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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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29 Jan, 2010

PRIORIDADES

António Belém Coelho - in Primeira Linha

 

Terminámos a nossa última crónica falando da necessidade de definir bem as prioridades do País tendo em atenção que os recursos disponíveis (financeiros, físicos e humanos) são limitados e escassos para acorrer a tudo. E isso é ainda mais verdade em tempo de crise, o que aconselha a que essa definição de prioridades seja muito bem estudada e efectuada na base de critérios bem definidos.
 
Como primeira prioridade, coloco o apoio social os mais necessitados, nomeadamente através do subsídio de desemprego e outras prestações sociais. Relativamente ao subsídio de desemprego, para além de novas condições de atribuição, de carácter excepcional durante o período de crise, dever-se-ia avançar mais na abrangência dos ainda mais de duzentos mil desempregados que dele não auferem por razões várias.
 
Como segunda prioridade, os chamados investimentos de proximidade, alguns dos quais já estão em curso, como sejam a construção de novas escolas e a requalificação de outras, e o mesmo relativamente a unidades de saúde, com ou sem parcerias público/privadas. Também neste campo de investimentos de proximidade se deveria apostar bastante mais, dadas as carências existentes, em estruturas de apoio à terceira idade. Efectivamente são estes os investimentos que geram emprego nacional e que melhoram as condições de dois sectores fundamentais para a produtividade da economia: educação e saúde.
 
Aliás, o esforço no campo da educação, em termos de investimento, mas desta vez em investimento não físico, deveria efectuar-se numa adequação dos programas (a partir do ensino secundário inclusive) ao mundo real (laboral e empresarial), com vista a que os alunos, terminados os estudos sejam portadores de ferramentas capazes para enfrentar as realidades existentes. A par, formação para docentes, no sentido de orientar o processo de ensino aprendizagem nesse mesmo sentido: aproximação da teoria à prática. E estabelecer uma cultura de exigência quer para alunos, quer para professores. Não podemos continuar a deitar para fora do sistema de ensino obrigatório, produtos que quase nem sabem ler nem escrever e que quanto ao resto, nem é bom falar; neste caso, abaixo as estatísticas, viva a realidade.
 
Como terceira prioridade, de algum modo ligada à anterior, formação e qualificação profissionais a sério. Até agora pouco houve disso, servindo muito mais para o rendimento dos formadores, normalmente escolhidos a dedo, do que para colmatar as efectivas necessidades. A prova é que, depois de milhões e milhões utilizados neste item, continuamos a perceber que uma das nossas fraquezas é a formação e qualificação profissional.
 
Como também o espaço é um recurso escasso, continuaremos para a próxima.