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COLUNA VERTICAL



Segunda-feira, 02.04.12

REUNIÃO DA CÂMARA DE 2/4/12 (I)

O JIPE SAGRADO

Resposta do vereador Santana-Maia Leonardo

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No passado dia 5 de Março, os vereadores do PSD Belém Coelho e Elsa Cardoso assistiram com estupefacção e incredulidade à transformação da reunião da câmara pela senhora presidente num palanque, para usar a expressão do seu camarada Tino de Rãs, para responder ao modesto artigo de opinião “Jipe Sagrado”, escrito por mim, a título meramente pessoal, no jornal Nova Aliança.

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Mas o teor da resposta ainda é mais surpreendente do que o palco escolhido porque revela uma iliteracia tão manifesta numa pessoa tão brilhante (ou não fosse a senhora presidente o pirilampo da fábula) que só pode ter uma explicação: não foi escrito pela senhora presidente mas certamente por um dos seus brilhantes assessores externos e/ou internos com dificuldades de leitura e de escrita.

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Logo a abrir a resposta, veja-se a flagrante contradição, ao acusar-me de confundir «o que é da esfera privada com o que é da esfera pública» pelo facto de mencionar no referido artigo “o jipe da senhora presidente da câmara” no rol de crimes pelo que o jovem delinquente foi condenado, em vez do jipe da Maria do Céu.

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Ou seja, eu sou acusado de confundir a esfera privada com a esfera pública ao referir-me, num artigo de opinião meramente pessoal, ao jipe da senhora presidente da câmara, mas é a senhora presidente da câmara, nessa qualidade e no exercício dessas funções, que, numa reunião da câmara (na qual eu nem sequer estive presente), responde a um artigo de opinião escrito por mim a título pessoal, num jornal local.

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Se existe aqui alguém a necessitar de lições para aprender a distinguir a esfera pública da esfera privada, não sou eu certamente.

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Além disso, a referência "ao jipe da senhora presidente da câmara" nunca poderia constituir uma intromissão na sua intimidade, na medida em que foi dessa forma que todos os jornais nacionais e regionais noticiaram o julgamento e a condenação do jovem delinquente.

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Aliás, foi precisamente o facto de o jipe ser da senhora presidente da câmara que fez com que o caso tivesse sido notícia e merecido destaque em todos os jornais nacionais e regionais.

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Eu limitei-me, pois, nesta parte, a reproduzir a notícia tal como ela foi divulgada por todos os órgãos de comunicação social, sendo certo que uma sentença é por natureza da esfera pública.

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Quanto à análise crítica da quadra de Vale de Rãs (“Meu filho, presta atenção/ P’ra não ires p’rà prisão/ Podes roubar toda a gente/ Excepto a senhora presidente”), não fica bem a quem revela tantas dificuldades de compreensão escrita desmerecer os poetas populares de Vale de Rãs que, revelando algumas limitações a nível formal, devido aos seus poucos estudos, denotam, no entanto, do ponto de vista substantivo, conhecer bem o modus operandi das forças policiais e políticas no concelho de Abrantes.

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Todavia, o que é mais surpreendente na resposta é o seu autor (e digo autor, porque, como já referi, não acredito que tenha sido escrita pela senhora presidente) não perceber que o primeiro parágrafo do meu artigo de opinião estava escrito em tom irónico.

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Sendo certo que a ironia é uma das figuras de estilo mais utilizada pelos portugueses, mesmo por quem nunca frequentou a escola.

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A ironia consiste, precisamente, em dizer o contrário daquilo que se pensa, gozando com uma situação, com a intenção de provocar o leitor.

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Vamos, então, como se fazia na antiga escola primária, reler o primeiro parágrafo do meu artigo:

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«Como foi amplamente noticiado, o Tribunal de Abrantes condenou, no passado dia 6 de Fevereiro, um jovem de 19 anos a 11 anos de prisão, pela prática de dezenas de crimes insignificantes (furto qualificado, roubo agravado, sequestro e agressão de algumas das vítimas, quer na sua própria residência quer na via pública) e um crime gravíssimo: o roubo do jipe da senhora presidente da câmara.»

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Ora, como salta aos olhos de um cego, a minha intenção não é classificar de gravíssimo o furto de jipe da senhora presidente e de insignificantes os outros crimes.

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Muito pelo contrário.

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O que eu pretendo denunciar, ao usar a ironia, é precisamente o facto de, durante anos, as forças policiais, a autarquia e o tribunal se terem mostrado absolutamente indiferentes perante o rasto de crimes gravíssimos que os jovens delinquentes iam deixando atrás de si (furto qualificado, roubo agravado, sequestro e agressão de algumas das vítimas, quer na sua própria residência quer na via pública) e só se terem mexido quando foi furtado o jipe da senhora presidente da câmara.

..

E a melhor prova disso foi a reacção da senhora presidente da câmara e do comando da PSP ao nosso apelo, em reunião de câmara e em conferência de imprensa, em Janeiro de 2010, para que se travasse a senda criminosa desses dois jovens.

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Finalmente, quanto aos nossos contributos para resolver os problemas de segurança no concelho, não nos temos cansado de os dar, tendo os mesmos sido sempre rejeitados pela maioria socialista.

