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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 

Como toda a gente sabe, o único e verdadeiro valor genuinamente civilizacional que hoje nos rege é a hipocrisia. E é precisamente em nome da hipocrisia que os (putativos) defensores dos direitos dos animais defendem o fim das touradas e dos toiros de morte. Porque se os (putativos) defensores dos direitos dos animais se preocupassem efectivamente com o sofrimento dos animais, deviam preocupar-se com os bois e não com os toiros.

 

Com efeito, em três ou quatro anos de vida do toiro, este apenas sofre cerca de 30 minutos, o tempo que dura a lide. O resto do tempo, não há animal que viva junto do homem que tenha vida que se lhe compare. Vive em liberdade, em estado selvagem, inteiro.

 

Por seu lado, a vida do boi é feita de sofrimento desde que nasce até que morre: capado, amarrado a uma manjedoira quase sem espaço para se mexer, engordado a toque de farinhas e hormonas, para morrer ao fim de 6 meses num matadouro qualquer e sabe-se lá como. É uma vida triste, curta e sem o mínimo de dignidade.

 

Mas isso não preocupa, obviamente, os tais (putativos) defensores dos direitos dos animais. Na verdade, pouco lhes interessa que a vida do toiro seja muito mais longa, saudável e alegre do que a do boi. Porque o que, na realidade, os preocupa não é o sofrimento dos animais, designadamente, do toiro, mas (suprema hipocrisia) o facto de os verem sofrer. E como o que aparece na televisão são os 30 minutos da lide...

 

Ora, os defensores dos direitos dos animais fariam melhor em preocupar-se com os valores civilizacionais que transformaram a vida de certos animais domésticos num espectáculo verdadeiramente degradante do que com as touradas que enobrecem e perpetuam a vida dos toiros, proporcionando-lhes uma vida de fazer inveja à dos seus primos bois.

 

Além disso, o fim das touradas significaria, pura e simplesmente, o fim dos toiros. E tal como as reservas naturais são o garante da sobrevivência de muitas espécies animais, também as touradas são o único garante da perpetuação da raça dos toiros. Não existe um único país que seja criador de toiros em que o destino destes não seja as touradas.

 

Isto não é, no entanto, novidade para os (putativos) amigos dos animais que, chegados aqui, costumam lançar sempre mão, em desespero de causa, do estafado argumento de equiparar o homem ao irmão toiro com que julgam matar a questão: «gostavas que te fizessem o mesmo a ti ou a algum dos teus filhos?»

 

Apesar de não ser ganadeiro, nem aficionado, não posso deixar de responder a esta pergunta com outra pergunta. O que é que cada um de nós preferia para si e para os seus filhos: ser criado livre, inteiro, para morrer em combate numa praça, na idade adulta, ou viver amarrado a uma manjedoura, capado, engordado a farinhas e hormonas, para ser morto, na adolescência, num matadouro, tendo a sua vida por único destino encher a pança aos amigos dos animais?...

 

Eu não tenho dúvidas do que escolheria para mim e para os meus filhos. Por isso, defendo as touradas. Não porque goste delas mas porque são o único garante da qualidade de vida dos toiros.

 

É óbvio que todos aqueles que clamam pelo fim das touradas têm a perfeita consciência de que, no dia em que isso suceder, os toiros têm os dias contados. Mas a sua extinção tão pouco os preocupa. Antes pelo contrário, desejam-na ardentemente. Só que, depois, não se percebe muito bem por que razão fazem tanto alarido com a extinção de outras espécies que só conhecem da televisão. Ou seja, à boa maneira portuguesa, choram pela extinção de espécies que nunca viram, enquanto contribuem decisivamente para a extinção daquela que têm ao pé da porta.

2 comentários

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    Rexistir 26.08.2010

    Carolina

    Diga-me um nome de um único país onde existam toiros e não existam touradas ou indique-me, em alternativa, o nome de um único criador de toiros que não os destine às touradas.
    Onde não há touradas não há touros... Nem no jardim zoológico.
    Disparate é as pessoas reagirem por preconceito em vez de se informarem.
    Enfim, mas este é afinal o mundo do politicamente correcto. O nosso mundo.

    Um abraço
    Santana Maia
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