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COLUNA VERTICAL



Sexta-feira, 31.07.15

Manifesto "POR UM PORTUGAL DE CORPO INTEIRO - CONTRA OS FUNDAMENTALISTAS DA CIDADE ESTADO"

Santana-Maia Leonardo

Com a adesão à União Europeia, os portugueses que, durante o tempo do Estado Novo, viveram esmagados sob o peso asfixiante da ditadura centralista do Terreiro do Paço, acreditaram que ia ser possível finalmente cumprir a principal promessa de Abril e que ainda hoje está plasmada na nossa Constituição.

Com efeito, segundo a nossa Constituição, uma das tarefas fundamentais do Estado é "promover a igualdade real entre os portugueses (...) e o desenvolvimento harmonioso de todo o território nacional" (artigo 9º e 90º), incumbindo-lhe prioritariamente "orientar o desenvolvimento económico e social no sentido de um crescimento equilibrado de todos os sectores e regiões e eliminar progressivamente as diferenças económicas e sociais entre a cidade e o campo." (artigo 81º/e). Por sua vez, o artigo 13º/1 da CRP declara que "todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei."

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De boas intenções está o inferno cheio. E a verdade nua e crua é que, quarenta anos após o 25 de Abril e vinte e cinco anos após a abertura da torneira dos fundos comunitários, Portugal não só não se tornou num país mais harmonioso como os sucessivos governos se empenharam em transformar a A1 no nosso Mediterrâneo interior, a verdadeira fronteira de Portugal e da cidadania portuguesa.

Com efeito, tendo em conta o enorme desequilíbrio actualmente existente entre as duas margens da A1, o interior do país já não tem sequer verdadeira representatividade política, quer por força do número de eleitores, quer porque os seus eleitos, em boa verdade, vêem na sua eleição o salvo-conduto para poderem pular a cerca e fixar residência em Lisboa.

Quanto ao nosso modelo económico, ainda existe alguma divergência entre os diferentes partidos políticos. No entanto, quanto ao nosso modelo de desenvolvimento, não há, em todo o espectro político, um único partido que levante a voz com firmeza contra este modelo assente na Cidade Estado grega e defenda, com convicção, o modelo holandês das cidades médias, o único que garante o "desenvolvimento harmonioso de todo o território nacional", a pedra de toque da nossa Constituição.

E não nos venham com o estafado argumento da rede de auto-estradas, construída com os fundos comunitários, para defender a tese da coesão territorial. A rede de auto-estradas só é um factor de coesão territorial num país nivelado. Porque se o país estiver inclinado para um dos lados, as auto-estradas ainda vão acelerar mais o processo de esvaziamento do território. Como é óbvio.

Quem olhar para a configuração de Portugal não pode deixar de saber que Lisboa e a frente marítima exercem sobre todo o território nacional, por natureza, uma força de atracção irresistível. Consequentemente, se um Governo quer efectivamente promover o desenvolvimento harmonioso de todo o território nacional, como lhe impõe a Constituição, só tem uma forma de contrariar essa força: através da deslocalização de serviços e de órgãos de direcção do Estado para o interior do país, sob pena de Portugal ficar confinado, muito em breve, à região da Grande Lisboa. E o exemplo deveria ser dado pelo Presidente da República, pelo Governo e pela Assembleia da República.

Portugal é hoje um micro-país que reproduz em ponto grande o mesmo modelo de desenvolvimento dos micro-municípios em que está sub-dividido: uma sede de concelho desproporcionada em relação às restantes localidades do município que, numa primeira fase, cresce à conta do esvaziamento das freguesias rurais para, numa segunda fase, ela própria se começar a esvaziar para Lisboa e para o litoral, perdendo população activa e massa crítica. Ou seja, começa-se por migrar dentro do próprio território para depois se emigrar.

Um território com dez milhões de habitantes é uma pequena cidade. Acontece que os sucessivos governos, em vez de governarem Portugal como se fosse uma cidade, continuam a governar Lisboa como se fosse o país.

Se o poder político insistir em continuar a viver fechado, dentro das muralhas de Lisboa, num ovo com a casca cada vez mais grossa, Portugal vai morrer sem sair da casca. Para haver crescimento sustentável e renovação das gerações num pequeno país como o nosso, é necessário, antes de mais, que não o tornemos ainda mais pequeno, amontoando tudo o que mexe dentro de uma região superlotada.

