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COLUNA VERTICAL


Domingo, 17.11.19

Carta aberta a Rui Rio

Santana-Maia Leonardo

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Uma vez que o senhor primeiro-ministro não lhe soube responder se um aluno devia passar de ano mesmo sem saber, eu vou ajudá-lo a perceber por que razão a resposta só pode ser SIM. Mas tem de fazer um esforço de compreensão porque o grande problema da actual geração de governantes, políticos, jornalistas e comentadores é serem liderados pela nossa geração, a geração das passagens administrativas do pós-25 de Abril em que os alunos passavam sem sequer pôr os pés nas aulas.

Ora, o fim das reprovações na escolaridade obrigatória não tem nada a ver com as passagens administrativas dos seus tempos de universidade. Pelo contrário, o fim das reprovações é a condição primeira para um ensino de excelência na escolaridade obrigatória, porque é a única que permite que se aumentem os graus de exigência e se desenvolvam e rentabilizem ao máximo as capacidades de cada aluno. É óbvio que, só por si, não resolve o problema sem vir acompanhada de outras medidas, designadamente: exames nacionais nos 4.º, 6.º, 9.º e 12.º ano de escolaridade e um novo conceito de turma (cada ano deve corresponder a uma única turma, por forma a poder haver, por disciplina, sub-turmas de recuperação e de excelência e, simultaneamente, permitir a mobilidade entre elas).

A escola selectiva de Salazar, que ainda hoje continua a ser o modelo dos melhores colégios privados, é, sem dúvida, uma escola de sucesso, mas assenta no mesmo modelo das escolas de futebol do Ajax, Barça e Benfica. Ou seja, na selecção dos melhores e eliminação daqueles que não têm aptidões. Se as escolas de futebol fossem obrigadas a manter até aos 16 anos todos os alunos das respectivas cidades, só se fossem loucos é que não passariam de ano todos os alunos, inclusive aqueles que não demonstrassem qualquer aptidão para a prática da modalidade. Ou acha que estes alunos aprenderiam mais se continuassem a jogar nos infantis até aos 16 anos? E os infantis com talento, acha que sairiam beneficiados caso as equipas de infantis estivessem infestadas de pernas-de-pau com 16 anos?

É evidente que todos os jogadores têm de passar de ano/escalão, independentemente das suas capacidades, para bem de todos. Sendo certo que, ao contrário das passagens administrativas do nosso tempo, neste caso, não passam todos em igualdade de circunstâncias porque passam com uma clara diferenciação entre os melhores e os piores e com uma vantagem: a qualquer momento o pior pode dar um salto de qualidade e ser chamado para a primeira equipa (sub-turma de excelência) e o melhor pode passar para a terceira equipa (sub-turma de recuperação). Ou seja, a competitividade e a diferenciação entre os alunos faz-se dentro do seu escalão de idade e não por anos de escolaridade.

Além disso, o simples facto de todos os alunos chegarem obrigatoriamente aos juniores não significa obviamente que fiquem todos habilitados para triunfar nas melhores equipas ou sequer para jogar nalguma equipa.

Para finalizar, apenas dois apontamentos. Sempre que se argumenta com o sucesso que alguns dos alunos retidos tiveram, no ano seguinte, nas disciplinas com menos aproveitamento, era importante saber se o professor tinha sido o mesmo e se o grau de exigência foi o mesmo, caso contrário os dados não querem dizer rigorosamente nada.

Por outro lado, mesmo no actual sistema (irracional e absurdo), é preferível passar, por exemplo, um aluno excelente a línguas e sem aptidões nas demais disciplinas, do que reprová-lo. E porquê? Porque, se passar, consegue manter o nível excelente a línguas e, se reprovar, até nas línguas regride.

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Terça-feira, 12.11.19

Os negócios do futebol: em Portugal e na Europa

Santana-Maia Leonardo - in Diário As Beiras de 13-11-2019

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Hoje, quando se fala de futebol na Europa, fala-se necessariamente de negócio. No entanto, o negócio de que falam os presidentes dos clubes das grandes ligas europeias, não é o mesmo negócio de que falam os presidentes dos clubes portugueses. E isso faz toda a diferença.  

