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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Miguel Gaspar - Público de 23-2-12

(...) Esta coisa de ser ser anti-alemão está na moda mas não é tão simples como parece. Eu, por exemplo, gosto dos alemães, apesar de eles serem um bocado quadrados. Gosto da eficácia deles, do facto de serem organizados, metódicos, rigorosos e pontuais.

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Em Portugal, chegar atrasado é uma forma de afirmar a posição social, não ser rigoroso é a prova de que se é criativo, ser organizado um atentado à capacidade de improvisação.

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O estereótipo do português, o qual damos como bom, é o de uma cultura que não gosta de resolver e assumir as responsabilidade pelos seus próprios problemas e acredita que a sorte ou a mãozinha do Além tratarão do assunto.

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É por sermos assim que entregamos de boa vontade o nosso destino a terceiros. No fim de contas, a marca de um país que foi ao mesmo tempo império e protectorado. Porque tudo isto já era assim antes de a troika existir.

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Por isso, queixarmo-nos dos alemães é, no essencial, uma maneira de não nos queixarmos de nós próprios. E de nos mantermos suavemente irresponsáveis e irrealistas.
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Sim, os alemães são uns chatos, mas vejam este pormenor. O presidente Christian Wulff, por exemplo, demitiu-se por ir ser investigado por ter favorecido um cineasta que lhe terá pago umas férias.

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Em Portugal, quantos políticos acham uma injustiça que os queiram obrigar a abandonar os seus cargos quando são acusados ou mesmo depois de terem sido condenados - mas antes de essa condenação encalhar no mar das prescrições judiciais? (...)

Santana-Maia Leonardo - in A Barca

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Durante os últimos trinta anos, a esquerda pós-modernista, no seu ódio irracional aos valores tradicionais, lançou uma campanha sem precedentes contra a honra, a trave-mestra do edifício dos valores, com vista à sua completa erradicação. E a verdade é que praticamente o conseguiu, tendo em conta que a honra é hoje um valor que não só não é valorizado nas relações sociais como é desconhecido da maioria da população.

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O fim do serviço militar obrigatório, onde os mesquinhos interesses individuais eram sacrificados em nome de um interesse superior e colectivo, foi a machadada fatal numa organização social em que a honra era trave-mestra.

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Quando fui professor de Português do ensino secundário, dei-me ao trabalho de fazer um inquérito sobre o valor «honra» em todas as minhas turmas do 11º e 12º ano e não houve um único aluno que fizesse a mínima ideia do que aquilo significava.

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Foi, pois, com naturalidade que a máxima pós-modernista «mais vale um cobarde vivo do que um herói morto» se impôs como guião não só do povo português como também de grande parte dos povos da Europa. 

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Não posso, por isso, deixar de estranhar a indignação dos portugueses e italianos com a falta de coragem do capitão do "Costa Concordia". Ele apenas seguiu o guião do nosso tempo, ainda que, como parece agora saltar aos olhos de toda a gente, um herói morto valha sempre muito mais do que um cobarde vivo. E por uma razão óbvia: a vida de um cobarde custa quase sempre muitas vidas inocentes.

António Belém Coelho .

 

Situação nº1

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Um(a) Presidente de Câmara, depois da declaração do Governo decidir pelo trabalho na terça-feira de carnaval, bem ou mal, declara dar tolerância de ponto aos seus funcionários.

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Seja qual for o argumento, declarou-o publicamente! Assume a respetiva responsabilidade, dentro das suas competências!

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Situação nº2

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Um(a) Presidente de Câmara, depois da declaração do Governo decidir pelo trabalho na terça feira de carnaval, bem ou mal, declara não estar de acordo com o Governo e não dar tolerância de ponto aos seus funcionários.

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Seja qual for o argumento, declarou-o publicamente! Assume a respetiva responsabilidade, dentro das suas competências!

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Situação nº3

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Um(a) Presidente de Câmara, depois da declaração do Governo decidir pelo trabalho na terça feira de carnaval, bem ou mal, em reunião do Executivo, declara estar de acordo com a decisão do Governo; na reunião seguinte, informa a vereação de que decidiu dar tolerância de ponto, argumentando com a decisão tomada pelas autarquias circundantes!...

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Conclusão

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Este(a) último(a) Presidente de Câmara continua, é certo, a estar dentro das suas competências, mas a imagem que fica é de uma inconstância a toda a prova (não só neste ato como em muitos outros), ou seja, a imagem de quem não tem vontade própria e anda a reboque dos acontecimentos e do que se passa em seu redor. Resumindo: uma “Maria vai com as outras.”

