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COLUNA VERTICAL



Sábado, 05.06.10

O CADÁVER E A COMÉDIA

António Belém Coelho - in Primeira Linha 

 

O cadáver, todos sabemos quem é, menos o próprio; trata-se do nosso governo, que ainda não descobriu que o é, mas que curiosamente vem actuando como tal, se é que um cadáver pode ter actuação. Certamente que algum ramo da ciência psíquica ou outra o poderá explicar.

 

A comédia, essa, para além de muitos actos nos últimos tempos, teve première na passada sexta-feira, na Assembleia da República; nada a que não estejamos habituados, mas esta ultrapassa todos os limites.

 

O Partido Comunista Português, dentro do seu direito e legitimidade, entendeu, em antecipação à sua concorrência de esquerda, apresentar uma moção de censura ao governo. Como aliás já aconteceu em situações anteriores. Há é que saber se essa moção tem bases nacionais ou meramente partidárias; mais uma vez a última hipótese parece ser a mais credível, dados os fundamentos da mesma: a mesma retórica de sempre! O PCP continua a querer transformar Portugal na Cuba ou Coreia do Norte europeias; desiderato condenado obviamente ao fracasso.

 

O papel do Bloco de Esquerda nestas circunstâncias é perfeitamente ingrato; ultrapassado em termos de timing pela iniciativa do PCP, tentou minorar os danos, colando-se a ela e votando-a favoravelmente. Contudo, para justificar essa opção descuidada de quem não soube comandar os timings, resolveu atacar quem não seguia a moção, em vez de a defender, esclarecendo os seus argumentos; trata-se claramente de um caso de má consciência.

 

O Partido Popular escudou-se na matriz demasiado leninista do texto da moção para justificar a sua abstenção, embora na verdade concordasse com muitos dos seus fundamentos; esta acrobacia circense poder-lhe-á em boa verdade custar alguma coisa nas próximas eleições.

 

Quanto ao Partido Socialista, como de costume não percebeu nada do assunto, tendo tido um conjunto de intervenções em que não se percebia bem se se solidarizava com o Partido Social Democrata, que se abstinha responsavelmente atendendo às circunstâncias nomeadamente a nível internacional, evitando assim uma precoce bancarrota nacional, ou se atacava quem efectivamente deu a mão ao País e não a eles, Partido Socialista! Aliás, as últimas intervenções do Partido Socialista, a cargo do seu líder parlamentar Francisco Assis e do Ministro Santos Silva, mais pareciam ser um pedido encarecido ao PSD para esquecerem o seu sentido e responsabilidade de Estado e livrarem o governo e o Primeiro-Ministro do fardo e da agonia de governarem e de desdizerem hoje o que acordaram ontem ou há pouco.

 

Tudo fizeram e continuam a fazer, desvirtuando objectivos e prazos do acordo, reafirmando que todas as grandes obras públicas são para daqui a bocado, para que o PSD o denuncie e assim estejam criadas as condições para colocar o Partido Socialista fora do Governo, o que, pensam os seus dirigentes, com a ajuda da curta memória dos eleitores, será a única via de alijarem responsabilidades em toda esta situação. Mas estão bem livres disso; o compromisso do PSD, até final de 2011, é um compromisso de viabilidade do País, apesar dos esforços exacerbados do Partido Socialista para que tal seja rompido!

 

A grande maioria dos Portugueses não se apercebeu, mas uma das últimas sextas feiras, esteve quase, quase, a ser uma espécie de sexta feira negra para Portugal; salva in extremis pelo Banco Central Europeu. E depois de andarem anos a criar e a alimentar este despaupério querem ir-se embora, assobiando, como se nada fosse com eles? Comeram a carne, não foi? Então agora que roam os ossos!

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