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COLUNA VERTICAL



Terça-feira, 31.05.16

Prece

A D. Afonso Henriques

 Amã, 23 de Julho de 2000

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Pai, olha-nos de frente

E devolve a esperança

A esta gente

Que ingloriamente

Desbaratou a tua herança

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Segunda-feira, 30.05.16

A profissão mais antiga do mundo

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Se toda a gente a reconhece como a profissão mais antiga do mundo, mal se percebe porque não está legalizada no nosso país. Tanto mais quando é a única profissão que, tendo evoluído muito pouco desde o tempo das cavernas, tem sempre mantido uma procura elevada. Ora, tecer considerações de ordem moral sobre uma profissão com este currículo e esta implantação cultural na história da humanidade, fazendo já parte do nosso ADN colectivo, parece-me manifestamente idiota. Contra factos não há argumentos.

A situação que se vive hoje em Portugal, neste campo, é bem reveladora da hipocrisia em que o nosso povo sempre gostou de viver. Por um lado, permite-se a prostituição; por outro, proíbe-se a existência de casas que vivam da prostituição. Ou seja, não é proibido uma mulher vender sexo à beira da estrada, onde o único cuidado de higiene é um rolo de papel higiénico e onde está sujeita a ser roubada, maltratada e violada. Mas é proibida a existência de casas de sexo licenciadas, onde as mulheres podem ser controladas pelos serviços sociais, de saúde e pela polícia, para além de estarem muito mais protegidas.

E não se pense que há uma terceira via, porque não há. A escolha é apenas entre uma situação e outra. É óbvio que uma profissão que já vem do tempo das cavernas não se acaba por decreto-lei. Aliás, mantendo esta profissão a procura que todos os dados estatísticos confirmam, tal só pode significar que se trata de uma profissão essencial para o próprio equilíbrio da comunidade. Que ninguém duvide de que a proibição absoluta da prostituição com a perseguição e repressão efectiva de prostitutas e clientes poria em risco a paz social e seria um foco permanente de tensões. O sexo é muito mais importante do que o que as pessoas (algumas) pensam. E infelizmente há demasiada gente que não tem outra possibilidade de satisfazer as suas necessidades sexuais e afectivas que não seja desta forma.

Não tenho, no entanto, qualquer dúvida de que grande parte das mulheres que se dedica à prostituição, preferia ter outra profissão, desde que ganhasse o mesmo, bem entendido. Agora o que é difícil é, com as suas habilitações, arranjarem um emprego onde ganhem mais de três mil euros por mês, que é o que ganha, em média, uma prostituta vulgaríssima que trabalhe uma ou duas horas por dia. Porque andar a lavar o chão e as casas de banho, quarenta horas por semana, a troco do salário mínimo nacional, isso, elas não querem.

E há mesmo prostitutas (as de top) que auferem mais de dez mil euros por mês, chegando a cobrar duzentos e cinquenta euros por saída e mais de quinhentos euros por noite. E se pedem isso aos clientes é porque há quem pague. Experimentem lá oferecer a uma mulher destas o emprego honrado de mulher-a-dias ou de empregada de mesa para ver se ela aceita?

Para já não falarmos de outro tipo de prostituição… Ou alguém acredita que é por amor que mulheres bonitas e jovens namoram, casam e aceitam ir para a cama com velhos milionários?

Além disso, num tempo em que o sexo deixou de ser tabu, não percebo a relutância que existe em haver pessoas que cobrem alguma coisa por isso. O problema é delas, desde, evidentemente, que o façam de livre vontade e que não seja uma opção para fugir à miséria. Ao Estado deve caber apenas regulamentar a actividade de forma a proteger a saúde pública e a evitar a exploração sexual e o tráfico de mulheres, assim como a fuga aos impostos de uma actividade altamente lucrativa.

