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COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

 

Vasco Pulido Valente - Totalmente. O Estado não deve ter televisões. Deve usar o dinheiro que está a gastar na recuperação da RTP e guardar esses milhões num Montepio para pagar indemnizações aos quatro mil desgraçados que estão lá a trabalhar. Extinguir todos os canais e vender o seu espólio, transferir o que tem valor histórico para a Secretaria de Estado da Cultura, vender os edifícios e acabou. O mesmo com a RDP. O Estado não se deve ocupar dos media, os jornalistas devem ocupar-se dos media. O Estado não deve ter media, excepto a Lusa. Nem devia haver Entidade Reguladora para a Comunicação Social. A parte fácil com os media é que eles se controlam uns aos outros.

 

Extracto da entrevista de Pedro Lomba e Vasco Pulido Valente

Público (P2) de 21-11-11

PONTO Nº7 - JORNAL DE ABRANTES VS JORNAL DE ALFERRAREDE

Proposta dos vereadores eleitos pelo PSD

 .

Proposta de Deliberação dos Vereadores do PSD, Santana-Maia Leonardo e António Belém Coelho, intitulada “Jornal de Abrantes vs Jornal de Alferrarede”, que, por ser extensa se anexa à presente acta, propondo o seguinte: “A Câmara Municipal deverá suspender todos os apoios, directos e indirectos, designadamente os contratos de publicidade, com o Jornal de Abrantes.

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Mais requerem que sejam informados de qual os montantes, devidamente discriminados, pagos pela Câmara Municipal de Abrantes e/ou pelos Serviços Municipalizados: (I) em publicidade ao jornal de Abrantes e à Rádio Antena Livre entre os meses de Setembro de 2009 a Maio de 2011, assim como todos os subsídios às suas actividades ou eventos; (II) em publicidade ao Jornal de Abrantes no ano de 2008.”

 .

Em resposta ao pedido de esclarecimentos que consta da proposta de deliberação, a Presidente da Câmara referiu os valores pagos, por ano, conforme a seguir se indica:

 . 

Jornal de Abrantes

2008

2009

2010

2011

(até Setembro)

Contrato de publicidade

 

 

7.342,22€

5.806,55€

Publicidade - outros

5.181,88€

8.287,20€

 

 

 

 

 

 

 

Antena Livre

2008

2009

2010

2011

(até Setembro)

Contrato de publicidade

6.878,50€

6.847,50€

8.121,47€

10.789,12€

Publicidade - outros

 

3.000,00€

5.000,00€

2.500,00€

 . 

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Deliberação: A proposta foi rejeitada com os votos contra dos vereadores eleitos pelo PS e pelo ICA e os votos a favor dos vereadores eleitos pelo PSD.

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Declaração de voto (CONTRA) da presidente da câmara

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A Presidente da Câmara apresentou a seguinte declaração de voto:

 .

“Em sede de Reunião de Câmara de 05 de Setembro de 2011, os Vereadores do PSD apresentaram proposta de deliberação intitulada “JORNAL DE ABRANTES vs JORNAL DE ALFERRAREDE”, que naturalmente nos merece algumas considerações.

Os Senhores Vereadores começam por dizer “O Jornal de Alferrarede é um jornal mensal, tal como o Jornal de Abrantes.

E, como faz referência o seu director no seu último número, o Jornal de Alferrarede «vive dos seus anunciantes, dos seus colaboradores e de muitas boas vontades».

Até aqui nada de novo, porque efectivamente, é assim que vão conseguindo sobreviver inúmeros jornais regionais por esse país fora, sendo esta, infelizmente, a única forma de um jornal manter a sua imparcialidade e o director a coluna direita «(…) não estou preso a nada. O jornal é meu, pago a tempo e bem todos os impostos, não recebo um cêntimo de subsídio do estado português, nem sob a forma de publicidade institucional.» (sic)

Agora o que não está correcto é a Câmara Municipal de Abrantes financiar, porque é precisamente isso que se trata, o Jornal de Abrantes com um subsídio anual de 8 000,00 € sob a forma de contrato de publicidade, enquanto o Jornal de Alferrarede tem de viver exclusivamente, «dos seus anunciantes, dos seus colaboradores e de muitas boas vontades».