Enquanto, na Europa, o negócio dos clubes é a venda do espectáculo e, por isso, investem na competitividade e qualidade do mesmo, em Portugal o negócio dos clubes é a venda de jogadores, por isso, lutam entre si pela conquista de território e a eliminação dos concorrentes.

Em Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha, França, Holanda e Bélgica, designadamente, os presidentes dos grandes clubes sabem que, quanto maior for a competitividade das suas ligas, maiores são as receitas que os seus clubes conseguem obter porque estão directamente relacionadas com a atractividade global das competições em que participam.

Pelo contrário, em Portugal, os presidentes dos grandes clubes sabem que o grosso das suas receitas depende da venda de jogadores, o que significa que, para sobreviverem, têm de garantir o acesso à montra europeia, o que implica recorrer a todos os meios para salvaguardar a sua posição dominante e vedar o acesso à montra dos outros clubes.

Daí que o futebol português seja dominado por organizações verdadeiramente mafiosas que lutam pelo controlo do negócio da venda de jogadores, não tendo qualquer interesse em investir na competitividade do campeonato que colocaria necessariamente em risco a sua posição dominante no mercado da compra e venda de jogadores. E, como todas as organizações mafiosas, os grandes clubes portugueses também têm os seus tentáculos no mundo da política, no mundo do banca, no mundo dos fundos e dos empresários do futebol e no sub-mundo do crime, ligado às máfias da noite e ao tráfico de droga.

Bruno de Carvalho foi o único dirigente do Sporting que percebeu como isto funcionava e quis entrar no jogo recorrendo aos mesmos métodos e disputando o território à lei da bala, sem olhar a meios. Bruno de Carvalho não foi derrotado nem pelos sportinguistas, nem pelos actos de demência que levou a cabo, mas por um erro de casting, o ataque a Alcochete, a que o Benfica, que, na altura, se encontrava nas cordas, se agarrou desesperadamente, supervalorizando a gravidade do ataque, através dos meios políticos e da comunicação social que controla, ao ponto de transformá-lo num ataque terrorista e, desta forma, assinar a sentença de morte de Bruno de Carvalho.

É precisamente por esta razão que Benfica e Porto não querem ouvir sequer falar em centralização dos direitos televisivos: os grandes clubes portugueses vivem da venda de jogadores, não vivem da venda do espectáculo, como acontece com todos os grandes clubes europeus. E quando ouvimos falar em 2028 para a implementação da centralização dos direitos televisivos em Portugal, só podemos desatar a rir às gargalhadas. Vivemos no século XXI. Daqui a dez anos já não haverá sequer televisões e, provavelmente, nem  liga portuguesa, quanto mais direitos televisivos.

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Sexta-feira, 01.11.19

Mas afinal o que é um alentejano?

Santana-Maia Leonardo

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Se não sabe o que é um alentejano, já vai sendo tempo de saber para não fazer figuras tristes. Eu sei que não há muitos por aí… A qualidade sempre foi um bem escasso. E, neste país, uma pessoa tem de explicar tudo tim-por-tim e, mesmo assim, têm dificuldade em perceber.

Em todo o caso, desta vez e à boa maneira alentejana, eu vou explicar bem devagar como se quem não soubesse o que é um alentejano fosse muito burro como efectivamente não pode deixar de ser.

A maioria das pessoas que não são alentejanas acham que um alentejano é um indivíduo que nasceu no Alentejo. Ora, é preciso não ter dois dedos de testa para não conseguir distinguir um alentejano de um indivíduo que nasceu no Alentejo mas que não é alentejano.

Qual é que é a diferença? Ora essa!... Então está-se mesmo a ver: o indivíduo que não é alentejano acha que é alentejano por ter nascido no Alentejo. Esta é que é a grande diferença. Qual é que é o alentejano que acha que é alentejano por ter nascido no Alentejo? Só se fosse estúpido é que pensava isso que é precisamente aquilo que um alentejano não é.

