ISRAEL, O OCIDENTE E O HAMAS
Nós, os ocidentais, somos amigos estranhos. Damos prioridade ao nosso conforto moral. Convinha-nos que Israel levantasse o bloqueio a Gaza e aceitasse passivamente os bombardeamentos do Hamas, limitando-se a filmar os mortos e a preencher o devido impresso de reclamação na ONU. Seria assim mais fácil de redigir artigos pró-israelistas.
O embaixador de Israel em Lisboa fez há dias, na televisão, a pergunta fatal: tem o Ocidente meios para garantir que o fim do bloqueio não deixaria o Irão reforçar o Hamas? E concluiu: Israel prefere receber mensagens de protesto do que mensagens de condolências.
O Médio Oriente não é terra para ingénuos. Se, amanhã, a vantagem militar passasse para o Hamas, não haveria Israel no dia seguinte. Eis o problema: Israel é incómodo porque nos lembra que o mundo não é como gostaríamos que fosse, e que a nossa força e o nosso direito não chegam para o mudar.
Rui Ramos – in Expresso de 05/06/2010