Tem, por isso, o director Manuel Martinho inteira razão quando afirma que a Câmara de Abrantes «desconhece as palavras justiça e igualdade». ”.

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Concordamos com os Senhores Vereadores. Ambos os jornais são mensais!

Será esse o seu único elemento comum? Acreditamos que não.

Eventualmente, ambos vivem dos seus anunciantes, dos seus colaboradores e de muitas boas vontades, como diz Manuel Martinho.

Não podemos concordar com os Vereadores eleitos pelo PSD quando afirmam que a Câmara de Abrantes «desconhece as palavras justiça e igualdade»!

Recordamos, em particular aos Senhores Vereadores, que integram a Câmara Municipal de Abrantes, o significado das duas palavras.

Justiça, s.f. virtude moral que inspira respeito pelo direito de outrem; conformidade com o direito; direito; rectidão; equidade.

Igualdade, s.f. qualidade do que é igual; correspondência perfeita entre as partes de um todo; organização social em que não há privilégio de classe; equação; identidade.

Será a Câmara que desconhece o significado destas palavras? Ou será que existe algum interesse em ignorar ou omitir alguns factos para se pode invocar a falta destes conceitos a uma Instituição com a responsabilidade que a Autarquia detém?

Não nos parece que as palavras justiça e igualdade se possam aplicar ao exemplo dado pelos Senhores Vereadores eleitos pelo PSD, porque estamos a falar de situações que não são comparáveis à partida.

É compreensível que o Director do Jornal de Alferrarede se queixe por se sentir “afectado” pela falta de apoio da Câmara Municipal, depois de saber que existe um contrato de publicidade com outros órgãos de Comunicação Social.

Não é “tão” compreensível que os Senhores Vereadores, pessoas esclarecidas e informadas, embarquem numa atitude peremptória de propor que A Câmara Municipal deverá suspender todos os apoios, directos e indirectos, designadamente os contratos de publicidade, com o Jornal de Abrantes.

Onde ficam aqui as proclamadas “justiça e igualdade”?

Porque a proposta, ao contrário de incluir, exclui.

Ou seja, os Senhores Vereadores eleitos pelo PSD, não pretendem sequer beneficiar o Jornal de Alferrarede.

A intenção que fica desta proposta é a suspensão imediata do contrato firmado com o Jornal de Abrantes. E os outros?

Justificam-se dizendo “Até porque, ao financiar o Jornal de Abrantes com a quantia anual de 8 000,00€, a Câmara de Abrantes está a distorcer totalmente a concorrência com os outros jornais concelhios.

Por isso, o Jornal de Abrantes pode ser distribuído gratuitamente e aos milhares e com boa apresentação gráfica, enquanto o Jornal de Alferrarede tem de ter edições limitadas aos seus assinantes e menor qualidade gráfica.”

Os Senhores Vereadores eleitos pelo PSD alegam ainda “E esta situação é tanto ou mais chocante quanto é certo que o Jornal de Abrantes só passou a ter este tratamento VIP, a partir do momento em que foi adquirido pelo Grupo Lena, um dos grupos empresariais mais poderosos do país (o tal que o inspector do Ambiente estranhou de «ganhar todos os concursos públicos na Câmara de Abrantes», e passou a ter como director o ex-vereador do PS e marido da ex-vereadora e presidente local do PS.

Acresce que, ao contrário do Jornal de Abrantes, o director do Jornal de Alferrarede não tem actividade partidária conhecida, tem uma história de vida ao serviço do jornalismo regional e não é dono de nenhum grande grupo empresarial.”

Acontece que a Câmara Municipal de Abrantes tem contratos publicitários com outros órgãos de comunicação, além do Jornal de Abrantes. São eles, o Jornal A Barca e as rádios Antena Livre e Tágide.

Todos eles, por iniciativa própria, apresentaram propostas à Câmara Municipal para a realização destes contratos de prestação de serviços de publicidade.

Apesar desta contratualização, existe uma rubrica em orçamento destinada à publicitação de anúncios diversos nos restantes meios de comunicação social. Estes contratos publicitários são estabelecidos no âmbito da legislação em vigor e divulgados em Portal próprio, não tendo a Câmara Municipal de Abrantes qualquer influência editorial junto dos órgãos de comunicação social com quem contratualiza.