Fevereiro de 2007

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Segunda-feira, 30.05.16

Morreu o cartoonista José Vilhena (mas os seus cartoons satíricos mantêm a actualidade)

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Domingo, 29.05.16

Obviamente

 Viseu, 28 de Dezembro de 1999

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Procuro a alma gémea neste bar

Entre gente das artes e vivida

Procuro-a que a minha anda perdida

Vagueando pelas serras a penar

 

Embalo-me no meu canto a sonhar

Com princesa de história nunca lida

E divago, revolvo a minha vida

Enquanto os observo a conversar

         

Afinal que bar é este, senhores,

Que reúne entre a sua vasta gente

Poetas, escultores e pintores?

 

O seu nome é tão óbvio que não mente

E fácil de fixar se tu lá fores

Ninguém o adivinha? Obviamente

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Sábado, 28.05.16

Em defesa do consumidor

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Defender a descriminalização do consumo de droga com base no argumento piedoso de que o consumidor é vítima ou de que, na prática, o consumo de droga já estava descriminalizado, pelo simples facto de já ninguém ser preso por esse motivo, é bem revelador da cegueira e da hipocrisia dos tempos em que vivemos.

Em primeiro lugar, se o consumo de droga, na prática, já estava descriminalizado, reconhecendo toda a gente, no entanto, que o mesmo continua em expansão, seria lógico concluir que não é na descriminalização que está a solução.

Em segundo lugar, não é verdade que os consumidores não sejam, nem continuem a ser presos. Pelo contrário. O que sucede (e o que sempre sucedeu) é que, com a descriminalização do consumo, os consumidores continuam a ser presos da mesma forma, não já na fase da iniciação, mas quando já se encontram numa fase adiantada de dependência da droga. E com uma agravante: é que o consumidor, quando chega à fase de ser preso (por roubo ou por tráfico), para além de estar totalmente dependente da droga, já deixou atrás de si um rasto de destruição de consequências irreparáveis.

Na verdade, ao contrário do que apregoa a moral oficial, os principais responsáveis pela divulgação e expansão do consumo de droga são os consumidores e não os traficantes.

Com efeito, os consumidores, quando chegam a determinado patamar de dependência da droga, não têm alternativa: ou são ladrões ou traficantes. Uns roubam para comprar droga, outras vendem-na para poderem consumir. E se algum dos nossos filhos, algum dia, se iniciar no consumo de droga, podem ter a certeza de uma coisa: não vai ser um traficante que o vai obrigar a consumir, mas um amigo consumidor que o vai pressionar a experimentar.

Também, neste campo, os nossos governantes têm revelado a mesma falta de firmeza que caracteriza os pais modernos na sua relação com os filhos. E inevitavelmente não poderão deixar de ter os mesmos resultados.

No entanto, para o Governo (e para os modernaços), a bondade de uma medida é sempre avaliada pela bondade do princípio que a impele e nunca pelo péssimo resultado que causa. E são já cada vez mais os que defendem as salas de chuto e o fornecimento gratuito pelo Estado da droga aos toxicodependentes, como meio para acabar com os assaltos e combater a criminalidade.

Trata-se, sem sombra de dúvida, de uma medida bastante inteligente. E já estou mesmo a imaginar, num futuro mais próximo do que supúnhamos, a Cimeira de Lisboa dos países produtores de droga, à semelhança das que fazem os países produtores de petróleo, para decidir se a produção há-de ou não aumentar por forma a provocar uma subida ou descida do preço do produto. Resolvido o problema dos consumidores, seria a vez de os governos e das economias dos países ocidentais ficarem toxicodependentes das decisões tomadas nestas reuniões.

É claro que este problema podia ser facilmente resolvido. Bastava tão-só que a União Europeia começasse também a produzir droga. Os governos podiam mesmo promover e incentivar a sua produção, quer para consumo interno, quer para exportação, criando, designadamente, linhas de crédito bonificado para jovens agricultores que quisessem iniciar-se na produção de droga ou para agricultores que quisessem reconverter as suas explorações agrícolas. A União Europeia podia mesmo subsidiar cada quilo de heroína ou cocaína produzida.

Além disso, e é bom não esquecer, a droga tem uma grande vantagem sobre todas as outras culturas: não necessita de quotas. Com efeito, é a única cultura conhecida em que o número de consumidores cresce na proporção dos hectares cultivados. E quando chegarmos a este dia, todos vamos poder dizer com orgulho: «fumar um charro é dar de comer a dez milhões de portugueses».

