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COLUNA VERTICAL



Sábado, 08.05.10

A ESCOLA DE ALVEGA

Manuela Ruivo - in Primeira Linha 

 

É inacreditável a passividade do executivo camarário em relação ao eventual encerramento da Escola Básica dr. Fernando Loureiro. Sendo certo que a carta educativa contemplava o encerramento para o próximo ano lectivo de 2010/2011, também é certo que a carta educativa não é um elemento conclusivo, devendo ser alvo de monitorização, reflectindo as realidades específicas de cada escola e a conjuntura de cada momento.

 

Quer o Conselho Geral da EB D. Miguel de Almeida – Abrantes, quer a direcção da EB dr. Fernando Loureiro – Alvega, se mostraram contra esta fusão. Por que motivo, a Direcção Regional de Lisboa e Vale do Tejo e o executivo camarário, não se interessaram pelos motivos apresentados, pelas duas escolas (quer pela EB D. Miguel de Almeida quer pela EB dr. Fernando Loureiro)?

 

A conjuntura com que hoje nos deparamos é totalmente diferente. A criação na Freguesia de Concavada de 1800 postos de trabalho irá alterar com toda a certeza o número de alunos deste agrupamento (anunciados com pompa e circunstância pelo executivo anterior, integrado também pela actual Presidente). Ou será tudo isto mais um embuste, a exemplo de outros?

 

Mais uma vez, o nosso concelho irá perder alunos, pois pelo exemplo da escola das Mouriscas, em que praticamente todos os alunos foram para concelhos limítrofes, a realidade da EB dr. Fernando Loureiro é similar. O concelho do Gavião a escassos quilómetros de distância está satisfeitíssimo à espera dos novos alunos. Quem perde novamente? O concelho de Abrantes.

 

A EB D. Miguel de Almeida, para além de não ir receber alunos, irá arcar com mais professores e mais funcionários. Será que alguém se deu conta que a EB D. Miguel de Almeida está em obras de requalificação? Será que alguém se deu conta que dois executivos iniciaram o seu mandato e dos problemas de gestão que se irão colocar ao Agrupamento? Será que alguém conhece a realidade das Freguesias de Alvega e Concavada?

 

O frágil tecido social, bem como o pequeno comércio, muitíssimo dependentes da EB, definharão e a desertificação destas freguesias rurais, infelizmente, será uma realidade. Será que alguém se dignou a analisar o número de alunos que actualmente frequentam as escolas do agrupamento, num total de 210 discentes que frequentam o ensino regular e cinco turmas no total de 39 alunos a frequentar Formação Modulares nocturnas de TIC e Inglês? Bem como, alunos inscritos no Curso de Educação e Formação de adultos de nível básico (EFA), suficientes para abrir uma turma?

 

A resposta é NÃO! Ninguém se interessou. Provavelmente esqueceram-se …. Ou então, tinham outros assuntos mais importantes a resolver.

 

Senão vejamos: os presidentes da Junta de Alvega e Concavada e os respectivos executivos, bem como as Assembleias de Freguesia, são contra o encerramento da EB; o director do executivo do Agrupamento da EB D. Miguel de Almeida é contra a fusão dos Agrupamentos; a directora do executivo do Agrupamento da EB Alvega e Concavada é contra o encerramento; a Associação de Pais do Agrupamento da EB Alvega e Concavada é contra o encerramento; o PS de Abrantes, através da sua porta-voz para a educação, a deputada municipal Idalina Maçãs, é a favor do encerramento; a Presidente da Câmara secunda totalmente a opinião do PS Abrantino.

 

Será que não estamos mais uma vez perante um facto consumado, com a conivência do executivo PS, estando mais uma vez presidentes de Junta PS a ser enganados, ao exemplo do que se verificou com a junta de Freguesia de Alferrarede?

 

Infelizmente, para populações inteiras, o PSD teme que, neste preciso momento, o encerramento da escola seja um facto consumado, de que o executivo do PS já tem conhecimento, caso contrário, como explicar as intervenções do PS e da presidente da câmara na última Assembleia Municipal?

 

Os alunos que agora se deslocarão para o concelho do Gavião, como forma legítima de retaliação para com um executivo que lhes diminuiu consideravelmente o nível de qualidade de vida, começarão a criar raízes afectivas nesse concelho, onde muitos deles acabarão por constituir família, residir e trabalhar. Assim se esvaziam duas freguesias, assim se diminui a qualidade de vida, assim se regride no desenvolvimento e na coesão social de um concelho.

 

Assim se governa mal em Abrantes.

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