Eu sei que isto é um bocadinho difícil de perceber para quem não é alentejano, até porque é preciso ter um bocadinho de inteligência que é precisamente aquele bocadinho que mais falta por aqui. Mas eu vou tentar explicar. Ao contrário dos transmontanos, alfacinhas, beirões, minhotos e algarvios, um alentejano não se define pelo local do nascimento, até porque um alentejano não é esquisito: um alentejano nasce num sítio qualquer. Desde que não falte o pão, bem entendido...

Como já aqui expliquei um dia, ninguém nasce alentejano, é-se alentejano. O alentejano tem a ver com o SER e não com o NASCER.

Em todo o caso, não sei para que estou aqui com tantas explicações quando Sá de Miranda, no poema “A El-Rei D. João”, há mais de 400 anos, fez o retrato do alentejano com tanto rigor e pormenor que é preciso mesmo ser muito ignorante para não saber o que é um alentejano.

Como escreveu Sá de Miranda, um alentejano é precisamente isto sem tirar nem pôr:  “Homem de um só parecer,/ D'um só rosto, uma só fé,/ D'antes quebrar, que torcer, / Ele tudo pode ser/ Mas de corte homem não é.

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Segunda-feira, 28.10.19

"SE" de Rudyard Kipling

Tradução de Félix Bermudes 

  

Se podes conservar o teu bom senso e a calma
No mundo a delirar para quem o louco és tu...
Se podes crer em ti com toda a força de alma
Quando ninguém te crê...Se vais faminto e nu,
Trilhando sem revolta um rumo solitário...
Se à torva intolerância, à negra incompreensão,
Tu podes responder subindo o teu calvário
Com lágrimas de amor e bênçãos de perdão...

Se podes dizer bem de quem te calunia...
Se dás ternura em troca aos que te dão rancor
(Mas sem a afectação de um santo que oficia
Nem pretensões de sábio a dar lições de amor)...
Se podes esperar sem fatigar a esperança...
Sonhar, mas conservar-te acima do teu sonho...
Fazer do pensamento um arco de aliança
Entre o clarão do inferno e a luz do céu risonho...

Se podes encarar com indiferença igual
O triunfo e a derrota, eternos impostores...
Se podes ver o bem oculto em todo o mal
E resignar sorrindo o amor dos teus amores...
Se podes resistir à raiva e à vergonha
De ver envenenar as frases que disseste
E que um velhaco emprega eivadas de peçonha
Com falsas intenções que tu jamais lhes deste...

Se podes ver por terra as obras que fizeste,
Vaiadas por malsins, desorientando o povo,
E sem dizeres palavra, e sem um termo agreste,
Voltares ao princípio, a construir de novo...
Se puderes obrigar o coração e os músculos
A renovar um esforço há muito vacilante,
Quando no teu corpo, já afogado em crepúsculos,
Só exista a vontade a comandar avante...

Se, vivendo entre o povo, és virtuoso e nobre...
Se, vivendo entre os reis, conservas a humildade...
Se inimigo ou amigo, o poderoso e o pobre
São iguais para ti à luz da eternidade...
Se quem conta contigo encontra mais que a conta...
Se podes empregar os sessenta segundos
Do minuto que passa em obra de tal monta
Que o minuto se espraia em séculos fecundos...

Então, ó ser sublime, o mundo inteiro é teu!
Já dominaste os reis, os tempos, os espaços!...
Mas, ainda para além, um novo sol rompeu,
Abrindo o infinito ao rumo dos teus passos.
Pairando numa esfera acima deste plano,
Sem receares jamais que os erros te retomem,
Quando já nada houver em ti que seja humano,
Alegra-te, meu filho, então serás um homem!...

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Sábado, 19.10.19

O Derrota de Setúbal e os Lambe-Cus

Santana-Maia Leonardo 

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Gilberto Carvalho Susana Vieira enviou-me esta foto que mexeu comigo. É como uma pessoa que enviuvou, voltou a casar e refez a sua vida sentimental, e que, por acaso, encontra no fundo de uma gaveta uma foto do grande amor da sua vida.

Eu nasci em 1958 e vivi este tempo em que Vitória e cidade eram UM SÓ, tal como acontece APENAS hoje em Guimarães mas com uma diferença. Setúbal era a terceira maior cidade de Portugal e a mais industrial. Nos jogos do Vitória, era preciso muita coragem para alguém da equipa adversária lá ir assistir ao jogo. E bem podia rezar para a sua equipa não ganhar, caso contrário tinha dificuldade de lá sair vivo. E os clubes do regime eram naturalmente odiados em Setúbal.

