Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

COLUNA VERTICAL



Quinta-feira, 15.07.10

CAVACO E BENTO XVI: TÁCTICA E ESTRATÉGIA

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança  

 

Sempre votei e apoiei Cavaco Silva. E fi-lo sempre por convicção. E foi precisamente por acreditar na sua promessa de que seria capaz de devolver Portugal ao crescimento e prosperidade, em "cooperação estratégica" com a maioria socialista, que votei nele nas últimas presidenciais.

 

É óbvio que, para haver "cooperação estratégica" com o Governo, seria necessário, antes de mais, que o Governo quisesse cooperar com o Presidente, o que manifestamente não sucedeu. Mas o Presidente não podia deixar de ver aquilo que entrava pelos olhos de qualquer pessoa com "dois dedos de testa": a corrida vertiginosa para o abismo a que as políticas irresponsáveis e criminosas do Governo, nas mais diferentes áreas (Educação, Justiça, Obras Públicas, Trabalho, Família, Administração Pública, etc.), nos estavam conduzir.

 

Acontece que o Presidente assistiu à derrocada de Portugal, impávido e sereno. Na sua comunicação ao País, a propósito da promulgação dos casamentos gay, ficámos todos a perceber a razão deste silêncio cúmplice com a política criminosa do Governo: para o Presidente, a ética das convicções deve ceder à lógica das conveniências, a que eufemisticamente resolveu chamar "ética da responsabilidade", mas que, no fundo, se resume apenas a uma enorme cobardia e a pura táctica política.

 

É, por esta razão, que eu, não sendo crente, nem católico, tenho uma enorme admiração por Bento XVI. Para este, a ética da responsabilidade está sempre intimamente ligada à ética das convicções, não podendo viver uma sem a outra.

 

Isto não significa, obviamente, que concorde com a posição do Cardeal Patriarca ao sugerir a perda do voto católico em Cavaco por este não ter vetado a lei dos casamentos gay. Aliás, esta declaração não faz qualquer sentido tendo em conta o que fica do chamado casamento civil.

 

Com efeito, depois da lei do casamento civil ter sido absolutamente esvaziada pelos sucessivos governos socialistas, o que resta, hoje, é apenas uma excrescência jurídica de que apenas sobejou o nome, sem qualquer objecto e que visa apenas dar trabalho e dinheiro aos advogados, tribunais e conservatórias. Sem casamento civil, a maioria dos escritórios de advogados (eu falo por mim) iam à falência: acabavam-se os divórcios, inventários, prestações de contas, arrolamentos, regulações de responsabilidade parental, acções de indemnização e de alimentos, execuções, etc.

 

É, também por esta razão, que o legislador quer equiparar as uniões de facto ao casamento civil, com receio de que a maioria dos portugueses se aperceba da inutilidade do casamento civil e passe a unir-se de facto, em vez de se casar.

 

Ora, em face disto, a Igreja Católica só tinha de fazer uma coisa: rasgar a Concordata e recusar que o casamento católico pudesse continuar a ser equiparado a esta excrescência jurídica que o legislador teima em chamar "casamento", com vista apenas a enganar os incautos.

 

O casamento de que fala Bento XVI não tem nada a ver com isto. Casamento, para Bento XVI, é a união indissolúvel entre um homem e uma mulher. Ou seja, para Bento XVI, o casamento é um projecto de vida colectivo que vai muito para além da união de dois indivíduos e de dois egoísmos. O casamento, para Bento XVI, é o contrato para a vida que acautela o futuro dos filhos (criando-as e educando-as) e dos pais (protegendo-os na velhice).

 

É claro que a maioria das pessoas, nas quais eu me incluo, é hoje demasiado egoísta para  se preocupar com as gerações futuras. Cada um que se desenrasque. E desde que o mundo chegue até à hora da nossa morte, é o que chega para a maioria das pessoas.

 

No entanto, apesar de reconhecer o meu egoísmo e o meu comodismo, reconheço também a razão de Bento XVI ao defender a família como uma instituição perene (e não um local de passagem de indivíduos de diferentes proveniências, como hoje acontece), única forma de a responsabilizar e garantir a  transmissão dos valores comunitários.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.



Perfil

SML 1b.jpg



Visitantes


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Quimeras


Alma, Eléctrico!


Livros

Capa - 3ª Edição.jpg

Capa - Frente.jpg

Capa Bocage.jpg 

Capa.jpg 

Eléctrico - Um Clube com Alma.jpg

Mistério Sant Quat (I).jpg


Livros-vídeo


eBooks




calendário

Julho 2010

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D