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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Vasco Pulido Valente - Público de 8-4-12

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(...) O PS está de facto numa posição insustentável. Primeiro, ele próprio negociou e assinou o "memorando" da troika, que deve agora, sob pena de um anátema do FMI e da "Europa", apoiar e cumprir. Segundo, a crise acabou de uma vez com o programa redistributivo do socialismo: como explicou Mario Draghi, o "Estado social" morreu. E, terceiro, as fraquezas do Governo (que são manifestas) não bastam, apesar de tudo, para fundar e animar uma oposição decente. Seguro anda assim melancolicamente a vaguear de pormenor em pormenor, de cabeça perdida e cara severa, perante a justa indiferença do indígena e o tumulto de um partido que junta as saudades do poder à irresponsabilidade da confusão e do delírio.
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Ninguém espera, de resto, que Seguro salve o socialismo. E, pior ainda, ninguém espera, no fundo, sair deste particular buraco. (...)

João Nogueira dos Santos e Carlos Macedo e Cunha - Público de 11-4-2012

O mais grave problema da nossa democracia está no facto de os dois principais partidos do país, PS e PSD, não assegurarem que as suas eleições internas sejam verdadeiras, nem representem a vontade dos seus eleitores e militantes.  (...)

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As diferentes eleições partidárias onde se elegem os dirigentes locais, concelhios e distritais, os congressistas ou o líder do partido (e candidato a primeiro-ministro), ou futuramente candidatos a deputados e câmaras municipais (com a implementação de primárias) foram e vão continuar a ser demasiadas vezes dominadas por práticas que falseiam os resultados e tornam a política partidária refém do dinheiro, da batota eleitoral e da mediocridade. As consequências são terríveis para qualidade dos partidos: afastam da política os cidadãos e militantes sérios e íntegros, incapacitando os partidos de se renovarem e de eleger os melhores para os diferentes cargos dirigentes e representativos.

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Na nossa democracia os partidos são a base do sistema, e os seus estatutos as verdadeiras "constituições" que definem como os cidadãos participam e escolhem os seus dirigentes, candidatos e representantes políticos. Se estes não funcionam bem, se são incapazes de impor a verdade democrática nas suas eleições internas, então o que prevalecerá na base do sistema é a falta de representatividade, a mediocridade e o clientelismo, que dominarão todo o nosso sistema político.

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É fundamental que toda a sociedade civil, filiados e não filiados nos partidos, exijam das direcções partidárias medidas sérias que conduzam à eliminação de uma vez por todas destes esquemas fraudulentos e antidemocráticos, que destroem a base do nosso sistema democrático, e que põem em causa o futuro da nossa democracia e do nosso país.

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É por isso que o debate dos estatutos partidários não é apenas um debate interno do partido A ou B, ou uma mera questão burocrática destes partidos. É provavelmente o debate mais importante sobre a qualificação da nossa democracia.