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Os Senhores Vereadores eleitos pelo PSD requerem ainda “que sejam informados de qual os montantes, devidamente discriminados, pagos pela Câmara Municipal de Abrantes e/ou pelos Serviços Municipalizados: (I) em publicidade ao jornal de Abrantes e à Rádio Antena Livre entre os meses de Setembro de 2009 a Maio de 2011, assim como todos os subsídios às suas actividades ou eventos; (II) em publicidade ao Jornal de Abrantes no ano de 2008.”

 .

Parece antes de mais necessário enquadrar em termos genéricos aquela que tem sido a política de contratação de meios publicitários pela Câmara Municipal de Abrantes. Assim, e analisando os dados dos últimos quatro anos, ilustrados no gráfico abaixo, constata-se que desde 2010 se tem assistido a uma política de privilegiar a contratação de meios publicitários locais, política essa que se norteia pela relevância conferida ao apoio aos meios de comunicação local pela sua clara importância quer do ponto de vista cultural, quer também do próprio desenvolvimento económico e social do Concelho.

Recordamos, que a eficácia externa da actividade municipal está prevista na lei e que em primeira instância visou reforçar a política de comunicação externa da Câmara, de forma a aumentar a cobertura das actividades que se realizam sob a responsabilidade da autarquia.

A difusão pública das actividades municipais revela-se de grande importância, de forma a chegar às comunidades locais e também regionais, já que em matéria de actividades culturais, desportivas e outras, o público-alvo é mais abrangente, como se deseja, nomeadamente junto da população que reside no Médio Tejo.

Já todos ouvimos dizer que o que não se vê ou não se ouve, simplesmente não existe!

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Rádios Locais

Relativamente aos contratos de publicidade estabelecidos com as duas rádios locais com sede no concelho, eles existem há já alguns anos.

Naturalmente, mantém-se a justificação utilizada para a generalidade dos órgãos que têm contrato com a Câmara. Também as rádios Antena Livre e Tágide, por iniciativa própria, apresentaram propostas à Câmara Municipal para a realização destes contratos de prestação de serviços de publicidade.

Constata-se pelas características inerentes a estes meios de comunicação que a mensagem tem grande eficácia:

1. Custo por contacto muito baixo;

2. Timings de produção curtos;

3. Permite uma rápida concretização do planeamento devido à não saturação publicitária da maior parte dos suportes e características técnicas;

4. Meio flexível que permite segmentar o público-alvo, "regionalizar", estar presente em várias durações e períodos horários específicos;

5. Possibilita a obtenção de elevados índices de repetição;

6. Elevada capacidade de exploração musical;

7. Excelente meio no que respeita ao contacto directo com o público.

 .

De salientar que, neste contrato de prestação de serviços na área da publicidade, não está incluído o subsídio atribuído à Gala da Antena Livre. São processos distintos.

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Imprensa Escrita

Como já foi referido, os jornais apresentaram as suas propostas, de forma espontânea, que foram consideradas válidas após uma análise que confirmou que são canais de comunicação usados pelos cidadãos, merecem credibilidade tanto junto do público global como do público segmentado.

Têm um nível de cobertura regional alargado; maior tempo de exposição da comunicação ao alvo; possibilidade de contacto directo com o público; grande flexibilidade em termos de regionalização, possibilidade de segmentação e variedade de formatos e localizações.

Com os restantes jornais, a Câmara contratualiza outras publicações (exemplo: avisos, editais), tendo em atenção o público-alvo que atingem e a sua periodicidade. São sempre privilegiados os valores da publicitação, mas em conciliação com a capacidade dos órgãos atingirem os públicos-alvo, o que se passa pela tiragem e inserção local ou regional.

Estamos perante um mensário, considerado uma publicação histórica do concelho, de grande tiragem e distribuição gratuita (Jornal de Abrantes) e de um semanário (Jornal A Barca), que complementa o primeiro.

Em conjunto, estas publicações permitem abranger um maior número de leitores, inclusivamente nos concelhos de Chamusca, Constância, Entroncamento, Golegã, Gavião, Mação, Sardoal e Vila Nova da Barquinha.

Pelas razões apresentadas, os eleitos pelo Partido Socialista (PS) votam contra esta proposta de deliberação.

