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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

Há dois anos não houve comentador, jornalista ou político, no activo e na reforma, que não se tivesse indignado com a sugestão irónica de Manuela Ferreira Leite de que, para se tomar as medidas necessárias para salvar o país, seria necessário interromper a democracia por seis meses.

 

Ora, não deixa de ser irónico assistir agora aos mesmos comentadores, jornalistas e políticos a defenderem, em uníssono, a interrupção da democracia por tempo indeterminado. Porque é precisamente disso que se trata ao defenderem um governo constituído por PS, PSD e CDS. Uma tal maioria é tão esmagadora que asfixia completamente qualquer veleidade da sociedade poder respirar.

 

E não nos venham com as teorias de "cavalo cansado" de que não se trata de uma interrupção de democracia, tendo em conta que, no governo, estão representadas todas as sensibilidades ideológicas, quando todos sabemos, por experiência própria, que, no poder, todas as ideologias se esbatem e o único que verdadeiramente conta é a contabilidade dos tachos.

 

Além disso, espanta-me a fraca memória dos nossos sábios comentadores quando defendem esta coligação com o argumento de que só ela será capaz de promover as tais reformas estruturais indispensáveis, quando ainda estamos todos a sofrer na pele a salvífica reforma estrutural da justiça, promovida pelo Presidente da República, assinada como pompa e circunstância pelo PS e PSD e aprovada por todos os partidos na Assembleia da República, que escancarou as portas das prisões aos criminosos e fomentou e promoveu todo o tipo de criminalidade.

 

E já agora uma pergunta: se o objectivo é constituir um governo tão abrangente, por que razão vai haver eleições? PS, PSD e CDS não têm já no Parlamento número de deputados suficientes?

 

Só um povo estruturalmente burocrático é capaz de se empenhar convictamente numas eleições absolutamente inúteis, a não ser para quem aspira a rapar o tacho, para tudo ficar rigorosamente na mesma, inclusive o PEC 4. A não ser que já esteja na altura do PEC 5, obviamente.