Maio de 1998

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Sexta-feira, 27.05.16

As prioridades

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Quinta-feira, 26.05.16

Liberdade

 Leipzig, 4 de Agosto de 1999

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"O Inferno são os outros" (J.P. Sartre)

 

Aparece-me todos os dias

Com todo o seu esplendor de loucura

E fantasias

Autêntica, pura

Imaculada

Entre as duas e as quatro da madrugada

 

Excepto (evidentemente)

Aos sábados, domingos e feriados

Dias em que, por haver demasiada gente,

Se recusa a aparecer por estes lados

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Quarta-feira, 25.05.16

Detesto os gays

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«Respeito os homossexuais, mas detesto os maricas». Foi, desta forma lapidar, que Agustina Bessa-Luís se definiu, em entrevista recente ao jornal Sol. Partilho a mesma opinião.

Os gays são a versão homossexual dos machões. Tal como os machos latinos, não só estão convencidos de que a sua orientação sexual os torna os maiores do mundo como fazem questão de exibir publicamente esse seu convencimento. E se hoje a figura ridícula e imbecil dos machos latinos, ostentando pelos lugares públicos os seus troféus de caça e narrando de forma alarve as suas proezas, se encontra em vias de extinção, os seus congéneres gays, pelo contrário, estão em plena expansão, com direito a cobertura e promoção nos órgãos de comunicação social tal como o macho latino teve noutros tempos.

Acontece que, enquanto o macho latino se contenta em propagandear os seus feitos, os gays gostam de expor publicamente a sua vida íntima e a dos outros. Ora, era bom não confundir o direito de cada um à sua sexualidade com a obrigação de todos termos de conhecer a vida sexual de cada um. Além disso, os gays partilham com o macho latino o particular prazer de humilhar e enxovalhar publicamente as pessoas que praticam actos homossexuais. Aliás, o simples facto de reduzirem as pessoas àquilo que fazem na cama já é, só por si, revoltante, como se isso fosse um factor relevante e determinante para a vida social do indivíduo.

Hoje, um político que pratique actos homossexuais quase que se vê obrigado a confessar publicamente a sua homossexualidade sob pena de viver sob chantagem permanente da comunidade gay. Ora, isto é totalmente inadmissível. Cada um tem o direito de ter e defender as suas opiniões e convicções, independentemente da sua orientação sexual.

Ainda há pouco tempo um senador americano, porque era contra o casamento dos homossexuais, foi, claramente, forçado, pelo lobby gay, a confessar em público que era homossexual. Então uma pessoa que pratica actos homossexuais não pode ser contra o casamento de pares homossexuais? Ou será obrigatório uma pessoa que gosta de beber uns copos ser contra a lei que proíbe a condução sob o efeito do álcool?

Depois, se repararem bem, os gays nunca são incompetentes. Se um patrão despedir um gay, nunca é por ser incompetente mas por ser gay. Aliás, é impossível um gay ser incompetente, medíocre ou imbecil. Um gay é um ser superior como eles gostam, aliás, de demonstrar pela lista escolhida a dedo de artistas, pensadores e homens ilustres que eram, são ou, pura e simplesmente, acham que foram homossexuais, como se a sua sexualidade fosse um certificado da sua genialidade.

Finalmente, acho absolutamente ridículos os exibicionismos públicos dos gays destinados a escandalizar o cidadão comum. O primeiro passo para que nos respeitem, é respeitarmos os outros. E o respeito pelas minorias não faz, obviamente, com que as maiorias deixem de ter direitos ou de ser maioria. Ou será que o respeito pelos direitos dos naturistas e dos nudistas implica que não nos oponhamos a que um juiz ou um professor, praticantes da modalidade, possam presidir a uma audiência de julgamento ou dar uma aula em pelota?

Novembro de 2007

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Terça-feira, 24.05.16

AS RAPOSAS: Leicester City Football Club, Eléctrico Futebol Clube e Cruzeiro Esporte Clube.