Os contratos estabelecidos pela Câmara foram realizados na sequência da apresentação de proposta espontânea, por parte dos departamentos comerciais dos “Jornal de Abrantes” e “A Barca”.

Foram consideradas válidas após uma análise que confirmou que são canais de comunicação usados pelos cidadãos, têm um nível de cobertura regional alargado, possibilitando a eficácia externa da actividade municipal, prevista na lei.

A Câmara Municipal de Abrantes não financia órgãos de comunicação social, como os Senhores Vereadores eleitos pelo PSD afirmam na sua declaração. Na forma retórica como abordam a questão, fica a ideia de que a Câmara beneficia alguns órgãos de comunicação social em detrimento de outros. Isso não acontece.

Os contratos, e não subsídios, foram estabelecidos no âmbito da legislação em vigor e divulgados em Portal próprio e serão alvo de revisão no final do seu termo. A Câmara sempre investiu publicidade neste meio, independentemente da sua organização empresarial. É importante registar aqui que a Câmara não negoceia entrevistas, reportagens, editoriais ou artigos de opinião. Contratualiza publicidade institucional.

Os eleitos do PSD insistem em centrar a questão no Jornal de Abrantes. Desafiamos os senhores vereadores a concretizar aquilo a que chamam de “estreitas relações” entre o Jornal de Abrantes e a Câmara. Não podemos, e não queremos fazer confusão, o Jornal de Abrantes serve uma região. O “Passos do Concelho” serve um concelho.

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Ver DOSSIÊ III: Direito da Oposição

Ver DOSSIÊ: As Nossas Propostas

MUSEU IBÉRICO

Período antes da Ordem do Dia

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Em seguida a Vereadora Elsa Cardoso apresentou uma declaração dos Vereadores do PSD sobre o Museu Ibérico, que por ser extensa se anexa à presente acta.

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A Presidente da Câmara disse que esta declaração lhe lembra uma fábula de uma cobra que pretendia retirar o “brilho” a um pirilampo. Os Vereadores do PSD têm por hábito o uso de palavras da retórica para chamar ignorantes e irresponsáveis aos elementos do executivo em funções. O actual executivo confronta-se neste momento com uma situação financeira mais complicada e muito distinta daquela que existia no mandato anterior quando este projecto foi idealizado.

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O cenário actual é o da necessidade de governar o concelho com cerca de 5 milhões de euros num ano a menos do que anteriormente, por força de uma forte quebra nas receitas próprias e nas transferências do orçamento de estado, quando existem cada vez mais responsabilidades. Os Vereadores sabem que a Câmara Municipal mantém uma situação saudável no que toca ao endividamento, e que todos devem reconhecer e sentir-se felizes pelo facto de a autarquia não estar e não se prever ficar em incumprimento – se calhar os Vereadores eleitos pelo PSD preferiam que isso acontecesse. Disse ter algumas dúvidas sobre quais são os sentimentos dos Vereadores eleitos pelo PSD sobre esta matéria – principalmente depois de ouvir uma declaração como esta.

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Neste momento, com o facto de não se ter a garantia do financiamento do projecto – porque o Governo tarda em dizer o que pretende fazer com o QREN, provavelmente será entregar o dinheiro a Bruxelas – seria irresponsável avançar-se com o projecto nos moldes em que está, esgotando-se as receitas e ultrapassando-se a capacidade de endividamento. Se as condições fossem as mesmas, avançava-se, sem dúvida, com o projecto tal qual como idealizado. Pretende-se avançar com a obra. No entanto, poderá vir a ser necessário executá-la em duas fases (primeiro o edifício do Convento de São Domingos e, mais tarde, a construção da torre) se não houver financiamento. Esta questão, neste momento, poderá significar a assunção de mais alguns custos com o projecto e terá como consequência uma grande diminuição do impacto do projecto, por exemplo ao nível da inclusão do Museu numa grande rota. Disse achar que esta crítica significa que os Vereadores eleitos do PSD, que eram a favor desta solução, não pretendem mesmo é a construção do MIAA.

