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COLUNA VERTICAL



Sexta-feira, 14.11.08

AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES

por Santana Maia

 

O actual modelo de avaliação dos professores tem, pelo menos, a virtude de avaliar o grau de dureza das cabecinhas que nos governam, expondo à saciedade todos os vícios do sistema.
 
Em primeiro lugar, o seu total desconhecimento do que é uma escola, para que serve e como funciona. Em segundo lugar, o seu total desconhecimento do que é uma empresa, como se organiza e quais são os seus objectivos.
 
Deste duplo desconhecimento, nasceu um projecto de avaliação que, se fosse aplicado numa empresa, levava ao seu encerramento num ápice. Qual era a empresa que aguentaria ter a linha de produção parada vários meses todos os anos para que os trabalhadores, em vez de trabalhar, passassem os dias a inventar e discutir grelhas para se avaliarem uns aos outros? E qual era o trabalhador que aceitaria ser avaliado por um igual (ou pior)?
 
Além disso, basta conhecer o nosso funcionalismo público para saber que qualquer linha que seja deixada nas suas mãos se transforma rapidamente num novelo que ninguém consegue desenlear. E esta cultura de complicar o que é fácil está tão entranhada no nosso funcionalismo público que não se pode deixar ao seu critério a implementação do que quer que seja.
 
Basta, aliás, ler um regulamento interno de uma escola para se ficar logo elucidado. Só gente com um espírito muito tortuoso e complicado é que consegue transformar um regulamento interno que devia caber numa página num autêntico e intragável código civil, com centenas de artigos e de alíneas, que ninguém, no seu perfeito juízo, consegue ler.

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7 comentários

De Lita a 17.11.2008 às 13:03

Bom dia SML!

Muito contente por ter recebido este blog no mail.

Desde já o meu apoio pela candidatura à CM Abrantes. Infelizmente já não resido aí pelo que o meu apoio terá de ser assim!

Acho que Abrante precisa de um "novo ciclo"! Precisa apostar no desenvolvimento das freguesias mais rurais, dotá-las de infraestruturas e de permitir-lhes alguma qualidade de vida.
Vivi numa das freguesias de Alvega cerca de 4 anos, onde comprei um lote de terreno para construir a "minha" casa mas que, ideia que, infelizmente tive de colocar de lado porque não fazia sentido! Construir uma casa numa aldeia em risco de ficar sem posto médico? Onde se falava do encerramento da escola primária? ... Com uma rede de transportes públicos deficiente... E como eu, de certeza que muitos jovens acabam por abandonar as aldeias e optarem por viverem nos centros urbanos, votando ao abandono as suas raízes e a sua história.

Gosto muito de Abrantes e, recordo, a primeira vez que fui a Abrantes (talvez em 1997), a primeira impressão foi que era uma "cidade muito limpa"! Muito "pitoresca"! E com muita qualidade de vida! A ideia mantém-se, mas creio que está na altura de abrir os horizontes e fazer Abrantes crescer até às zonas rurais!

Um bem haja e muita sorte!

Lita

De Rexistir a 18.11.2008 às 03:15

Lita

Agradecemos-lhes o seu apoio e o problema que coloca é precisamente uma das razões desta candidatura.
Se ler o nosso post sobre a freguesia do Tramagal (http://amar-abrantes.blogs.sapo.pt/5815.html), está lá expressa essa mesma ideia:
«Pensar que o desenvolvimento e crescimento do concelho de Abrantes passa pela concentração dos investimentos na cidade de Abrantes é tão estúpido e criminoso como pensar que o desenvolvimento de Portugal passa pela concentração de investimentos na região de Lisboa. Os países e os concelhos são como as pessoas: se a cabeça crescer à custa das outras partes do corpo, chega uma altura em que o pescoço não pode com o peso da cabeça. Sem um crescimento harmonioso de todas as partes do corpo, a própria cabeça fica em risco de vida que é, aliás, o que está a suceder com a cidade de Abrantes, onde a concentração de investimento na cidade apenas tem conseguido esvaziar as freguesias (ou seja, provocar o definhamento do corpo), sem conseguir inverter a perda de importância regional, quer da cidade de Abrantes, quer do concelho. Veja-se como a política pouco inteligente levada a cabo pelo Partido Socialista e pelo Executivo Municipal de querer obrigar os jovens das freguesias a transferirem-se para a cidade de Abrantes, esvaziando as freguesias, está a levar os jovens a estabelecem-se, não em Abrantes, mas nas outras cidades do Médio Tejo, com destaque para Entroncamento e Torres Novas.
Acresce que a Câmara Municipal de Abrantes, ao agir desta forma, deixa de ter qualquer autoridade para criticar o modelo de desenvolvimento nacional assente na concentração de investimentos na região de Lisboa, uma vez que o seu modelo de desenvolvimento para o concelho, afinal, é rigorosamente o mesmo.»

De Lita a 18.11.2008 às 12:46

Efectivamente, o Rossio ao Sul do Tejo já está, há muito inserido na cidade e, infelizmente, o desenvolvimento sustentado parou por aí.

O Aquapólis está muito interessante, aquela zona "ribeirinha" é muito agradável mas há, Tejo "acima" mais zonas interessantes e agradáveis que poderiam ser polos de atracção e lazer...

Mais uma vez, boa sorte e vou passando por aqui para saber das novidades.

Cumps,

LITA

De Rexistir a 18.11.2008 às 19:42

Lita

Sentimo-nos muito honrados por contar com uma participação tão esclarecida.