Basta recordar que os presidentes da FPF, que controlavam a arbitragem, eram obrigatoriamente por lei de um dos grandes de Lisboa e isso impedia o maior e melhor clube de fora de Lisboa, ou seja, o Vitória de disputar o título.

Esse é o meu clube. Mas infelizmente morreu. Hoje Setúbal e o Vitória estão atulhados de lambe-cus de Lisboa. No tempo do fascismo, resistimos ao poder centralista de Lisboa e à propaganda fascista de querer transformar o Benfica no clube da Nação, o clube representativo do Portugal Glorioso de Salazar. Mas, com o 25 de Abril, as muralhas da cidade ruíram e fomos tomados de assalto pelo Triunvirato romano.

O nosso estádio é hoje bem representativo da Glória do passado e da degradação do presente. E quando ouço presidentes do Vitória, para já não falar de outros LAMBE-CUS que são sócios do Vitória, dizerem que o Benfica é o abono de família do Vitória, tenho de ir vomitar porque só me lembram as mães que defendem e elogiam o senhor rico de Lisboa a quem vendem as suas filhas menores a troco de umas moedas para uns cigarros e uns tintos.

O meu clube e a minha cidade são esses da foto mas infelizmente já morreram. Hoje o único clube e a única cidade com gente com coluna direita e que resiste ao poder hegemónico e centralista de Lisboa e arredores (com o 25 de Abril, o Porto passou a fazer parte dos arredores de Lisboa) é aldeia gaulesa de Guimarães, a única cidade que devia ter o direito de ostentar o nome de Vitória.

Hoje o Vitória de Setúbal devia mudar de nome para DERROTA DE SETÚBAL e os associados que fossem adeptos do Triunvirato deviam ter um cartão de LAMBE-CU, em vez de um cartão de associado.

Peço desculpa pelo meu desabafo mas a foto mexeu fundo comigo e recordou-me os tempos da minha infância e adolescência. Já tinha feito o luto e voltado a casar mas a foto voltou a recordar-me o grande amor da minha vida...

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Sexta-feira, 11.10.19

S.O.S. Crianças em perigo

Santana-Maia Leonardo - Diário das Beiras de 14-10-2019

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O que estamos a assistir, cada vez mais, nos processos de promoção e protecção de menores é revoltante e angustiante porque os menores sinalizados, caso não estejam em perigo (e é a maioria), passam a estar em perigo face ao poder triturador, insensível, gélido e implacável da máquina burocrática do Estado apostado em transformar a vida das crianças e das suas famílias num verdadeiro inferno, como se vivêssemos em plena revolução cultural chinesa ou se estivesse em curso um programa de educação nacional retirado da cartilha fascista ou estalinista.  

Se uma família pobre tem o azar de cair nas garras destas comissões e instituições, todos os sinais exteriores de pobreza passam a ser um pretexto para retirar os menores às famílias, desde a sua casa não ter quartos em número suficiente, ou a roupa ser guardada em caixas de cartão por não haver dinheiro para comprar armários, ou o pai sair de casa muito cedo para o trabalho ou regressar muito tarde do trabalho, ou haver um animal de estimação dentro de casa, ou os pais não estarem em casa quando a técnica lá chegou de surpresa para fazer o relatório, nos caos em que se dá ao trabalho de lá ir, etc. etc.

Hoje os processos de promoção e protecção multiplicam-se e arrastam-se indefinidamente, a esmagadora maioria dos quais sem justificação plausível. Sendo certo que a maioria das queixas, tal como acontece com a violência doméstica e à boa maneira portuguesa, resulta de questiúnculas mesquinhas e pessoais e o seu único objectivo é infernizar a vida do outro com a sua queixa. Aliás, como é sabido, poucos são os portugueses capazes de dar a cara na denúncia de um crime e aceitar ser testemunhas de forma desinteressada.

