Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

COLUNA VERTICAL



Segunda-feira, 31.07.17

O RSI de antigamente

RSI.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

Domingo, 30.07.17

A água, o Aquapolis e as diversas barreiras artificiais nos rios

Manuel António (*)

Manuel António.jpg

Algumas ideias e abordagens ligeiras escritas com o único intuito de promover o debate.

I

SOBRE A ÁGUA

A água é um elemento natural e fundamental à vida. No entanto a forma como a usamos actualmente nada tem de natural: na indústria, agricultura e consumo humano. Sabemos que ter água em casa não é uma coisa natural – o natural seria ir buscá-la à fonte e, assim, os consumos seriam incomensuravelmente inferiores, e não gastaríamos 160 litros de água por dia..
Assim, quando incorporamos elementos não naturais no processo, quase sempre também temos que arranjar soluções artificiais para os resolver.
Para além disso sabemos das alterações climatéricas, das pluviosidades reduzidas e dum tipo de floresta que não é geradora de solo – antes pelo contrário. Como sabemos, um solo rico guarda sete vezes mais água, que uma terra pobre. Assim, além de chover menos, a água não fica onde chove e vai-se para longe, quase sempre agravando os problemas erosivos.
Torna-se assim imperioso – porque as pessoas não estão receptivas à ideia de lhes faltar água em casa –  ter água disponível, sempre. Até há uns tempos funcionaram os aquedutos, os poços e as fontes, mas esse tempo já lá vai há muito. Depois vieram as barragens e os furos. Os furos – alguns deles a profundidades malucas (estão a captar água que choveu há décadas). Mas é tal a quantidade de água que se retira dos veios freáticos e aquíferos, que esses níveis médios estão a baixar assustadoramente. Assim, muitas árvores morrem devido à baixa humidade presente no solo, a desertificação avança. E este problema vai agravar-se assustadoramente.

Como isso se resolve?                                                   

Redução do consumo; parando as alterações climáticas; fazendo barragens, albufeiras, charcas; fazendo uma radical transformação na floresta?

Presentemente a única forma razoável de o fazer é através da retenção das águas das chuvas; barragens, açudes, charcas, albufeiras, etc. – pois além de reservas diretas, estas estruturas alimentam permanentemente os aquíferos e veios freáticos (para além de serem ajudas importantes no controlo de cheias).

Vamos fazer estruturas dessas em todo o lado? Não!!! Por exemplo há rios livres em Portugal, que deveriam continuar eternamente livres. E assim manter a biodiversidade, assegurar a chegada de areia e alimento ao mar.

Os que já estão “impedidos” dessas funções devem, quanto a mim serem rentabilizados ao máximo nessas vertentes.

Para além disso, essas estruturas de massas de água guardada, têm outras funções como, por exemplo: reduzir a temperatura média do ar, lazer, turismo, desporto e, no caso nas barragens maiores, uma função fundamental aos nossos tempos – a produção de electricidade. 

Como sabemos estamos completamente dependentes na água, mas igualmente da electricidade. Mas enquanto a água se consegue armazenar, a electricidade não – a cada segundo o que se produz tem que ser igual ao que se consome. Só as barragens conseguem armazenar energia, que depois transformamos em electricidade. 

Se não queremos energia nuclear, se queremos reduzir ao máximo possível as termoeléctricas, sobra o sol, o vento e a água.
Como nem sempre há sol, nem sempre há vento, logo, as barragens são imprescindíveis. 

Mais, se prevemos e queremos a mobilidade elétrica – os consumos de electricidade vão aumentar bastante e serão as barragens com tecnologia reversível que serão as reservas energéticas. E, inclusivamente, consumam a energia em excesso que é gerada nas eólicas quando estamos a dormir e quase não gastamos electricidade.

Portanto, o discurso anti barragens é, quanto a mim, inconsequente e perigoso – é, nalguns casos, subsidiado pelos donos da energia nuclear.

Evidentemente que associado às barragens exigimos água de qualidade, sempre (Castelo de Bode é um bom exemplo). Também, quase sempre, estão associadas dinâmicas geradoras de economias locais e, consequentemente, fixadoras de população (O rio Douro é um exemplo, como é Montargil, ou o Alqueva).

II

AÇUDE EM ABRANTES E BARREIRA ARTEFICIAL NA CENTRAL

 

Lembrar que o açude não é uma escolha, o açude foi uma escolha; o açude existe! Se deveria existir ou não é outra conversa. Na altura não nos revíamos naquela “prioridade”.  Mas o Nelson também dizia: mas a EU dás-nos dinheiro para fazer o açude, mas não nos dá dinheiro para fazermos ETAR.

Sabemos que foi um equipamento caro e, supostamente, de manutenção cara. Por isso é preciso saber do que estamos a falar – se é incomportável em termos financeiros, deve assumir-se o problema dessa forma.  Mas ser-se contra o açude atestando-lhe culpas que ele não tem, isso não é admissível: os peixes não morreram nem morrem por causa do açude, as areias e os sedimentos não deixam de ir para o mar devido ao açude.  O açude até tem mais uma função importante de oxigenação da água e assim permitir que vejamos a tal espuma – quase sempre sinónimo de água poluída.
Dizendo que o açude é o responsável pelas desgraças é estar a ilibar a Câmara Municipal pela má manutenção e ainda pior condução da estrutura; ter uma campanha contra o açude é a melhor forma de pôr gente a vandalizar uma estrutura cara, que pertence aos munícipes e que são eles a pagar a conta. Aos políticos exige-se responsabilidade na defesa da coisa pública.

