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COLUNA VERTICAL


Segunda-feira, 16.09.19

A fé cega nas nossas instituições (mas apenas quando convêm)

Santana-Maia Leonardo - Diário As Beiras de 12-07-2017

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Não há político, banqueiro, agente ou dirigente desportivo que não seja apanhado com a mão na massa que não professe a sua confiança inabalável na nossa justiça. Dias Loureiro, Oliveira e Costa, José Sócrates, Ricardo Salgado, Pinto da Costa, etc. etc. e agora Luís Filipe Vieira, todos eles declararam solenemente a sua confiança inabalável na justiça portuguesa. Traduzido por miúdos: todos eles acreditam que, no final, a justiça os vai absolver.

Significa isso que não cometeram os crimes de que estão (ou estavam) indiciados, alguns dos quais foram praticados nas nossas barbas e à vista de toda a gente? No caso português, nem sequer é preciso ter olhos na cara. Basta o cheiro. Acho, por isso, extraordinária esta fé súbita dos benfiquistas nas nossas instituições, quando, ainda há bem pouco tempo, aquando do Apito Dourado, não demonstraram a mesma fé.

Mas vamos por partes. Todos os estados têm de ter instituições para legislar, governar e julgar mas isso não significa que todas as leis sejam boas, todas as decisões governamentais sejam correctas e todas as sentenças sejam justas. E sobretudo não significa que eu, assim como todos os cidadãos deste país,  tenha de ser obrigado a confiar aos deputados, governantes ou juízes o meu juízo ético sobre o que quer que seja.

Eu, pessoalmente, gosto de ser informado e de conhecer para formular a minha opinião, independentemente das leis, das decisões governamentais ou das sentenças. Até porque não é pelo facto de um tribunal absolver uma pessoa que ela não cometeu o crime.

Os tribunais, nas democracias ocidentais que têm por trave mestra o estado de direito, regem-se por regras formais que, muitas vezes, impedem a condenação do culpado mesmo quando a sua culpa é evidente, para já não falar do erro humano.

Dou-lhes um exemplo de um caso que foi notícia há já alguns anos: um indivíduo violou e matou uma criança na região de Lisboa. A PJ desconfiou do assassino e foi a casa da mãe onde ele morava. A mãe autorizou que entrassem e fizessem a busca à casa. No quarto onde dormia o assassino, descobriram a camisa que usava quando violou e matou o menor ainda com marcas de sangue deste. Com base nessa prova, foi condenado a perto de 20 anos de prisão. O seu advogado recorreu para o Supremo com base no facto da ilicitude na recolha da prova. O Supremo veio a dar-lhe razão: apesar da casa ser da mãe e esta ter autorizado a busca, a PJ não podia ter recolhido objetos pessoais do quarto do assassino sem autorização deste ou mandato judicial. Consequentemente o violador foi absolvido e libertado.

Nada a dizer da decisão. O respeito pelo estado de direito obriga muitas vezes a decisões revoltantes e chocantes como esta mas a alternativa seria pior porque abriria a porta à discricionariedade e ao abuso do poder por parte do estado e das autoridades. No entanto, o facto de o assassino ter sido absolvido não significa que não tenha cometido o crime. São duas coisas diferentes. Do ponto de vista jurídico, foi absolvido (por força das leis que nos regem) mas, do ponto de vista objectivo, é o autor do crime, sem qualquer sombra de dúvida.

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Sexta-feira, 13.09.19

A nossa justiça... Justiça?!...

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Terça-feira, 10.09.19

A liga dos batoteiros assumidos

Santana-Maia Leonardo

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Começou a Liga portuguesa e eu sinto-me autenticamente um polaco na 2 Guerra Mundial, ou seja, cercado por nazis e estalinistas. Os fascistas de Mussolini não entram nesta história porque vivem longe de mim.

Na argumentação fundamentalista dos sportinguistas e dos benfiquistas, há coisas que eu não consigo perceber. Quer os meus familiares e amigos sportinguistas, quer os meus familiares e amigos benfiquistas, não só reconhecem a desonestidade, o maquiavelismo e má formação moral e ética de Bruno de Carvalho e Filipe Vieira como justificam o seu apoio a estas duas sinistras criaturas por considerarem que os seus métodos são os únicos susceptíveis de fazer triunfar um clube na liga portuguesa????!!!!....

"Os fins justificam os meios." A frase de Maquiavel que traça a fronteira entre o totalitarismo e a democracia, entre os batoteiros e os desportistas.