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Quanto ao estudo económico-financeiro, como já foi referido outras vezes, está a ser feito. O executivo em funções não tem a veleidade de achar que o MIAA será sustentável financeiramente por si só, porque nenhum museu o é, e porque não é essa a sua finalidade. A Presidente da Câmara disse também que lhe custa que se continue a falar sempre do mesmo e a dar azo a que outros continuem desta forma a criticar e a colocar entraves ao projecto. Esclareceu que esta possibilidade de vir a avançar com a obra de forma faseada, não se deve ao facto de a Presidente da Câmara ouvir ou não tudo o que tem vindo a ser dito, mas sim de atender às condições reais. Lamenta que se continue a denegrir a imagem de quem trabalha todos os dias em prol do concelho – pois não são ignorantes nem irresponsáveis. O que os Vereadores eleitos pelo PSD gostariam era retirar o “brilho” ao executivo em funções, mas não conseguem, porque os eleitos em funções continuarão a trabalhar muito e com a mesma garra que tiveram até agora, conseguindo fazer aquilo que poucos conseguem: uma gestão equilibrada, sem alterar as condições da Câmara Municipal, mesmo com as diversas contingências, sendo inclusivamente uma referência nacional. Ainda relativamente às considerações tecidas, referiu que o investimento é muito mais que custo. O investimento neste projecto irá traduzir-se no retorno que trará para a comunidade, independentemente do custo. (...)

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Se pretendem apelidar a presidente e os vereadores de ignorantes e irresponsáveis, façam-no, mas tenham a noção que este poderá ser um dos primeiros projectos a ter que ser alterado. Espera que, a curto prazo, não se tenha que estar aqui a discutir a reavaliação de outros projectos com impacto brutal no concelho e que poderão ser-lhe retirados. (...) Aquilo que está a ser feito hoje, de acordo com as propostas de Orçamento de Estado e com o Documento Verde, é um esvaziamento completo dos municípios e de Abrantes. Haverá municípios que ganharão com o esvaziamento de Abrantes.

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A Vereadora Elsa Cardoso disse que o Centro Histórico já está esvaziado. Que foram feitos muitos erros nos últimos anos. (...) Está-se a tentar que a cidade fique equilibrada, quando ela já não está há muito anos. Quando regressou a Abrantes arrependeu-se amargamente de o ter feito porque a cidade não correspondia de todo às expectativas de que tinha de criança. A cidade ficou um pouco fantasmagórica e acha que isso tem tudo a ver com os PDM e com o PUA. Quando isso não foi acautelado não há museu que salve, não há hipótese. Adora museus e é muito sensível às questões culturais, mas acha que já se deveria ter pegado de outra forma, porque quem sai de Abrantes e está alguns anos fora, quando regressa vê coisas obsoletas. A recuperação de casas antigas no estrangeiro é muito superior ao que é feito em Portugal. Mas esse é um problema do país. Nós não estimamos aquilo que é antigo. É mais fácil fazer uma coisa nova. (...)

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A Vereadora Elsa Cardoso disse ter-se candidatado para fazer uma Abrantes melhor.

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Ver secção (I) do DOSSIÊ II: Museu Ibérico

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Morreu o meu amigo Raúl Cóias. Ou melhor, morreu o poeta. Poeta no verdadeiro sentido da palavra e a tempo inteiro. Poeta 24 horas por dia.

Há poetas que são poetas por fazer versos. Mas estes não são os verdadeiros poetas.

O verdadeiro poeta é aquele que é poeta independentemente de fazer versos. E Raúl Cóias era poeta das duas maneiras: por fazer versos e mesmo que os não fizesse.

Recordo hoje, com saudade, os sonetos que fazíamos ao desafio n' A Lareira, em Gavião. Tão longe e tão perto. 

Até um dia, meu querido amigo... Ou melhor, até breve!.

Paroles : Louis Amade
Musique : Gilbert Bécaud
  
Quand il est mort le poète,
Quand il est mort le poète,
Tous ses amis,
Tous ses amis,
Tous ses amis pleuraient
 
Quand il est mort le poète,
Quand il est mort le poète,
Le monde entier,
Le monde entier,
Le monde entier pleurait
 
On enterra son étoile,
On enterra son étoile,
Dans un grand champ,
Dans un grand champ,
Dans un grand champ de blé
 
Et c'est pour ça que l'on trouve,
Et c'est pour ça que l'on trouve,
Dans ce grand champ,
Dans ce grand champ,
Dans ce grand champ des bleuets

CEDÊNCIA DE PALCO PARA EVENTO DE INTERESSE CONCELHIO

Resposta da senhora presidente da câmara

ao pedido de esclarecimento dos vereadores eleitos pelo PSD

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A Vereadora Elsa Cardoso apresentou um pedido de esclarecimentos dos Vereadores eleitos pelo PSD, que a seguir se transcreve:

 . 