E depois, face ao enorme volume de trabalho em processos absolutamente injustificáveis para os quais não têm capacidade de dar resposta, as técnicas não têm obviamente tempo para fazer o devido acompanhamento dos casos de crianças verdadeiramente em perigo e que deviam ser necessariamente acompanhadas com maior atenção, proximidade e assiduidade.

Consequentemente e à boa maneira portuguesa, é tudo tratado a toque de caixa e pela rama, sem a mínima consideração pelos menores e pelas famílias, repetindo-se fórmulas absurdas e ridículas de educar o povo que nem as técnicas, nem os mandatários das partes cumprem nas suas casas.

O mesmo se passa com a violência doméstica em que o legislador, na sua incomensurável estupidez, criou um tipo de crime onde cabe tudo, o que gera inevitavelmente um número de processos tão elevado que torna impossível a sua gestão e a sua investigação com a atenção e a celeridade que os casos mais graves deviam merecer. Bastava o legislador ter dois dedos de testa (eu sei que isto é pedir muito) e seguir o senso comum de que “o bom é inimigo do óptimo” para que os casos graves de violência doméstica e das crianças em perigo pudessem ter uma resposta adequada por parte das autoridades e dos técnicos, diminuindo drasticamente as tragédias que acontecem com cada vez mais regularidade. Acontece que, para o legislador português, as pessoas de carne e osso são lhe absolutamente indiferentes, o único que o preocupa é a beleza estética das leis que produz de acordo com o quadro ideológico dominante.

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Terça-feira, 08.10.19

Os grandes clubes e os obstáculos altos

Santana-Maia Leonardo - Diário As Beiras de 24/10/2019

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Só se consegue ver se um cavalo é bom nos obstáculos altos.

E é precisamente por essa razão que todos os grandes clubes de todas as ligas europeias, seguindo o exemplo americano da paixão pela competição e pelos desafios, se empenharam em aumentar o grau de competitividade das suas ligas, aceitando repartir os direitos televisivos, reduzir os planteis, limitar as contratações e os empréstimos, com vista a que todos os clubes constituíssem obstáculos altos e difíceis de transpor e, dessa forma, tornar mais meritórias as suas vitórias.

Na Holanda, os clubes que participam na Champions aceitam, inclusive, doar 10% das suas receitas para redistribuir pelos outros clubes do liga holandesa.

Só em Portugal isso não aconteceu porque, aqui por estes lados, a ganância sempre foi a grande virtude cultivada pelos poderosos. E Benfica, Sporting e Porto, na sua cegueira gananciosa, temendo que a centralização dos direitos televisivos, adoptada em todas ligas europeias, também viesse a ser implantada em Portugal, correram a fazer contratos de longa duração para inviabilizarem qualquer hipótese dos pequenos clubes portugueses poderem sobreviver sem ser na sua dependência. Ou seja, enquanto, na Europa, os grandes clubes europeus apostaram em subir os obstáculos na sua caminhada para o título, em Portugal, os putativos grandes clubes resolveram descer os obstáculos ao nível do chão, defraudando e falseando a própria competição.

Pensavam os putativos grandes clubes portugueses que, com a competição interna reduzida aos jogos entre os três, tinham mais tempo para se preparar para a montra das competições europeias onde iam exibir o produto para venda.

Esqueceram-se, no entanto, de uma coisa elementar: sem competição interna, as suas equipas deixam de ter estaleca para defrontar clubes europeus com outro ritmo nas pernas e habituados a saltar obstáculos altos todas as semanas. Além disso, os próprios jovens jogadores dos clubes portugueses começaram já a perceber que, se querem triunfar no futebol europeu, têm de deixar a liga portuguesa o mais depressa possível, sob pena de perderem o comboio.

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Segunda-feira, 07.10.19

Portugal Amordaçado

Santana-Maia Leonardo - Diário As Beiras de 10/10/2019

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Segundo consta José Roquete quis fazer um partido de defesa do Alentejo e do interior mas acabou por desistir da ideia porque o único círculo eleitoral onde o partido do Alentejo e do interior tinha alguma probabilidade de eleger um deputado era no círculo de Lisboa (????!!!!....).

Consequentemente, forçoso será concluir que, para o interior de Portugal ter voz e representatividade, era preferível haver apenas um círculo eleitoral nacional do que a actual situação que reduz as escolhas dos eleitores do interior do país aos partidos do regime, ou seja, aos partidos responsáveis pela desertificação do interior.

