”. É muito crime para tão beata entidade.

Os animais não sabem que nós lhes demos nomes, que os classificámos e categorizámos, que escrevemos que eles não tinham alma e que não eram dotados de logos (aquilo que faz do homem um “animal político”) e, mais recentemente, que eles não podiam ser sujeito do direito porque não são um sujeito moral. Os animais não sabem, tão-pouco, que passa neste momento um anúncio na televisão, da cadeia de supermercados Intermarché, onde se vê um pastor muito urbanizado e com aspecto de “empreendedor”, no meio de um prado viçoso, a olhar com alegria os bois e as vacas a pastarem. Esta cena bucólica, que faz lembrar a pintura inglesa do século XVIII, fecha com um incitamento a comermos bifes tenros e seleccionados das castas mais genuínas da espécie bovina. O humanismo é este anúncio e Treblinka é já ali, num supermercado perto de nós. 

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Sábado, 30.08.14

AJAF promove descida de canoagem no rio Tejo

 

 

No âmbito do projeto “Juventude Ação na Solidariedade” 2014 promovido pela AJAF - Associação Juventude Acção no Futuro, com o apoio do programa FINABRANTES, realizou-se no passado dia 24 de Agosto de 2014, uma descida de canoagem no rio Tejo.

Inicialmente a descida era para decorrer no rio Zêzere, iniciando na Barragem de Castelo de Bode e terminando em Constância, porém devido à insuficiência de água a descida foi realizada num percurso de Constância até Tancos, no rio Tejo.

Durante o percurso os/as participantes puderam não só conviver como também observar a fauna e flora que as paisagens do rio Tejo lhes proporcionam, assim como apreciar o Castelo de Almourol. Todos/as adoraram esta experiência e esperam que se proporcionem outras mais.

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Sábado, 30.08.14

As reuniões de jovens pelo Facebook e a outra pobreza

Pedro Afonso - Público de 29-8-2014

(...) O que pensam estes jovens? Uma grande parte destes jovens pensam essencialmente num assunto: o presente. A satisfação dos desejos imediatos, encontra-se muito ligada à cultura consumista e hedonista. A preocupação está muitas vezes em obter o último gadget ou a roupa da moda. Mas não existe propriamente um comportamento desviante nisto, pois todos nós somos um pouco assim. O problema reside na incapacidade que muitos destes jovens têm em planear o futuro e adiar a gratificação. Esforçar-se hoje para ser recompensado amanhã. Esta é uma característica fundamental para se transitar de uma personalidade imatura para uma personalidade matura. Infelizmente, muitos não são ajudados, nem motivados, para adquirirem esta importante competência social.

O que sentem estes jovens? Por experiência profissional posso afirmar que muitos destes jovens sentem falta de amor, pois têm graves carências afectivas. Dentro de si próprios persiste um enorme sentimento de revolta e rancor. Por vezes mistura-se ainda um sentimento crónico de vazio interior. Assim, basta um pequeno rastilho para surgir a agressividade e a violência. Mas o problema também tem outra dimensão. A nossa sociedade tem promovido nos últimos anos, junto dos jovens, uma cultura afectiva epidérmica, superficial, onde tudo é sexualizado e erotizado. Por esse motivo, nota-se um autêntico analfabetismo emocional, bem visível pelo fato de atualmente muitos jovens não disporem sequer de um vocabulário diversificado para expressarem as suas emoções. Tudo se resume ao “gosto”, “não gosto”, “desejo-te”, “já não significas nada para mim”. Para os mais desatentos, bastará assistir a alguns reality shows para se comprovar este fenómeno que não é mais do que a promoção da estupidificação afetiva da sociedade.

Uma boa adaptação social obriga a que possamos compreender os nossos sentimentos. As nossas emoções também se pensam e isso é essencial para o autocontrolo, tão útil na nossa vida. Sem autocontrolo não somos verdadeiramente pessoas livres, já que ficamos escravos das nossas emoções. É nesta base que assenta o conceito de inteligência emocional e que pode ser desenvolvido em qualquer um de nós.

As expectativas sobre a vida de vários destes jovens são muito baixas e a sua existência está frequentemente centrada no aqui e agora. Se perguntarmos a alguns deles qual é o seu projeto de vida, a resposta habitual é o silêncio. Se insistirmos na pergunta, a reposta surge num tom enfadado: “nunca pensei muito sobre isso”. Esta é a maior pobreza: ser jovem e não conseguir pensar no futuro.

