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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

 

O início do julgamento de quatro líderes dos Khmers Vermelhos no Cambodja gerou várias notícias. Quem as lê fica com a convicção de que aquele país foi governado durante um breve período por um grupo de gente que além de gostar do vermelho é agora acusada da morte de dois milhões de pessoas. O que unia esse grupo designado como Khmers Vermelhos? As notícias são quase sempre omissas sobre a pertença ideológica destes homens e da fundamentação política para o genocídio que levaram a cabo.

Sintomaticamente Denise Affonço, uma cidadã cambojana em cuja ascendência ainda existem portugueses e que em 1975, tal como milhares de cambojanos teve de abandonar a capital, Phnom Penh, acabada de conquistar pelos Khmers Vermelhos, na entrevista que em 2009 deu à Antena 1, começa precisamente por interrogar o entrevistador sobre a forma como os khmers são designados entre nós: "Eu não sei como é que dizem aqui, se Khmers Vermelhos ou Khmers Comunistas mas de facto os Khmers Vermelhos são os Khmers Comunistas."

 

(Aliás vale a pena ouvir a entrevista no site da Antena 1 porque quando Denise Affonço expressa a sua condenação do comunismo o entrevistador não arranja nada mais adequado para lhe perguntar do que isto: "Tendo em conta tudo aquilo por que passou, nunca mais foi possível para si acreditar em sociedades perfeitas?" Ou seja, segundo esta pergunta, o comunismo continua a ser uma sociedade perfeita na qual Denise Affonço, por razões pessoais, não consegue acreditar. Imagina-se esta pergunta a ser feita a alguém saído dos campos nazis ou fascistas?)

Helena Matos - in Público de 30/6/11