Também pelo anteriormente exposto fica claro que uma reserva de água – mesmo pequena – tem muitas vantagens. No caso de Abrantes, antes da construção do açude tínhamos situações em que durante meses se passava o rio a pé. Com o açude e o respectivo espelho de água a população passou a desfrutar mais o Tejo, dinamizou o desporto (uma atleta olímpica), a economia, o lazer. 

III

SOBRE O TRAVESSÃO DA PEGOP

 

Sempre existiu desde que existe central. Nunca ninguém refilou com o travessão e quase ninguém sabia da sua existência. Os pescadores sabiam e gostavam – pois, por ser uma parte mais funda era onde se apanhavam os peixes grandes.

O travessão deu nas vistas devido à sua recuperação totalmente descabida e abusiva. As autoridades tomaram conta do abuso e a obra far-se-á sem problemas de maior – ou seja, como estava há 25 anos atrás. Como está agora devido ao gingantismo e percolação não serve a ninguém.

Devemos fazer uma campanha contra o travessão? Não!!! 

O açude – desde que cumpra a regras (permita a transposição de peixes e embarcações – não cria problema nenhum, antes pelo contrário. Num rio em que grande parte do tempo vai quase sem água e que sofre atentados incríveis ao nível da irregularidade dos caudais, ter aquela massa de água estável é um benefício a todos os níveis. Ainda por cima sem custos para o erário público.

Lembrar que a Central do Pego rejeita água com mais cinco graus do que a que capta. Se não houver uma massa de água razoável, esse aumento de temperatura na água e nas margens pode provocar alterações na biodiversidade.

Ter uma luta contra o travessão até pode dar uns votos dos desentendidos e más línguas, mas paga-se em credibilidade. De resto deve exigir-se obras que cumpram os pressupostos do licenciamento.

IV

AQUAPOLIS

 

Há duas componentes completamente separadas e que o pessoal mistura: Uma é o objectivo -  de nível político -; a outra é do nível da funcionalidade e arquitectura - mais ou menos técnica.

O Bloco sempre foi a favor e continua a ser – em todo o lado – que os rios sejam devolvidos à comunidade. Porque os rios são fonte de fruição – não consumista – e porque as pessoas, ao estarem próximas do rio, o vigiam e se tornam exigentes na sua defesa.
Nessa perspetiva  só podemos ser a favor do Aquapolis ou outra qualquer designação que lhe queiram atribuir. 

Sobre a arquitectura, funcionalidade e se cumpre os objectivos, é outra discussão. Eu pessoalmente não gosto daquilo por aí além. Vi coisas por esse mundo fora, muito mais bonitas e muito mais funcionais. Agora, sobre o que é bonito ou funcional cada um terá uma opinião diferente (como costuma dizer-se, a arquitectura não se referenda). 

Eu fui de boleia com o Albano, à inauguração daquilo. Ele apontou montes de coisas que não gostava e era do PS. Se viesse outro arquitecto diria outras e cada pessoa apresentará outras.

Evidentemente que há erros crassos: colocar um anfiteatro “debaixo” da ponte rodoviária, não lembra a ninguém - mas o arquitecto fez e o Nelson aceitou -; colocar espécie de árvores que trazem as raízes à superfície – e que destroem as máquinas de cortar relva e levantam o cimento, não lembra a ninguém – mas o arquitecto fez e o Nelson aceitou; não ter árvores a fazer sombra aos pesqueiros e passeios junto à água é uma vergonha; e mais uma carrada de coisas.

Também o objectivo de levar pessoas está a ser cumprido? Vão pessoas, mas será que podem e devem ir mais? Toda a gente vai para lá de carro, será que seria esse o objectivo?

Por isso sempre defendemos e continuo a defender que recuperar a Rua da Barca – que liga o centro da cidade ao Tejo – é algo fundamental e estruturante desse objectivo inicial que é devolver o rio à cidade.

----------------------------

(*) militante de Abrantes do BE e ex-candidato a presidente da câmara de Abrantes pelo BE

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sábado, 29.07.17

Com Carolina Mendes, a nossa goleadora

IMG_20170728_231943_435.jpg

Na época de 2003/04, era presidente do Eléctrico FC quando Carolina Mendes, alentejana de 16 anos, iniciou a sua brilhante carreira na equipa feminina de futebol sénior do Eléctrico FC.

Saltava aos olhos de quem a via jogar que não só era um dos melhores futebolistas da história do Eléctrico FC, clube de Ponte de Sor e, na altura, o maior clube do Alto Alentejo, como também que se tratava de uma fora de série.

Parabéns, Carolina! Tenho um grande orgulho de ter sido presidente do clube onde iniciaste a tua brilhante carreira de futebolista de elite.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sexta-feira, 28.07.17

Carta ao senhor presidente da câmara (15-01-2009)

Recordar uma carta escrita em 15 de Janeiro de 2009 ao presidente da câmara de Abrantes da altura para que o leitor possa avaliar da sua actualidade

----------------------------------------------------------------------------------------------  

Eurico Heitor Consciência

Eurico-Consciencia 1.jpg

Acredite ou não, vou parar de fazer crónicas de maldizer. Aproxima-se o tempo de mostrar o cadastro ao S. Pedro e convirá começar a enganá-lo, apagando os meus defeitos e exaltando alguma virtude que não garanto que tenha ou tenha tido mas tentarei descobrir.

