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COLUNA VERTICAL



Segunda-feira, 31.08.09

PROGRAMAS

por António Belém Coelho

 
É um dado adquirido que, hoje, poucas ou nenhumas pessoas têm a disponibilidade, vontade e pachorra, passe a expressão, de ler aprofundadamente os programas que cada partido apresenta a sufrágio.
 
Por isso, calhamaços com montes de páginas, para além de terem um efeito imediatamente dissuasor da respectiva leitura, só servem para dar mais trabalho às gráficas, derrubar mais umas quantas árvores e massajar o ego dos respectivos mentores.
 
Acompanhando a vertigem dos tempos, no sentido em que as circunstâncias experimentam mudanças pouco menos que constantes, um programa deverá ser um documento que exprima de forma sintética as metas e objectivos que em cada domínio se pretende atingir.
 
Essas metas e objectivos deverão ser expressas de forma positiva, clara e sucinta, de forma a evitar interpretações dúbias e a desmotivação de quem se pretende informar.
 
Quanto a meios para lá chegar, acções a implementar para tal, só deverão ser mencionadas se efectivamente forem passíveis de suscitar discussão ou polémica importante; caso contrário, dever-se-á poder manter uma flexibilidade no que respeita à prossecução das mesmas, consoante as circunstâncias o aconselhem.
 
A nível nacional, assistimos exatamente a estes dois paradigmas: o partido socialista a apresentar um programa vertido ao que parece em cento e vinte páginas, que obviamente ninguém irá ler até ao fim; o partido social democrata, ao contrário, apresenta as suas propostas num programa muito mais apelativo em termos de leitura, por menos extenso e muito mais claro, sem por isso abdicar de referir todas elas.
 
A forma de um documento não é o mais importante, embora também o seja. O conteúdo continua a ter a primazia. Mas qualquer técnico de marketing reconhece que qualquer produto beneficia muito de uma embalagem mais atrativa.
 
Se, quanto à forma, já alguma coisa dissemos, quanto ao conteúdo, os juízos de valor que têm vindo a público, alguns provenientes de personalidades à partida insuspeitas, por oriundas da área socialista, são positivos relativamente ao programa do PSD.
 
Sobretudo no que respeita à premissa nele contida de que os recursos são sempre escassos (que de sobremaneira o adequa aos tempos correntes) e que é perfeitamente impossível afirmar que tudo se vai fazer. Nesse caso, alguma coisa terá que ficar para trás e está-se efectivamente a faltar à verdade.
 
E este exemplo programático deverá estender-se a outras escalas, nomeadamente ao poder local, onde já não há lugar para programas que mais parecem um longo rol de promessas e intenções, a maioria das vezes ignoradas, esquecidas e não cumpridas.

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Segunda-feira, 31.08.09

A DROGA E OS DROGADOS (painel)

  

FLÁVIO (membro de “gang” de Lisboa) :
 
«Se tu morasses num sítio onde o que se levanta às seis da manhã para trabalhar ganha um décimo do que se levanta ao meio-dia para traficar haxixe, o que fazias?»
 
FRANCISCO DE VILHENA E SILVA :
 
«Os “drogados” invocam a condição de “doentes” para não serem punidos pelos seus delitos, mas depois esquecem-se que são “doentes” e assumem-se como pessoas livres com capacidade de decidirem pelo seu tratamento, ou não.»
 
«Não podemos ajudar aqueles que prevaricam e continuam a prevaricar só porque são “drogados”, e ao mesmo tempo sermos exigentes para com os jovens cumpridores. (...) Não é eticamente correcto facultar aos prevaricadores maiores recursos do que aos jovens cumpridores. A aplicação dos dinheiros públicos tem de obedecer a critérios rigorosos de ética e justiça social.»
 
ALOCUÇÃO DO JUIZ AQUANDO DA LEITURA DA SENTENÇA PROFERIDA NO PROCESSO REFERENTE AO HOMICÍDIO DO ESTUDANTE DO TÉCNICO :
 
«Carlos Duarte (o homicida do estudante do Técnico), é o senhor o responsável pelo seu acto. O único responsável é o senhor; não é o Estado por não cuidar devidamente dos toxicodependentes; não é o Governo por não fazer as leis adequadas; não é a sociedade por lhes negar oportunidades. Porém, se o senhor tem sido "travado" a tempo, se o Estado fosse mais firme em relação à toxicodependência, se os "decisores públicos" não tivessem feito passar para a comunidade um sentimento de ausência de censurabilidade e de impunidade de tais modos de vida, o senhor não iria cumprir 25 anos da sua vida na cadeia e, sobretudo, o Ricardo José Duarte estaria vivo. Que todos nós pensemos nisto.»

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