Cabe, pois, ao poder político esticar a área territorial da Grande Lisboa a todo o território nacional, em vez de continuar a encolher Portugal para melhor caber dentro da capital. Com mais espaço tudo se torna mais fácil.

Experimentem colocar o Presidente da República e o Tribunal Constitucional em Beja, a sede do Governo e os principais ministérios nos distritos de Portalegre e Castelo Branco; o Supremo Tribunal de Justiça e os restantes ministérios nos distritos de Viseu e Guarda; a Assembleia da República em Bragança (230 deputados em Bragança criam riqueza; em Lisboa criam despesa). Depois distribuam as direcções gerais e as secretarias de Estado pelos distritos respectivos, os quartéis militares e as universidades pelas cidades vocacionadas para os receber e verão como tudo muda.

Lisboa, por um lado, perdia pressão urbanística e tornava-se uma cidade mais barata e onde era mais fácil viver e trabalhar. O interior, por sua vez, ganhava dinamismo e crescia naturalmente, em população, massa crítica e economicamente. E Portugal tornava-se naturalmente um país menos atreito à corrupção, na medida em que o poder político e o poder económico deixavam de partilhar a mesma cama. Para que haja uma verdadeira separação de poderes, não basta que a Constituição a proclame, é necessário também que os poderes vivam separados.

Por outro lado, a deslocalização da capital política para a fronteira espanhola, para além de nivelar o território, fazia com que Portugal ficasse com duas frentes: a atlântica e a continental, valorizando, desta forma, a sua ligação a Espanha e à Europa.

Além disso, ficavam criadas as condições para uma significativa população jovem activa poder ter, criar e educar tranquilamente os seus filhos. As cidades de província oferecem aos jovens pais tempo e condições para criarem os seus filhos que Lisboa não tem capacidade de oferecer.

Por outro lado, o apoio inter-geracional ficava também mais facilmente garantido porque seria mais fácil manter os filhos perto da casa dos seus pais e avós. Sem esquecer que é impossível tomar medidas efectivas no combate à desertificação e na promoção da natalidade, quando o Governo vive fechado dentro de um ovo a abarrotar pelas costuras.

Quanto à Regionalização (na versão político-administrativa), de que eu sou um adversário confesso, não só não é, neste momento, solução como iria acelerar ainda mais o processo de desertificação, reduzindo Portugal a três cidades: Lisboa, Porto e Faro. Este tipo de regionalização só é defensável em países com grande coesão territorial, caso contrário ainda vai acentuar mais as assimetrias. Como é evidente.

Aliás, os grandes defensores da Regionalização são precisamente aqueles que aspiram a que a sua cidade seja a Lisboa da sua região. Ou seja, não pretendem inverter o modelo da Cidade Estado mas copiá-lo.

Ora, existe um argumento verdadeiramente demolidor contra a Regionalização: a unidade milenar de um pequeno país que uma fabulosa rede de auto-estradas e o acesso generalizado à internet teve o condão de tornar todas as cidades vizinhas.

Mas é precisamente chegados aqui que aqueles que são contra a Regionalização não extraem a consequente ilação.

Com efeito, se é verdade que Lisboa está hoje perto de tudo, como argumentam e bem aqueles que são contra a Regionalização, por que razão, então, está hoje tudo em Lisboa?

Para quem não saiba, a distância entre Portalegre e Lisboa é precisamente igual à distância entre Lisboa e Portalegre.

E, digam-me com fraqueza, faz sentido atravancar Lisboa com todos os órgãos de direcção do estado e da administração pública, com universidades públicas e quartéis militares, obrigando o país inteiro a esvaziar-se para Lisboa, para depois se vir reivindicar a introdução de portagens na entrada de Lisboa porque a cidade já não suporta tanto trânsito automóvel e começa a ter níveis de poluição preocupantes?

Por um lado, colocam lá tudo e obrigam toda a gente a ir para lá ou a ter de lá ir, e, depois, querem impedir as pessoas de lá ir, alegando excesso de trânsito, de poluição e de pessoas.

É bom não esquecer, quando ouvimos os nossos governantes falar em incentivos para fixar as populações nas regiões do interior, que o nosso problema hoje já não é fixar a população porque quem aqui vive irá fixar residência no cemitério muito em breve.

