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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

 

No dia 19 de Maio, Santana Maia, candidato do PSD à Câmara de Abrantes, visitou a Universidade da Terceira Idade de Abrantes. A visita foi conduzida pela Ex.ma Senhora Dr.ª Maria do Rosário Chambel.
 
A Universidade da Terceira Idade de Abrantes, sita na Rua Actor Taborda nº15, foi fundada no dia 4 de Maio de 1998, através da iniciativa da Palha de Abrantes e da TAGUS. Após três anos de funcionamento a UTIA tornou-se independente e constitui-se como associação, com estatutos e órgãos sociais autónomos em 10 de Maio de 2001.
 
A UTIA desenvolve acções que favorecem o acesso de pessoas a novas oportunidades sociais, culturais e educacionais, assentando numa terapia contra o isolamento e a solidão dos aposentados que se manifesta na saúde física e mental de quem a frequenta.
 
Quem visita a UTIA não pode deixar de constatar, por um lado, a grande relevância social do serviço prestado pela associação e, por outro, a falta de condições em que a associação trabalha e que exigia uma maior atenção da autarquia. Com efeito, sendo a solidão dos aposentados um dos grandes dramas sociais dos nossos dias, exigia-se da autarquia uma (muito) maior sensibilidade e apoio a este tipo de associações e iniciativas.
 
Esta candidatura não esquece o esforço tremendo de todos os dirigentes que dedicam os seus tempos livres à causa pública, militando nas diferentes associações do nosso concelho, lutando contra todas as adversidades, que são muitas, a começar pelo abandono a que são votados pelo município. Estas pessoas enchem-nos de orgulho e fazem-nos ter esperança num futuro melhor, sendo certo que solidariedade social é uma dádiva fundamental na construção de uma sociedade equilibrada, harmoniosa e justa.
 
No próximo dia 21 de Maio, a UTIA comemora o dia nacional das universidades seniores, com um desfile de universidades e suas bandeiras e estandartes, às 10H30, e um programa cultural a desenvolver no teatro S. Pedro, com início às 15H, com a actuação do grupo Cavaquiarte (da UTIA) e encerramento às 18H00 com a actuação da Tuna da Amizade (da UTIA).

por Manuel Catarino

 
Quando Carlos Bento e João Maia Alves escrevem sobre Mouriscas e o seu Tejo, as palavras traduzem investigação e rigor. Fazem-no também por amor a esta terra que os viu nascer e que lhes fez crescer este sentimento tão português, a saudade.
 
Através dessas e de outras leituras e também de vivências, aprendi a conhecer as pessoas e a perceber a sua ligação ao rio Tejo. Ele foi até aos anos 50 a grande estrada que ligava Mouriscas à zona da lezíria a jusante ou Vila Velha de Ródão, a nascente. Era por aqui que eram escoados os tijolos e telhas provenientes dos fornos que aqui os fabricavam, a cortiça cortada nos montados da Beira Baixa e Alto Alentejo, o azeite e outros produtos agrícolas que se destinavam a alimentar as cidades que o rio banhava.
 
Mas o Tejo era muito mais que um lençol de água navegável. Era uma fonte de proteína, para intervalar com a carne de um porco, obrigatoriamente dividida por todo um ano. Era pois ali que, ao fim de um dia de trabalho, se ia pescar o tal peixe como complemento alimentar, ou mesmo se fazia vida profissional da actividade piscatória. Era ainda para ali que, ao domingo, iam famílias e grupos de jovens, porque era a praia que tinham à mão.
 
Hoje, no mercado que ainda se faz ao domingo podemos ver pescadores com lampreia, um ou outro sável, uns quantos barbos e muges. E são muitas as pessoas que o levam para casa e dizem que sim, que aquilo é que é peixe, muito melhor que o do mar.
 
No dia 10 de Junho, Mouriscas vive o dia de Portugal de uma forma diferente e que evidencia esta relação com o seu Rio. As pessoas de beira-rio e os pescadores oferecem o peixe, num almoço junto à margem, aberto a quem quiser participar. Este dia tão simbolicamente importante foi escolhido porque a relação dos mourisquenses com o seu Rio tem igual relevância.
 
Os tempos mudaram e o Tejo já não é o que era. Os pescadores profissionais lançam as redes depois do açude de Abrantes e em outras águas, os pescadores desportivos também tiveram de procurar momentos de lazer noutros aquíferos e até os corvos marinhos tiveram que debandar à procura de alimento. O executivo de Abrantes não só desprezara este Tejo, nem de um caixote de lixo este troço de rio era digno, como, com a construção do tal dique, lhe roubara os tradicionais peixes. E, no 10 de Junho, como no ano passado, a tal caldeirada confecciona-se com peixe congelado apanhado eventualmente noutro Tejo.
 
Facilmente percebemos que esta relação é económica e é cultural. É a vida das pessoas e a vida do seu Rio. Mas, se os senhores que mandam não acreditam nas pessoas de Mouriscas, porque não içaram bandeiras junto aos Paços do Concelho, talvez Pessoa, nas palavras de Alberto Caeiro os toque:
 
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia
.………………….
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.