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Apenas isso. E está tudo dito.

PONTOS Nº4 E 5 – ILUMINAÇÃO PÚBLICA

Declaração de voto dos vereadores eleitos pelo PSD

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Apesar de votarem favoravelmente estas duas deliberações, os vereadores eleitos pelo PSD não podem deixar de chamar a atenção para o sistemático desperdício de energia eléctrica a que assistimos no concelho de Abrantes, por desleixo dos serviços encarregados de programar as horas de acendimento e apagamento das lâmpadas de iluminação pública.

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Possivelmente os sistemas não estão devidamente actualizados para que sejam a noite e o dia a servirem de interruptores, tendo em conta que as luzes estão acesas, com alguma frequência, em pleno dia.

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Ora, vivendo nós, simultaneamente, num tempo de grande recessão económica e num tempo em que a energia é um bem extremamente caro e escasso, não é aceitável que sejam os próprios serviços públicos, que deviam dar o exemplo, a desperdiçar energia desta forma.

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Ver Secção IV do DOSSIÊ IX: Diversos

RPP SOLAR

Pedido de esclarecimento dos vereadores eleitos pelo PSD

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Na reunião da câmara de 11 de Julho de 2011, foi aprovada, por unanimidade, a proposta da senhora presidente da câmara de proceder à audiência escrita da RPP Solar, com vista «à declaração de caducidade do licenciamento pela não conclusão das obras objecto de licenciamento no prazo fixado no mesmo e comunicar a declaração de caducidade do alvará ao Ministério da Economia atento o facto do projecto em causa ter sido considerado Projecto de Interesse Nacional (PIN) com financiamento comunitário».

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Foi dado para o efeito o prazo de 15 dias à RPP Solar para se pronunciar, tendo a senhora presidente da câmara explicado que esta proposta surge porque «foram esgotadas todas as condições que permitiam a autarquia continuar a espera do desenrolar deste processo», tendo em conta que havia «um atraso muito significativo na execução do projecto» (ver acta nº17/11 de 7 de Julho de 2011, fls.20 e 21).

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Na reunião de 5 de Setembro de 2011, a senhora presidente pediu para a Câmara ratificar o seu despacho de 24 de Agosto de 2011, em que concedeu, a solicitação da RPP Solar, «a prorrogação do prazo adicional de 15 dias para a junção, por parte da empresa, de documentos comprovativos da obtenção dos recursos financeiros necessários a conclusão da unidade industrial em construção até ao limite do prazo indicado e continuidade de desenvolvimento do projecto e que garantam o pagamento das responsabilidades que conduziram ao registo das penhoras e demais ónus sobre o terreno» (vide acta nº21/11 de 5/9/2011, fls. 9 e 10).

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Por sua vez, na reunião de 15 de Setembro de 2011, a senhora presidente, invocando ter sido enviado pela RPP Solar, por fax e em inglês, no último dia do prazo concedido, uma garantia bancária de um banco estrangeiro, propôs que não fosse ainda declarada a caducidade e que fosse concedido o prazo de 60 dias para a conclusão dos trabalhos referenciados (vide acta nº22/11 de 22/9/2011, fls.7 e 8).

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Prazo de 60 dias que, como se viu, foi estendido até ao passado dia 18 de Janeiro de 2012 e, pelos vistos, continua a ser estendido até ao infinito, porque, no último dia de cada novo prazo concedido, chega sempre mais um documento por fax a exigir longas análises do Gabinete Técnico e dos consultores externos da câmara.

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Ora, já toda a gente percebeu que o projecto não vai sair do papel.

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O que nós ainda não percebemos e gostávamos de perceber é o que está por detrás de toda esta estratégia de adiar sistematicamente a declaração da caducidade do alvará de licenciamento.

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Recordamos que, desde a reunião da câmara de 7 de Julho de 2011 (em que a senhora presidente propôs a declaração de caducidade do alvará por considerar «estarem esgotadas todas as condições que permitiam a autarquia continuar à espera do desenrolar deste processo») até hoje, já passaram quase 8 meses.

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Há, no entanto, neste processo uma coisa que já todos sabemos: a Câmara não acautelou minimamente os interesses do município neste projecto.

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É, pois, chegada a hora de sabermos os nomes dos responsáveis.

