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COLUNA VERTICAL



Terça-feira, 07.08.12

HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE RESISTE

Rede Regional de 6/8/12

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CAMORRA EXERCEU EXTORSÃO

DURANTE 10 ANOS EM ABRANTES

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Ministério Público de Abrantes deduziu acusação contra sete arguidos,

mas reconhece que nem todos os envolvidos vão a julgamento

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O Ministério Público (MP) de Abrantes deduziu acusação contra um grupo organizado se dedicou durante mais de 10 anos à extorsão de dinheiro e bens a comerciantes, instaurando um verdadeiro clima de terror na cidade.

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Apesar da situação parecer impensável nos dias que correm, e da Câmara de Abrantes e das forças de segurança a terem desvalorizado em diversas ocasiões, a acusação mostra que vários empresários foram efectivamente obrigados a pagar para garantir a sua segurança, e que foram vítimas de intimidação física e coacção psicológica.

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Associação criminosa, extorsão na forma continuada, coacção, dano, ofensas corporais e ameaça agravada são os crimes de que estão acusados sete arguidos, com idades entre os 19 e os 52 anos, considerados muitos violentos e perigosos. A maioria reside no problemático bairro social de Vale das Rãs, em Abrantes.

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No despacho de acusação, a que a Rede Regional teve acesso, o MP sustenta que o grupo se constituiu como “estrutura organizada” em 2000, ano em começaram a exigir a vários proprietários de estabelecimentos comerciais da cidade “quantias não inferiores a 50 euros, bem como géneros alimentícios e outras mercadorias” (tabaco e bebidas, sobretudo), em troca de “protecção”.

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A maioria das vítimas pagava em silêncio, perante as sucessivas ameaças de morte ou de vandalização dos seus estabelecimentos.

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A obtenção dos valores monetários desta forma ficou conhecida por «camorra»", considera o MP, acrescentando que as quantias assim obtidas foram “distribuídas pelos vários elementos do grupo”.

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Apesar de levar sete arguidos a julgamento, o próprio MP reconhece que não conseguiu identificar e deduzir acusação contra todos os elementos envolvidos neste esquema.

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HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE RESISTE

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Durante nove longos meses, um dos queixosos no processo foi violentamente espancado em duas ocasiões, ameaçado de morte com arma de fogo e viu o seu café ser destruído e vandalizado várias vezes, simplesmente porque sempre recusou pagar a “protecção” exigida pelos agressores.

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O calvário do empresário que não cedeu à chantagem começou em Setembro de 2010, cerca de dois meses depois de ter aberto um snack-bar de dois pisos perto da escola secundária Solano de Abreu.

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Alguns dos arguidos começaram a frequentar o estabelecimento, onde provocaram distúrbios, agrediram clientes e funcionários, e destruíram o interior.

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Numa das tentativas de intimidação, os suspeitos tentaram entrar pelas portas de vidro do café ao volante de um jipe Hummer de matrícula estrangeira, com clientes e funcionários trancados no interior, completamente aterrorizados.

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Só neste episódio, provocaram danos superiores a 2.500 euros, mas a acusação descreve várias outras situações ocorridas no mesmo estabelecimento e com a mesma vítima, que começou posteriormente a sofrer ameaças de morte, extensíveis à sua família, para retirar a queixa-crime.

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MEDO TRAVOU DENÚNCIAS DURANTE ANOS

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Câmara de Abrantes nunca deu a devida atenção

à falta de segurança, segundo os vereadores do PSD

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O problema da falta de segurança pública que se vivia em Abrantes e a impunidade com que alguns grupos de marginais actuavam na cidade ganhou alguma visibilidade a partir das últimas eleições autárquicas, altura em que começaram as denúncias dos candidatos do PSD, que chegaram mesmo a realizar acções de campanha em alguns dos locais mais problemáticos, como é o caso do Centro Comercial Millenium.

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Em Setembro de 2010, os vereadores do PSD promoveram uma conferência de imprensa onde deram conta de existir, na altura, “situações de cariz mafioso, como é o caso de extorsão de dinheiro e de bens a comerciantes, e de esquemas de contratação de elementos de comunidades marginais para amedrontar e afugentar a clientela de estabelecimentos comerciais concorrentes”.

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Os social-democratas exigiam que a Câmara Municipal de Abrantes e as forças de segurança reconhecessem uma situação que consideraram ser “de alarme público”, e pediam mesmo a sua denúncia “junto do ministro da Administração Interna, para que tome as medidas que se impõem para que a paz pública e a segurança retornem à cidade”.

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A autarquia, mesmo perante o aumento do número de crimes (sobretudo crimes contra o património) e das ondas de assaltos que ocorreram no concelho nos últimos anos, sempre defendeu que a criminalidade estaria dentro dos parâmetros da normalidade.

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A insegurança que se vivia deu inclusivamente origem a uma petição pública “Por uma Abrantes segura como dantes”, lançada por estudantes da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), e que conta actualmente com 522 subscritores.

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Os abrantinos estão cansados de viver numa cidade controlada por uma comunidade de marginais que semeia o terror a seu bel-prazer perante a inoperância e a complacência das autoridades”, lê-se na petição, onde os signatários exigem que o Estado “assuma as suas responsabilidades relativamente à cidade de Abrantes, libertando-a da tutela do grupo de marginais que a controla e domina, através do terror”.

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Ver: http://amar-abrantes.blogs.sapo.pt/506496.html

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