Com efeito, PS e PSD, de forma concertada e com o apoio envergonhado da CDU, reduziram Portugal à cidade Lisboa-Porto, ao mesmo tempo que criaram um sistema eleitoral que retira qualquer possibilidade às populações do Alentejo e do interior de se organizarem por forma a combater um modelo de desenvolvimento apostado precisamente em esvaziar o Alentejo e o interior do país da sua massa crítica e das suas elites, condenando estas regiões à irrelevância política. 

As autarquias do interior do PS, do PSD e da CDU defendem tanto o interior como as Casas do Benfica, do Sporting e do Porto, espalhadas por esse país fora, defendem os clubes do interior. A sua função é a mesma das Casas do Benfica, do Sporting e do Porto: garantir a fidelização dos adeptos ao partido.

Veja-se o caso do círculo de Portalegre. Elege apenas dois deputados: do PS e/ou do PSD. Não vale a pena qualquer outro partido aqui vir fazer campanha que o resultado não se altera. E porquê? Porque mais de 60% da população é reformada e os restantes 40% dependem das autarquias PS e PSD. Os dois deputados sairão sempre destes dois partidos. Aconteça o que acontecer.

Ora, qualquer cidadão que não se reveja em qualquer destes dois partidos, como é o meu caso, não vale a pena sair de casa. A abstenção é a única forma de mostrar a nossa desconformidade com um sistema que nos reduz as escolhas a dois partidos gémeos com os quais não nos identificamos.

Qualquer reforma eleitoral que não passe pela criação de um único circulo eleitoral, como acontece nas europeias, apenas contribui para agravar e cimentar ainda mais as assimetrias entre a cidade Lisboa-Porto e o interior do país.

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Sábado, 05.10.19

O rebanho

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Domingo, 29.09.19

Bruno Lage, a única nódoa na Instituição

Santana-Maia Leonardo

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Vamos lá a ver se nos entendemos: agarrar alguém pelo pescoço, em tom agressivo, e apertar-lhe o pescoço é uma AGRESSÃO, independentemente de lhe ter dado um soco ou não. Relativamente ao murro é que foi uma tentativa que, se fosse concretizada, agravava a agressão.

Em todo o caso, a agressão do presidente do clube a um sócio não é de estranhar, tendo em conta que já foi motivo de risota a agressão de um seu capitão a um árbitro no estrangeiro, a agressão de um seu treinador a um polícia no final de um jogo e o assalto aos tribunais por parte do braço direito do senhor presidente que, ainda, hoje é elogiado por este como um super-profissional. De facto, só mesmo um super-profissional é que se dispunha a imolar-se que pelo seu chefe... Um profissional destes não tem preço!...

Hoje, na estrutura do Benfica, infelizmente, a única pessoa que destoa é Bruno Lage, pela sua correcção, pela sua educação e pela sua formação. Bruno Lage é mesmo a única NÓDOA num clube que tão bem representa o estado actual de degradação e podridão a que chegaram TODAS as instituições portuguesas.

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Sábado, 28.09.19

O Barça de Messi, o Benfica de Eusébio e o Sporting de Ronaldo

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Santana-Maia Leonardo

Não sei se sabem mas é proibido qualquer jogador dos escalões de formação do Barça receber qualquer prémio individual, seja de melhor jogador, melhor guarda-redes ou do que quer que seja em qualquer prova em que participe em representação do clube.

E eu estou 100% de acordo. Quem gosta de prémios individuais vai para o ténis. E em Portugal, este tipo de prémios individuais atingiu uma tal paranóia colectiva que os portugueses, em geral, passarem a ser adeptos de jogadores e não de clubes.

Sabem onde se encontram todos os troféus individuais ganhos por Messi? No Museu do Barça. E porquê? Porque Messi entende que os seus troféus individuais são fruto do esforço colectivo.

Os portugueses sempre detestaram o futebol, ao ponto de hoje terem deixado de ser adeptos de clubes para passar a ser adeptos de jogadores. E se fizerem uma sondagem vão chegar à conclusão que, de um momento para o outro, há mais portugueses adeptos do Atlético de Madrid do que da Juventus... Do Atlético de Madrid são, segundo os últimos dados disponíveis, seis milhões...

