Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

In Mirante - edição de 12/5/11

 

Belém Coelho solidarizou-se com Santana-Maia

a quem foi retirada a confiança política


O vereador do PSD na Câmara de Abrantes, António Belém Coelho, solidarizou-se com o seu colega no partido e no executivo Santana-Maia Leonardo, a quem a concelhia do PSD de Abrantes retirou a confiança política. Num texto publicado no blogue “Rexistir por Abrantes”, intitulado “Vereadores do PSD: uma unidade indivisível”, Belém Coelho diz que foi “surpreendido” com essa tomada de posição da concelhia “laranja”, onde é filiado. “Não é compreensível, num partido que preza os valores democráticos e o direito de defesa, que, a coberto de um ponto da ordem de trabalhos tão trivial e genérico como é a ‘análise da situação política’, seja dada cobertura a uma decisão de tamanha gravidade e responsabilidade políticas”.

 

O vereador diz que uma decisão com essa gravidade devia estar bem explícita na ordem de trabalhos - “era o mínimo que se exigia a nível ético e também a nível político” - e não tomada por “uma larga maioria de uma pequena minoria de militantes presentes no plenário”.

 

Referindo que “a retirada da confiança política é uma figura não acolhida em termos dos estatutos e regulamentos partidários” e que “a sua relevância em termos práticos é nula”, Belém Coelho garante, num recado à concelhia do PSD liderada por Manuela Ruivo, que “os vereadores eleitos e/ou os seus substitutos, em caso de ausência ou impedimento, vão continuar a falar a uma só voz, como até aqui sempre o fizeram, sempre de acordo com o ideário social democrata e com o programa apresentado ao eleitorado concelhio”.

 

E acusa a concelhia de fomentar a divisão interna: “Estou absolutamente convencido que este tipo de atitude em nada acrescenta ao PSD de Abrantes, pelo contrário, subtrai e divide forças, para mais num momento de disputa eleitoral directa a nível nacional e indirecta a nível local”.

 

Belém Coelho confessa também que a sua “maior estranheza” resulta das declarações prestadas a O MIRANTE pela presidente da concelhia, publicadas na edição de 7 de Abril passado, onde Manuela Ruivo dizia: “Os vereadores têm desempenhado um trabalho com o qual nos temos solidarizado. São pessoas voluntariosas, que se dedicam à causa pública e ao partido”. E o vereador ironiza: “Isto não foi dito o ano passado ou antes! Foi dito nove dias antes do plenário de 16 de Abril”.

 

À retirada da confiança política a Santana-Maia não deve ser alheia a entrevista que o vereador deu a O MIRANTE, publicada a 14 de Abril, dois dias antes da reunião da concelhia, onde se referia em tom crítico a alguns militantes de peso que terão estado na origem da moção. “Aquilo que se está a passar relativamente ao engenheiro Marçal, a Pedro Marques e a Armando Fernandes se fosse uma coisa boa surpreendia-me. Porque me leram logo a sina quando pedi a primeira opinião se me devia candidatar. E está-se a cumprir aquilo que me foi dito”, disse na altura Santana-Maia. 

 

Ver posts relacionados:

Santana Maia na Rádio Tágide

Concelhia retira confiança política 

Vereadores do PSD: Uma Unidade Indivisível

Entrevista ao Mirante (2ª parte)

Entrevista ao Mirante (1ª parte)  

E se o ridículo matasse?... 

PSD Abrantes retira confiança política 

Vereadores e concelhia de costas voltadas 

A minha intervenção no plenário do psd 

Nota explicativa  

Carta aberta aos abrantinos 

As razões da minha desfiliação do PSD  

Em defesa da honra

Extracto do livro "O ESTADO EM QUE ESTAMOS" de Luís Marques Mendes 

  

O que tudo isto faz ressaltar é o tradicional atavismo português. A vontade que Lisboa sempre tem de concentrar dentro de si tudo quanto de relevante se passa em Portugal. O ciúme que a capital evidencia em relação a tudo quanto de bom e de positivo vão ocorrendo noutras regiões de Portugal. A ideia que alguns acalentam de que Lisboa é o farol de tudo e de todos e que o resto do país não passa de mera paisagem.

 

É esta mentalidade mesquinha e esta ortodoxia de domínio que não levam a lado algum e muito menos contribuem para o harmonioso desenvolvimento de Portugal. Eu sei, todos nós sabemos, que esta cultura centralista e centralizadora tem séculos de existência. Está enraizada até às entranhas nos vícios matriciais de várias elites dirigentes do estado e até nas orientações de muitas empresas privadas.

 

Só que esta é a realidade que, ao longo dos anos, tem dado resultados negativos. É deste modo que o país se vai tornando paulatinamente menos coeso e mais desigual, mais atrofiado e menos harmonioso.

 

A excessiva concentração de iniciativas, serviços e empresas em Lisboa tem um efeito duplamente negativo: contribui para a progressiva desertificação e perda de influência do resto do país e faz com que Lisboa “rebente pelas costuras”, deixando os que aí residem – cada vez em maior número – sem condições para uma vida de qualidade.

 

É tempo de romper com a cultura centralista que nos invade. Ela gera crescimento desordenado mas não fomenta desenvolvimento sustentado. Alguns, muito à portuguesa, dirão que é preciso fazer novas leis. Eu diria que o problema não passa tanto por mudança de leis. O decisivo mesmo é mudar as mentalidades. E este é um desafio de todos. Um desafio de cidadania.