E os argumentos de benfiquistas e sportinguistas são absolutamente idênticos. E os benfiquistas ainda vão mais longe ao lançar mão do Apito Dourado sem perceberem sequer que esse é um argumento que nunca deviam utilizar depois de tudo o que disseram sobre ele. Usar esse argumento para justificar a sua conduta causa a mesma repulsa que causaria um indivíduo justificar-se com o caso Casa Pia para desvalorizar o facto de ser um violador de menores. Puxar do argumento do Apito Dourado é colocar-se ao seu nível. O mesmo sucede com os sportinguistas.

E o mais extraordinário é que, reconhecendo todos a batota generalizada, ninguém abandona a mesa de jogo, procurando vencê-lo recorrendo aos mesmos métodos que denuncia. E não vale a pena procurar-lhes explicar a diferença entre um frango dado por um guarda-redes e guarda-redes pago para dar um frango ou a diferença entre um clube que empresta um jovem jogador para rodar de um clube que contrata, por grosso, os melhores jogadores das equipas adversárias para os emprestar às equipas adversárias com o propósito de as enfraquecer quando jogam contra elas, reforçá-las quando jogam com os adversários e controlar o seu voto nas assembleias da Liga.

Para os fundamentalistas, os fins justificam os meios. Por isso, não vale a pena tentar explicar-lhes a diferença porque não vão conseguir perceber. Para este tipo de gente, o importante é ganhar e não a forma como se ganha pelo que não conseguem distinguir a diferença entre um atleta que vence todas as corridas por ser o melhor do atleta que vence todas as corridas por fazer batota.

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Quinta-feira, 05.09.19

O Antes e o Depois...

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Quarta-feira, 28.08.19

Aos meus amigos benfiquistas...

Santana-Maia Leonardo

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Os meus amigos benfiquistas que me perdoem mas há coisas que eu não consigo compreender e tenho muitas dúvidas de que algum adepto de algum clube europeu consiga compreender. O problema provavelmente será meu, em virtude de ser descendente de ingleses e, como tal, ter o ADN dos ingleses na minha relação com o futebol e com o fair play.

Como já referi várias vezes, sou, desde sempre, um adepto incondicional do futebol inglês e da liga inglesa. E todos os anos não dispenso ir, pelo menos, uma vez a Inglaterra para ver, ao vivo, dois jogos da liga inglesa e viver o ambiente único e apaixonante do jogo na pátria do futebol.

O Manchester United é o maior clube inglês e um dos três maiores do mundo, juntamente com o Barça e o Real Madrid, com mais de 700 milhões de adeptos.

Todos sabemos que, ao contrário dos grandes clubes que têm outras fontes de financiamento, as receitas provenientes dos direitos televisivos são o principal sustento dos clubes com  menos expressão.

Imaginemos, agora, que o Manchester United, o Arsenal e o Liverpool, os três maiores clubes ingleses, invocando esse facto e o serem os clubes com mais seguidores em todo o mundo, se apropriassem de 80% das receitas televisivas, deixando apenas 20% das receitas para todos os outros clubes (em Inglaterra, recordo, o Manchester United recebe 1,5 vezes mais do que o último classificado e, em Espanha, o Barça recebe 2,5 mais do que o último classificado, sendo esta a maior diferença existente nos países europeus).

Imaginemos agora que a Liga Inglesa não limitava o número de jogadores por equipa e que o Manchester United, aproveitando-se do seu poderio económico e das debilidades financeiras dos restantes 17 clubes, comprava os melhores jogadores desses clubes com vista a emprestá-los posteriormente e a impedir que jogassem contra si (Isto, recordo, é proibido em Inglaterra e nos países europeus que conheço).

Imaginemos agora que todas as televisões e jornais ingleses apenas comentavam os jogos do Manchester United, Arsenal e Liverpool, impedindo a presença de qualquer comentador que não pertencesse a um destes três clubes, mesmo quando se comentavam jogos em que participavam outros clubes (em Inglaterra, não há jornais desportivos e, tal como em Espanha, todos os jogos merecem igual destaque televisivo e são comentados pelo mesmo painel de comentadores).

Imaginemos que todos os jogos do Manchester United eram transmitidos pela televisão do Manchester United e que eram comentados por árbitros, jornalistas e comentadores contratados e pagos pelo Manchester United (isto não é permitido em nenhum país do mundo).

As perguntas que gostaria de fazer aos meus amigos benfiquistas eram as seguintes:

(a)   acham que, verificando-se estas circunstâncias, havia algum sócio ou adepto do Manchester United disponível para ir assistir aos jogos do Manchester United contra pequenas equipas inglesas desfalcadas, desprotegidas e totalmente dependentes das esmolas do Manchester United?;

(b)   acham que havia algum adepto do Manchester United que fosse capaz de festejar os golos contra estas equipas, sem corar de vergonha?; e

(c)   acham que havia algum adepto do Manchester United que fosse capaz de se vangloriar das vitórias assim conseguidas, sem corar de vergonha, cantando o hino do clube: “Glory! Glory! Man United!”?