E há mesmo cretinos em Portugal que defendem que Messi devia sair do Barça para demonstrar o seu valor, como se o futebol fosse um duelo de pistoleiros e não um jogo de equipas.

No entanto, muitos destes cretinos gabam-se de Eusébio ter feito a sua carreira no Benfica???!!!... Com a diferença que Eusébio não teve opção porque foi do Benfica por imposição do ditador, enquanto Messi é do Barça porque está absolutamente identificado com o clube. Barça e Messi são a mesma coisa e Messi nunca abandonaria o Barça para qualquer outro grande clube europeu porque sabe que isso era uma facada nos adeptos do Barça.

Agora o que eu gostaria de saber era se caso Jorge Sampaio tivesse proibido a saída de CR7 do Sporting, o Sporting tinha ganhado tantas Champions e tantos campeonatos como ganhou o Benfica de Eusébio e o Barcelona de Messi.

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Terça-feira, 24.09.19

A hipocrisia faz parte do ADN Lusitano

Santana-Maia Leonardo - Diário As Beiras de 28/9/2019

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Devo, desde já, dizer que não sou um adepto dos prémios individuais por eleição, designadamente The Best e da Bola de Ouro, e sobretudo da sua excessiva valorização como se o futebol fosse um jogo individual. Portugal venceu a Final Four sem precisar de Ronaldo para lá chegar e foi campeão europeu sem precisar de Ronaldo para ganhar a final. E também não era Ronaldo que ia fazer do Sporting campeão europeu se de lá não tivesse saído. Se o Sporting tivesse sido campeão europeu com Ronaldo, já cá não estava quem falou... Agora ser campeão no Manchester United, Real Madrid ou Juventus também não é nada do outro mundo.

Tudo isto para dizer que os grandes jogadores são muitas vezes decisivos mas ninguém ganha o que quer que seja apenas com um jogador extraordinário. Em todo o caso, não era este o tema da nossa conversa, nem do título desta crónica. Por que razão é, então, a HIPOCRISIA UM TRAÇO TÍPICO DO ADN LUSITANO?

O ano passado não houve nenhum bom português, designadamente Ronaldo e seus familiares, que não se insurgisse contra a eleição de Modric como melhor jogador do mundo. Olhemos então para quem seria este ano o melhor jogador do mundo, segundo a votação de Ronaldo, o capitão da selecção portuguesa.

 O seu eleito, já que valoriza tanto a veia goleadora, foi o melhor marcador da Champions? Não.Foi o melhor marcador europeu? Também não.

Foi o goleador que venceu mais vezes o título de maior goleador europeu? Também não.

Foi o jogador que marcou mais golos na Liga Inglesa, Espanhola ou Italiana? Também não.

Se para Ronaldo e para os portugueses, o que conta é marcar golos, razão pela qual tanto criticaram a eleição de Modric, quem seria este ano o eleito de Ronaldo?...

Messi teve uma votação coerente. Elegeu, em primeiro lugar, o melhor goleador do campeão europeu Liverpool e da Liga Inglesa e, em segundo lugar, CR7 que este ano não teve uma época brilhante nem como goleador, nem na Juventus. Mas quem seria eleito o melhor jogador do mundo, se fosse o nosso capitão a escolher? Nada mais nada menos que... De Light!...

Ora, se Modric não merecia ter sido eleito o ano passado, o é que De Light ganhou este ano ou quantos golos marcou para ser eleito The Best???!!!.. Se querem melhor prova de como A HIPOCRISIA faz parte do ADN lusitano, ei-la!

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Segunda-feira, 23.09.19

Odeio a tirania

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Sábado, 21.09.19

Os forma(ta)dores

Santana-Maia Leonardo - Rede Regional de 16-9-2016

0 SM 1.jpgHá um ditado japonês de que eu gosto muito porque transcreve uma evidência da qual depende o sucesso das nações, sociedades e associações: "Quando duas pessoas pensam da mesma maneira, uma é dispensável."

