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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

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Francisco Assis, reconhecendo também que a clubite e o aparelhismo estão a matar os partidos, neste caso o PS, veio propor a mesma solução que eu defendi, neste jornal, há cerca de dois meses.

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Ou seja, que todos os cidadãos, desde que manifestem essa vontade, possam participar nas escolhas, quer dos dirigentes do partido, quer dos candidatos às eleições nacionais e locais.

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Trata-se, aliás, de uma proposta que já está em prática, há muito tempo, na maior partes dos estados dos Estados Unidos da América e, mais recentemente, nalguns partidos europeus.

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A este propósito recordo aqui o extracto do artigo "Clubes Partidários" que publiquei neste jornal, há cerca de dois meses:

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«Pensar que as eleições nos partidos se ganham com base em projectos, programas ou debate ideológico é pura fantasia. Para que isso sucedesse era necessário que a base eleitoral, nas eleições internas, não se reduzisse ao reduzido número de militantes sobrevivente das guerras internas, a maioria deles sem preparação técnica ou formação ideológica para olhar para a actividade política a não ser pelo prisma da clubite e do interesse pessoal. (...)

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Qual a solução? Procedendo da mesma forma como se faz quando se quer acabar com uma casa de má fama: reformulando-a e abrindo-a a toda a gente. Ou seja, abrindo os partidos à sociedade e aos seus eleitores e alargando o universo eleitoral e a capacidade eleitoral na escolha dos dirigentes, à semelhança do que se faz nos Estados Unidos da América.»

 

(Francisco Assis atreveu-se) a propor que outros, não militantes do seu partido, possam participar em decisões reservadas aos sócios do clube.

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Esta é a mais inadequada das propostas que um candidato a líder pode fazer aos militantes a quem pede o voto. Mas, se Assis ousou apresentá-la, não foi por ignorar os seus efeitos; foi por reconhecer que a clubite e o aparelhismo estão a matar os partidos e o PS não é excepção. Também nisso revela frontalidade e honestidade política, embora sabendo que, nos dias que correm, não são estes os trunfos para se chegar a líder.

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Fernando Madrinha in Expresso de 16/7/11