O que o interior precisa urgentemente é de uma política corajosa que obrigue uma significativa população activa e culta que hoje se amontoa na Região da Grande Lisboa a repovoar o território e a fixar-se nas cidades do interior. E isso só se consegue com a deslocalização de ministérios, secretarias de Estado, direcções-gerais, universidades, hospitais, tribunais superiores para o interior do país.

Se Lisboa continuar a aumentar a oferta de serviços para dar resposta ao enorme fluxo populacional que inevitavelmente atrai, muito em breve até a Universidade de Coimbra fecha.

Ora, o interior não pode ser visto apenas pelos senhores de Lisboa  como o local de destino de gente que só serve para semear batatas, de empresas altamente poluentes ou de aterros sanitários.

Após o 25 de Abril, apenas a cidade do Porto conseguiu, de forma consistente, enfrentar o poder de Lisboa.

Em todo o caso, Porto e Lisboa são cidades da orla costeira pelo que se impunha que Bragança, Vila Real, Coimbra, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja dessem as mãos para obrigar o Terreiro do Paço a esticar Lisboa até à fronteira espanhola sob pena de a fronteira espanhola se esticar até à A1, caso o Governo de Lisboa insista em abandonar o território nacional.

Mas se a Regionalização não é a solução, os micro-municípios também o não são e pela mesma razão.

Para vivermos num país equilibrado, quer do ponto de vista estrutural, quer do ponto de vista da defesa do estado de direito, as autarquias têm de ganhar dimensão.

Não é possível sequer garantir a independência do exercício do cargo, nem a racionalidade económica e a boa gestão dos recursos, a políticos eleitos em autarquias com menos de 100 ou 200 mil eleitores, dependendo da área territorial, o que não significa, saliente-se, o encerramento dos serviços públicos prestados pelas câmaras municipais.

Pelo contrário, o actual modelo é que vai levar inevitavelmente ao encerramento das câmaras municipais num processo de canibalização em que os grandes vão devorando os pequenos.

Ora, não se deve confundir serviços de proximidade com políticos de proximidade.

Os serviços devem estar próximos das pessoas mas os eleitos têm de estar necessariamente a uma distância de segurança que os impeça de ficarem reféns de um pequeno colégio eleitoral.

Concluindo: somos um pequeno país cuja organização política e administrativa, para além de o tornar ainda mais pequeno, torna-nos pequeninos porque promove e fomenta a corrupção, a inveja, a mediocridade e o caciquismo.

Fernão Capelo Gaivota, um dos meus heróis de referência juntamente com o corvo Vicente de Miguel Torga, dizia uma coisa óbvia: "Vê mais longe a gaivota que voa mais alto."

Acontece que o nosso sistema político obriga o nosso povo a voar muito baixinho.

E quem voa baixinho tem necessariamente as vistas curtas.

É, precisamente, por esta razão que quem ambiciona voos mais altos tem obrigatoriamente de sair de Portugal.

É certo que, se quiséssemos, podíamos mudar o nosso destino.

Como disse Alexandre Herculano, "o desejo mede os obstáculos, a vontade vence-os."

Mas o nosso problema é precisamente esse há mais de duzentos anos: muito desejo mas nenhuma vontade.

Ou melhor, quem tem vontade de mudar muda de país e só aqui fica quem quer que tudo continue na mesma como a lesma.

Portalegre, 11 de Julho de 2015

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Quarta-feira, 29.07.15

Até sempre!

Santana-Maia Leonardo - Nova Aliança

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Desde 2004 que escrevo regularmente em jornais de Abrantes: até Outubro de 2008 no saudoso Primeira Linha e, desde esta data até hoje, no jornal Nova Aliança.

Quero agradecer, antes de mais, à Exma. Senhora Dr.ª Ana Soares Mendes, directora deste jornal, a confiança que depositou em mim ao colocar quinzenalmente uma coluna de meia página à minha inteira disposição, na altura em que deixei de escrever no Primeira Linha.

É, no entanto, chegada a hora de eu seguir o conselho do Padre António Vieira e fazer como Santo António: ir pregar aos peixes.

Como já aqui disse, há quem nasça para semear e quem nasça para colher. Eu nasci para semear. Mas não adiante semear uma terra que não se deixa semear, nem quer ser semeada.