“Nos próximos dias 11/12/13 de Novembro de 2011, vai decorrer o aniversário da Banda Arte Nova, em Rio de Moinhos Abrantes, que irá contar com a participação de várias bandas e grupos musicais, assim como de artistas conhecidos da zona de Abrantes e Portalegre e algumas bandas filarmónicas. Trata-se de um evento que irá certamente animar e atrair muita gente a uma freguesia do nosso concelho e numa época baixa, mas para o qual a existência de um palco é fundamental. Não se pode, no entanto, exigir que os promotores do evento disponham de um palco para o efeito pelo que a cedência de um palco pela autarquia parece-nos ser a solução natural, para mais para um evento de inegável interesse concelhio.

 .

Pelo exposto, gostaríamos de saber qual a razão para a autarquia recusar a cedência de um palco para a realização deste evento de inegável interesse concelhio.”

  ..

A Presidente da Câmara disse que aquilo que os Vereadores do PSD pretendem ver aprovado implicaria que a Câmara Municipal incorresse em incumprimento naquilo a que são as suas responsabilidades. Trata-se de um evento de índole particular e com intuito lucrativo, sendo que a Câmara Municipal, ao aprovar a cedência gratuita do palco, subsidiando indirectamente a actividade, estaria a agir em benefício de particulares. A Câmara Municipal poderia ceder o palco a este evento, mas não de forma gratuita.

 .

Explicou que a autarquia tem vindo a apoiar várias iniciativas, com a cedência gratuita de equipamentos ou espaços, mas apenas quando os eventos são realizados por associações ou, ainda que realizados por particulares, se destinem à angariação de fundos para as instituições, por exemplo. Por outro lado, a ser feita esta cedência, a autarquia ver-se-ia obrigada a ceder a todas as entidades que apresentassem pedido, por forma a ser equilibrada e justa nas suas decisões.

 .

Estão definidas internamente algumas regras quanto à cedência gratuita dos palcos. Os palcos sem cobertura são emprestados, em regra e em primeira instância, às escolas do concelho, dos diversos graus de ensino, e, depois e uma vez em cada ano, a cada uma das Juntas de Freguesia. Mais que isso seria impossível, porque implicaria a disponibilização de muito tempo de vários colaboradores do município apenas para montar e desmontar palcos.

 .

O palco com cobertura só é utilizado nas Festas da Cidade e, nos últimos anos, foi também cedido a título excepcional à Associação Knock Out, para a realização do LanFestival que conta com o apoio da autarquia no âmbito do Fincult, sendo que demora cerca de uma semana a montar e a desmontar.

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Ver Secção IV do DOSSIÊ IX: Diversos

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

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Qualquer jurista sério sabe que o confisco dos subsídios de férias e de Natal por parte do Governo é inconstitucional. Mas toda a gente também sabe que o Tribunal Constitucional vai considerá-lo constitucional pela mesma razão que a professora da antiga União Soviética se apressou a reconhecer que o crocodilo era um animal que voava quando soube que o aluno que dera tão aberrante resposta era o filho do chefe da KGB.

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Também, neste caso, os juízes do Tribunal Constitucional sabem bem o que os espera se tiverem a ousadia de declarar a inconstitucionalidade de uma medida que visa cumprir uma meta da troika: ou engolem a declaração e dão o dito por não dito ou é declarada a bancarrota e lá se vão as suas mordomias constitucionais.

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Diz o povo que «com circo e bolos se enganam os todos». Mas não seria preferível ao PS e ao Presidente da República empenharem-se numa revisão profunda da Constituição, mais que não seja para evitar o deprimente espectáculo de ver os juízes do Tribunal Constitucional, no momento da decisão, terem de trocar a beca de juiz pela indumentária do palhaço?

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Toda a gente se escandalizou com o facto de Otelo ter dito que, para derrubar o regime, bastavam 800 soldados. Infelizmente, Otelo está enganado. Para derrubar o regime democrático, não é necessária tanta gente. Basta meia-dúzia de palhaços.

