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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Santana-Maia Leonardo - in A Barca

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Miguel Pinheiro congratulava-se, um dia destes, na revista Sábado, com o facto de fisco ter controlado vários espectáculos o que levou os cantores de música ligeira a passar a declarar mais 384%. E terminava invocando o motivo de tanto regozijo: «os nossos impostos sobem por causa deles - dos que não pagam».

 

A sério? Pela minha parte não notei nenhuma descida dos meus impostos pelo facto de os cantores de música terem passado a declarar mais.

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Mas, afinal, em que país é que vive Miguel Pinheiro? Na Suécia, essa teoria pode ter alguma validade... Mas aqui, neste país à beira-mar plantado, se todos os que não pagam impostos passarem a pagar, não são os que pagam impostos que vão pagar menos. Pelo contrário, os nossos governantes é que vão passar a gastar mais.

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(...) A desigualdade não é, nem pode ser, um problema de partida numa sociedade livre. Pelo contrário, a desigualdade é e será sempre o fruto natural da liberdade.
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Sob o império da lei igual para todos, os indivíduos são livres de agir diferentemente. De acções livres, e por isso diferentes, decorrerão sempre resultados diferentes. Para abolir esses resultados diferentes, ou para garantir resultados iguais, será necessário abolir a igual liberdade que é garantida pela lei igual para todos. (...)

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Por esta razão, a desigualdade não é, nem pode ser, um problema de partida numa sociedade livre. O verdadeiro problema é o da pobreza ou, como disse Karl Popper, o do sofrimento humano susceptível de ser evitado.

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Em face deste argumento, o que deveria estar a ser discutido é o alívio da pobreza, não a promoção da igualdade.

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Mas a discussão sobre o alívio da pobreza é muito incómoda para os actuais dogmas dominantes. Levaria a questionar a razoabilidade de uma imensa despesa pública, designadamente em imensos quase monopólios estatais em áreas como a saúde e a educação - que, ao fornecer serviços quase gratuitos universais, na verdade estão a subsidiar os mais ricos com o dinheiro dos mais pobres e a proteger os produtores do Estado da saudável concorrência geral.

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Sim, numa palavra, o capitalismo tem de ser reformado. Mas o que ele realmente precisa é de mais liberdade e oportunidades para todos, não de mais igualdade.

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João Carlos Espada - Público de 30-1-2012