A todos os leitores que tiveram a paciência de me ler e a todos os assinantes deste jornal o meu abraço e o meu muito obrigado.

Até sempre!

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Quarta-feira, 29.07.15

RIbanho - Luís Afonso (texto) e Carlos Rico (desenho)

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Terça-feira, 28.07.15

Martinchel ganhou o 1º Prémio do Concurso de Doçaria

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A ACLAMA - Associação Cultural Os Amigos de Martinchel, informa que por mais um ano consecutivo esteve presente no Festival de Doçaria e Artesanato, que desta vez decorreu na freguesia de Fontes, nos dias 17, 18 e 19 de Julho.

A ACLAMA agradece à freguesia de Martinchel e à organização do IV Festival de Doçaria e Artesanato, por mais uma vez nos darem oportunidade não só de explorar o stand com a nossa doçaria, como também pela entrega do serviço de jantar do dia 17.

Este ano, a freguesia de Martinchel, representada pela ACLAMA recebeu o 1º Prémio do Concurso de Doçaria, com o bolo “Trevo”.

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Terça-feira, 28.07.15

Convívio “FINACLAMA”

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No âmbito do projeto “Martinchel Acolhe”, a ACLAMA – Associação Cultural Os Amigos de Martinchel, promoveu no passado dia 24 de julho, o Convívio “FINACLAMA”, que contou com cerca de 90 participantes, e que compreendeu a apresentação/demonstração das atividades desenvolvidas no âmbito das medidas financiadas pelo programa FINABRANTES, bem como um jantar onde todos os presentes puderam divertir-se e conviver.

Fizeram parte do programa do convívio, uma aula de zumba e de ginástica, onde participaram não só as alunas como também a comunidade que quis praticar estas modalidades. Estas duas modalidades estão inseridas no âmbito do projeto do desporto. De seguida, inauguramos a exposição dos trabalhos elaborados nas atividades de combate ao isolamento, inseridas no projeto social e logo após o ato, demos início ao jantar convívio, onde para além do belo do frango assado, os presentes puderam provar as nossas deliciosas sobremesas.

Posteriormente demos início ao Desfile “Peças de Ateliê”, onde as nossas costureiras dos Ateliês das 2ª feiras, puderam apresentar os modelitos feitos por si. Logo de seguida, tivemos uma apresentação de Dança Sénior, com o grupo sénior do projeto “Martinchel Acolhe”. Ambas as atividades estão inseridas no âmbito do projeto social.

Já no final, demos lugar à apresentação da direção e dos elementos do Rancho Folclórico e Etnográfico “Os Peneireiros” de Martinchel, que abriu as portas à apresentação de quatro danças, que foram bastante aplaudidas pelos presentes, atividade inserida no projeto da cultura.

De salientar que para além das apresentações colocamos em exposição, trabalhos realizados pelos nossos seniores, peças de roupa elaboradas no Ateliê de Costura, roupas e adereços do nosso rancho, e ainda um mural com fotografias das atividades desenvolvidas no âmbito destas três candidatura.

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Segunda-feira, 27.07.15

Francisco Cruz Campeão Nacional

desportoemabrantes - Edição nº34 - Julho de 2015 

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O canoísta Francisco Cruz, do C.D. “Os Patos”, alcançou o título de Campeão Nacional de Paracanoagem (categoria LTA), na competição realizada em Palmela, nos dias 27 e 28 de Junho.

Margarida Neves (K1 Juniores 200m) e a formação composta por Miguel Trigo, António Oliveira Martins, Gonçalo Milho e João Barata (K4 Juniores 1.000m), obtiveram o 4º lugar nas suas provas.

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Domingo, 26.07.15

Nuno Inácio Campeão Nacional

desportoemabrantes - Edição nº34 - Julho de 2015 

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Nuno Jorge Inácio é Campeão Nacional de Contrarelógio Individual (escalão Master), ao vencer ex-aequo, a competição realizada no dia 28 de Junho, em Palmela.

Nuno fez o tempo de 34:41,33, o mesmo que José Leite, para percorrer as 3 voltas do circuito (20,050 km).

