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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Santana-Maia Leonardo - Nova Aliança de 20/7/12

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Devido à sua importância estratégica para a região de Abrantes, vou aproveitar hoje a minha coluna para dar a conhecer a proposta que os vereadores eleitos pelo PSD apresentaram na última sessão de câmara:

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«Não há Governo, deputado, partido político, comentador ou jornalista que não eleja o combate à desertificação do interior como um dos grandes desígnios nacionais.

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No entanto, a consciência da anunciada tragédia não teve ainda o mérito estimular a coragem dos nossos governantes para a tomada de uma decisão inadiável. E à medida que o país de esvazia para a região de Lisboa, onde em breve se amontoarão a esmagadora maioria dos portugueses, vamos assistindo à eutanásia das povoações situadas a leste da A1, de onde vão sendo retirados os poucos serviços (escolas, centros de saúde, tribunais, juntas de freguesia e serviços) que ainda as mantêm vivas.

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Ora, o repovoamento do interior não se faz nem com discursos de circunstância nem com carpideiras de ocasião. E não vale a pena lançar mão de putativos incentivos que servem apenas para aliviar a má consciência dos governantes e que não têm qualquer potencialidade de incentivar o que quer que seja, como toda a gente sabe. Até porque só há uma forma de repovoar e combater a desertificação do interior: deslocar serviços e instituições que apenas servem para congestionar a região de Lisboa e que terão inevitavelmente um efeito de bola de neve se forem deslocados para o interior.

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Esta é que é a reforma estrutural em que o Governo deveria concentrar todas as suas energias porque, como toda a gente não pode deixar de reconhecer, é a única reforma com potencial para ser a mãe de todas as reformas estruturais.

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Abrantes é, historicamente, uma cidade-fortaleza com grande tradição militar, encontrando-se situada num ponto estratégico vital: precisamente no centro de Portugal. Além disso, encontram-se situados na região de Abrantes o principal campo militar do exército português (Santa Margarida), a Brigada da Nato (Santa Margarida), a  Brigada Aerotransportada (Tancos), a Escola Prática de Engenharia (Tancos), a Escola Prática de Cavalaria (Abantes) e a Manutenção Militar (Entroncamento).

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Ora, quando se encontram situados nesta região, que é o centro de Portugal, o principal campo militar, as principais brigadas do exército e as escolas práticas de Cavalaria e Engenharia, que sentido faz manter localizado em Lisboa o Hospital Militar, o Estado-Maior do Exército, algumas companhias militares e, mesmo, o Ministério da Defesa?

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Todos sabemos que o repovoamento de Portugal foi iniciado precisamente pela ocupação militar do território. É, pois, chegado o momento de as altas patentes militares saírem do conforto da corte de Lisboa, que lhes tem aumentado o abdómen na mesma proporção que lhes amolece a vontade e o carácter, e empenharem-se, pelo exemplo, neste combate decisivo pelo futuro de Portugal contra a desertificação do território.

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Os vereadores eleitos pelo PSD estão absolutamente convencidos de que a instituição militar não deixará de responder presente neste combate verdadeiramente decisivo para o nosso futuro até porque será uma forma de mostrar, mais uma vez, o seu espírito de missão e a sua utilidade e importância na (re)construção de Portugal.

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Cabe, no entanto, à Câmara de Abrantes abraçar este projecto como o principal desígnio do município, envolvendo nele os municípios, as instituições, os órgãos de comunicação social e todas as forças vivas da região, de forma a convencer o Governo e a Assembleia da República a contrariar, pela primeira vez, a força centrífuga sediada em Lisboa que tem levado ao esvaziamento do território nacional. No fundo, não seria mais do que tornar actual o conhecido ditado português: "Tudo como dantes, Quartel General em Abrantes".

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Pelo exposto, os vereadores do PSD vêm apresentar a seguinte proposta, requerendo, desde já, o seu agendamento: A Câmara deverá transformar no principal desígnio do município a transferência para a região de Abrantes, por fases e na próxima década, do Hospital Militar, do Estado-Maior do Exército, do Ministério da Defesa e de todas as companhias militares situadas na região de Lisboa, envolvendo neste projecto as instituições, os órgãos de comunicação social, as forças vivas e os municípios da região, designadamente: Constância, Entroncamento, Chamusca, Sardoal, Ponte de Sor, Avis, Alter, Fronteira, Gavião e Nisa.»