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COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

Eu e o Dr Belém Coelho, na reunião de câmara de 24 de Maio, denunciámos o facto absolutamente escandaloso de o Banco Social ter retirado o apoio a um munícipe de Alferrarede a quem foi diagnosticado a doença de Guausher e um aneurisma cerebral que o impossibilitam de trabalhar e que necessita de se deslocar, em média, seis vezes por mês a Lisboa para tratamentos de quimioterapia e terapias enzimáticas, sendo o único rendimento do seu agregado familiar a pequena pensão de sobrevivência da sua mãe também doente, com quem vive.

 

Isto foi denunciado, por nós, pela primeira vez, na reunião da Câmara de 24 de Maio, pela segunda vez, na reunião da Câmara de 7 de Junho, pela terceira vez, pelo deputado Gonçalo Oliveira, na Assembleia Municipal de 25 de Junho e, pela quarta vez, pela deputada Manuela Ruivo, na última Assembleia Municipal.

 

Acontece que, apesar de tantas denúncias e do caso ser tão chocantemente grave e urgente, tem de ser o Grupo da Juventude Mariana Vicentina de Alferrarede a valer ao doente, porque a Rede Social, liderada pela Câmara e composta de tantas comissões, instituições e programas para ajudar os mais necessitados, se mostra totalmente incapaz de resolver, em tempo útil, um problema tão simples de resolver como seja o de pagar ou garantir as deslocações do doente a Lisboa.

 

Aliás, esta incapacidade demonstrada pela Rede Social para resolver um caso tão grave e tão urgente só vem demonstrar que a Rede Social é mais eficaz a consumir os parcos recursos dos abrantinos do que a resolver os problemas graves e urgentes dos mais necessitados.

 

Em Abrantes, à semelhança do que se passa, infelizmente, no resto do país, avaliam-se quase sempre as comissões (e afins) pelo número de vezes que reúnem e nunca pelo número de casos que resolvem.

Júlia Ramira R. da Silva Ruivo - in Diário de Notícias de 21/10/10

  

Depois de passar o Parque Urbano da Cidade de Abrantes, na Direcção de S. Jerónimo, numa Estrada à esquerda sem saída, mas ainda dentro do perímetro da Cidade, encontram-se 2 quintas, uma bem visível e outra mais isolada, composta por 3 casas e barracões, que se encontram para venda, com um letreiro de uma Agência imobiliária.

 

Duas das casas são propriedade de uma senhora de 99 anos, sem filhos, residente em Lar. A outra pertence a seu irmão de 89 anos, residente noutro Lar, e de sua mulher de 86, que vive em Lisboa, com a mais velha das duas filhas do casal. Esta é a responsável em ambos os Lares pelos idosos e tem a seu cargo a mãe. Também possui uma Procuração, com poderes especiais para venda e tudo o que se relacione com as propriedades e as referidas casas. As 2 filhas residem em Lisboa e deslocam-se a Abrantes regularmente, a fim de visitarem os idosos e as habitações.

 

Desde que as casas ficaram desabitadas, que têm sido alvo de sucessivos assaltos. O primeiro assalto ocorreu, pelo tecto das mesmas, limitando-se os assaltantes a revistar cómodas e gavetas, procurando valores que não existiam. Num segundo e terceiro momento, desmontaram esquentadores e levaram alguns outros electrodomésticos.

 

Perante isso, os proprietários retiraram o recheio das habitações, deixando-as vazias.

 

Na sexta-feira, dia 15 de Outubro, um amigo da família verificou que duas das casas tinham sido novamente assaltadas, e os larápios, desta vez, tinham desmontado e levado integralmente, 12 janelas de alumínio e vidro duplo de abrir, e forçado as portas, igualmente de alumínio, num prejuízo que rondará os 5.000.00 euros.

 

De imediato, telefonou à mais velha das filhas, que de Lisboa, solicitou a um familiar que se deslocasse à PSP e levasse um agente ao local. Assim aconteceu, entre as 19h e as 20h de dia 15 de Outubro. O mesmo agente informou, que no dia seguinte, sábado, as filhas deveriam apresentar queixa na Esquadra e um cálculo dos prejuízos.

 

No sábado dia 16 de Outubro, o proprietário de uma das casas fazia 89 anos. As filhas receando que a mãe de 86, pudesse ser vítima de ataque cardíaco, ao ver o fruto do seu trabalho e da sua vida destruído, decidiram não a informar do sucedido e levaram-na para junto do seu marido. De seguida, por volta das 12 horas, dirigiram-se à Esquadra da PSP de Abrantes, a fim de formalizarem a queixa.

 

O agente que as recebeu não tinha conhecimento do que se tinha passado. No Livro de Ocorrências, na noite anterior não constava a saída do 1º agente. Apareceu outro agente seguido dum outro, que presumiram tratar-se do Chefe da Esquadra. Este procurou saber se as presentes eram as proprietárias. Quando lhes foi dito, que os proprietários eram os pais e a tia, disse, que, tratando-se de um crime semi-público, só os proprietários poderiam apresentar Queixa. Foi-lhe explicado que tinham 99, 89 e 86 anos. Que dois deles residiam em Lares, e que mesmo que lá fossem, não estavam em condições físicas e psíquicas de prestar declarações. E que, não queriam informar a mãe de 86 anos, porque morreria, certamente! Foi ainda explicado, que uma das filhas tinha uma Procuração com poderes especiais para venda e tudo o que se relacionasse com as ditas habitações.

 

Que não, a Procuração não servia, tinha de ser uma declaração específica para apresentação de queixa-crime, porque a Lei assim determinava. E que tinham 6 meses para o poder fazer.

 

Embora a Procuração que atribui poderes para venda dos Artºs não especifique casos de Crime ou roubo, consultada posteriormente a Notária, esta pensa não ser lógico, que se possa vender, registar, e dispor sobre um bem, e não se possa apresentar uma queixa-crime do mesmo bem.

 

O Sr. Chefe da PSP, não procurou sequer saber o que tinha acontecido em concreto, nem quando, nem onde.

 

O que ocorre na Cidade, não deve interessar à PSP, a menos que a queixa seja apresentada de acordo com a Lei.

 

Como é possível que aconteça uma coisa destas? Que País é este, com uma Polícia desumanizada, que trata os Cidadãos como inimigos, não defende nem compreende a situação particular em que se encontram os idosos, preferindo ignorar as queixas, mesmos tratando-se de um crime semi-público, premiando assim, os Ladrões, que podem continuar a roubar livremente?

 

Chamo-me Júlia Ruivo, sou a mais velha das filhas e posso provar tudo o que afirmo.