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Sábado, 25.07.15

Abrantes

Santana-Maia Leonardo - Nova Aliança de 24-7-2015

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Houve, uma altura, em que acreditei que Abrantes tinha carácter para se afirmar como uma das cidades mais importantes da região centro, capaz de fazer a ponte entre Lisboa e Espanha, liderando o território até à fronteira espanhola e funcionando como uma cidade tampão no processo de desertificação.

Enganei-me redondamente. Enquanto D. Luísa de Gusmão preferia ser rainha por um dia do que duquesa toda a vida, Abrantes optou por ser duque a vida toda. Mas infelizmente nem duque de trunfo é. Pelo contrário, Abrantes é, hoje, a carta mais descartável do baralho do Médio Tejo e do distrito de Santarém. E não nos iludamos: Abrantes já não tem condições para reverter a situação até porque o processo de desertificação começa sempre por levar os melhores, os mais qualificados e os mais ambiciosos. E não se muda o destino de uma cidade ou de uma região quando se deixa partir os melhores.

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Sábado, 25.07.15

RIbanho - Luís Afonso (texto) e Carlos Rico (desenho)

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Sábado, 25.07.15

Mariana medalhada no Mundial

desportoemabrantes - Edição nº34 - Julho de 2015 

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Mariana António conquis-tou 2 medalhas no Cam-peonato Mundial Escolar em Atletismo, que decorreu no final de Junho, em Wuhan (China).

A atleta de Abrantes alcançou o bronze no salto em comprimento (dia 29), e a prata nos 100m barreiras (dia 30).

Mariana já havia confirma-do o seu bom momento de forma, com o 3º lugar no Campeonato Nacional de Juvenis, nos 100m barreiras, realizado no dia 20, em Fátima.

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Sexta-feira, 24.07.15

O Fogo de Santelmo

Santana-Maia Leonardo - Diário As Beiras de 10-8-2015

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Hoje é frequente ouvirmos dirigentes da administração pública e do poder local, professores, magistrados, advogados, etc. desabafarem que não têm tempo para ler. Que não tenham tempo para ler, eu até compreendo. O que eu já não compreendo é como pode uma pessoa que não tem tempo para ler ser dirigente da administração pública ou do poder local, ser professor, magistrado ou advogado.

Como dizia Hipócrates, «aquele que só sabe de medicina nem mesmo de medicina sabe.” E se alguém pensa que o que aprende na Universidade é suficiente para o exercício competente e qualificado da sua profissão, porque o resto vem com a experiência, está muito enganado. E este é, precisamente, um dos nossos grandes problemas, na medida em que a falta de estudo e de leitura (e quando me refiro a leitura, não me refiro obviamente ao Correio da Manhã e aos romances de faca e alguidar) torna as pessoas limitadas e com as vistas curtas. E não há pior magistrado, advogado, professor, dirigente local, regional ou nacional do que uma pessoa com vistas curtas.

Existe uma estância n’ Os Lusíadas que coloca precisamente o dedo na ferida e que hoje ainda continua actual, provavelmente porque muita gente fala n’Os Lusíadas sem nunca os ter lido. Refiro-me à estância que introduz o episódio “O Fogo de Santelmo e A Tromba Marítima”: “Os casos vi que os rudos marinheiros,/ Que têm por mestra a longa experiência,/ Contam por certos sempre e verdadeiros,/ Julgando as cousas só pela aparência,/ E que os que têm juízos mais inteiros,/ Que só por puro engenho e por ciência,/ Vêem do mundo os segredos escondidos,/ Julgam por falsos, ou mal entendidos.

Dum lado, temos, assim, os rudes marinheiros que têm a experiência mas não têm estudos e que, por isso, não têm capacidade para entender os novos fenómenos a que assistem; do outro lado, temos os estudiosos que, por assentarem todo o seu conhecimento no saber livresco, faltando-lhes a experiência, tomam por falsos os relatos dos marinheiros.

E nós hoje continuamos praticamente na mesma, elogiando muito Camões mas sem lhe seguir o exemplo: “Nem me falta na vida honesto estudo,/ Com longa experiência misturado (…)” Esta é a chave da sabedoria. E sabedoria é precisamente o que nos falta. Ou seja, a simbiose entre o conhecimento e a experiência.

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Sexta-feira, 24.07.15

O grande dilema grego

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"Preferes não pagar impostos em dracmas ou em euros?"