Por isso, recomendo-lhe prudência no julgamento que faça do facto de estar a tratá-lo por caro, sabendo-se que caro nasceu do latim carus, querendo dizer estimado ou querido, mas que, com o decorrer dos anos, ganhou o significado de coisa de preço elevado, de coisa que exige grande despesa.

Há-de Você (permita-me a informalidade do Você democrático, tão democrático!), há-de Você, caro Presidente, ponderar se, quando o trato por caro, estou a lembrar-me de que um Presidente da Câmara é coisa realmente cara, “coisa que exige grande despesa” ou se estou a tratá-lo amistosamente. Pondere pois.

A função desta carta já se vai ver que é a de lhe meter a modos que uma cunha, que é coisa de que Você deve ter um treino enorme. Mas como sou contra as cunhas (veja lá Você, sou um dos últimos cidadãos que entendem que os lugares devem ser dos mais competentes e não dos por serem do Partido ou dos que têm melhores cunhas), como sou contra as cunhas, faço questão de tornar públicas as razões que me levaram a quebrar tão severos quão desusados princípios – para, finalmente, lhe meter também uma cunha.

O objectivo já Você (não se zangue com a insistência, mas estou a treinar-me para adoptar as principais regras dos Socialistas: acabe-se com Vossas Excelências, omitam-se Vossas Senhorias, ponham-se de lado os Senhores (e não se desenterre o Vossa Mercê, que, de resto, deu o democrático Você: Vossa Mercê > Vocemecê > Você), bana-se de vez quanto esteve antes do Você e sejamos todos Vocês antes de sermos todos tus); como estava dizendo, o objectivo da minha cunha já Você sabe que só pode ser sobre os buracos das ruas por onde transito.

E faço um parêntese para dizer que Você, caro Presidente, tem tapado muitos buracos e tem pavimentado e repavimentado muitas ruas. Sobretudo nos anos das eleições. Recentemente, quando o Correio da Manhã descreveu a sua casa como se fosse uma daquelas mansões em que vivem estrelas de Hollywood ou grandes gangsters, fui espreitar a sua casa (que, por fora, diga-se, é francamente bonita) e reparei que na sua rua não há buracos.

E não pude deixar de recordar a surpreendente pavimentação daquela rua do Fojo onde mora o que foi seu braço direito nas obras durante longos anos: o simpático Engº Júlio Bento, que, sempre a sorrir, construiu uma reputação, sendo hoje Director d’uma empresa integrada num dos maiores grupos económicos deste País. E digo “surpreendente pavimentação” não porque a rua do Vereador das Obras não precisasse de ser arranjada mas porque foi a única que nesse tempo se pavimentou – coisa que, obviamente, gerou as críticas do costume: são todos iguais, mudam-se as moscas, mas a merda é a mesma, cada um puxa a brasa à sua sardinha, quem está à roda do lume é que se aquece, etc., etc., etc.

Foi preciso coragem. Parabéns aos dois: ao Júlio e a si. Pois, conhecendo as ruas desta cidade, digo-lhe que as piores de todas, as que não são arranjadas há muitos anos, são as ruas por onde tenho que passar todos os dias: a Avenida António A. da Silva Martins, no Rossio, e a Rua do mesmo nome na Arrifana – que são, por sinal, a única entrada de Abrantes do lado Sul, sendo atravessadas por milhares de automóveis por dia. São buracos, tampas de esgoto desalinhadas e desniveladas, covas, lombas, remendos, etc., etc., etc. E dão cabo dos carros que lá passam.

Você, caro Presidente, navegando há tantos anos em carros da Câmara, pagos pelos seus contribuintes, já se esqueceu de quanto custa pagar um carrinho à maior parte das pessoas. E há muitos, muitos anos, que não paga a manutenção dos BMW da Câmara com que se compraz. Digo-lhe eu que dói: os carros são caros e os juros usurários, os pneus são caros e as suspensões também. Tudo caro, muito caro, caro Presidente.

Começo a ficar desesperado. Tão desesperado que, só para se repavimentarem os caminhos por onde tenho que passar, estou disposto a sacrificar-me, a imolar-me até: disponibilizo-me para ser seu Vereador das Obras, prontificando-me a livrar o VPC desses trabalhos, com uma benesse evidente para todos os abrantinos: ficamos livres desse inenarrável VPC. A comunidade, caro Presidente, ficará agradecida e há-de louvá-lo pela sua “abertura ao exterior do PS”. E eu ganharei ruas decentes. Você vai ver, caro Presidente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sexta-feira, 28.07.17

Estranha forma de fazer política

Rezou para que viesse o Diabo e agora entrou em delírio perante o inferno em que o país está transformado.

.facebook_1501231327574.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quarta-feira, 26.07.17

A natureza da representação política

Edmund Burke - 1780

edmund-burke-1.jpg

A glória e a felicidade de um representante devem consistir em viver em estreita união, na mais estreita correspondência e na mais franca comunicação com os seus eleitores.

É seu dever sacrificar o seu repouso, o seu prazer, as suas satisfações às deles e, acima de tudo, sempre e em qualquer caso, preferir o interesse deles ao seu.