Todos sabemos a resposta. O que se passa em Portugal é uma vergonha. Mas como, por aqui, vergonha é precisamente aquilo que não existe...

O Sporting com Bruno de Carvalho também quis fazer o mesmo e o Porto também já fez o mesmo e agora só não faz mais porque não pode? Mas isso, porventura, justifica ou diminui a falta de vergonha de quem se comporta desta forma?

Portugal é um pequeno país mas, infelizmente, a ganância é precisamente uma das características mais típicas daqueles que detêm o poder neste país, seja ele qual for. Basta ler a “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto, o livro que melhor retrata o povo português. Quando estão na mó de baixo, não têm pejo em se rebaixar e humilhar. É “o pobre de mim!”, o coitadinho. Quando se apanham na mó de cima, não têm pena de ninguém: matam, roubam, saqueiam, sem que isso lhes pese sequer na consciência.

Por alguma razão, somos o país da Europa onde existe o maior fosso entre ricos e pobres (entre pessoas, regiões, clubes, etc.), fosso esse que, cada vez, se vai acentuando mais, à boa maneira sul-americana.

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Domingo, 25.08.19

A cláusula do Medo (Espanha) e a da Batota (Portugal)

Santana-Maia Leonardo

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Em Espanha, chamam "cláusula do medo" ou "cláusula da vergonha" à cláusula facultativa que os clubes que emprestam um jogador a outro clube podem inserir no contrato de empréstimo para os impedir de jogar contra a sua equipa. E esta cláusula é bastante depreciada, em Espanha, na medida em que revela um temor incompreensível de uma equipa jogar contra um jogador que não ficou no plantel por se considerar que ainda não tinha rodagem ou traquejo suficiente.

O Barça, recordo, perdeu o campeonato há três anos porque Munir, um canterano de la Masia que estava emprestado ao Valência, marcou o golo do empate. No entanto, não há um único sócio, dirigente ou treinador do Barça que, com base nisso, defenda a "cláusula do medo". O Barça quer jogar sempre contra os melhores jogadores das outras equipas. Ganhar contra um adversário desfalcado não honra nem dá glória. 

Mas, em Portugal, não é sequer isso que se passa. Em Espanha, os jogadores emprestados são jogadores jovens com potencial, muitos deles saídos da cantera, que precisam de jogar para desenvolver o seu potencial para regressarem à casa-mãe. Ora, não é nada disto que se passa em Portugal em que os clubes com mais poder económico contratam, por grosso, os melhores jogadores dos pequenos clubes, a maioria dos quais não têm nem idade, nem reúnem condições para aspirar sequer a poder jogar no clube-comprador, com vista a emprestá-los, desfalcando, por um lado, a equipa a quem os emprestam ou compram quando jogam contra o clube-comprador, e, por outro lado, reforçando estas equipas contra os adversários directos do clube-comprador. Para já não falar de outras dependências que se criam por esta via...

Isto não tem nada a ver com a "cláusula do medo" tão criticada em Espanha, mas com a CLÁUSULA DA BATOTA, uma especialidade bem portuguesa de adulterar as leis e os regulamentos importados dos outros países, com base no habitual chico-espertismo. E as vitórias com batota nunca são gloriosas. A não ser para os batoteiros.

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Terça-feira, 20.08.19

A cartilha da política portuguesa

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Sábado, 17.08.19

A Champions, os grandes clubes e os feirantes

Santana-Maia Leonardo

A Champions, como todas as grandes competições, é uma competição disputada pelos grandes clubes europeus que gastam fortunas para terem os melhores jogadores e pelos feirantes que lutam entre si, alguns com ofensas, a tiro e à navalhada, ou seja, à portuguesa, para conseguir o melhor lugar para a sua banca.

Para os feirantes, basta ouvi-los falar e contar as notas, a Champions não é uma competição mas uma montra onde vão expor o seu produto com o objectivo de o vender.

Este ano parece que houve um feirante que perdeu o lugar na primeira fila... e o outro que lhe ficou com o lugar já está a esfregar as mãos.

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Sexta-feira, 16.08.19

Maquiavel

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Maquivel: "Aos amigos os favores, aos inimigos, a lei."