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Segunda-feira, 23.05.16

El cant del Barça - Més que un club

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Para se perceber o que significa o FC Barcelona, temos de conhecer a história do clube nos anos da ditadura de Primo de Rivera, da guerra civil e do franquismo, quando se tornou num clube integrador e lutador, colocando-se do lado das causas justas e da democracia.

Em 1925, o presidente fundador do Barça, o suiço Hans Gamper, é inabilitado para sempre de pertencer aos órgãos directivos do clube, por imposição do ditador Primo de Rivera.

O grito "Visca el Barça!" é proibido e, durante a férrea ditadura franquista, o FC Barcelona é obrigado a mudar o nome para CF Barcelona (espanholização do nome), a alterar o emblema (eliminação das quatro barras da bandeira catalã) e o nome "Barça" é proibido.

Enquanto o mítico presidente do Real Madrid Santiago Bernabéu era um ultraconservador que lutou ao lado dos franquistas, tendo participado, inclusive, no cerco a Barcelona no final da guerra civil, o presidente do Barça Josep Suñol é fuzilado, no dia 6 de Agosto de 1936, quando rebenta a guerra civil, por soldados franquistas.

Durante a ditadura franquista, o FC Barrcelona converteu-se, praticamente, no único veículo de protesto contra a ditadura.

E é precisamente este passado histórico do Barça que leva o presidente Narcis de Carreras, no seu discurso de 17 de Janeiro de 1968, a proferir a frase que se tornou no lema do clube: "O FC Barcelona é algo mais do que um clube de futebol."

Visca el Barça!

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Sábado, 21.05.16

O Vitória devia descer de divisão porque é um clube incumpridor

Santana-Maia Leonardo

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Este foi o comentário de um adepto do Benfica a uma das fotos que publiquei no passado sábado a festejar a manutenção do Vitória na I Liga.

Provavelmente, o adepto do Benfica até poderá ter razão, tal como Ricardo Salgado certamente tinha razão quando dizia que os portugueses viviam muito acima das suas possibilidades e que tinham de empobrecer.

O que me escandaliza não é tanto a razão que possam ter mas o descaramento que têm para o afirmar quando são eles os principais responsáveis pelo estado de necessidade em que a maioria dos portugueses e dos clubes vivem. 

Até nisto se vê como o futebol é o espelho de um país e de um povo.

Os DONOS-DISTO-TUDO consumiram os recursos todos e geraram uma dívida gigantesca que está a ser paga pelos pequenos e por todos os contribuintes.

A dívida visível só do Benfica é superior 400 milhões e isto apesar de o Estado e a Câmara de Lisboa o terem favorecido directa e indirectamente, ao longo de décadas, com milhões e milhões, com património que é de todos e permitindo negociatas de milhões e milhões, em violações claras dos planos de urbanização de Lisboa. E o mesmo se aplica ao Sporting e ao Porto.

Além disso, DONOS-DISTO-TUDO têm a governança do futebol, fazendo e alterando as leis e regulamentos à sua medida. Só, por isso, é que o TRIUNVIRATO ainda não desceu de divisão por indecente e má figura.

É preciso, pois, muito descaramento para um adepto de um dos DONOS-DISTO-TUDO vir armar-se agora em defensor da moral pública para clubes que vivem na miséria em virtude de os DONOS-DISTO-TUDO se terem apropriado de todos os recursos que o futebol gera e não gera. 

Sem esquecer que o Benfica já foi um dos primeiros incumpridores do fisco, quando a lei foi aprovada pela primeira vez, e que só não desceu de divisão nessa altura porque os DONOS-DISTO-TUDO, quando Valentim Loureiro era o presidente da Liga, alteraram a lei para que isso não acontecesse.

Dizia António Aleixo: "Anda, a galope ou a trote,/ uma besta à chicotada;/ mas, dos homens a chicote,/ ninguém pode fazer nada."

Há quem diga que isto está em contradição com o que dizia Marquês de Pombal, um líder muito estimado e considerado pela maioria dos portugues: "os portugueses só trabalham de chicote na mão.

