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COLUNA VERTICAL



Quinta-feira, 24.03.11

AS RAZÕES DA MINHA DESFILIAÇÃO DO PSD

Elsa Cardoso



Venho, por este meio, dar a conhecer a todos os munícipes do concelho de Abrantes o meu pedido de desfiliação do PSD, porque considero importante que todos saibam as razões que o motivaram para que não se deixem cair no mesmo logro em que eu caí.

 

Ex.mo Senhor

Secretário-Geral do Partido Social Democrata

 

Eu, Elsa Maria da Costa Cardoso, professora, militante nº188534, residente na Rua de Angola, nº6 - 2ºEsq, CP 2200-390 Abrantes, venho requerer a V. Ex.ª a minha desfiliação do partido, com base nos seguintes fundamentos:

 

Desde tenra idade, o PSD constituiu, para mim, um referencial ideológico.

 

Assisti, com profunda mágoa e consternação, ao trágico acidente que vitimou, entre outros, o Sr. Dr. Francisco Sá Carneiro, para mim um líder, no verdadeiro sentido da palavra.

 

Após ter sido candidata à Câmara Municipal de Abrantes nas últimas autárquicas, decidi filiar-me no PSD por estar absolutamente convencida de que se tratava de um partido para o qual a palavra "democracia" não era uma palavra vã com que se enganam os tolos, mas, sim, um verdadeiro princípio estruturante.

 

Pelos vistos, foi a pior altura para o ter feito, pois enganei-me redondamente.

 

Pelo menos, no que diz respeito à secção de Abrantes.

 

Assisti aqui a coisas tão inacreditáveis que nunca me passaria pela cabeça que tais fossem possíveis de acontecer num partido fascista ou comunista, quanto mais num partido que se afirma de democrático.

 

Como pode o PSD aplaudir o discurso de Cavaco Silva quando este afirma que se deve dar preferência ao mérito, quando dentro do próprio partido não se segue esse critério, favorecendo-se todo o tipo de truques baratos?

 

No dia 25 de Fevereiro (6ª Feira), recebi, por mail, a convocatória de eleições para a concelhia informando-me de que se iriam realizar no dia seguinte, ou seja, no dia 26 de Fevereiro (sábado).

 

E, como se isso não bastasse, ainda se deram ao gozo de me informar que: «as listas de candidatos deverão ser apresentadas ao Presidente da Mesa da Assembleia até às 24 horas do terceiro dia anterior ao do acto eleitoral» (????!!!!...).

 

Que partido/secção é este(a) onde ninguém informa que a comissão política se tinha demitido e que iria haver eleições? Tantos comunicados a propósito de coisa nenhuma e tantos mails e sms repetidos a convocar para todo o tipo de acontecimentos partidários e nem um dando conta da demissão da comissão política e da data das eleições?!...

 

E que partido/CPS é este(a) onde se envia a convocatória aos militantes na véspera da eleição e ainda se tem o descaramento de os informar de que o prazo para apresentação de listas (e, consequentemente, para o pagamento de quotas) já tinha terminado?

 

Isto é gozar literalmente com os militantes do PSD.

 

Ora, eu não me filiei no PSD para ser gozada.

 

Além disso, não estamos a falar de comportamentos anti-democráticos de militantes individuais, o que já seria grave num partido que professa os valores das democracias ocidentais.

 

Estamos a falar de comportamentos assumidos e desenvolvidos pelos presidentes das próprias estruturas locais do partido (membros e ex-membros de órgãos distritais), com a conivência dos seus órgãos sociais, que deviam ser o garante dos valores que professa o partido.

 

E segundo vim a saber por outros militantes do partido, já ninguém estranha este tipo de comportamentos, uma vez que são absolutamente normais (?!...)

 

No último plenário, realizado no passado sábado dia 19 de Março, então ultrapassou-se o limite do inimaginável.