20 Nov, 2011

A RTP

 

(...) "A televisão é um assunto sério", escreveu Pedro Lomba, "aparentemente demasiado sério para ficar longe da mão dos poderes públicos". Diz ele que "o Governo pode precisar de um contrapeso para o poder potencialmente manipulador dos grupos privados de comunicação", princípio que me parece errado e perigoso. É que esse contrapeso não deve vir do Governo - qualquer Governo -, mas sim da livre competição entre projectos diferentes, pelo que as autoridades públicas o que devem garantir são as melhores condições de concorrência, último e verdadeiro garante do pluralismo no espaço público.» (...)

 

Hoje temos uma situação indecorosa em que Governos estrangeiros pouco democráticos condicionam os conteúdos da RTP África, mas ninguém parece incomodado com isso. Já a responsabilização do Ministério dos Negócios Estrangeiros pelo contrato-programa da RTP Internacional, um modelo inspirado no da BBC e que vigora em boa parte dos países europeus, deixou meio mundo abespinhado. (...)

 

Em Portugal discutir o que quer que seja é, realmente, muito difícil. Primeiro, porque a preguiça começa por impedir que sequer se leiam os documentos. Depois, porque abunda o preconceito. Por fim, porque somos um país de interesses instalados e agendas ocultas.
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José Manuel Fernandes - Público de 19-11-2011

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(...) A UE é um agrupamento voluntário de soberania nacional, mas as exigências que estão agora a ser feitas à Itália (e à Grécia) são os Diktat de outras nações soberanas. Um governo de unidade nacional dirigido por um tecnocrata no lugar de uma administração dirigida por políticos eleitos não altera qualitativamente o facto de estrangeiros estarem a exigir reformas. Mas os eleitores em tempo de crise conseguem ser mais sensatos do que a maioria dos políticos (...).
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É claro que um governo tecnocrático é uma anomalia, na medida em que constitui um veredicto condenatório sobre o desempenho de toda a classe política de um país. Mas os eleitores nas terras afectadas da zona euro parecem ter chegado às suas próprias conclusões condenatórias a respeito dos seus líderes eleitos há meses atrás.
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Lao Tzu, o fundador do tauismo, escreveu que "o líder é melhor, quando as pessoas mal sabem da sua existência". Com os governos da Europa afectados pela crise a voltarem-se cada vez mais para os tecnocratas não eleitos, quase se consegue ver os cidadãos a acenar em concordância.
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Fabrizio Tassinari* - Público de 16-11-11

*director de Estudos de Política Externa e da UE

no Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais

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Para reconhecer um situacionista ao perto ou à distância, precisamos de ouvidos abertos. Não há dificuldades de monta. Acreditem que ele usará necessariamente uma das seguintes retóricas:
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1. "Em vez procurar responsáveis, devíamos estar a discutir soluções". Esta obsessão com as "soluções" é típica de um situacionista de grau elevado. Como já andámos há 30 anos a discutir soluções, ficamos exactamente onde estamos, que é também onde o situacionista nos quer.
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2. "Somos todos culpados". Uma maneira de diluir a culpa e a responsabilidade é afirmar vagamente que a culpa é de todos. Se somos todos culpados, a culpa não pertence a ninguém. Não houve Governos, ministros, secretários de estado, banqueiros, sucateiros, gestores públicos, acólitos; não houve decisões, factos, encomendas. Só temos de dar as mãos em conjunto e lutar por um mundo melhor.
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3. "Deixem a justiça trabalhar e não judicializem a política". Por qualquer razão, o situacionista abomina o que persistentemente chama judicialização da política. Claro que é pura coincidência o facto de ele ou os "amigos" terem acabado de sair do poder.
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4. "Os julgamentos de carácter são politicamente inadmissíveis". E assistir impavidamente às mentiras de um ex-secretário de Estado das Obras Públicas numa comissão parlamentar? Juízos de carácter na política? Que nojo.
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Se acaso ouvirem alguma das estrofes deste rosário, dou-vos um conselho: fujam. Não sem antes perguntarem ao situacionista se ele está mesmo interessado na reforma do país ou se tudo o que tem para oferecer é a mesma retórica autoprotectora que nos trouxe a esta ruína.

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Pedro Lomba - Público de 8-11-11