E o que se constata em Portugal é que, salvo raras excepções, quase toda a gente é dispensável na medida em que a esmagadora maioria pensa como o seu chefe, ou melhor, nem sequer pensa: limita-se a reproduzir, como um papagaio, o que diz o chefe.

E os chefes portugueses, cientes da sua mediocridade e da sua incompetência, odeiam pessoas inteligentes.

É assim nos partidos, nas associações, nas repatições, nas escolas, nas famílias...

Desde o berço, há todo um esforço da sociedade portuguesa na formatação do pensamento único, para que ninguém ouse dizer, em voz alta, aquilo que todos vêem: o Rei vai nu.

Como dizia Bertrand Russell, "o problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheias de certezas."

É, por isso, absolutamente natural que os nossos chefes, cheios de certezas, tenham horror às pessoas inteligentes.

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Segunda-feira, 16.09.19

A fé cega nas nossas instituições (mas apenas quando convêm)

Santana-Maia Leonardo - Diário As Beiras de 12-07-2017

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Não há político, banqueiro, agente ou dirigente desportivo que não seja apanhado com a mão na massa que não professe a sua confiança inabalável na nossa justiça. Dias Loureiro, Oliveira e Costa, José Sócrates, Ricardo Salgado, Pinto da Costa, etc. etc. e agora Luís Filipe Vieira, todos eles declararam solenemente a sua confiança inabalável na justiça portuguesa. Traduzido por miúdos: todos eles acreditam que, no final, a justiça os vai absolver.

Significa isso que não cometeram os crimes de que estão (ou estavam) indiciados, alguns dos quais foram praticados nas nossas barbas e à vista de toda a gente? No caso português, nem sequer é preciso ter olhos na cara. Basta o cheiro. Acho, por isso, extraordinária esta fé súbita dos benfiquistas nas nossas instituições, quando, ainda há bem pouco tempo, aquando do Apito Dourado, não demonstraram a mesma fé.

Mas vamos por partes. Todos os estados têm de ter instituições para legislar, governar e julgar mas isso não significa que todas as leis sejam boas, todas as decisões governamentais sejam correctas e todas as sentenças sejam justas. E sobretudo não significa que eu, assim como todos os cidadãos deste país,  tenha de ser obrigado a confiar aos deputados, governantes ou juízes o meu juízo ético sobre o que quer que seja.

Eu, pessoalmente, gosto de ser informado e de conhecer para formular a minha opinião, independentemente das leis, das decisões governamentais ou das sentenças. Até porque não é pelo facto de um tribunal absolver uma pessoa que ela não cometeu o crime.

Os tribunais, nas democracias ocidentais que têm por trave mestra o estado de direito, regem-se por regras formais que, muitas vezes, impedem a condenação do culpado mesmo quando a sua culpa é evidente, para já não falar do erro humano.

Dou-lhes um exemplo de um caso que foi notícia há já alguns anos: um indivíduo violou e matou uma criança na região de Lisboa. A PJ desconfiou do assassino e foi a casa da mãe onde ele morava. A mãe autorizou que entrassem e fizessem a busca à casa. No quarto onde dormia o assassino, descobriram a camisa que usava quando violou e matou o menor ainda com marcas de sangue deste. Com base nessa prova, foi condenado a perto de 20 anos de prisão. O seu advogado recorreu para o Supremo com base no facto da ilicitude na recolha da prova. O Supremo veio a dar-lhe razão: apesar da casa ser da mãe e esta ter autorizado a busca, a PJ não podia ter recolhido objetos pessoais do quarto do assassino sem autorização deste ou mandato judicial. Consequentemente o violador foi absolvido e libertado.

Nada a dizer da decisão. O respeito pelo estado de direito obriga muitas vezes a decisões revoltantes e chocantes como esta mas a alternativa seria pior porque abriria a porta à discricionariedade e ao abuso do poder por parte do estado e das autoridades. No entanto, o facto de o assassino ter sido absolvido não significa que não tenha cometido o crime. São duas coisas diferentes. Do ponto de vista jurídico, foi absolvido (por força das leis que nos regem) mas, do ponto de vista objectivo, é o autor do crime, sem qualquer sombra de dúvida.

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