Mas não deve sacrificar-vos a sua opinião isenta, o seu juízo maduro, a sua consciência esclarecida; nem a vós, nem a homem nenhum, nem a nenhum grupo de homens existente.

O vosso representante deve-vos, não apenas a sua diligência, mas o seu discernimento, e trai-vos, em vez de vos servir, se o sacrificar à vossa opinião.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Terça-feira, 25.07.17

O que mudou entre 1996 e 2016

1996 - 2016.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

Domingo, 23.07.17

As Comissões de Honra que de honra, em regra, só têm o nome

A dois meses das eleições autárquicas é altura de recordar um texto que escrevi há 4 anos sobre a composição das Comissões de "Honra" ("Honra", neste caso, é uma força de expressão) de apoio aos senhores presidentes da câmara.

-----------------------------------------------------------------------------------------

Padre António Vieira.jpg

Quando olho para as comissões de honra dos nossos presidentes de câmara, a que o Laboratório de Ideias do PS agora rebaptizou por comissões autárquicas para a cidadana (não há como o Laboratório de Ideias do PS para inventar novos nomes para as mesmas coisas), vem-me sempre à memória aquela parte do Sermão de Santo António aos Peixes em que Padre António Vieira critica os “pegadores”.

Vale a pena reler, mais que não seja para constatar a actualidade do Sermão e a verticalidade do Padre António Vieira que, ao contrário dos socialistas, gostou sempre de chamar os bois pelo nome.

A sua leitura não deixa, no entanto, de ser deprimente por se constatar que, quatro séculos depois, o número de pegadores não só não diminuiu como se reproduz como lombrigas, o que explica bem o colapso actual de Portugal, a todos os níveis.

Será que os portugueses não sabem ler ou está-lhes mesmo na massa do sangue? Ou seja, será defeito ou feitio?
 

«(…) Nesta viagem, de que fiz menção, e em todas as que passei a Linha Equinocial, vi debaixo dela o que muitas vezes tinha visto e notado nos homens, e me admirou que se houvesse estendido esta ronha e pegado também aos peixes. Pegadores se chamam estes de que agora falo, e com grande propriedade, porque sendo pequenos, não só se chegam a outros maiores, mas de tal sorte se lhes pegam aos costados. que jamais os desferram. De alguns animais de menos força e indústria se conta que vão seguindo de longe aos leões na caça, para se sustentarem do que a eles sobeja. O mesmo fazem estes pegadores, tão seguros ao perto como aqueles ao longe; porque o peixe grande não pode dobrar a cabeça, nem voltar a boca sobre os que traz às costas, e assim lhes sustenta o peso e mais a fome.

Este modo de vida, mais astuto que generoso, se acaso se passou e pegou de um elemento a outro, sem dúvida que o aprenderam os peixes do alto, depois que os nossos Portugueses o navegaram; porque não parte vice-rei ou governador para as Conquistas, que não vá rodeado de pegadores, os quais se arrimam a eles, para que cá lhes matem a fome, de que lá não tinham remédio. Os menos ignorantes, desenganados da experiência, despegam-se e buscam a vida por outra via; mas os que se deixam estar pegados à mercê e fortuna dos maiores, vem-lhes a suceder no fim o que aos pegadores do mar.

Rodeia a nau o tubarão nas calmarias da Linha com os seus pegadores às costas, tão cerzidos com a pele, que mais parecem remendos ou manchas naturais, que os hóspedes ou companheiros. Lançam-lhe um anzol de cadeia com a ração de quatro soldados, arremessa-se furiosamente à presa, engole tudo de um bocado, e fica preso. Corre meia companha a alá-lo acima, bate fortemente o convés com os últimos arrancos; enfim, morre o tubarão, e morrem com ele os pegadores.

Parece-me que estou ouvindo a S. Mateus, sem ser apóstolo pescador, descrevendo isto mesmo na terra. Morto Herodes, diz o Evangelista, apareceu o Anjo a José no Egipto, e disse-lhe que já se podia tornar para a pátria, porque «eram mortos todos aqueles que queriam tirar a vida ao Menino»: Defuncti sunt enim qui quaerebant animam Pueri. Os que queriam tirar a vida a Cristo menino, eram Herodes e todos os seus, toda a sua família, todos os seus aderentes, todos os que seguiam e pendiam da sua fortuna. Pois é possível que todos estes morressem juntamente com Herodes?! Sim: porque em morrendo o tubarão, morrem também com ele os pegadores: Defuncto Herode, defuncti sunt qui quaerebant animam Pueri.

Eis aqui, peixinhos ignorantes e miseráveis, quão errado e enganoso é este modo de vida que escolhestes. Tomai o exemplo nos homens, pois eles o não tomam em vós, nem seguem, como deveram, o de Santo António.