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Nestes termos, os vereadores eleitos pelo PSD gostariam de saber:

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     1. quem foi/foram os técnicos responsáveis por parte do município pela redacção do contrato com a RPP Solar?

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     2. por que razão não constou da escritura a habitual cláusula de reversão? Ou seja, quem é ou são os responsáveis pela sua exclusão ou a sua não inclusão?  

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     3. finalmente, se a putativa garantia bancária enviada por fax e em inglês no última dia do prazo e que fundamentou a proposta da senhora presidente, na reunião de 15 de Setembro, para que fosse concedido um novo prazo de 60 dias, é ou não uma verdadeira garantia bancária? E, caso não seja, é o quê?.

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Ver DOSSIÊ VI: RPP Solar

ABRANÇALHA DE CIMA - PROBIÇÃO DE ESTACIONAMENTO

Pedido de esclarecimento dos vereadores eleitos pelo PSD

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Os vereadores eleitos pelo PSD gostariam de saber quanto tempo mais precisam os serviços jurídicos da Câmara Municipal para se pronunciarem sobre a nossa proposta de retirar as linhas amarelas que impedem o estacionamento de todo e qualquer veículo em Abrançalha de Cima.

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Ver Secção II do DOSSIÊ IX: Zona Centro

Ver DOSSIÊ: As Nossas Propostas

Extracto da entrevista a Ben Knapen* - Público de 17-2-2012

*Ministro holandês dos Assuntos Europeus e Cooperação Internacional

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Ben Knapen - (...) Queremos ver a Grécia a gerir a sua crise de uma forma que se encaixe não só na estabilidade do país, mas de toda a zona euro.

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Público - E se não encaixar?

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B.K. - Se não encaixar, então não haverá desculpa e a Grécia tem de assumir a responsabilidade. (...)

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P - Tem-se falado da possibilidade de um segundo resgate a Portugal. A Europa e a Holanda estariam dispostas a isso?

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B.K. - Não vou especular sobre isso. A cada trimestre, a troika analisa o cumprimento do programa, faz um relatório e, de acordo com as suas recomendações, a zona euro actua. Quando uma nova análise sair, discuti-la-emos. A questão fundamental é recuperar o controlo e é nisso que o Governo está a trabalhar. Claro que todos os países, tal como a Holanda, têm de o fazer também, porque temos de estar certos que a população e os mercados confiam em nós. E isso é ainda mais relevante por estarmos na zona euro, pois quando nós estamos fora de controlo vocês sofrem e vice-versa.

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P - Mas o facto de todos os países do euro aplicarem a mesma receita de austeridade não acaba por agravar a própria crise?

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B.K. - Entendo essa ideia, mas acaba por ser vulgarizar um pouco o debate. Se um país da zona euro começar a gastar, no dia seguinte os spreads da dívida iriam subir, porque os mercados iriam duvidar da capacidade de pagar essa dívida no futuro. Se um país está sob um programa de assistência, não há como escapar a uma fase de austeridade. Se um país viveu acima das suas possibilidades durante décadas, tem agora de pagar o preço. A ideia de que não há um preço é tentadora para um político usar perante o eleitorado, em véspera de eleições, mas não é verdade. Se um país acumula défices grandes e não tem um crescimento económico forte, a certa altura isso vira-se contra ele. É por isso que temos de passar por esta fase [de austeridade]. Estamos todos impacientes, mas melhores dias virão.

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P - Os países do Norte da Europa parecem estar cada vez menos dispostos a ajudar os países periféricos. É verdade?

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B.K. - Não gosto da palavra "periféricos", porque estamos todos no mesmo barco. Mas, se subimos impostos, se damos garantias a grandes empréstimos, no final de contas é o dinheiro dos nossos contribuintes que está a ser usado. A sua vontade de emprestar depende muito de sentirem ou não que esse dinheiro está a ser bem gasto e essa confiança só se conquista com melhorias na governação da zona euro e se países como Portugal agirem de acordo com as regras que todos decidimos. Portugal tem um papel pivô em convencer também os nossos contribuintes de que estão a fazer a coisa certa. Claro que nem todos os cidadãos acompanham isto todos os dias e, quando vêem na televisão um protesto, pode ser em Lisboa, em Milão, em Madrid ou em Atenas, perguntam-se: é o nosso dinheiro que está ali a arder? No entanto, acredito que, quando todos nós mostrarmos que estamos no caminho certo, que estamos em controlo, perceber-se-á que o dinheiro está a ser bem gasto, porque cria estabilidade para a zona euro. O meu país também precisa disso. A Holanda vive de exportar e importar, estamos tão conectados à situação económica da zona euro que, se esta florescer, nós florescemos. Mas temos de certificar-nos que o dinheiro que emprestamos não é consumido pelas chamas.