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Sábado, 30.08.14

Assine a petição, clicando sobre a foto

Petição contra o fim dos brasões coloniais na Praça do Império

Observador de 29-8-2014

Uma petição online lançada pela Associação de Defesa do Património de Lisboa (ADPLx) contra a não recuperação dos brasões em arbusto relativos às ex-colónias portuguesas na Praça do Império, em Belém, já reuniu mais de 700 assinaturas. Às 19h30 desta sexta-feira, eram 757 as pessoas que já tinham dado o seu apoio à “Preservação do jardim da Praça do Império”, o nome da petição, onde se acusa o vereador Sá Fernandes de querer “descaracterizar um dos espaços mais visitados de Lisboa, que pertence ao povo português e, em particular, aos munícipes da cidade”.

A petição foi lançada pela ADPLx em simultâneo com a convocatória para uma manifestação no local, esta quinta-feira, ao fim da tarde. No protesto estiveram presentes cerca de cinquenta pessoas que fizeram uma limpeza de ervas daninhas dos brasões em causa. (...)

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Sábado, 30.08.14

Os eleitores do PAC (Partido do Arco da Governação)

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Sexta-feira, 29.08.14

O Partido das Cadeiras Vazias

Rita Dinis - Observador de 27-8-2014

E se, numas próximas eleições, pudesse votar não só em partidos e deputados mas em cadeiras vazias do Parlamento? (...) É isso mesmo que defende o movimento Partido das Cadeiras Vazias (PCV), que propõe um voto de protesto contra a classe política para “abalar o sistema”. A ideia não é totalmente nova e está ainda em fase de teste. Se houver adesão por parte das pessoas, o PCV quer ser um partido com assento parlamentar. Ou melhor, sem assento parlamentar. Isso mesmo. (...)

O conceito é simples. O sistema democrático partidário já prevê a possibilidade de os cidadãos descontentes poderem votar em branco, ou nulo, em vez de contribuírem para os elevados níveis de abstenção. Essa tem sido a tendência de voto deste grupo, que ambiciona agora fazê-la chegar à Assembleia da República. Como? Através de cadeiras vazias.

Se dos votos no Partido das Cadeiras Vazias, resultarem lugares vazios no Parlamento, há menos lugares para os mesmos boys de sempre e, esperemos, os partidos, em face dessa situação, escolherão melhores pessoas para deputados com o intuito de manter as suas cadeiras ocupadas. Se os votos dos descontentes forem traduzidos em menos lugares para o sistema atual, o sistema mudará”, explicam os promotores no manifesto do movimento, acrescentando que isso obrigaria os partidos a serem melhores, por perceberem que “a população precisa de representantes melhores”. O dinheiro, esse, seria distribuído por instituições de solidariedade, propõem.

Para Isabel, que é neste momento a voz da frustração e da indignação do movimento, o “medo maior” é de que a classe atual de políticos seja mesmo o “fruto do que a sociedade consegue produzir”. Isso significaria, diz, que “a árvore está podre”. Mas o movimento das Cadeiras Vazias não quer acreditar que assim seja e não tenciona desistir. “Acreditamos que há gente no mundo real que pode fazer melhor”, diz. (...)

Depois da criação da página de Facebook, o segundo passo será a recolha de assinaturas para a formação de um partido. Para isso são precisas 7.500, sendo precisamente essa a meta de ‘gostos’ na internet que levará os promotores do movimento a sair para as ruas para avançar no terreno. Depois disso, o apelo aos votos. Depois, os lugares vazios. É esse o desejo, pelo menos.

Não sei se vamos mudar alguma coisa, mas sei que a força das palavras já não chega”, remata Isabel.

Mesmo dentro dos partidos, a ideia de cadeiras vazias que represente os votos em branco ou nulos tem vindo a ganhar cada vez mais apoiantes. O ex-presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, é um deles.

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Sexta-feira, 29.08.14

“Técnica Craquelê em Vidro” em Aldeia do Mato

No passado dia 26 de Agosto, a AJAF – Associação Juventude Acção no Futuro em parceria com a Junta de Freguesia de Aldeia do Mato, promoveu na sede desta junta, uma Oficina Criativa “Técnica Craquelê em Vidro”. Esta é mais uma das atividades do projeto “Juventude Ação na Solidariedade” 2014, promovido pela AJAF, com o apoio do programa FINABRANTES 2014.

Esta atividade visou a aquisição e/ou melhoramento de competências na decoração de pratos em vidro, com recurso à aplicação da técnica de craquelê, que faz trabalhos muito bonitos e criativos. 