Deus também tem os seus pegadores. Um destes era David, que dizia: Mihi autem adhaerere Deo bonum est. Peguem-se outros aos grandes da terra, que «eu só me quero pegar a Deus». Assim o fez também Santo António; e senão, olhai para o mesmo Santo, e vede como está pegado com Cristo e Cristo com ele. Verdadeiramente se pode duvidar qual dos dois é ali o pegador: e parece que é Cristo, porque o menor é sempre o que se pega ao maior, e o Senhor fez-se tão pequenino, para se pegar a António. Mas António também se fez menor, para se pegar mais a Deus. Daqui se segue, que todos os que se pegam a Deus, que é imortal, seguros estão de morrer como os outros pegadores. E tão seguros, que ainda no caso em que Deus se fez homem e morreu, só morreu para que não morressem todos os que se pegassem a ele: Si ego me quaeritis, sinite hos abire. «Se me buscais a mim, deixai ir a estes.» E posto que deste modo só se podem pegar os homens, e vós, meus peixezinhos, não, ao menos devereis imitar aos outros animais do ar e da terra, que quando se chegam aos grandes e se amparam do seu poder, não se pegam de tal sorte que morram juntamente com eles. Lá diz a Escritura daquela famosa árvore, em que era significado o grande Nabucodonosor, que todas as aves do céu descansavam sobre os seus ramos e todos os animais da terra se recolhiam à sua sombra, e uns e outros se sustentavam de seus frutos: mas também diz que, tanto que foi cortada esta árvore, as aves voaram e os outros animais fugiram. Chegai-vos embora aos grandes; mas não de tal maneira pegados, que vos mateis por eles, nem morrais com eles.

Considerai, pegadores vivos, como morreram os outros que se pegaram àquele peixe grande, e porquê. O tubarão morreu porque comeu, e eles morreram pelo que não comeram. Pode haver maior ignorância que morrer pela fome e boca alheia? Que morra o tubarão porque comeu, matou-o a sua gula; mas que morra o pegador pelo que não comeu, é a maior desgraça que se pode imaginar! Não cuidei que também nos peixes havia pecado original. Nós os homens, fomos tão desgraçados, que outrem comeu e nós o pagamos. Toda a nossa morte teve princípio na gulodice de Adão e Eva; e que hajamos de morrer pelo que outrem comeu, grande desgraça! Mas nós lavamo-nos desta desgraça com uma pouca de água, e vós não vos podeis lavar da vossa ignorância com quanta água tem o mar. (…)»

Padre António Vieira, in “Sermão de Santo António aos Peixes”

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sábado, 22.07.17

Um abraço aos meus amigos de Rio de Moinhos

MOVIMENTO INDEPENDENTE DA FREGUESIA DE RIO DE MOINHOS

Uma lista sem cores partidárias mas que vê o mundo a cores.

JIFRM.jpg

Não podem contar com o meu voto porque eu não voto. Já que deixei de ser cidadão de facto, deixei de ser cidadão de direito. Mas contam sempre com o meu apoio porque são gente boa. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sexta-feira, 21.07.17

As lombrigas

Santana-Maia Leonardo - A Barca 28-7-2013

0 SM 1.jpg

Quanto mais porca for a política, mais atraente se torna para as lombrigas. É precisamente essa a razão por que os partidos do sistema estão hoje infestados de lombrigas. Ou seja, desses parasitas de marca branca, pequeninos, moles, viscosos e escorregadios, que necessitam de um hospedeiro para viver e que mudam de hospedeiro com muita facilidade.

Já repararam que, quanto mais suspeitas de corrupção incidem sobre um autarca ou um governante, mais votos o seu partido tem?  E sabem porquê?  Porque as lombrigas têm direito a voto, reproduzem-se com extrema facilidade no meio da porcaria e ainda têm o condão de afastar das mesas de voto e dos partidos políticos aquelas pessoas que Sá de Miranda tão bem definiu: “Homem de um só parecer, d'um só rosto, uma só fé, d'antes quebrar, que torcer”. 

Mas os partidos do sistema que não pensem que podem sobreviver muito tempo infestados de lombrigas… Não façam a desparasitação rapidamente e vão ver o que lhes sucede. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quinta-feira, 20.07.17

O racismo e a xenofobia de esquerda (ou será apenas hipocrisia)

Ciganos.jpg

Entrevista de Paulo Barriga - Diário do Alentejo de 18/7/2014

A última reunião do executivo municipal de Vidigueira foi abrupta e violentamente interrompida por elementos da comunidade cigana. Não foi a primeira vez que tal aconteceu. Nem a primeira vez que o presidente, os vereadores e os funcionários foram ameaçados de morte. Um verdadeiro clima de cortar à faca que se agravou, há coisa de um mês, com a demolição do Parque de Estágio, após uma batalha campal entre ciganos. Manuel Narra, presidente da autarquia, fala de uma “guerra aberta” entre as duas famílias ciganas de Vidigueira, em cujo seio estão identificados elementos que são responsáveis pelo grosso da criminalidade registada no concelho. Numa entrevista muito longe do politicamente correto, Manuel Narra aborda abertamente um problema transversal a quase todas as localidades do Alentejo. E diz que, neste caso, não irá ceder a chantagens, nem a qualquer tipo de pressão.

Diário do Alentejo - O que aconteceu de facto com as famílias ciganas do Parque de Estágio de Vidigueira? 

Manuel Narra - As famílias ciganas tiveram uma desavença. Trocaram tiros entre si e os vizinhos é que tiveram que socorrer as crianças e os feridos. E depois desapareceram, pura e simplesmente. Quando chegámos ao local não se encontrava lá nada nem ninguém, apenas destruição. A primeira família que fugiu debaixo de tiros foi a família Azul, a família Cabeças entrou-lhes dentro das casas e destruiu-lhes tudo, as mobílias, os eletrodomésticos, os LCD, como represália pela entrada dos Azuis dentro do Parque de Estágio, onde agrediram os Cabeças, partiram--lhes as viaturas e os seus pertences, portas e janelas, mobiliário… Sobre aquele terreno pendia uma ordem da Inspeção Geral de Finanças que, por hipotéticas construções ilegais, exigia a reposição da legalidade urbanística do espaço.

