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COLUNA VERTICAL



Terça-feira, 10.05.11

O LUGAR NO ANZOL

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 

Fico absolutamente estarrecido quando vejo comentadores e jornalistas, com algum coeficiente de inteligência, interpretarem a inclusão de independentes nas listas de deputados como um sinal de abertura dos partidos à sociedade civil. Nada mais falso.

 

Como qualquer pessoa constata a olho nu, os aparelhos partidários são, em regra, constituídos por gente pouco recomendável, que descobriu na política a forma mais rentável e menos custosa de governar a sua vidinha e a dos seus. E, por isso, é praticamente impossível retirar-lhes o poder interno, mantido e conquistado com todo o tipo de safadezas: eleições viciadas e fantasma, clima de intimidação e de ajavardamento, militantes filiados aos molhos ou quotas pagas pelo próprio aparelho,  etc. etc. etc.

 

No entanto, os aparelhos partidários estão absolutamente conscientes da sua degradada imagem pública. Necessitam, por isso, nas eleições nacionais, de se esconder atrás dos independentes e de figuras de prestígio, para conseguirem alcançar os seus intentos. Ou seja, os independentes não são mais do que o isco que os aparelhos partidários utilizam para conquistarem o verdadeiro poder que lhes interessa: o de distribuir os tachos pelos seus fiéis.

 

O PSD ou o PS podem convidar um independente para deputado ou presidente da Assembleia da República, mas não o convidam de certeza para presidente da distrital de Lisboa ou do Porto. Aos independentes oferece-se apenas o lugar no anzol, não o poder para distribuir benesses.

 

Ora, só se poderá falar verdadeiramente da abertura dos partidos à sociedade civil, quando qualquer cidadão se puder candidatar aos órgãos directivos dos partidos, sem cartão de militante e em eleições livres e abertas a todos os cidadãos que queiram participar. E os independentes só deviam chegar a candidatos a deputados por esta via, a única via que garante poder efectivo dentro do partido pelo qual concorrem. Caso contrário, não passam de meros jogadores de futebol disponíveis para vestir a camisola do partido que melhores condições lhe oferecer.

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Terça-feira, 10.05.11

AVISO AOS INDEPENDENTES QUE RESTAM

 

O balanço da minha experiência pessoal como deputado não terá sido essencialmente diferente daquele que fizeram outros cidadãos sem experiência parlamentar anterior e que, apesar da diversidade das respectivas motivações, terminou em frustação e desencanto. (...)

 

Concluí sobretudo que, para um jornalista como eu, as regras escritas ou implícitas da obediência parlamentar - tal como esta é, em geral, entendida - eram incompatíveis com o meu espaço de liberdade. (...)

 

As candidaturas independentes não constituem, em si mesmas, uma garantia de abertura e diálogo com a sociedade (no meu tempo de deputado já não era assim, como tristemente concluí). Podem até resultar num aproveitamento oportunista de disponibilidades suspeitas e de clientelismo enviesados. Mas a independência e a liberdade de espírito são o único penhor de uma vida democrática mais sadia, introduzindo ar fresco na atmosfera bafienta das instituições paralisadas pelo servilismo da mediocridade. (...)

 

A perspectiva de um Parlamento onde tenderão a prevalecer, mais do que nunca, os alinhamentos tribais e acríticos dos partidos é o pior panorama que nos pode ser oferecido na mais negra conjuntura de sempre do nosso regime democrático. (...)

 

A perda da independência económica que nos ameaça não pode ser separada da perda da independência dos valores éticos e das convicções políticas. 

 

Vicente Jorge Silva - in Sol de 6/5/11

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