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COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

por Manuel Catarino

  
Ainda antes do Natal, foi-me entregue um postal, com o rosto de cor azul, onde se encontrava escrito amarabrantes e, dentro de um coração desenhado, uma mensagem de dignificação das pessoas e outra de boas festas. O verso do postal continha uma dedicatória personalizada relativa à quadra natalícia e um pedido.
 
Dias depois, dentro desta quadra de festas recebo a visita de Santana Maia com quem, com outros amigos, mantive várias horas de amena conversa. Como a memória já não é o que era e, não pretendendo alterar a essência das palavras, retive e reproduzo algumas ideias por si expendidas. As pessoas são todas importantes. A cidade, as aldeias periféricas e as mais distantes devem comungar de oportunidades iguais e os seus representantes têm que ter voz. É imperativo que sejamos uma sociedade de deveres. Importa trabalhar, independentemente do resultado. É fundamental a intervenção de todos.
 
Já não acredito que o Pai Natal entre pela chaminé ou o faça tampouco pela porta e deposite as prendas no sapatinho, ou que venha um qualquer D. Sebastião para encontrar soluções para o nosso futuro. Mas ainda há coisas em que acredito. Acredito, isso sim, que há homens que fazem a diferença, tenho fé que estes homens em momentos de crise como o que vivemos intervenham na vida pública e acredito em si, Santana Maia e naqueles conceitos que extraí da nossa conversa. E, como me pediu que escrevesse qualquer coisa para o blog amarabrantes, aqui vão estas palavras do amigo.

Tradução de Félix Bermudes 

  

Se podes conservar o teu bom senso e a calma
No mundo a delirar para quem o louco és tu...
Se podes crer em ti com toda a força de alma
Quando ninguém te crê...Se vais faminto e nu,
Trilhando sem revolta um rumo solitário...
Se à torva intolerância, à negra incompreensão,
Tu podes responder subindo o teu calvário
Com lágrimas de amor e bênçãos de perdão...

Se podes dizer bem de quem te calunia...
Se dás ternura em troca aos que te dão rancor
(Mas sem a afectação de um santo que oficia
Nem pretensões de sábio a dar lições de amor)...
Se podes esperar sem fatigar a esperança...
Sonhar, mas conservar-te acima do teu sonho...
Fazer do pensamento um arco de aliança
Entre o clarão do inferno e a luz do céu risonho...

Se podes encarar com indiferença igual
O triunfo e a derrota, eternos impostores...
Se podes ver o bem oculto em todo o mal
E resignar sorrindo o amor dos teus amores...
Se podes resistir à raiva e à vergonha
De ver envenenar as frases que disseste
E que um velhaco emprega eivadas de peçonha
Com falsas intenções que tu jamais lhes deste...

Se podes ver por terra as obras que fizeste,
Vaiadas por malsins, desorientando o povo,
E sem dizeres palavra, e sem um termo agreste,
Voltares ao princípio, a construir de novo...
Se puderes obrigar o coração e os músculos
A renovar um esforço há muito vacilante,
Quando no teu corpo, já afogado em crepúsculos,
Só exista a vontade a comandar avante...

Se, vivendo entre o povo, és virtuoso e nobre...
Se, vivendo entre os reis, conservas a humildade...
Se inimigo ou amigo, o poderoso e o pobre
São iguais para ti à luz da eternidade...
Se quem conta contigo encontra mais que a conta...
Se podes empregar os sessenta segundos
Do minuto que passa em obra de tal monta
Que o minuto se espraia em séculos fecundos...

Então, ó ser sublime, o mundo inteiro é teu!
Já dominaste os reis, os tempos, os espaços!...
Mas, ainda para além, um novo sol rompeu,
Abrindo o infinito ao rumo dos teus passos.
Pairando numa esfera acima deste plano,
Sem receares jamais que os erros te retomem,
Quando já nada houver em ti que seja humano,
Alegra-te, meu filho, então serás um homem!...

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