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Quinta-feira, 16.07.15

Manifesto "POR UM PORTUGAL DE CORPO INTEIRO - CONTRA OS FUNDAMENTALISTAS DA CIDADE ESTADO"

Santana-Maia Leonardo

Com a adesão à União Europeia, os portugueses que, durante o tempo do Estado Novo, viveram esmagados sob o peso asfixiante da ditadura centralista do Terreiro do Paço, acreditaram que ia ser possível finalmente cumprir a principal promessa de Abril e que ainda hoje está plasmada na nossa Constituição.

Com efeito, segundo a nossa Constituição, uma das tarefas fundamentais do Estado é "promover a igualdade real entre os portugueses (...) e o desenvolvimento harmonioso de todo o território nacional" (artigo 9º e 90º), incumbindo-lhe prioritariamente "orientar o desenvolvimento económico e social no sentido de um crescimento equilibrado de todos os sectores e regiões e eliminar progressivamente as diferenças económicas e sociais entre a cidade e o campo." (artigo 81º/e). Por sua vez, o artigo 13º/1 da CRP declara que "todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei."

Desertificação.jpg

De boas intenções está o inferno cheio. E a verdade nua e crua é que, quarenta anos após o 25 de Abril e vinte e cinco anos após a abertura da torneira dos fundos comunitários, Portugal não só não se tornou num país mais harmonioso como os sucessivos governos se empenharam em transformar a A1 no nosso Mediterrâneo interior, a verdadeira fronteira de Portugal e da cidadania portuguesa.

Com efeito, tendo em conta o enorme desequilíbrio actualmente existente entre as duas margens da A1, o interior do país já não tem sequer verdadeira representatividade política, quer por força do número de eleitores, quer porque os seus eleitos, em boa verdade, vêem na sua eleição o salvo-conduto para poderem pular a cerca e fixar residência em Lisboa.

Quanto ao nosso modelo económico, ainda existe alguma divergência entre os diferentes partidos políticos. No entanto, quanto ao nosso modelo de desenvolvimento, não há, em todo o espectro político, um único partido que levante a voz com firmeza contra este modelo assente na Cidade Estado grega e defenda, com convicção, o modelo holandês das cidades médias, o único que garante o "desenvolvimento harmonioso de todo o território nacional", a pedra de toque da nossa Constituição.

E não nos venham com o estafado argumento da rede de auto-estradas, construída com os fundos comunitários, para defender a tese da coesão territorial. A rede de auto-estradas só é um factor de coesão territorial num país nivelado. Porque se o país estiver inclinado para um dos lados, as auto-estradas ainda vão acelerar mais o processo de esvaziamento do território. Como é óbvio.

Quem olhar para a configuração de Portugal não pode deixar de saber que Lisboa e a frente marítima exercem sobre todo o território nacional, por natureza, uma força de atracção irresistível. Consequentemente, se um Governo quer efectivamente promover o desenvolvimento harmonioso de todo o território nacional, como lhe impõe a Constituição, só tem uma forma de contrariar essa força: através da deslocalização de serviços e de órgãos de direcção do Estado para o interior do país, sob pena de Portugal ficar confinado, muito em breve, à região da Grande Lisboa. E o exemplo deveria ser dado pelo Presidente da República, pelo Governo e pela Assembleia da República.

Portugal é hoje um micro-país que reproduz em ponto grande o mesmo modelo de desenvolvimento dos micro-municípios em que está sub-dividido: uma sede de concelho desproporcionada em relação às restantes localidades do município que, numa primeira fase, cresce à conta do esvaziamento das freguesias rurais para, numa segunda fase, ela própria se começar a esvaziar para Lisboa e para o litoral, perdendo população activa e massa crítica. Ou seja, começa-se por migrar dentro do próprio território para depois se emigrar.

Um território com dez milhões de habitantes é uma pequena cidade. Acontece que os sucessivos governos, em vez de governarem Portugal como se fosse uma cidade, continuam a governar Lisboa como se fosse o país.

Se o poder político insistir em continuar a viver fechado, dentro das muralhas de Lisboa, num ovo com a casca cada vez mais grossa, Portugal vai morrer sem sair da casca. Para haver crescimento sustentável e renovação das gerações num pequeno país como o nosso, é necessário, antes de mais, que não o tornemos ainda mais pequeno, amontoando tudo o que mexe dentro de uma região superlotada.

