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COLUNA VERTICAL



Domingo, 04.01.09

FILHOS E ENTEADOS

por António Belém Coelho

 

Não temos qualquer dúvida de que as diversas e diferentes classes sociais e profissionais vão pretendendo vincar os seus anseios e reivindicações mediante acções e/ou movimentos que podem atingir mais ou menos cidadãos. E normalmente é aí que bate o ponto.
 
Quando se efectua uma greve de transportes com grande adesão, é praticamente todo o país que fica por assim dizer, paralisado.
 
Quando se efectua uma greve dos professores, como aconteceu com a última, o sistema educativo paralisou; bem pode o ministério e o Governo chamar-lhe significativa: o único termo é massiva e as consequências, felizmente noticiadas pelos meios de comunicação social que não estão de todo enfeudados ou dependentes do Governo, assim o mostraram.
 
A classe militar, e daqui entendamos, não quero de qualquer modo menorizá-la, tanto que entre alguns dos meus conhecidos e amigos se contam elementos pertencentes às Forças Armadas, goza e efectivamente deve gozar de um estatuto especial, na medida em que, caso a soberania esteja em risco, é sua obrigação e dever dar o corpo ao manifesto. Por isso mesmo é um corpo especial da Função Pública.
 
Logo, esta situação deveria, se o não é, ser contemplada em termos de estatuto remuneratório.
 
Como sabemos, há algum tempo que este estatuto não é revisto, embora tenha sido actualizado nos termos das actualizações da restante Função Pública, pelo menos.
 
Por isso, causou alguma surpresa, para não dizer outra coisa, a intervenção nos meios de comunicação social, radiofónicos e audiovisuais de destacado elemento das Forças Armadas, que já desempenhou papeis de extrema importância quer no seio da Instituição, quer como conselheiro aos mais diversos níveis, no sentido de alertar o poder para o descontentamento reinante na classe e indo mesmo ao extremo de dizer preto no branco, que os militares mais jovens poderiam levar a cabo acções menos pensadas.
 
Entretanto, diga-se de passagem que as reformas previstas para as Forças Armadas têm colhido a desaprovação dos principais chefes militares com uma ou outra excepção que mais não faz que confirmar a regra.
 
O nosso actual Governo, que diz não se guiar por manifestações, ultimatos ou outros fenómenos que tais, aos costumes disse nada.
 
Mas, de um momento para o outro, tira da cartola um aumento de um tal subsídio de condição militar, que qualquer outro trabalhador poderá ter dificuldade em entender, aumentando-o de cerca de 14,5% do vencimento para 20% do vencimento até 2010, para todos os militares, no activo, na reserva ou na reforma.
 
Para já, o aumento agora verificado traduz-se para um oficial em mais 260 euros mensais. Parece que agora os números foram contestados e serão algo menores! Essa contestação surgiu com o sugestivo título “O ministro enganou-se ou deixou-se enganar?
 
Sejam quais forem os números reais, nada temos contra, se a regra fosse equitativa para todos os outros; um quadro médio ou superior do Estado, irá ver o seu salário actualizado em cerca de 2,9%; o que dá aumentos muito inferiores ao agora verificado do referido subsídio.
 
Por outras palavras, o aumento salarial de um quadro médio/superior do estado estará ao nível do aumento do subsídio de um soldado ou cabo!
Não vale a pena dizer mais nada, a não ser que os profissionais das Forças Armadas não têm qualquer culpa; O Governo, esse sim, deveria equacionar e distribuir o pouco que há a distribuir com um mínimo de justiça.
 
Afinal, talvez Mao Tse Tung tenha tido razão quando dizia: “o poder reside na ponta de uma espingarda”.
 
Quem não o faz parece ter um temor desmesurado e infundado quanto aos quartéis que, afinal de contas, são ocupados por cidadãos democraticamente formados, como quaisquer outros.
 
Mas basta qualquer chefia soprar ameaças aos ouvidos governamentais para que se encontre uma qualquer compensação que face a outrem tem efectivamente laivos de injustiça.
 
Chama-se a isto insegurança. E em Democracia, ainda por cima exercida em termos de maioria absoluta, esta insegurança toma a forma de navegação à vista, reagindo ao menor sinal de ameaça que apareça.

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