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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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MUSEU IBÉRICO

Pedido de esclarecimento dos vereadores do PSD 

 

Tendo em conta a gravidade da situação financeira e económica nacional, não nos parece prudente avançar para a construção do museu ibérico, com o figurino proposto, sem antes se fazer um estudo sério e credível sobre a sua sustentabilidade económica.

 

No entanto, apesar de todas as sinetas de alarme, parece que já está afastada qualquer hipótese de reavaliação do investimento, como aconselharia, neste momento, a simples prudência e bom senso.

 

Acontece que a construção do museu ibérico não levanta apenas questões ao nível do investimento, da localização ou da estética.

 

Sendo certo que a polémica causada por estas questões tem feito esquecer o essencial e que devia ser do conhecimento de todos, até para se poder avaliar e justificar o investimento público que irá ser levado a cabo.

 

Há cerca de dez anos, o Município de Abrantes firmou um protocolo, através da, então, vereadora da cultura, com a Fundação Ernesto Lourenço Estrada.

 

Sabemos que, inicialmente, esta relação se manteve através da cedência, por parte da Câmara de Abrantes, de um funcionário, um assistente-técnico de arqueologia, que viria a colaborar com a Fundação Ernesto Estrada por vários anos.

 

        Ora, gostaríamos, antes de mais, de saber (1) quais os resultados dessa colaboração duradoura e (2) se houve incorporação de espólio arqueológico municipal, fruto desta colaboração “técnica”?

 

Com efeito, na altura decorriam importantes escavações: uma no Olival Comprido, em Alferrarede, onde foi encontrada uma villae romana de dimensões apreciáveis, e, outra, em S.Facundo, no local da Saibreira, donde foram divulgados importantes vestígios pré-históricos.

 

        (3) Terá o abandono destes projectos tido alguma coisa a ver com a cedência, por vários anos, do funcionário supracitado?

 

É que, se o preço a pagar por esta cedência, foi a degradação total dos vestígios do Olival Comprido, em Alferrarede, e o abandono da escavação de S. Facundo, então parece-nos, desde já demasiado elevado.

 

Posteriormente, foi apresentado o projecto do MIAA à comunicação social, firmando-se, mais uma vez, uma alegada colaboração institucional com a Fundação Estrada. Ficámos a saber que a Fundação Estrada cedia o espólio e que o Município cedia o terreno e construía o edifício que albergaria a colecção de arte da citada fundação.

 

        Por isto, gostaríamos que (4) nos explicasse quais os verdadeiros contornos desta cedência, solicitando informação detalhada sobre este protocolo e sua evolução, entretanto, mantido em segredo.

 

Por outro lado, após uma exigente reflexão sobre este assunto, deparámo-nos com algumas dúvidas, pelo acima relatado, acerca da respectiva colecção da Fundação Estrada que se configurará como o ex-líbris do MIAA, ou seja, a sua colecção permanente.

 

Como todos sabemos, esta colecção não está imune a uma polémica que se prende, por um lado, com a origem de algumas peças e, por outro, com a autenticidade de outras.

 

        (5) É ou não é verdade que grande parte do espólio da Fundação Estrada está imersa de variadas incertezas?

 

        (6) Se sim, que percentagem da colecção está sobre suspeita de ser falsa, quanto à autenticidade, e dúbia, quanto à origem e método de apropriação pelo actual proprietário?

 

É que o catálogo editado pelo anterior executivo não esclarece a proveniência de muitas peças e não nos parece sensato acolher num Museu, que se quer Ibérico, peças sob as quais se levantam demasiadas suspeitas.

 

Segundo fomos informados, parece que está a decorrer um processo de autentificação da referida colecção, liderado pelo Drº Luiz Oosterbeek, do Instituto Politécnico de Tomar.

 

Após um ano sobre o início deste inédito processo de autentificação de obras a integrar num Museu, indagamo-nos acerca da demora na apresentação dos resultados.

 

Gostaríamos, por isso, de saber:

 

        (7) qual a percentagem de peças da colecção que é falsa?

 

        (8) E quem, do anterior executivo, atestou, segundo os critérios de verificação científica, a viabilidade artística desta agora suspeita colecção?