É por essa razão que, quanto mais exigentes e rigorosas forem as leis, pior para os adversários dos governantes, autarcas e demais autoridades porque os amigos esses estão sempre tranquilos.

E, em Portugal, o excesso de leis serve precisamente para reprimir os adversários dos governantes, autarcas e demais autoridades.

É, por isso, que não consigo compreender esse apelo constante do cidadão comum a que se façam cada vez mais leis para regulamentar tudo e mais alguma coisa.

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Quarta-feira, 14.08.19

Coimbra e o poder da abstenção

Santana-Maia Leonardo - in Expresso de 16-8-2019

Basta ter em conta o impacto nacional que o boicote às eleições de uma pequena, remota e esquecida aldeia remota transmontana causa para perceber que essa é a única arma que o interior norte e o Alentejo, actualmente, dispõem para enfrentar Lisboa e fazer-se ouvir a nível nacional e internacional.

Para os residentes na cidade Lisboa-Porto, o voto é uma arma porque tem poder decisório dentro do nosso modelo grego de desenvolvimento assente na Cidade Estado; no entanto, para os residentes no Alentejo e no interior norte, o voto é absolutamente inútil e ilusório, porque não há no nosso espectro político um único partido que levante a voz contra este modelo de desenvolvimento e defenda o modelo de desenvolvimento holandês das cidades médias.

Para os residentes do Alentejo e do interior norte, só a abstenção em massa e o boicote eleitoral têm capacidade para ter impacto eleitoral, ser notícia e fazer tremer o Terreiro do Paço.

Portalegre elege, actualmente, dois deputados (um do PS e outro do PSD, seja qual for o resultado), destinados à última fila do parlamento, a não ser que sejam candidatos do partido residentes em Lisboa e impostos por Lisboa.

Se o distrito se recusasse a participar nas eleições, enquanto Lisboa não olhasse para o distrito como parte integrante de Portugal, Lisboa não tinha outro remédio a não ser olhar, porque um boicote desta dimensão teria um impacto internacional devastador para o governo.

E então se fosse o Alentejo e o interior norte, o Governo ajoelhava porque a UE teria muito dificuldade em compreender por que razão um país que recebeu tantos fundos de coesão tinha, afinal, acentuado ainda mais os graves e profundos desequilíbrios que os fundos se destinavam a corrigir. 

No entanto, face ao acelerado processo de desertificação que, tal como os incêndios, está a varrer todo o interior de Portugal, apenas Coimbra, pela sua localização fronteiriça, ou seja, junto à A1 (a verdadeira fronteira de Portugal) e pela força da sua universidade e da sua história (D. Afonso Henriques já não dorme paz), tem ainda capacidade para liderar o último e decisivo combate contra os fundamentalistas da Cidade Lisboa.   

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Terça-feira, 13.08.19

Até já, Don Andrés!

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Sexta-feira, 09.08.19

A definição de clube por Sir Bobby Robson

Santana-Maia Leonardo

"O que é um clube? É o barulho, a paixão por fazer parte dele, o orgulho na tua cidade."

Esta definição tão perfeita do que é um clube só podia ter sido feita por um dos míticos treinadores ingleses, a pátria de futebol.

E, se corrermos o mundo, não podemos deixar de concluir que foi precisamente este conceito de clube de futebol que os ingleses exportaram para todo o mundo e, sem o qual, é impossivel a existência do próprio jogo.

Por que razão, então, só em Portugal o conceito de clube foi desvirtuado, na medida em que assistimos, constantemente, de norte a sul do país, a manifestações de júbilo de portugueses com a derrota do clube que representa a sua cidade?

A explicação só pode ser uma: os portugueses nunca foram muito bons em inglês pelo que é natural que tenham traduzido mal o conceito de clube de futebol.

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Sexta-feira, 02.08.19

As ilegalidades verdadeiramente ilegais

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Quarta-feira, 31.07.19

Autarquias, Quintas e Hortas

Santana-Maia Leonardo Rede Regional de 28-9-2017

Basta passar os olhos pela comunicação social escrita e falada e pelos debates televisivos para constatar que apenas existem duas autarquias em Portugal: a Região Metropolitana de Lisboa e a Região Metropolitana Porto. O resto são pequenas quintas e hortas que apenas interessam aos respectivos donos.

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Mesmo os líderes de Lisboa, quando passam pelas hortas por dever de ofício e de fugida, apenas falam de Lisboa. E não deixa de ser revoltante assistir à sabujice dos hortelãos perante os senhores de Lisboa, gratos pelas pequenas ajudas que recebem da capital para ajeitar a horta.