O convívio e a interação entre populações vizinhas é um dos nossos objetivos, que se tem vindo a cumprir nestas nossas oficinas. Desde os mais novos aos menos novos, a partilha e interação é visível e todos/as aprendem uns/umas com os/as outros/as, proporcionando desta forma a intergeracionalidade e o convívio entre gerações tão distantes nos nossos dias.

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Sexta-feira, 29.08.14

Rousseau (frase) e Alfredo Pereira (foto)

A frase é de Jean-Jacques Rousseau (Se Esparta e Roma pereceram, que Estado pode aspirar a durar para sempre?) e a foto é do Portinho da Arrábida e da autoria de Alfredo Pereira.

As fotos da coluna lateral são da autoria de: Fátima Raimundo (Manta Rota), Stuart Dornell (ilha da Armona) e Alfredo Pereira (praia do Guincho).

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Sexta-feira, 29.08.14

Contra os pobres

Miguel Esteves Cardoso - Público de 26-8-2014

É repugnante odiar os pobres por não estarem sempre a sofrer mas é cada vez mais frequente ouvir-se que o não-sei-quantos vai buscar comida à igreja mas depois vai beber uma imperial na praia.

Uma das mais velhas anedotas judias é a do schnorrer (crava esperto) que vai pedir um empréstimo de 25 florins a um ricaço que, logo depois, dá com o devedor a atacar uma bela maionaise de salmão. O ricaço indigna-se e o pobre inteligente responde que não percebe: se não tem dinheiro, não pode comer maionaise de salmão. Se tem dinheiro, também não pode comer maionaise de salmão. Pergunta de seguida, com tanto desespero como lógica: "Quando então é que posso comer maionaise de salmão"?

É a mesma irracionalidade desempática que leva as pessoas a dar esmolas condicionadas: dão comida mas recusam-se a pagar não só heroína e vinho como - juro que já são mais de mil vezes que testemunhei - bolos e gelados.

A caridade que por aí anda parece-se mais com compras e consumismo: dá-se dinheiro para obter o prazer dos resultados que se desejam. Quase nunca se dá a única coisa boa que se pode dar: a liberdade de gastar o dinheiro como se quer, que é um direito de que ninguém com um mínimo de dinheiro prescinde.

Mandar nos outros (ou, pior ainda, querer mandar nos outros) é uma barata sobranceria. Os pobres precisam apenas de duas coisas: de dinheiro e de liberdade. E só precisam da segunda coisa se a primeira não for suficiente.

Que nunca, nunca é. Quando será? 

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Quinta-feira, 28.08.14

A situação portuguesa é muito fácil de explicar

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Quinta-feira, 28.08.14

O Rei (é) de Portugal e o Presidente da República

Santana-Maia Leonardo - Público de 17-8-2014

Nasci no dia 5 de Outubro, numa família republicana. A causa monárquica sempre me pareceu uma coisa tão deslocada no tempo que nunca questionei a natureza republicana do regime. Até hoje. Com efeito, ocorreram dois acontecimentos este ano que me fizeram mudar radicalmente de ideias: um externo (a sucessão de D. Juan Carlos) e outro interno (a reforma do mapa judiciário).

Com a sucessão de D. Juan Carlos, percebi uma coisa que, nesse momento, se tornou óbvia para mim, tendo em conta o fervilhar dos nacionalismos: que apenas o Rei era capaz de garantir a unidade do Estado espanhol. Por sua vez, com a reforma do mapa judiciário, percebi que, à medida que os votos se vão amontando na reduzida faixa litoral Lisboa - Porto, a República vai-se confinando paulatinamente a esse território. Ou seja, enquanto a monarquia tem o condão de esticar o território, a República encolhe-o.

O Rei, ao contrário do Presidente da República, é uma instituição que, por via da sucessão hereditária, transporta consigo todo o património histórico e cultural do reino. E, nessa medida, resiste muito melhor às pulsões das modas e do tempo presente, sempre efémero e circunstancial, do que um Presidente da República que, para ser eleito, tem de ser da cor da moda e andar a reboque das maiorias. Por alguma razão, o Rei é de Portugal e o Presidente é da República.

Nas monarquias parlamentares, até o povo tem mais facilidade em distinguir o essencial do circunstancial. O essencial, que tem a ver com a independência nacional, a soberania e a unidade do estado, tem por referência a figura do Rei; o circunstancial, que tem a ver com a governação do país em cada momento, depende inteiramente do Parlamento eleito.