De Nuno Miranda a 17.11.2008 às 21:05

Não gosto de receber no meu emails mensagens não solicitadas, mas como me enviaram uma mensagem deste blog com este assunto aproveito para comentar, se me deixarem claro, porque por vezes acusamos os outros de ... e fazemos o mesmo que eles, certo ???

Sendo assim, não tendo, nem querendo defender o governo, ainda não consegui perceber porque é que os professores tanto se queixam:
- não quer este modelo de avaliação ? Então qual o modelo que propõem ? Ainda não vi opções.
- não querem ser avaliados ? Os outros funcionarios publicos são.
- querem um estatuto especial em que todos chegam ao topo da carreira ?
Quem não está assim tão velho para se lembrar dos professores que teve desde a primaria até ao superior, e já tem filhos e vê a acção de muitos dos professores que temos, vemos que muitas coisas não mudaram.
Será que os chineses têm razão - não há maus alunos mas sim maus mestres ???
Porque será que o nosso ensino está tão mal e os portugueses de várias gerações tão mal preparados ? Será culpa sempre de todos os governos que são maus e de todos os alunos que são preguiçosos ?
Será que os professores são todos assim tão bons que não têm culpa de nada do que acontece no sistema de ensino ? A culpa é sempre dos outros ?
Qualquer professor sem o minimo de experiencia em principio de carreira com horario completo ganha perto de 1200€, será assim tão mau ?
Quando um professor com 22 horas tem o seu dia de trabalho, outros funcionarios da administração publica têm de ter no minimo 35h e no privado 40h, será não têm tempo para corrigir as provas e fazer outras actividades nas restantes 15h ?
Será que o Estado têm de empregar todos os professores em Portugal ?
Afinal o que querem os professores ???

De Rexistir a 18.11.2008 às 03:13

Nuno Miranda

Se lesse os textos que eu tenho escrito sobre a Educação desde 1985, percebia que eu lutei, toda a minha vida, por um ensino exigente e rigoroso, não apenas na avaliação dos alunos mas sobretudo na avaliação dos professores. Não sou sindicalista, não sou comunista, nem tão pouco sou socialista.
Mas as propostas desta ministra para a Educação são absolutamente irracionais e provocam o mesmo efeito de um elefante num loja de loiças. Em Portugal, infelizmente é fácil ganhar votos enxovalhando os professores, os juízes, os médicos, funcionários judiciais e os funcionários públicos na praça pública. Muitas das críticas que se fazem a estes profissionais até podem ter algum fundamento. O problema é que não se consegue levar a cabo qualquer reforma na Saúde, na Educação, na Justiça ou na Administração Pública sem envolver a maior parte dos profissioaniais do ramo nas reforma e, sobretudo, contra todos eles.
Qual era o empresário que decidia reformar a sua empresa contra todos os trabalhadores? A única solução seria pô-los todos na rua e contratar novos, caso contrário a sua empresa ia à falência. Sendo certo que esta alternativa está excluída, logo à partida, do funcionalismo público. Além disso, qualquer manual de gestão ensina que é essencial envolver os trabalhadores na mudança para que esta resulte.
Mas vou deixá-lo com um post que escrevi no meu blog «Rexistir» no dia 3 de Outubro de 2006, pouco depois de ter pedido a minha licença sem vencimento depois de 25 anos dedicados ao ensino, por me recusar a ser professor com esta ministra da Educação:
«Com as suas inteligentes medidas, a senhora ministra conseguiu, por um lado, dar uma justificação aos maus professores para continuarem a ser maus e, por outro, desmotivar e desmobilizar completamente os bons professores que agora se arrastam pelas escolas, maldizendo a sua vida e todas as horas que dedicaram à escola. Ninguém consegue ser bom professor se estiver psicologicamente em baixo. E hoje só um imbecil é que consegue manter a auto-estima em alta com esta ministra. Mas um imbecil não é, obviamente, um bom professor.

Eu, pessoalmente, para salvaguarda da minha saúde mental e por respeito a mim mesmo, já pedi licença sem vencimento de longa duração, depois de 25 anos de ensino e de 25 anos a escrever (ingloriamente) sobre a educação.

Os meus colegas mais optimistas acreditam que a senhora ministra, apercebendo-se do actual estado da Educação em Portugal, resolveu arranjar uma equipa ministerial, não para reformar o sistema, mas para o fazer ruir de vez. Se for assim, já cá não está quem falou e só me resta pedir-lhe uma coisa: não desista, senhora ministra! Mais um esforçozinho e o edifício vem abaixo!»

http://sol.sapo.pt/blogs/contracorrente/archive/2006/10/03/N_E300_o-desista_2C00_-senhora-ministra_2100_-_2800_N_E300_o-fa_E700_a-como-eu_2900_.aspx

Agradeço-lhe o seu comentário e fico a aguardar pelos próximos. A sua colaboração é extremamente bem vinda.

Um abraço
Santana-Maia Leonardo

De Maria Correia a 03.12.2008 às 18:10


Camões actual (dedicado ao ensino)

Soneto à maneira de Camões

Tão mesquinha e tão vil, tu que pariste
As normas do estatuto do docente,
Não tens nada de humano, não és gente,
Nada mais que injustiças produziste.

Se lá nesse poleiro aonde subiste
O estado do ensino tens presente,
Repara como és incompetente,
Como a classe docente destruíste.

Se pensas que esta gente está domada,
Te aceita a ti, ao Valter e ao Pedreira,
Estás perfeitamente equivocada:

Em breve encontraremos a maneira
De vos correr p'ra longe à cacetada,
Limpando a educação de tanta asneira!

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