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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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28 Abr, 2012

A CARTILHA DE HAYEC

João Pereira Coutinho - Correio da Manhã

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O Caminho para a Servidão’ escrito pelo Prémio Nobel da Economia de 1974 é leitura essencial ao debate das grandes questões deste tempo. Terá o capitalismo falhado? Será a intervenção vigilante e planificadora do Estado a resposta para os excessos do "neoliberalismo" selvagem?

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Estas perguntas andam na boca do mundo desde que rebentou a crise financeira de 2008. E é provável que as melhores almas não saibam como responder ao ataque.

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Para elas, aconselho um regresso aos clássicos e a leitura de ‘O Caminho para a Servidão', de Friedrich Hayek. A versão portuguesa, da Edições 70, chega e sobra para os gastos.

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MENSAGEM ACTUAL

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Foi o que fiz: reli Hayek e pasmei com a modernidade do argumento. Essa modernidade ressalta, desde logo, numa observação do autor que me provocou gargalhadas fartas e que me tinha escapado na primeira leitura: acontece quando Hayek relata a estupefacção dos intelectuais ingleses durante a Segunda Guerra Mundial quando se confrontavam com as opiniões semifascistas dos próprios socialistas alemães exilados em Londres. Como explicar que os socialistas, perseguidos por Hitler, partilhassem ainda certas ideias do perseguidor?

Eis a chave da obra, creio eu: o fascismo, o nazismo e o comunismo só superficialmente são tiranias rivais. Na verdade, é mais rigoroso olhar para elas como tiranias gémeas que nascem do mesmo ramo "socialista". E por "socialismo" entende Hayek a tentativa centralizadora de planificar a economia de uma sociedade, submetendo os interesses e os valores dos indivíduos a um fim único e totalitário.

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O nazismo ou o comunismo podem ter levado mais longe essa ambição, é certo; mas a dose de violência e destruição já estava no código genético da mentalidade centralizadora. Porque só é possível atingir um fim que se considera igualitário e perfeito quando se submetem todas as forças da sociedade ao mesmo colete-de--forças ideológico.