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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Pedro Marques Lopes - Diário de Notícias de 29/7/12

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Num artigo no Financial Times, Martin Wolf dizia que até agora não tinha compreendido o sucedido nos anos 1930. Porém, a crise que atravessamos tinha-o esclarecido: "Tudo o que era necessário eram economias frágeis, um sistema monetário rígido, um debate intenso sobre o que deveria ser feito, a crença de que o sofrimento é bom, políticos cegos, incapacidade para cooperar e incapacidade para estar à frente dos acontecimentos." (...)

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O euro está a morrer e com ele muitas outras coisas correm o risco muitíssimo sério de desaparecer. O projecto europeu será o primeiro a perecer. O mais bem-sucedido projecto de cooperação internacional da história, aquele que mais bem-estar trouxe aos seus povos na história da humanidade, o que garantiu o mais longo período sem guerra na Europa, sucumbirá. Cairá pelas razões que Martin Wolf tão bem enunciou, mas resultado também da desconfiança e da falta de cooperação entre parceiros, da incapacidade de corrigir os erros na construção do euro, dos complexos alemães, da cegueira ideológica e da falta de transparência democrática na construção europeia. A democracia cairá logo a seguir: não há democracia que consiga aguentar o colapso económico e social que o fim do euro provocará.

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Eu não pediria grandes políticos nem grandes líderes, apenas um bocadinho de bom senso, mas no momento que atravessamos é o mais escasso dos bens.

05 Ago, 2012

LOUVOR DOS RICOS

Alberto Gonçalves - Diário de Notícias de 29/7/12

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Nos sites da imprensa generalista, a notícia de que Alexandre Soares dos Santos é o novo homem mais rico de Portugal foi em geral recebida com comentários de puro ódio. (...)

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O "valor" de Alexandre Soares dos Santos ronda os 2 mil milhões de euros, pecúlio que, na Suécia, lhe concederia um reles sétimo posto na lista dos multimilionários. O sueco mais abonado possui quase vinte mil milhões. O norueguês mais rico, para continuar em nações de dimensão semelhante, dispõe de cerca de dez mil milhões. O dinamarquês mais rico? Quatro mil milhões. O holandês? Cinco mil milhões. O belga? Três mil milhões.

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A verdade é uma: sem acumulação de capital, a prosperidade não passa de retórica. Portugal conta com os ricos mais pobres da Europa, circunstância que em sociedades política e economicamente abertas traduz o atraso indígena (ou os limites indígenas à referida abertura) e não qualquer indício de progresso. Curiosamente, os "progressistas" de serviço continuam a querer erradicar a escassa riqueza em prol da penúria global com já Salazar sonhava. Bate certo, mas os "progressistas" não batem bem.