Vasco Pulido Valente - Público de 17-2-2012

Portugal é a Grécia? Portugal não é a Grécia? Há quem ache que sim, há quem ache que não. Mas quando o assunto vem ao de cima, vem sempre inevitavelmente por causa de uma nova batalha campal na Praça Sintagma, entre a polícia e uns milhares de manifestantes, a que a troika tornou a tirar dinheiro. (...)

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Depois do episódio da República, que mesmo assim não afectou - ou afectou pouco - o interior do país, desde meados do século XIX nunca o país deixou de viver num Estado poderoso e vigilante, que o trazia vigiado por um Exército disperso pela província e reforçado em Lisboa e no Porto. Salazar, de resto, organizou, alargou e consolidou a repressão. Com alguns brevíssimos sobressaltos pelo meio, a herança que a ditadura legou foi uma herança de conformismo e obediência, que permanece viva, e frequentemente dominante, no Portugal de hoje, com a sua complacência e a sua democracia. Verdade que o PREC não se recomenda. Mas não durou muito e a velha ordem depressa voltou com a sua dignidade postiça e as mediocridades do costume. A troika escusa de se preocupar. Cá na terra nós fazemos sempre, ou quase sempre, o que nos mandam. E não gostamos nada de aventuras.

18 Fev, 2012

A DAMA DE FERRO

José Manuel Fernandes - Público de 17-2-2012

A Dama de Ferro é um filme inspirador, sobretudo se pensarmos que esta crise lembra muito a do final dos anos 70. (...)

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A velha senhora permanece contudo igual a si própria: "Um dos grandes problemas dos tempos que vivemos é que agora somos governados por gente que se preocupa mais com as sensações e os sentimentos do que com raciocínios e ideias". (...)

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O filme de Phyllida Lloyd não é sobre as ideias da única mulher a chegar a Downing Street. Nem sequer é sobre a sua vida, apesar do título: A Dama de Ferro. Ou pelo menos não era para ser. O retrato de uma mulher idosa em luta com a demência e com alucinações deveria ser mais o retrato de alguém que perdeu o poder e confronta as limitações próprias de um fim de vida solitário. Uma espécie de Rei Lear moderno, chegaram a pretender os seus autores. Só que é muito mais do que isso: é também um filme sobre o poder das convicções e a força do carácter em política. É isso que o torna especialmente interessante.
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"Ou nos guiamos pelos nossos princípios, ou não nos guiamos por nada", diz Thatcher/Streep noutra passagem. E di-lo com uma convicção que não permite desafios. A "filha do merceeiro" não era, com efeito, apenas mais um político, mesmo que um político-mulher. Ela distinguia-se - e ainda hoje se distingue - da multidão de "estadistas" que encheram e enchem as páginas dos jornais por recusar visceralmente o pragmatismo sem princípios. Ela tinha ideias e lutava por elas. Acredita na força das ideias. (...)

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O país que herdou em 1979 estava mergulhado no caos, conhecia uma inflação galopante, níveis de desemprego elevados e uma militância sindical que impedia toda e qualquer reforma. Era a Grã-Bretanha saída do consenso do pós-guerra, uma velha nação que parecia incapaz de contrariar a sua decadência. Um atrás de outro, líderes trabalhistas e conservadores limitavam-se a gerir o dia seguinte através de uma estatização cada vez maior da economia.

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A Dama de Ferro não nos conta como é que o thatcherismo mudou o Reino Unido, muito menos como ajudou a mudar o mundo - mas mostra-nos como é que alguém de convicções fortes e vontade inabalável enfrentou a contestação da rua, o desafio da ditadura argentina, as dúvidas do aliado americano ou as reticências dos seus companheiros do partido conservador sempre em nome de princípios e ideias. Muitas vezes lhe disseram que as suas políticas conduziriam ao desastre, muitas vezes lhe falaram de vitórias impossíveis, muitas vezes teve de enfrentar os que queriam ceder face à impopularidade de certas medidas - mas Thatcher nunca desistiu e lutou sempre pelo que considerava essencial. E isso é muito inspirador. (...)