Cabe, pois, ao poder político esticar a área territorial da Grande Lisboa a todo o território nacional, em vez de continuar a encolher Portugal para melhor caber dentro da capital. Com mais espaço tudo se torna mais fácil.

Experimentem colocar o Presidente da República e o Tribunal Constitucional em Beja, a sede do Governo e os principais ministérios nos distritos de Portalegre e Castelo Branco; o Supremo Tribunal de Justiça e os restantes ministérios nos distritos de Viseu e Guarda; a Assembleia da República em Bragança (230 deputados em Bragança criam riqueza; em Lisboa criam despesa). Depois distribuam as direcções gerais e as secretarias de Estado pelos distritos respectivos, os quartéis militares e as universidades pelas cidades vocacionadas para os receber e verão como tudo muda.

Lisboa, por um lado, perdia pressão urbanística e tornava-se uma cidade mais barata e onde era mais fácil viver e trabalhar. O interior, por sua vez, ganhava dinamismo e crescia naturalmente, em população, massa crítica e economicamente. E Portugal tornava-se naturalmente um país menos atreito à corrupção, na medida em que o poder político e o poder económico deixavam de partilhar a mesma cama. Para que haja uma verdadeira separação de poderes, não basta que a Constituição a proclame, é necessário também que os poderes vivam separados.

Por outro lado, a deslocalização da capital política para a fronteira espanhola, para além de nivelar o território, fazia com que Portugal ficasse com duas frentes: a atlântica e a continental, valorizando, desta forma, a sua ligação a Espanha e à Europa.

Além disso, ficavam criadas as condições para uma significativa população jovem activa poder ter, criar e educar tranquilamente os seus filhos. As cidades de província oferecem aos jovens pais tempo e condições para criarem os seus filhos que Lisboa não tem capacidade de oferecer.

Por outro lado, o apoio inter-geracional ficava também mais facilmente garantido porque seria mais fácil manter os filhos perto da casa dos seus pais e avós. Sem esquecer que é impossível tomar medidas efectivas no combate à desertificação e na promoção da natalidade, quando o Governo vive fechado dentro de um ovo a abarrotar pelas costuras.

Quanto à Regionalização (na versão político-administrativa), de que eu sou um adversário confesso, não só não é, neste momento, solução como iria acelerar ainda mais o processo de desertificação, reduzindo Portugal a três cidades: Lisboa, Porto e Faro. Este tipo de regionalização, bem como os círculos uninominais, só são defensáveis em países com grande coesão territorial, caso contrário ainda vão acentuar mais as assimetrias. Como é evidente.

Aliás, os grandes defensores da Regionalização são precisamente aqueles que aspiram a que a sua cidade seja a Lisboa da sua região. Ou seja, não pretendem inverter o modelo da Cidade Estado mas copiá-lo.

Ora, existe um argumento verdadeiramente demolidor contra a Regionalização: a unidade milenar de um pequeno país que uma fabulosa rede de auto-estradas e o acesso generalizado à internet teve o condão de tornar todas as cidades vizinhas.

Mas é precisamente chegados aqui que aqueles que são contra a Regionalização não extraem a consequente ilação.

Com efeito, se é verdade que Lisboa está hoje perto de tudo, como argumentam e bem aqueles que são contra a Regionalização, por que razão, então, está hoje tudo em Lisboa?

Para quem não saiba, a distância entre Portalegre e Lisboa é precisamente igual à distância entre Lisboa e Portalegre.

E, digam-me com fraqueza, faz sentido atravancar Lisboa com todos os órgãos de direcção do estado e da administração pública, com universidades públicas e quartéis militares, obrigando o país inteiro a esvaziar-se para Lisboa, para depois se vir reivindicar a introdução de portagens na entrada de Lisboa porque a cidade já não suporta tanto trânsito automóvel e começa a ter níveis de poluição preocupantes?

Por um lado, colocam lá tudo e obrigam toda a gente a ir para lá ou a ter de lá ir, e, depois, querem impedir as pessoas de lá ir, alegando excesso de trânsito, de poluição e de pessoas.

É bom não esquecer, quando ouvimos os nossos governantes falar em incentivos para fixar as populações nas regiões do interior, que o nosso problema hoje já não é fixar a população porque quem aqui vive irá fixar residência no cemitério muito em breve.

