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COLUNA VERTICAL



Segunda-feira, 02.02.09

EU TAMBÉM TOMO OMEOPRAZOL

 por Manuel Catarino

 

Creio eu que em finais do ano que já lá vai, vi escrito algures que, no nosso país, havia um consumo excessivo de omeoprazol, químico que é um dos produtos prescritos para o tratamento de úlceras e gastrites. Eu também o tomo de há uns anos a esta parte, por causa de umas maleitas parecidas.
Ora, acontece que muitas destas gastrites e úlceras têm a ver com o nervoso e, dizem para aí que é do stress e da nossa sociedade. Verdade verdadinha é que a venda de anti depressivos, calmantes e chás é um negócio do caneco.
Eu cá para mim tenho que, os governantes só nos permitem alguns descontos na saúde, porque reconhecem que são grandes responsáveispor estas doenças. Esses senhores não são despudorados de todo e, bem lá no fundo, ainda têm uns laivos de consciência.
Também tenho para mim que, além dos problemas que afectam a maioria dos portugueses, os mourisquenses têm outras razões que os levam a sofrer destas enfermidades, e não ficaria pasmado, se aqui a taxa destas doenças fosse superior à média nacional.
Senão vejamos…
Uma família de Mouriscas mete-se no seu automóvel, percorre a sede de concelho e vê que, por onde passa, os semáforos funcionam, vê passadeiras de peões junto das escolas e, nas zonas urbanas os edifícios públicos apresentam-se em razoável estado de conservação e as estradas até têm um ar cuidado e sem buracos.
Regressa a Mouriscas pela variante, e dá com dois semáforos que há anos não vêm réstia de electricidade! Claro que não atropela nenhuma criança à saída da escola porque sabe que os pirralhos são capazes de sair disparados do portão que, às vezes até está aberto, para virem buscar a bola à estrada e as crianças jogam à bola uma vez que a Associação de Pais só conseguiu arranjar dinheiro para dois baloiços e a câmara da Abrantes tem mais em que pensar que nos putos de Mouriscas! Ah, e por falar em escola, lembra-se da ESCOLA VELHA, essa, a verdadeira escola, a que está a cair e que o senhor Presidente da Câmara, espertalhão, emprestou a uma associação da terra para a recuperar, e…
Toca de ir à farmácia comprar uns omeoprazóis e uns xanax porque não tinha nada que sair de casa e ver e, muito menos de comparar Mouriscas com outras terras e com a sede de concelho.
Mas houve um dia em que se sentiu mesmo mal do aparelho digestivo, foram dores de cabeça, era o coração aos pulos, foi um problema de deglutição que ainda perdura, e tudo isto aconteceu quando a vereadora da cultura e acção social votou contra o Lar de Mouriscas, porque a terra não evidenciava capacidade económica para cumprir com a sua parte do projecto. Toca de correr para a farmácia, receita reforçada e mais umas pastilhas para a azia.
Mas, de repente a mente ilumina-se-lhe. Todos os meses paga na factura da água uma pipa de massa de coisas que não consome. São taxas de saneamento que não tem e mais um rol de linhas de uns palavrões que não sabe o que são e que quando o papel lhe chega à mão, é azia pela certa. Ah, pois, lembrou-se de pedir aos senhores de Abrantes se também poderia descontar naquela factura pelo menos uma parte dos medicamentos que toma, destes só, do omeoprazol e os dos nervos! É que, se os senhores de Lisboa faziam descontos nos medicamentos e se as suas governações lhe faziam menos mal que as governações de Abrantes, era justo que lhe descontassem também uma percentagem dos medicamentos, mas esses descontos só incidiriam nas tais taxas porque a água, essa, queria pagá-la por inteiro.

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1 comentário

De Carlos a 11.03.2009 às 21:11

Como mourisquense que sou, acho interessante conhecer o seu ponto de vista.
Apenas lamento que preferisse não acabar a frase, decerto depreciativa, acerca do destino da escola velha, instituição que frequentei. Entendo a retórica que quis imprimir ao assunto, mas era de todo o valor explicar o que se passa com tão carismático edifício. Condena a decisão da câmara? O empréstimo não se chegou a concretizar? O edifício está degradado?

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