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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

por Santana Maia

 
Quando daqui a muitos anos se fizer a retrospectiva do final do século XX e do início deste século, chegar-se-á muito provavelmente à conclusão de que terminámos o milénio e iniciámos este sob o jugo da mais cínica ditadura de que há memória: a ditadura do mercado, a que nós eufemisticamente chamamos democracia populista.
 
O dinheiro (quase) tudo compra e tudo corrompe. E para se destruir um homem, manipulá-lo ou condicionar-lhe a vontade, já não há necessidade sequer de recorrer a campos de concentração ou salas de tortura. Basta tão-só uma mão cheia de dinheiro, seja sob que forma for. E quem lhe resiste fica de tal modo isolado e excluído que não pode deixar de sentir a permanente angústia e solidão da mais soturna masmorra.
 
Dizia Einstein, com inteira propriedade, que a mediocridade é invencível porque os medíocres são a maioria. E as democracias populistas assentam precisamente nesse princípio. Tem, por isso, inteira justificação a preocupação manifestada por George Steiner, um dos grandes pensadores do nosso século, na sua entrevista ao jornal espanhol ABC: «o império dos meios de comunicação e do mercado, o oportunismo distributivo do consumo de massas (...) podem ser muito mais perniciosos para a arte do que a censura nos regimes do passado».