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Ainda agora a estúpida morte de uma senhora no Tramagal pelo seu próprio filho, só foi possível porque os poderes públicos (tribunais, polícias, autarquias, instituições de saúde, redes sociais, etc.) são absolutamente indiferentes ao sofrimento e aos problemas dos cidadãos.  

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Tivesse o homicida dado uma sova num autarca a tempo inteiro, num procurador, num juiz ou num polícia, em vez de ter agredido o seu pobre pai, e a esta hora a sua mãe ainda estaria viva.

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***.

Leia aqui o artigo de opinião «O JIPE SAGRADO»

http://amar-abrantes.blogs.sapo.pt/439674.html

e a resposta da senhora presidente da câmara:

http://amar-abrantes.blogs.sapo.pt/458980.html 

Ver DOSSIÊ VIII: Segurança

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Segunda-feira, 02.04.12

REUNIÃO DA CÂMARA - 5/2/12 (acta fls.7-8)

ARTIGO DE OPINIÃO "O JIPE SAGRADO" DE SANTANA-MAIA LEONARDO

Declaração da presidente da câmara

A Presidente da Câmara procedeu à leitura de um documento cujo teor abaixo se transcreve:

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Na última edição do Jornal Nova Aliança foi publicado um artigo com o título “O Jipe Sagrado” da autoria de Santana Maia Leonardo.

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O teor do referido artigo é, por si só, de extrema gravidade. Mas tratando-se de alguém com responsabilidades públicas ele assume contornos de inqualificável gravidade e irresponsabilidade.

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Como é possível confundir-se, como se confunde no artigo, o que é da esfera privada com o que é da esfera pública?

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Saberá o autor, com toda a certeza, que quem foi vítima de furto foi a cidadã Maria do Céu Albuquerque e não a Presidente de Câmara.

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E a cidadã Maria do Céu Albuquerque, por ser Presidente de Câmara, não pode ser expropriada dos seus direitos individuais como o sejam, o direito à reserva da sua vida privada na qual se inclui, como e óbvio, a preservação da privacidade e da segurança da sua família.

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Saberá com certeza o autor, douto que é em matéria de leis, que esses são direitos fundamentais de qualquer cidadão num país livre e democrático como é, felizmente, o nosso. Ou talvez não saiba.

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Escondendo-se atrás das palavras, o autor que tanto se arroga defensor da moral e dos bons costumes diz, sem ter a coragem de o dizer frontalmente, que a condenação decidida pelo Tribunal apenas aconteceu porque uma das vítimas era a Presidente de Câmara.

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Fazendo uso dos seus supostos dotes poéticos, a certa altura refere “(...) Em Vale de Rãs, pelo menos, já aprenderam a lição: Meu filho, presta atenção / P’ra não ires pr’a prisão/podes roubar toda a gente/excepto a senhora presidente.”. Porque o assunto é sério, vamos abster-nos de fazer comentários sobre a pobreza da construção frásica e do lirismo desta suposta quadra.

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Mas não nos abstemos de nos insurgir contra o seu conteúdo segregador — em Vale de Rãs???? — e contra a ligeireza com que se aborda o assunto.

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E se atentar assim contra os direitos mais básicos de um cidadão é grave, que dizer da forma como apelida todos os outros crimes pelos quais o arguido foi condenado! “(...) o Tribunal de Abrantes condenou, no passado dia 6 de Fevereiro, um jovem de 19 a 11 anos de prisão, pela prática de dezenas de crimes insignificantes(..j”. Insignificantes?!

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Como pode o autor classificar de insignificantes crimes de furto qualificado, furto agravado, sequestro, agressão?!

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Mas então, e como refere o autor no mesmo artigo fazendo referência a conferência de imprensa que deu em 29 de Janeiro de 2010, não estávamos perante “um clima de terror” em Abrantes?

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Não foi o autor que se referiu a um dos crimes como “inqualificável agressão”?

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Será que a adjetivação muda conforme o sabor dos ventos, ou melhor, conforme a direção que queremos dar aos ventos?

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O que é inqualificável em 2010, e insignificante em 2012?

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Já estávamos habituados às incoerências e inconsistências das declarações do autor, mas convenhamos, estas ultrapassam o limite do razoável pela sua imensa irresponsabilidade e falta de respeito para com todos aqueles que foram vítimas dos crimes pelos quais o arguido foi condenado. E pelo próprio sistema de justiça que julgou esses crimes!

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Pergunte o autor a esses cidadãos se consideram esses crimes insignificantes!

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A segurança dos cidadãos é um assunto muito sério!

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O autor sabe-o bem. Até tem assento no Conselho Municipal de Segurança. Mas troca uma atitude construtiva, de reflexão e definição de estratégias que permitam intervir nas causas e nas consequências da insegurança, por uma atitude demagógica, bacoca e de vistas curtas quanto a esta problemática.

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Repetimos: A segurança dos cidadãos e um assunto muito sério!

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Não é um assunto para se “brincar à politica”!”

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***.

Leia aqui o artigo de opinião «O JIPE SAGRADO»

http://amar-abrantes.blogs.sapo.pt/439674.html

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