Neste momento, por via da concentração dos votos na região de Lisboa, a República deixou de ser portuguesa e passou a ser lisboeta. E a elite política que nos governa e que se vai amontoando em Lisboa é incapaz de abrir mão do que quer que seja com vista a equilibrar e repovoar o território. O mais que se lhes consegue arrancar é meia-dúzia de frases feitas, que reproduzem sempre nos discursos de circunstância, e uns putativos incentivos à fixação de algumas empresas no interior, incentivos esses a que se candidatam apenas as empresas que, por natureza, não podem ficar no litoral.

Ora, como todos sabemos, num país com a nossa configuração, em que a costa litoral é o que tem maior valor económico e o mais apelativo do ponto de vista empresarial, o interior só pode ser repovoado através da deslocação de serviços de Lisboa para o interior, designadamente, da universidade pública, dos quartéis da tropa, de grandes hospitais, de Tribunais, de Direcções Gerais, de Ministérios, etc.. Tanto mais que Lisboa é uma zona sísmica pelo que não é prudente que tudo isto aí se amontoe.

No entanto, o processo é precisamente o inverso. Ao mesmo tempo que fala em investir no interior, o Governo vai varrendo, literalmente, as pessoas do interior para o litoral com o encerramento de escolas, tribunais, centros de saúde, etc.

Antes que seja demasiado tarde, Alentejo, Beira Interior e Trás-os-Montes deviam unir-se e formar um grande movimento com vista a resistir ao poder político de Lisboa, sob pena de, muito em breve, quer por força das políticas dos governos, quer por força da quebra de natalidade que vai ter especial impacto nestas regiões, assistirem à morte das suas aldeias, vilas e cidades. É a HORA!

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Quinta-feira, 28.08.14

A diferença entre marxista, keynesiano e liberal

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Quarta-feira, 27.08.14

A inconstitucionalidade da democracia

Mário Lopes - Público de 16-8-2014

Numerosas decisões de política económica do Governo têm sido declaradas inconstitucionais pelo Tribunal Constitucional (TC). Em geral são decisões que visam reduzir a despesa pública por via de cortes em salários, pensões, etc., em particular dos funcionários públicos. Os acórdãos do TC que fundamentam estas decisões são indecifráveis pelo cidadão comum, mas sabe-se serem baseados na interpretação que os juízes do TC fazem de princípios inscritos na Constituição. (...)

De facto muitas destas decisões sobre aplicação de princípios tão gerais como a igualdade ou a confiança, tanto podem ser invocados para justificar certas decisões como as contrárias, pois o que está em causa não são os princípios, mas interpretações subjectivas sobre a sua aplicação. Esta subjectividade também faz com que os próprios juízes tenham diferentes opiniões sobre os mesmos assuntos, o que se tem reflectido no resultado de votações por 7 a 6. Matérias deste tipo deviam ser objecto de decisão política de representantes eleitos e não de juízes não eleitos. (...)

Se o TC continuar a forçar a continuação do ajustamento económico por via do aumento da carga fiscal, caminhamos para uma situação insustentável que tornará a bancarrota inevitável. E tudo isto com base em decisões baseadas em interpretações subjectivas, e portanto políticas, de princípios gerais, por um órgão não eleito e a que portanto não devia ser atribuída legitimidade para o fazer. Por que razão o povo português não pode ter a opção de evitar a bancarrota e todo o sofrimento que isso acarreta? Não se trata de gostar ou não, politicamente, das decisões subjectivas do TC, trata-se de saber se deve ser o TC ou o povo português a tomar essas decisões. Devemos por isso questionar-nos sobre as responsabilidades do TC, se estas não se deveriam restringir à aplicação de normas constitucionais objectivas, ou seja, um trabalho técnico, e não incluir a interpretação, política, de princípios gerais, deixando à política o que é da política. (...)

No preâmbulo da Constituição está escrito “A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português … de abrir caminho para uma sociedade socialista”. Então e se a decisão do povo português, expressa em eleições livres for no sentido de uma sociedade não socialista? A vontade do povo será inconstitucional, ou seja, a própria democracia é inconstitucional. (...)

Estes absurdos deveriam ser corrigidos numa futura revisão constitucional por todos aqueles que acham que a vontade do povo deve ser respeitada e que a Constituição e o TC devem servir a democracia e não o contrário. Obviamente haverá oposição daqueles que tentarão continuar a usar a Constituição para conseguir aquilo que não conseguem em eleições livres.

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