Mas só quem não ler com atenção a quadra de António Aleixo poderá pensar que existe alguma contradição entre um e outro. António Aleixo refere-se aos homens, ou seja, aquele tipo de gente que não se verga ao chicote, e, por estas bandas, há muitos poucos.

E, por isso, o país está como está e o futebol é a sabujice que sabemos. 

Enquanto nos outros países, como ficou demonstrado pelo o estudo da Uefa apresentado no ano passado, os campeonatos são disputados entre clubes que representam cidades ou bairros das grandes metrólopes, em Portugal o campeonato é disputado por um triunviradto de clubes-feudais que têm vassalos em todo o território nacional, vassalos estes que colocam a sua relação de vassalagem com o seu senhor acima da relação natural com a sua terra e com os seus.

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Sexta-feira, 20.05.16

Eis a forma mais abjecta de viciação de resultados na I Liga

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Quarta-feira, 18.05.16

Ponte de Sor e o Largo da Igreja

Santana-Maia Leonardo

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Vou quebrar uma promessa que tinha feito a mim próprio e dar a minha opinião sobre um assunto que respeita a Ponte de Sor: a remodelação do Largo da Igreja. Como já escrevi, por diversas vezes, um bom autarca é aquele que age como um bom administrador de condomínio, ou seja, causando o mínimo incómodo aos condóminos na fruição da sua fracção e das partes comuns.

Isso não significa, obviamente, que os condomínios, tal como as cidades, vilas e aldeias, não necessitem, em certos momentos, de intervenções de fundo. E, nestas alturas, como deve proceder um bom administrador do condomínio? Arranca com a obra sem dizer nada a ninguém e sem ouvir a opinião dos condóminos? Ou tenta envolver os condóminos na resolução do problema, ouvindo-os, apresentando-lhes as diferentes alternativas e recebendo as diferentes sugestões, procurando que a solução seja tão consensual quanto possível?

Tal como o administrador do condomínio, os autarcas têm de perceber que não são os donos das autarquias que administram e a busca da solução consensual é sempre a melhor forma de acautelar uma boa gestão e de proteger a sua própria obra.

Relativamente ao Largo da Igreja de Ponte de Sor, é evidente que a Câmara Municipal considerou ter chegado o momento de levar a cabo uma intervenção de fundo, caso contrário não teria mandado arrancar todas as árvores, a calçada e os bancos.

Não vou, por isso, questionar agora se tal intervenção se justificava ou não, porque o momento para essa discussão já passou. Aquilo que eu agora me interrogo, quando vejo a maquete da obra, já não é sobre a oportunidade da intervenção mas sobre a própria obra que se pretende levar a cabo. Com efeito, se a Câmara decidiu levar a cabo uma intervenção de fundo no Largo da Igreja, devia aproveitar a oportunidade para enquadrá-la num arranjo diferente de toda a zona da cidade onde se insere e que tantos problemas apresenta, em vez de voltar a colocar tudo mais ou menos na mesma, o que é sempre a pior solução. Na verdade, se é para ficar tudo mais ou menos na mesma, mais valia não mexer em nada e esperar por uma melhor oportunidade.

Concluindo: se a Câmara Municipal decidiu levar a cabo esta intervenção, deveria ter, obrigatoriamente, envolvido os Largos da Igreja, da Casa do Povo e do Tribunal e as ruas Luís de Camões, João de Deus e Damião de Góis.

Qual seria, então, a minha proposta?

Numa 1.ª Fase, na Rua João de Deus, desapareciam dois troços de estrada: o que liga o Largo do Tribunal à Rua 1.º de Maio e o que liga a Rua de Santo António à Avenida da Liberdade para permitir que toda a envolvente do Largo da Igreja até à loja dos CTT fosse pedonal e de esplanadas. Por sua vez, a Rua Luís de Camões inverteria o sentido de trânsito em toda a sua extensão. E, finalmente, uma vez que a Rua Luís de Camões ficaria com o sentido de trânsito invertido, a Rua Damião de Góis (antiga rua das Finanças) devia ser fechada ao trânsito no 1.º e 3.º terço, o que não acarretava qualquer perda de lugares de estacionamento (ganhavam-se nos topos), mantendo-se o trânsito na travessa que cruza esta rua desde a Rua Luís de Camões à Rua Vaz Monteiro.

