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COLUNA VERTICAL



Segunda-feira, 17.07.17

As bufas

Santana-Maia Leonardo - Rede Regional de 18-7-2017

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"No tempo da outra senhora, sempre disse o que me apeteceu e nunca fui perseguido pela PIDE e agora, se disser o que penso, sou perseguido". Já, por diversas vezes, ouvi este argumento com que se pretende demonstrar que hoje existe menos liberdade de expressão do que antes do 25 de Abril. E, de certa forma, o argumento tem fundamento uma vez que Salazar nunca perseguiu aqueles cujas opiniões eram politicamente correctas para o regime.

O que distingue uma ditadura de uma democracia liberal é precisamente o direito de cada um de nós poder expressar ideias e opiniões politicamente incorrectas e que, inclusive, colidem com os valores em que se funda o próprio regime. 

Vem isto a propósito da notícia das duas médicas que querem apresentar queixa contra Gentil Martins pelas suas opiniões politicamente incorrectas. Pelos vistos, a nossa democracia não só continua a fazer uso da mordaça herdada do tempo do fascismo para silenciar os hereges que põem em causa a verdade revelada pela Congregação da Fé como passou agora a contar, por força da igualdade do género, também com as bufas. As bufas, verdade se diga, não diferem em nada dos bufos do antigamente, apenas têm um cheiro mais acentuado pelo facto de vivermos em democracia. E não deixa de ser curioso constatar que, enquanto Adriano Moreira foi ministro no tempo dos bufos, a sua filha é deputada no tempo das bufas.

Pessoalmente detesto bufos e bufas. E, entre uns e outras, sempre prefiro, sem qualquer sombra de dúvida, o peido altivo e sonoro com que Salvador Sobral prometeu brindar a turba e que tanto indignou as redes sociais. Na altura, também me indignei porque não gosto de gente que promete e não cumpre. Mas hoje compreendo perfeitamente por que razão Salvador Sobral se encolheu e, no último momento, decidiu fechar as comportas. É que um país de bufas não vale um peido...  

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4 comentários

De Carlos Gilbert a 20.07.2017 às 11:17

Brilhante!

De Antonio Domingues a 20.07.2017 às 14:12

Acho que comentários no FB acusando o SML de "salazarista" não leram bem o artigo|
O autor não defende a "liberdade" do salazarismo: usa essa "liberdade" para a comparar com a "perseguição" a Gentil Martins!
A posição do autor quanto a liberdade está expressa, a meu ver, no seguinte passo (cito):
O que distingue uma ditadura de uma democracia liberal é precisamente o direito de cada um de nós poder expressar ideias e opiniões politicamente incorrectas e que, inclusive, colidem com os valores em que se funda o próprio regime
Por mim, por aí, nada a objectar!
O mesmo não direi quanto à perseguição a GM e ao peido de Sobral: é que se eles têm a liberdade de, na minha opinião, dizer asneiras/despropósitos, de menorizar o publico que o aplaude (no caso Sobral), porque raio há-de ser perseguição a posição dos que os contestam? A liberdade parou quando asneiraram ((na minha opinião, repito) ou ameaçaram peidar-se? Foram presos, torturados, despedidos, etc pela sua opinião? Foram, no exercício da liberdade democrática de cada um, criticados pelas suas posições!
Entendido, Sr Santana-Maia Leonardo?

De Rexistir a 20.07.2017 às 21:03

António Domingues

O maior problema português é o analfabetismo: grande parte das pessoas conseguem ler mas não percebem o que lêem.
Eu sou anti-salazarista.
Naturalmente.

Santana-Maia Leonardo

De António Velez a 22.07.2017 às 16:14

Nada tenho a comentar sobre gases...
Mas há coisas que me provocam impulsos.
Ora o Professor Doutor Adriano Moreira foi um digno Ministro da Republica Portuguesa enquanto Portugal tinha soberania e colónias. Foi igualmente Presidente do meu Partido e um Catedrático de Direito e ao mesmo tempo uma também tem uma filha, com a qual eu discordo pelas políticas de direito da família que professa. É a única deputada que se pode gabar ser filha desse Professor que foi o responsável pelo Estatuto do Indígena, o que honrou , mesmo assim e na altura, muitos homens de esquerda que não viviam à custa das benesses do regime, antes pelo contrário. Famílias...
Os pais e os filhos não se misturam, nem os pais com os carvalhos e muito menos os sobrais com os gases. É mesmo isso que estou a dizer...sim , isso.
Portanto quando duma forma, que assumo ser desnecessária, da minha parte,
leio estas coisas, dá-me o impulso de dizer: vai vender o sinistrado a outro porque não passou na inspecção.
Fiquemos por aqui...
António Velez

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