Diário do Alentejo - Como assim? 

Manuel Narra - Segundo os pareceres da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo e a informação da Inspeção Geral das Finanças, não era possível legalizar aquele espaço porque está numa zona silvo-pastoril. Segundo o nosso PDM, só era possível haver ali construções para o agricultor proprietário e não outro tipo de habitações.

Diário do Alentejo - Os acontecimentos precipitaram a demolição… 

Manuel Narra - Perante o facto da destruição e perante tudo aquilo que foi o comportamento indigno destas famílias face ao investimento que a Câmara Municipal ali tinha feito, face ao desrespeito pelo regulamento daquele espaço, onde estavam definidas um conjunto de obrigações a cumprir, não nos restou outro caminho que não repor a legalidade urbanística conforme o exigido pela Inspeção Geral de Finanças. De salientar que todas as famílias assinaram um documento onde se comprometiam a manter o local em condições…

Diário do Alentejo - O que, suponho, não terá acontecido… 

Manuel Narra - Estava tudo completamente destruído! Quando entrámos lá dentro, acompanhados pela GNR, foi tudo registado fotograficamente. Se chegarmos a qualquer instância poderemos provar claramente o estado de degradação em que aquelas famílias deixaram um investimento público.

Diário do Alentejo - Estes conflitos entre as famílias ciganas de Vidigueira são recentes? 

Manuel Narra - Não! Apenas uma família é tradicional de Vidigueira, os Cabeças. A família dos Azuis provém do concelho de Portel. Instalou-se aqui há alguns anos e tem vindo a manter um permanente conflito com os Cabeças. Não foi a primeira vez que houve tiros. Já quando estavam na zona do castelo, os vizinhos queixavam-se várias vezes dos tiroteios que ali ocorriam. Pensamos nós que estarão ligados a todos aqueles negócios que estas duas famílias vinham a praticar aqui no concelho. 

Diário do Alentejo - Já afirmou publicamente que se tratavam de negócios de tráfico de droga. Falamos, então, de famílias concorrentes nesse tipo de atividade ilícita?

Manuel Narra - Penso que não eram concorrentes. Antes, alguns desses elementos, não quero classificar toda a comunidade dentro do mesmo chapéu, até eram companheiros desses negócios. Basta seguir os processos que estão em tribunal, para se perceber claramente que tipo de negócios se estavam ali a registar. 

Diário do Alentejo - Está a falar essencialmente em tráfico de droga? 

Manuel Narra - O acampamento esteve durante muito tempo sob vigilância policial. Para acabar com o flagelo, as forças de segurança pediram auxílio à câmara municipal que adquiriu equipamentos de vídeovigilância. Materiais que foram disponibilizados para que se pudessem recolher imagens que permitissem em tribunal servir de prova e para que os elementos infratores pudessem ser punidos. Eu mesmo cheguei a ver imagens de como era transportada a droga… Tudo isso, segundo me disseram, foi apresentado junto com os processos que correm nos tribunais. Mas o certo é que eles continuam em liberdade e continuam a fazer tudo aquilo que muito bem entendem. 

Diário do Alentejo - Está a afirmar que os ciganos são os principias responsáveis pela criminalidade no concelho? 

Manuel Narra - Basta perguntar às autoridades quantas ocorrências houve desde o dia em que aquele parque foi destruído em matéria de queixas de proprietários, de coisas roubadas, de ferro desaparecido, de cobre desaparecido, de sistemas de rega destruídos, de bombas de poços completamente destruídas para roubarem o cobre… Faça-se uma análise desde esse dia para trás e desse dia para a frente, para todos terem uma noção. Estou apenas a constatar aquilo que muitos dos defensores destas comunidades chamarão, de forma pomposa, “coincidências”. Eu chamo-lhe constatações. Existem as forças da autoridade e as forças judiciais para provarem e para poderem condenar quem tiver que ser condenado. Agora o que não podemos aceitar é que um conjunto de entidades neste País consegue fazer a apologia de que o cigano é equivalente ao coitadinho. Há bons e maus em todo o lado. Há gente desta comunidade que quer ser integrada. Mas estão completamente aterrorizados e sob o jugo destes capangas que pela força das armas os obrigam a ter que seguir outro tipo de caminho.

Diário do Alentejo - Quer dizer que existem líderes violentos e marginais que aterrorizam esta comunidade que até podia facilmente ser integra no tecido social do concelho? 

Manuel Narra - Sim! Nós sabemos quem são e as autoridades também os conhecem. Os cabecilhas destes grupos estão perfeitamente referenciados. Tínhamos uma família do clã dos Cabeças perfeitamente integrada, já estava instalada na malha urbana, já cumpria com todas as suas obrigações consoante o resto da comunidade cumpre, com as suas dificuldades, porque são pessoas carenciadas, com os apoios da câmara que estão em programas destinados aos carenciados, pagavam a renda, pagavam a água, pagavam a luz, e essa família foi obrigada a fugir, ameaçada de morte. E não volta. Por isso, há uma perfeita coação de uma família sobre a outra…

Diário do Alentejo - Em relação a estas pessoas que agora ficaram desalojadas, a autarquia tem algum plano alternativo para as reintegrar? 