O que o interior precisa urgentemente é de uma política corajosa que obrigue uma significativa população activa e culta que hoje se amontoa na Região da Grande Lisboa a repovoar o território e a fixar-se nas cidades do interior. E isso só se consegue com a deslocalização de ministérios, secretarias de Estado, direcções-gerais, universidades, hospitais, tribunais superiores para o interior do país.

Se Lisboa continuar a aumentar a oferta de serviços para dar resposta ao enorme fluxo populacional que inevitavelmente atrai, muito em breve até a Universidade de Coimbra fecha.

Ora, o interior não pode ser visto apenas pelos senhores de Lisboa  como o local de destino de gente que só serve para semear batatas, de empresas altamente poluentes ou de aterros sanitários.

Após o 25 de Abril, apenas a cidade do Porto conseguiu, de forma consistente, enfrentar o poder de Lisboa.

Em todo o caso, Porto e Lisboa são cidades da orla costeira pelo que se impunha que Bragança, Vila Real, Coimbra, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja dessem as mãos para obrigar o Terreiro do Paço a esticar Lisboa até à fronteira espanhola sob pena de a fronteira espanhola se esticar até à A1, caso o Governo de Lisboa insista em abandonar o território nacional.

Mas se a Regionalização não é a solução, os micro-municípios também o não são e pela mesma razão.

Para vivermos num país equilibrado, quer do ponto de vista estrutural, quer do ponto de vista da defesa do estado de direito, as autarquias têm de ganhar dimensão.

Não é possível sequer garantir a independência do exercício do cargo, nem a racionalidade económica e a boa gestão dos recursos, a políticos eleitos em autarquias com menos de 100 ou 200 mil eleitores, dependendo da área territorial, o que não significa, saliente-se, o encerramento dos serviços públicos prestados pelas câmaras municipais.

Pelo contrário, o actual modelo é que vai levar inevitavelmente ao encerramento das câmaras municipais num processo de canibalização em que os grandes vão devorando os pequenos.

Ora, não se deve confundir serviços de proximidade com políticos de proximidade.

Os serviços devem estar próximos das pessoas mas os eleitos têm de estar necessariamente a uma distância de segurança que os impeça de ficarem reféns de um pequeno colégio eleitoral.

Concluindo: somos um pequeno país cuja organização política e administrativa, para além de o tornar ainda mais pequeno, torna-nos pequeninos porque promove e fomenta a corrupção, a inveja, a mediocridade e o caciquismo.

Fernão Capelo Gaivota, um dos meus heróis de referência juntamente com o corvo Vicente de Miguel Torga, dizia uma coisa óbvia: "Vê mais longe a gaivota que voa mais alto."

Acontece que o nosso sistema político obriga o nosso povo a voar muito baixinho.

E quem voa baixinho tem necessariamente as vistas curtas.

É, precisamente, por esta razão que quem ambiciona voos mais altos tem obrigatoriamente de sair de Portugal.

É certo que, se quiséssemos, podíamos mudar o nosso destino.

Como disse Alexandre Herculano, "o desejo mede os obstáculos, a vontade vence-os."

Mas o nosso problema é precisamente esse há mais de duzentos anos: muito desejo mas nenhuma vontade.

Ou melhor, quem tem vontade de mudar muda de país e só aqui fica quem quer que tudo continue na mesma como a lesma.

Portalegre, 11 de Julho de 2015

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Quinta-feira, 16.07.15

Aproveite para ler nas férias uma reflexão crítica sobre Portugal e os portugueses.

"A TERRA DE NINGUÉM" é uma reflexão extremamente crítica sobre Portugal e os portugueses, as nossas instituições e as nossas rotinas. É importante olharmo-nos ao espelho, antes de criticarmos os outros. Sem nos conhecermos e reconhecermos os nossos defeitos, erros e insuficiências, é impossível mudar o nosso destino.

A 3ª edição do livro "A Terra de Ninguém" pode ser adquirido nas lojas da Livraria Bertrand, na Livraria Alêtheia (Lisboa - Rua de O Século,  13), na Livraria Nun' Alvares (Portalegre) e na Farmácia Silva (Abrantes).

Pode ainda ser adquirida na net, bastando clicar sobre a foto do livro:

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Quarta-feira, 15.07.15

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