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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

02 Ago, 2012

EM DEFESA DA HONRA

Santana-Maia Leonardo - in A Barca

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Temos sido governados, nos últimos anos, pela versão portuguesa da geração "Sexo, Drogas e Rock 'n Rooll". Ou seja, a geração da "realização pessoal". E em nome da realização pessoal, sacrificou-se tudo, até a família e os amigos. A honra foi um valor desprezado, denegrido e totalmente esvaziado por esta geração, ao ponto de praticamente ter desaparecido do nosso vocabulário.

 

Ora, a honra é a trave mestra do edifício dos valores. Não há instituição, comunidade ou sociedade que consiga manter-se de pé sem valorizar a gente honrada. Acontece que, nos últimos 40 anos, ao mesmo tempo que a gente honrada era perseguida, enxovalhada e ridicularizada por esta geração, os "chicos espertos" tomavam de assalto todas as instituições (partidos, autarquias, escolas, tribunais, Assembleia da República, Governo, Presidência da República, etc. etc.) e institucionalizavam, como ideologia da IIIª República, o "chico-espertismo". Estamos, agora, apenas, a colher o que semeámos..  

 

E num país governado por esta canalha, não se podia esperar dos nossos serviços secretos outra coisa a não ser andar a espreitar pelos buracos da fechadura ao serviço de um qualquer "chico esperto". E não sei mesmo o que mais me revolta: se esta geração de "chicos espertos" que implodiu todas as nossas instituições ou a cínica candura dos nossos comentadores que, tendo presenciado à derrocada das nossas instituições, ainda têm o descaramento de pedir ao povo para confiar no regular funcionamento das mesmas.

Paulo Rangel - Público de 31/7/12

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(...) O uso de uma linguagem mais coloquial, informal ou até rasteira põe em causa o respeito devido às funções públicas e aos eleitores em nome dos quais elas são exercidas. (...)

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É, aliás, deveras surpreendente o modo como tanta gente confunde a erudição ou cultura formal com a educação, civismo ou "polimento". A linguagem "popular" - usada pelas camadas com menos instrução e com menos poder social ou económico -, tal como qualquer outro tipo de linguagem, tanto pode ser usada num registo polido como num registo menos cuidado ou até rude.

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Por isso, Marcelo errou o alvo quando, para legitimar a sua indiferença ao registo em causa ("Que se lixem as eleições"), brandiu o exemplo de Jerónimo de Sousa. Jerónimo de Sousa é precisamente um caso de uso consistente da linguagem popular num registo sempre educado...

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O desempenho de funções políticas não tem de ser, como foi outrora, pomposo, solene, grave, sacral ou majestático. E muito menos tem de o ser no quadro de um regime republicano. Mas há-de pautar-se por uma linha irrepreensível de dignidade, de sobriedade e de respeito. E, por muito bem intencionadas ou calorosas que sejam as tiradas num tom mais informal, a verdade é que elas, especialmente em contexto institucional, arriscam-se a pôr em causa esses valores.

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Em democracia, é fundamental que os responsáveis políticos não se esqueçam que falam, não em nome próprio, mas em representação dos seus concidadãos e do interesse geral. Ora, esse vínculo à representação dos outros e ao interesse geral tem de reflectir-se, de um ou doutro modo, no estilo da comunicação.

Alberto Gonçalves - Diário de Notícias de 29/7/12

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(...) Não tarda, sempre que um membro do governo ou alguém conotado com o PSD disser "Bom dia!", logo saltará o dr. Zorrinho a explicar que o sujeito em causa afirmou claramente o nojo ao povo português e o desejo de que este padeça vítima de calamidades diversas. Para cúmulo, não adiantará ao sujeito tentar esclarecer o equívoco, já que o dr. Zorrinho usará o esclarecimento a fim de acusar o infeliz de maldades ainda piores. Consta que o dr. Zorrinho ensina Gestão da Comunicação. Ensina, não aprende.