Se percorremos Portugal de norte a sul pelo interior do país, as aldeias e vilas estão num brinco: zonas ribeirinhas, polidesportivos, piscinas, estádios, rotundas, esgotos e passeios. Não falta nada, excepto as pessoas. A leste da A1 mais de 60% da população está reformada e a restante é, em regra, gente pouco qualificada e pouca ambiciosa que vive à conta das autarquias, do rendimento de inserção social ou da reforma dos pais, naquela típica economia de subsistência que caracterizam as hortas.

Tenho alguma estima por alguns políticos-hortelãos que cuidam da sua horta com todo o carinho e toda a dedicação. Só que depois vem o fogo e varre-lhes a horta do mapa.

E qual a solução que os senhores de Lisboa perspectivam para inverter esta situação e repovoar território? Seguir o exemplo dos países europeus e deslocalizar para o interior do território serviços centrais da Administração Pública e órgãos do Estado? Isso é que era bom! A solução é destinar o interior do país aos refugiados, ciganos e todos aqueles que vivem do rendimento de reinserção social. Ou seja, segundo os senhores de Lisboa, a solução é fazer do Alentejo e do Interior-Norte a Faixa de Gaza, enquanto na Cidade Lisboa-Porto fica a viver o povo escolhido por Deus.

Para mim, já chega! Como disse em 2012, não voltarei a votar, enquanto a Assembleia da República não for deslocalizada para uma aldeia, vila ou cidade a leste da A1. Neste momento, "votar" é validar um sistema político corrupto que reduziu Portugal à estreita faixa litoral Lisboa-Porto e que retirou qualquer relevância ao voto dos residentes no Interior-Norte e no Alentejo.

Só o boicote a todos os actos eleitorais por parte dos residentes no Alentejo e no Interior-Norte tem hoje capacidade para denunciar e alertar o mundo para a nossa situação e obrigar Lisboa a levar a cabo as reformas necessárias para equilibrar o território. Tenho a consciência da dificuldade de uma tomada de posição colectiva desta natureza por parte de um povo que se habituou a viver de cócoras e de mão estendida a Lisboa. Mas não há outra alternativa! Até porque não é com velhos de 60 ou 70 anos que se consegue formar um exército para declarar guerra a Lisboa.    

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Domingo, 28.07.19

Deixa arder!

Santana-Maia Leonardo - Rede Regional de 26-6-2017

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Quando olhamos para  a cara dos habitantes das aldeias atingidas pelo fogo, das duas uma: ou os habitantes ficaram sem a sua casa ou, muito em breve, vão ser as suas casas que vão ficar sem os seus habitantes.

Por outro lado, quando ouvimos os especialistas, políticos, catedráticos, comentadores e jornalistas debaterem e argumentarem doutamente sobre a floresta portuguesa e a causa dos fogos, não podemos deixar de constatar que todos eles têm três coisas em comum. Podem ser de direita ou de esquerda, transmontanos, alentejanos, beirões ou algarvios mas todos eles residem em Lisboa (primeira característica comum), sabem que a principal causa dos fogos florestais reside no processo de desertificação do território (segunda característica comum) e nenhum deles faz tenção de deixar de residir em Lisboa (terceira característica comum). Aliás, quando chegam aqui, todos se apressam a dizer que o processo de desertificação é irreversível, receosos, porventura, de que alguém os queira obrigar a sair de Lisboa.

É óbvio que o processo de desertificação é irreversível se, ao contrário do que acontece em todos os países da Europa civilizada, todos os ministérios e secretarias de Estado, todas as direcções-gerais, o Supremo Tribunal de Justiça, o Tribunal Constitucional, o Estado-Maior do Exército e da Força Aérea, etc. etc. estiverem sediados no litoral e, ainda por cima, numa única cidade. Agora experimentem, como eu venho defendendo há mais de trinta anos, a recuar todos estes edifícios 100 ou 200 Km para o interior do território, assim como as principais universidades e quartéis militares, e verão se a situação não se altera radicalmente.

Sendo certo que, com a  actual rede de estradas e a informática, esta alteração não causaria qualquer transtorno aos cidadãos. Bem pelo contrário, Lisboa ficaria liberta do congestionamento automóvel, da poluição e da pressão urbanística, podendo transformar-se, então, na cidade turística, empresarial, residencial e marítima que o presidente da câmara idealiza, e o país ficava mais equilibrado e mais protegido, designadamente, dos fogos florestais.

A alternativa a esta solução, é deixar arder! Mas, pelo menos, poupem-nos das lágrimas de crocodilo dos senhores de Lisboa que, para além de não ajudarem a apagar os fogos, apenas contribuem para aumentar a revolta de quem aqui vive.

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