Numa 2.ª Fase, devia intervir-se no Largo do Tribunal e no Largo 25 de Abril, relacionando-os com a nova configuração do Largo da Casa do Povo, devido ao desaparecimento do troço de estrada acima referido, e procurar uma solução para o conflito de "morte" que existe entre o cruzamento da Rua Alexandre Herculano com a Rua da Escola João Pedro de Andrade (só quando aqui houver um acidente grave, designadamente, com um aluno, é que Ponte de Sor, à boa maneira portuguesa, vai despertar para o problema).

Quanto à localização da nova casa mortuária, não acredito, no entanto, que venha a ser construída na zona comercial da Rua João de Deus. Seria, aliás, totalmente incompreensível que uma câmara levasse a cabo uma intervenção com esta dimensão e extensão no largo central da sede do município para valorizar, no fundo, a localização da nova casa mortuária e desvalorizar ad eternum todo o espaço em seu redor.

Ficam aqui lavradas a minha sugestão e a minha opinião, apesar de saber que vivemos num condomínio onde a livre opinião dos condóminos, se não for reverencial, é sempre entendida como uma ofensa pessoal àqueles que velam, dia e noite, pelos superiores interesses do município. É precisamente por esta razão que decidi deixar de expressar publicamente as minhas opiniões sobre o concelho. Mas desta vez era impossível ficar calado.

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Quarta-feira, 18.05.16

Castigo

 IIha do Farol (Olhão), 12 de Agosto de 1999

 

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«Amo-te em demasia»

Expressão

Que tantas vezes usei em vão

E que escondia

O vazio que em mim trazia

 

Mas Deus castigou-me

Como vês

Apaixonou-me por ti

E obrigou-me

A sentir desta vez

Por todas as vezes que menti

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Segunda-feira, 16.05.16

Com o túnel do Marão, nem ficam os que lá estão

Santana-Maia Leonardo 

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É preciso de facto muita hipocrisia e muito cinismo para os nossos governantes e as nossas elites apresentarem o túnel do Marão como um passo decisivo na coesão territorial. O túnel do Marão, tal como a rede de auto-estradas, só seria um factor de coesão territorial se o país estivesse nivelado. Isto é claro como a água. E, se tiverem dúvidas, façam a seguinte experiência. Coloquem dois recipientes, um com água e outro vazio, no mesmo plano e façam o túnel do Marão entre eles. O que é que acontece? O que tem água esvazia para o recipiente que não tem água até ficarem ambos com a mesma quantidade de água.

Agora experimentem colocar o recipiente com água num nível superior e voltem a fazer o túnel do Marão. O que é que acontece ao recipiente que tem água? Acontece precisamente o que vai acontecer a Trás-os-Montes: fica completamente vazio.

Quem olhar para Portugal não pode deixar de saber que vivemos num plano inclinadíssimo em direcção à cidade Lisboa-Porto (a tal Singapura de Passos Coelho e Sócrates) e, sem medidas urgentes e corajosas, para nivelar o território, o túnel do Marão e as auto-estradas apenas vão acelerar o processo de esvaziamento do interior. E não nos iludamos, só existe, neste momento, uma forma de repovoar o território: através da deslocalização de serviços e de órgãos de direcção do Estado para o interior do país.

E não vale a pena voltar a ressuscitar as fantasias de Natal de querer repovoar o interior dando incentivos às empresas para aí se fixarem. Neste momento, o interior só tem reformados e desempregados pouco qualificados e não há nenhuma empresa com dimensão (a não ser as empresas altamente poluentes) que se queira fixar num sítio onde não existe mão de obra em quantidade e qualidade suficientes.

Ou seja, ou é o Estado, através da deslocalização de serviços e órgãos de direcção do Estado, a levar gente para o interior do território ou, em breve, não mora lá ninguém.

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