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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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04 Ago, 2012

O QUE É O PS?

Vasco Pulido Valente - Público de 28/7/12

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A pobre figura do secretário-geral do PS, como ninguém o nota ou longinquamente se parece importar com o que ele diz, resolveu mandar esta semana aos socialistas uma espécie de carta em que define a "acção política" do partido para o futuro. A carta (ou "mensagem") é muito curiosa. Ao que parece, os fins de António José Seguro são três. Primeiro, "promover o crescimento e reduzir a austeridade". Segundo, "evitar a degradação da classe média, dos mais pobres e das pessoas mais vulneráveis" (por esta ordem). E, terceiro, "preservar o Estado Social". Nada mais louvável; e nada que mostre com mais clareza o bom carácter do homem e, sobretudo, a mediocridade do político. No meio da crise, é às vezes confortador ouvir o óbvio, mesmo que seja rigorosamente inútil.
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Porque enfim, tirando a franja morta e quase esquecida da extrema-esquerda (o PC e o Bloco), que outro político não assinaria sem hesitar o programa de Seguro e que português não concordaria com ele? Mas subsiste um problema. O problema de saber o que distingue hoje, para além do acidental, o PS, o CDS e o PSD? Ou, de outra maneira (um pouco brutal), o que é hoje o "socialismo", quando os próprios moderados do "franquismo" já em 1975 proclamavam intenções que não diferiam muito das do presente PS. Houve um tempo em que o "socialismo" se distinguia. Só que entretanto se aliviou do marxismo (parabéns!) e deixou pelo caminho a "reforma agrária", a nacionalização da indústria e da banca, e até a sua velha ambição de dominar (como insistia o calão da época) os "cumes da economia".
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Agora partilha os fins (Seguro não se refere a métodos) de qualquer conservador. Nem o Estado-Providência é no fundo uma criação dele. Começou com Bismarck e continuou depois de 1947 com a ajuda da democracia cristã por essa Europa fora. O dr. Soares, por exemplo, ainda lamenta o enfraquecimento e a inoperância da "doutrina social da Igreja"; e não se engana. Neste aperto, António José Seguro com certeza que se pergunta com a melancolia que passeia pelo país: "Que raio é que distingue um "socialista" de um PSD ou de um CDS?". E, pelos vistos, não consegue responder porque não existe resposta, fora a tradição familiar, um gosto herdado e - lamento acrescentar - meia dúzia de asneiras longamente estimadas. E, claro, as clientelas, que o partido criou. Com esta matéria, não admira que ele esteja onde está: fora de cena.