Manuel Narra - Não sei se haverá algum plano que possa ser aplicado a quem fugiu e não vai regressar porque tem medo de represálias. Não consigo chegar ao pé de uma família, por exemplo aquela que já estava realojada, e convence-la a voltar para a sua casa. Em primeiro lugar, não temos capacidade para lhe garantir a segurança e, em segundo lugar, não vêm porque têm medo de ser mortos pelos outros que os ameaçaram. Por isso o problema é muito mais complexo do que um simples realojamento. 

Diário do Alentejo - Estamos perante uma guerra total, aberta, entre estas famílias? 

Manuel Narra - Podemos dizer que sim, caso contrário teriam regressado e não regressam. A família dos Cabeças foi quem feriu o outro elemento, mas foi a família que primeiramente foi agredida, segundo os relatos dos próprios intervenientes. Certo é que essa família foi pura e simplesmente escorraçada e essa é a família tradicional de Vidigueira. Tenho muitas dúvidas que nos próximos tempos alargados tenham a coragem de voltar à Vidigueira pelas ameaças que sofreram.

Diário do Alentejo - Também tem sofrido ameaças por parte dos ciganos, principalmente depois de tomar medidas tão radicais como esta? 

Manuel Narra - Sim, ameaças de morte não só dirigidas a mim, como aos meus vereadores, aos funcionários… Alguns desses elementos entraram na câmara, como aconteceu na última reunião do executivo, e ameaçarem os funcionários de irem buscar as armas e de indiscriminadamente começarem a disparar cá dentro.

Diário do Alentejo - Já aconteceram disparos nas instalações da câmara? 

Manuel Narra - Não aconteceram e eu espero que não venham a acontecer. Porque então teremos um problema muito mais grave. O que sucede é que não há um regular funcionamento da câmara municipal quando muitas vezes temos que ter proteção policial à porta. Não é lógico, nem aceitável, que reuniões de câmara sejam interrompidas porque elementos destes entram por aqui a dentro dando murros e pontapés nas portas e ameaçando tudo de morte. É claro que o município já deu conta dessas ocorrências às próprias forças de segurança. Iremos tomar medidas necessárias para proteção de toda a gente que trabalha dentro desta câmara. E se tivermos que contratar segurança permanente para estar aqui, naturalmente que o faremos. 

Diário do Alentejo - Não teme que as coisas se possam precipitar? 

Manuel Narra - Não iremos ceder a qualquer tipo de pressão ou de chantagem. Este município deu tudo aquilo que entendeu necessário para que estas famílias, de forma progressiva, pudessem ser integradas dentro da comunidade. Quem violou o regulamento dos sítios que habitavam foram as duas famílias, quem destruiu bens públicos foram estas famílias, quem não respeitou a própria câmara municipal foram eles. Muitas vezes, algumas organizações que existem neste nosso país acham que o município tem a obrigação de dar tudo e de mais alguma coisa aos ciganos. O município nunca fugirá às suas responsabilidades, mas tratará todos sempre de igual forma. Porque hoje também há famílias não ciganas que perdem as suas casas porque não têm dinheiro para pagar aos bancos, não têm empregos, precisam de apoio e não têm comportamentos iguais a esta comunidade. 

Diário do Alentejo - São culturas diferentes… 

Manuel Narra - Esta comunidade já percebeu, não só em Vidigueira mas em todo o País, que quanto mais pressionarem e coagirem as entidades, mais acabam por receber tudo aquilo que querem. Já perceberam os furos que existem no sistema, já perceberam como é que se aproveitam dos dinheiros públicos, já perceberam como é que pressionam os técnicos que têm que dar pareceres sobre determinadas coisas de forma a obterem aquilo que querem: dinheiro sem fazer nada. Este foi o primeiro município do Baixo Alentejo a ter um mediador cigano aqui a trabalhar. É um dos principais implicados no tráfico de droga no processo que decorre no tribunal. Por isso, quando se tenta tudo e aquilo que se recebe é isto, a nossa vontade de continuarmos num caminho de integração cada vez vai sendo mais ténue.

Diário do Alentejo - Há entidades oficiais que consideram racistas estas atitudes da autarquia… 

Manuel Narra - Depois de fazer comunicados a dizer que está muito preocupado com a situação, de declarar quase o estado de calamidade, o Alto-‑Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas contacta o município a convidar o presidente para ir a Lisboa a uma reunião, porque ele não tem motorista para se deslocar ao Alentejo… É porque este caso não tem importância nenhuma.

Diário do Alentejo - E qual é o sentimento da população de Vidigueira? 

Manuel Narra - A população está aliviada. Não há nenhum sentimento racista da população de Vidigueira. Se calhar, há um desencanto em relação à forma como a justiça neste país é aplicada e à ineficácia dos próprios tribunais na condenação daqueles que realmente são culpados. O que faz com que esta comunidade, e não só, vá criando ao longo do tempo um sentimento de impunidade onde tudo lhe é permitido e então avançam com estas tentativas de ameaças e de coação para imporem a sua vontade. As pessoas sentem algum alívio por esta comunidade se ter deslocado para outros lados, sabendo de antemão que o problema não está resolvido. Quero dar nota, por outro lado, que o município estará sempre disponível para acolher famílias que queiram ser integradas. Mas todos aqueles que neste momento estão indiciados por todos aqueles crimes que constam dos vários processos não têm lugar junto da nossa comunidade.      

