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COLUNA VERTICAL



Terça-feira, 04.11.08

FREGUESIA DO TRAMAGAL

Tramagal, como todos sabemos mas nunca é de mais recordar, para além de ser a única vila do concelho de Abrantes e a segunda freguesia mais populosa do concelho, com cerca de quatro mil habitantes, é dona de um passado glorioso e de prosperidade, onde se destaca o papel da antiga Metalúrgica Eduardo Duarte Ferreira.

 
Por tudo o que representou, tanto para a freguesia como para o próprio concelho, merecia que Câmara Municipal a tratasse, assim como aos tramagalenses, com maior consideração e respeito.
 
Basta, no entanto, visitar a vila para confirmar, de imediato, aquilo que dizem as estatísticas; menos população e mais envelhecida, mais desemprego e falta de investimento em equipamentos e serviços. Ou seja, não só a vila definha, em vez de crescer e de se renovar, como a principal causa desta morta lenta se deve ao desprezo a que foi votada, nos últimos anos, pela Câmara Municipal de Abrantes, para quem o Tramagal só consta do mapa por questões de matemática eleitoral.
 
Dizer que o seu desenvolvimento e crescimento estão dependentes, exclusivamente, da conclusão da Ponte do IC9 é, obviamente, um insulto à inteligência das pessoas de Tramagal. Até porque seria totalmente incompreensível que a Câmara mantivesse esta freguesia, a segunda mais populosa do concelho, suspensa de incentivos ao seu desenvolvimento, apenas por causa de uma ponte. Aliás, a falta da ponte devia ser, precisamente, uma das razões para a Câmara levar a cabo e promover investimentos na freguesia. Na verdade, a cura para uma doença só tem relevância se não se deixar morrer o doente antes de a cura chegar. Como é óbvio.
 
E a melhor prova disso está aqui mesmo ao nosso lado, no concelho vizinho da Chamusca. Efectivamente, não consta que a Chamusca tenha esperado por uma ponte ou uma qualquer estrada, para realizar os investimentos que se conhecem.
 
Outro factor que impede o desenvolvimento do Tramagal reside na falta de motivação, já manifestada publicamente, do Presidente da Junta e da sua equipa. Basta ver que a única coisa que cresceu na freguesia, durante este mandato autárquico, foi o mato. Ora, sem a motivação dos eleitos, é impossível mobilizar o concelho e o Tramagal para a necessária e urgente mudança.
 
O Tramagal tem um passado assente na sua pujança industrial, o que, só por si, devia mobilizar a Câmara e a freguesia no sentido de motivar investidores, através dos devidos incentivos e respectivas condições, a fixarem-se aqui.
 
É urgente criar um plano estratégico exclusivo para esta freguesia, exequível e que possa ser, de imediato, posto em prática, acabando-se de vez com o cinismo de acenar com um conjunto de intenções vagas que visa apenas manter iludida a população e cativar votos.
 
Para o PSD, é também inexplicável que uma freguesia, que mostra uma apetência clara pela participação cívica e pelo associativismo, nas mais diversas áreas (desde o apoio social, às questões de saúde, passando pela cultura, desporto e actividades lúdicas), que é motivo de orgulho para todos os abrantinos, seja totalmente esquecida pela Câmara Municipal.
 
Pensar que o desenvolvimento e crescimento do concelho de Abrantes passa pela concentração dos investimentos na cidade de Abrantes é tão estúpido e criminoso como pensar que o desenvolvimento de Portugal passa pela concentração de investimentos na região de Lisboa. Os países e os concelhos são como as pessoas: se a cabeça crescer à custa das outras partes do corpo, chega uma altura em que o pescoço não pode com o peso da cabeça. Sem um crescimento harmonioso de todas as partes do corpo, a própria cabeça fica em risco de vida que é, aliás, o que está a suceder com a cidade de Abrantes, onde a concentração de investimento na cidade apenas tem conseguido esvaziar as freguesias (ou seja, provocar o definhamento do corpo), sem conseguir inverter a perda de importância regional, quer da cidade de Abrantes, quer do concelho. Veja-se como a política pouco inteligente levada a cabo pelo Partido Socialista e pelo Executivo Municipal de querer obrigar os jovens das freguesias a transferirem-se para a cidade de Abrantes, esvaziando as freguesias, está a levar os jovens a estabelecem-se, não em Abrantes, mas nas outras cidades do Médio Tejo, com destaque para Entroncamento e Torres Novas.
 
Acresce que a Câmara Municipal de Abrantes, ao agir desta forma, deixa de ter qualquer autoridade para criticar o modelo de desenvolvimento nacional assente na concentração de investimentos na região de Lisboa, uma vez que o seu modelo de desenvolvimento para o concelho, afinal, é rigorosamente o mesmo.
 
Não há, por isso, qualquer justificação para ainda não se ter dotado a freguesia do Tramagal, onde se inclui o Crucifixo, de infra-estruturas desportivas de qualidade, que substituam as extremamente degradadas que apenas vão subsistindo por carolice da população.
 
O PSD de Abrantes defende uma política de integração nas freguesias que permita aos jovens estabelecerem-se na terra de onde são naturais, porque este é o único caminho para a afirmação de Abrantes como verdadeira potência regional. O crescimento da cidade de Abrantes não se pode fazer à custa das freguesias. Pelo contrário, o crescimento da cidade de Abrantes decorrerá necessariamente do desenvolvimento harmonioso de todo o concelho e das suas freguesias.
 
O PSD de Abrantes não se resigna e vai continuar a defender um crescimento harmonioso de todo o concelho, a única forma de termos um concelho homogéneo, desenvolvido, competitivo, de que os Abrantinos se orgulhem, capaz de se afirmar como potência regional e que, por isso, seja facilmente reconhecido em todo o país.

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