 

Os "donos do partido" em Abrantes de que a nova comissão política aceitou ser o simples porta-voz, para além de monopolizarem e controlarem o plenário, usando da palavra quando queriam e lhes apetecia, para ofenderem sistematicamente e completamente a despropósito os vereadores do PSD e quem estava com eles, tentaram impedir por todos os meios o vereador Santana Maia de falar, com vaias, gritos e sempre a interrompê-lo, pedindo à mesa para lhe retirar a palavra, e impediram o militante José Oliveira de se defender, fazendo com que este, revoltado e indignado, abandonasse a sala.

 

Por sua vez, eu fui impedida de completar a minha intervenção, interrompendo-me a meio, com gritos e ofensas verbais.

 

Só faltou mesmo ser agredida.

 

Tenho 43 anos, sou professora há mais de dez anos, já participei em muito colóquios, assembleias e plenários, inclusive promovidos por partidos políticos e, apesar de saber que "os donos" do PSD de Abrantes têm uma forma muito pouco educada de mostrar a sua militância, nunca me passou pela cabeça que isto a que assisti fosse possível de acontecer num partido anti-democrático, quanto mais num partido que todos os dias acusa José Sócrates de criar um clima de claustrofobia democrática... 

 

Nunca fui tão humilhada na minha vida.

 

Fiquei, pelo menos, a perceber por que razão um grupo tão reduzido de pessoas com quem ninguém simpatiza consegue mandar na concelhia de Abrantes, quando lhes cheira a poder.

 

O método usado é o mesmo que foi utilizado pelos comunistas nos períodos revolucionários: geram um clima de afrontamento, vaias e ofensas verbais que levam os seus opositores a afastarem-se, ficando eles em maioria e com o palco só para si.

 

Faço minhas as palavras finais da intervenção do vereador Santana Maia: «Como pode um partido prometer, com seriedade, a regeneração do país, quando não consegue sequer regenerar-se a si próprio? Se o PSD quer, na verdade, ser o motor da regeneração do país então deve começar pelo princípio. Ou seja, por si próprio. Até porque não há outra forma de começar.»

 

Ora, um partido que se conforma e aceita que os seus dirigentes concelhios (quer os que dão a cara, quer os que o controlam na sombra) se comportem desta maneira vergonhosa, à luz dos mais elementares e estruturantes valores de um partido democrático, só pode significar que o PSD está profundamente doente, tendo-se deixado contaminar pelo mal socialista que tomou conta deste país.

 

Consequentemente, tendo constatado, por experiência própria, que, ao contrário do que julgava, o PSD não pratica os mais elementares princípios democráticos de que se arroga nos seus estatutos e no seu programa, não posso, em nome das minhas convicções e valores, continuar a ser militante deste partido.

 

E se é com estas pessoas que o PSD quer regenerar o país, então ainda vamos ter saudades de José Sócrates.   

 

Pelo exposto, venho solicitar a minha desfiliação do PSD porque não me reconheço num partido que pactua com este tipo de comportamentos e, sobretudo, em que são os seus próprios dirigentes, a quem cabia o especial dever de defender, respeitar e fazer cumprir os princípios democráticos de que se arroga nos estatutos, a violá-los de forma grosseira, descarada e vergonhosa.

           

Abrantes, 21 de Março de 2011

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Quinta-feira, 24.03.11

REUNIÃO DA CÂMARA DE 21/3/11 (extracto VI)

PAVILHÕES (ABRANTES E PEGO) E INSTALAÇÕES DESPORTIVAS

Pedido de esclarecimento dos vereadores do PSD 

 

Na penúltima Assembleia Municipal, a senhora presidente informou que o pavilhão de Abrantes estaria pronto em Janeiro de 2011, o que, pelos vistos, ainda não aconteceu.

 

Por outro lado, fomos informados por utentes do Pavilhão do Pego que este não está equipado com extintores.

 

Pelo exposto, os vereadores do PSD gostariam de saber:

 

            (1)       quando estará em funcionamento o Pavilhão de Abrantes?

 

            (2)       se já está prevista a data para a colocação dos extintores no Pavilhão do Pego?

 

            (3)       qual foi a última vez que as instalações desportivas do concelho e os seus aparelhos foram inspeccionadas por uma firma externa credenciada e quais os resultados das mesmas?

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