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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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EDUCAÇÃO

Intervenção da deputada do PSD Ana Rico 

 

Começo por citar um notável educador português, António Nóvoa que refere que «a história da escola sempre foi contada como a história do progresso. E que por aqui passariam os mais importantes esforços civilizacionais, a resolução de quase todos os problemas sociais».

 

Assim, concordaremos todos que a educação é um dos factores mais importantes para a construção de uma sociedade democrática, desenvolvida e socialmente mais justa. Todos temos o compromisso de dar mais e melhores escolas, de reabilitar as existentes permitindo que as populações usufruam da sua localidade, em termos educativos, sociais e económicos. Progresso não se limita apenas aos desenvolvimentos tecnológicos, mas sim a dar respostas às necessidades mais básicas como ter uma escola adequada e enquadrada na sua comunidade.

 

Sabemos que as escolas são pólos de socialização, de equilíbrio social, de investimento económico, em suma, são um sinal de progresso. E, ao retirá-la do seu núcleo local não só se extingue um importante meio cultural, como ainda se geram e agravam outros problemas sociais como a insegurança, a marginalidade, a segregação, a desertificação territorial e o abandono escolar.

 

Hoje, vivemos tempos, em que tudo se dá e também tudo se tira, as politicas agressivas de encerramento de escolas por todo o país, com sequelas devastadoras para alunos e comunidades educativas, representam um claro desrespeito pelas dinâmicas e poderes locais.

 

A situação actual vivida por milhares de crianças que frequentam o ensino básico, em consequência da sua deslocalização para escolas de acolhimento onde as condições pedagógicas e de transporte estão, em muitos casos, longe de serem as adequadas para uma educação de qualidade, tem como principal pano de fundo uma política educativa onde o primado da diminuição de custos financeiros e humanos se sobrepõe aos legítimos interesses e especificidades locais.

 

Evocando, novamente Nóvoa, finalizo como comecei:

 

«De pouco valeram os avisos de Ortega y Gasset - e de tantos outros - dizendo que esta análise parte de um erro fundamental, o de supor que as nações são grandes porque a sua escola é boa: certamente que não há grandes nações sem boas escolas, mas o mesmo deve dizer-se da sua política, da sua economia, da sua justiça, da sua saúde e de mil coisas mais» (Nóvoa, 1998, p. 19).