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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

por Manuela Ruivo

 
Quando os nossos autarcas tanto falam de cultura, é, no mínimo, curioso a falta de sensibilidade no tratamento para com determinadas instituições.
 
Como todos sabemos, a Liga dos Amigos de Abrantes aprovou os seus estatutos em Novembro de 1949, ou seja, há praticamente 60 anos. Tendo por lema “Tudo por Abrantes”, direcções sucessivas e membros associados desenvolveram uma acção notável na área social, cultural e promocional do concelho. Já nessa altura as metas a que se propunha eram da maior pertinência e actualidade: “chamar a atenção dos portugueses para as maravilhas que o concelho de Abrantes encerra, quer do ponto de vista paisagístico, quer histórico”. Além da divulgação do concelho de Abrantes e da “Cidade Florida”, contribuíram para o aumento de turistas em Abrantes.
 
Das variadíssimas actividades em que se envolveram em prol de Abrantes, destacam-se: o concurso janela mais florida; a primeira biblioteca ao ar livre; exposições de fotografia e pintura; serões de arte; Feiras; lições de cultura geral com convidados.
 
A sua sede era no antigo edifício Falcão e, por motivos que alguém concerteza saberá explicar, foram convidados a sair. O seu espólio terá ficado em armazéns da câmara municipal, tendo sido levados posteriormente, ao que parece, para arrecadação de um dos amigos da Liga. Sem sede e com o seu espólio maltratado, praticamente desconhece-se o precioso trabalho social/turístico/cultural desenvolvido em benefício do nosso concelho por este grupo de benfeitores.
 
Como é possível que os nossos autarcas, tendo participado activamente no processo de “despejo” da Liga dos Amigos de Abrantes do edifício Falcão e tendo conhecimento do trabalho meritório desenvolvido, se tenham esquecido completamente que esta instituição existe. É que só se podem ter esquecido ou, então, não interessa valorizar as organizações que promovem/promoveram a vertente cultural do nosso concelho gratuita e empenhadamente.
Para quê as encenações megalómanas se as coisas simples e fáceis de concretizar são ignoradas?
 
Se não as tivessem ignorado, deveriam ter tido a elevação, correcção e justiça de, ao exemplo da “simbiose de interesses” entre a câmara municipal e as Associações desportivas para “abrigo” de oito associações/clubes da cidade que não tinham sedes administrativas, de não se esquecer de organizações que tanto contribuíram para engrandecer e projectar Abrantes no contexto Social, Turístico e Cultural.