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quinta-feira, 20.07.17

Obrigado, Éder!

Num tempo em que a intolerância dá sinais de querer emergir no nosso país, é importante recordar quem nos deu a vitória no Europeu.

--------------------------------------------------------------

Éder.jpg

Agora que terminou o Europeu e os portugueses se preparam para regressar às suas tão interessantes conversas de café, era bom que cada um de nós, antes de abrir a boca na defesa de teorias sociológicas de meia-tigela, não se esquecesse de uma coisa:

o mais importante golo da história do futebol português foi marcado por um preto, nascido na Guiné, filho de pais guineenses, criado desde os cinco anos de idade numa instituição, cujo pai está a cumprir pena de prisão por homicídio e que não jogou em nenhum clube de Lisboa e Porto (nem no Benfica, nem no Sporting, nem no Porto).

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quarta-feira, 19.07.17

Dois tipos de ladrões: o eleito e o eleitor

.facebook_1500260706080.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

Segunda-feira, 17.07.17

As bufas

Santana-Maia Leonardo - Rede Regional de 18-7-2017

0 SM 1.jpg

"No tempo da outra senhora, sempre disse o que me apeteceu e nunca fui perseguido pela PIDE e agora, se disser o que penso, sou perseguido". Já, por diversas vezes, ouvi este argumento com que se pretende demonstrar que hoje existe menos liberdade de expressão do que antes do 25 de Abril. E, de certa forma, o argumento tem fundamento uma vez que Salazar nunca perseguiu aqueles cujas opiniões eram politicamente correctas para o regime.

O que distingue uma ditadura de uma democracia liberal é precisamente o direito de cada um de nós poder expressar ideias e opiniões politicamente incorrectas e que, inclusive, colidem com os valores em que se funda o próprio regime. 

Vem isto a propósito da notícia das duas médicas que querem apresentar queixa contra Gentil Martins pelas suas opiniões politicamente incorrectas. Pelos vistos, a nossa democracia não só continua a fazer uso da mordaça herdada do tempo do fascismo para silenciar os hereges que põem em causa a verdade revelada pela Congregação da Fé como passou agora a contar, por força da igualdade do género, também com as bufas. As bufas, verdade se diga, não diferem em nada dos bufos do antigamente, apenas têm um cheiro mais acentuado pelo facto de vivermos em democracia. E não deixa de ser curioso constatar que, enquanto Adriano Moreira foi ministro no tempo dos bufos, a sua filha é deputada no tempo das bufas.

Pessoalmente detesto bufos e bufas. E, entre uns e outras, sempre prefiro, sem qualquer sombra de dúvida, o peido altivo e sonoro com que Salvador Sobral prometeu brindar a turba e que tanto indignou as redes sociais. Na altura, também me indignei porque não gosto de gente que promete e não cumpre. Mas hoje compreendo perfeitamente por que razão Salvador Sobral se encolheu e, no último momento, decidiu fechar as comportas. É que um país de bufas não vale um peido...  

Autoria e outros dados (tags, etc)

Domingo, 16.07.17

Os Predadores

Os predadores.jpg

Se está interessado em saber como se conquista e mantém o poder em Portugal, aconselho-o a ler este livro.

Trata-se de um trabalho jornalístico de investigação sobre os dois maiores partidos portugueses, com base em depoimentos e casos reais, dando-nos a conhecer como são construídas as relações de poder dentro de cada partido num esquema de pirâmide, onde apenas consegue triunfar gente pouco escrupulosa e onde as autarquias desempenham um papel essencial.

Depois de ler este livro, vai perceber por que razão temos sido governandos, nos últimos trinta anos, por verdadeiras associações de malfeitores e por que razão é praticamente impossível livrarmo-nos desta gente: o sistema está blindado.

E não adianta fantasiar com reformas eleitorais importadas directamente do norte da Europa, sejam os círculos uninominais, seja o voto preferencial, porque a terra portuguesa não é boa para este tipo de culturas que apenas se dá em terras onde o povo não vive de cócoras, pensa pela sua cabeça, ama a liberdade, o rigor, a transparência e a democracia.

Em Portugal, os cículos uninominais e o voto preferencial apenas vão reforçar ainda mais o poder dos caciques.

--------------------------------------------------------------

António José de Almeida (1910)

"O caciquismo não é acessório ao regime. É o próprio regime."

Vitor Matos

(autor do livro "Os Predadores" - 2015)

"Por que razão há milhares de pessoas que votam - que aceitam votar - num candidato partidário indicado pelo seu "cabo eleitoral" e não o fazem segundo a sua consciência, nem mesmo no segredo da cabina de voto? "

Eis o Mistério de Portugal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 1/2



Perfil

3.jpg



Visitantes


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Quimeras


Alma, Eléctrico!


Livros

Capa - 3ª Edição.jpg

Capa - Frente.jpg

Capa Bocage.jpg 

Capa.jpg 

Eléctrico - Um Clube com Alma.jpg

Mistério Sant Quat (I).jpg


Livros-vídeo


eBooks




calendário

Julho 2017

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D